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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"NOITE FELIZ" AUTO DE NATAL


Tô aqui lembrando como é que eu comecei a sentar o dedo na Letra Elektrônica, foi há uns seis meses atrás, naquele dia dos namorados. Fomos jantar no tal do Zé da Pizza e o cara tava fazendo uma "promoção", cobrando cinqüenta “real” o cabeção, porque antes do crack da bolsa podia-se tomar dessas liberdades. Neste último domingo estivemos também numa abominável, porque estrambótica, Estância no Vale do Moxuara que me fez lembrar aborrecimentos passados, mas prometi não escrever a respeito até as mordidas (picadas?) de borrachudo pararem de coçar.

O Zé da Pizza proíbe criança de entrar em seu estabelecimento e agora me ocorre que, ao invés de ter me espanado de lá, aquele barbudo mal humorado devia ter era me barrado, afinal, não tenho a menor mentalidade. Por falar nisso, já dizia São Manuel Bandeira: Deus conserve as minhas criancices! Mas das coisas ruins podemos tirar boas experiências, pensando nisso: será que alguém já montou um blog com o nome de Síndrome da Pollyana? Digo isso porque depois de não comer a pizza que o Zé amassou, fiz um texto esculhambante e enviei para todos meus amigos, não demorou e alguns começaram a me intimar a escrever com regularidade, então aqui estou de novo e a culpa é de vocês.

Mas desta vez tô chegando em cima da hora pra fazer um convite à essa juventude semi-nova de retina descolada, esses filhotes da década perdida e seus rebentos, demais familiares e amigos. Na despedida de 2008 e também de oito anos de administração do Prefeito Max Filho teremos muitos eventos acontecendo na cidade de Vila Velha, destes quero destacar a apresentação do Auto de Natal intitulado “Noite Feliz”. A peça tem texto e direção de Alvarito Mendes Filho, Secretário Municipal de Cultura e, como o nome já diz, é uma adaptação da tradicional história do nascimento de Cristo.

O elenco do Auto de Natal é praticamente composto por servidores da Prefeitura de Vila Velha, eu mesmo participo como São José, Dona Sirlene Juffo faz o papel de Isabel, entre outros atores amadores e profissionais que voluntariamente colaboram para a realização desta singela encenação natalina. O Auto é uma adaptação livre, coloquial e atual da história que está na bíblia: tem o presépio com José, Maria e Jesus no Estábulo, os Reis Magos, Herodes e até uma linda árvore de natal humana, culminando com a chegada do Papai Noel. Há coisa de uns três anos atrás (vide foto) foi encenado na mesma Praça Duque de Caxias com enorme sucesso.

Confesso que, todas as vezes em que participo do Auto de Natal, tenho uma enorme vontade de transformar essa história em comédia, fico sempre imaginando uma situação engraçada, ou uma maneira de surpreender o público com alguma tirada de non sense. Felizmente, nenhuma das minhas idéias iconoclastas (blasfemas diriam alguns) foi aceita pelo diretor. Quem sabe algum dia eu não peço autorização a Alvarito e monto uma versão cômica da peça? Pena que os católicos geralmente não vejam com tanto bom humor as piadas feitas em relação às coisas consideradas santas e espiritualizadas. Eu sempre achei que ter espírito e ser engraçado eram coisas semelhantes. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa? Então vamos lá prestigiar o trabalho desse seu amigo e seus coleguinhas, é um programa muito bacana pra se levar especialmente aquela criança feliz que quebrou o nariz, foi pro hospital tomar Sonrisal...

“NOITE FELIZ” AUTO DE NATAL
Texto e Direção de Alvarito Mendes Filho

Onde: Praça Duque de Caxias
Centro de Vila Velha-ES
Datas: 19 e 20 de dezembro
Horário: Sempre às 20 horas
Entrada Franca.

Elenco: Vanussa Andrade, Juca Magalhães, Marcelo Zan, Ilma Capaz, Carina Tonassi, Mayara Bacelar, Hingridy Fassarela, Wellington Suisso e Sirlene Juffo (servidores da prefeitura de Vila Velha), Mariana Veiga, Jocleiton Oliveira, Claudia Gomes, Alexandre Toster, Thiago Mothé Guimarães e Edwaldo Almeida.

domingo, 13 de julho de 2008

PROMOÇÃO DE DIA DOS NAMORADOS (REPRISE)



Dia dos namorados é dose... Engarrafamento em tudo quanto é lugar, lojas caóticas com vendedores não menos (sistemas fora do ar), indecisão na hora de comprar uma coisa legal e os restaurantes lotados, mas não é que teve um que foi exceção...

Ali na antiga Ilha de Santa Maria, perto do Edifício Paulo VI, lugar que hoje é chamado de Enseada do Suá e que é na prática já faz parte da Praia do Canto, tem uma Pizzaria chamada “Zé da Pizza”, ou algo assim, pois muito bem:

Saímos (eu ranheta e ela determinada, como é de praxe) pra cumprir o tradicional ritual do (obrigatório?) “jantar romântico do dia dos namorados” (embora nunca tenhamos precisado muito de ocasião para comer uma pizza)... Aliás, o dia de São Valentim é em fevereiro. No Brasil é que se comemora o dia dos namorados em junho, única e exclusivamente por questões comerciais, portanto, nem um pouco românticas.

Um de nossos amigos tinha indicado o tal “Zé da Pizza”, dizendo que a massa lá era muito boa, acima da média da nossa cidade, não tão pródiga e famosa pelas pizzarias... E olha que tem é descendente de italiano por aqui...

A única coisa que esse nosso amigo falou de ruim do restaurante é que lá não aceita a entrada de crianças, coisa que ele achou antipático, o que pra gente não era problema, casal sem filhos, é até melhor que o clima romântico (e a tranquilidade) fica mais garantido.

Logo na entrada passamos rápido por um cartazinho de papel A4 colado na porta de vidro que dizia algo sobre uma “PROMOÇÃO DE DIA DOS NAMORADOS” cujo consumo mínimo deveria ser de cinqüenta reais. Bom, sair pra jantar num dia especial tem desses inconvenientes e, afinal, cada tem direito de um pedir o que quiser pelo serviço que oferece... Quem achar o preço justo que pague.

Diferente de todos os outros lugares da cidade, lá dentro não tinha ninguém, cheguei a pensar que a pizzaria não estivesse funcionando. Mas logo fomos abordados por um senhor de barba grisalha, que, aliás, me lembrou Bebeto Guimarães e que nos abordou sem muitos rodeis da seguinte maneira:

- O cartaz lá fora ficou claro pra vocês? – Ficamos sem graça com aquela investida quase truculenta, daí respondi:

- Ficou sim. O consumo mínimo é de cinqüenta reais né? - Dificilmente gastamos mais de quarenta em outras pizzarias da cidade, mas, enfim, era dia de se fazer um sacrifício: tudo em nome do amor...

- Não, não... – Fui interrompido por ele e por ela – O consumo mínimo de cinqüenta reais é por pessoa. Minha namorada já tinha entendido o esquema e eu ali dando de trouxa retruquei...

- Caramba amigo... Cem reais é um bocado de pizza hein?

- Ah! não, mas tem que tomar um vinhozinho também... – Ele já queria nos ditar o que beber, enfim, dar um jeito de gastar os tais cem contos. Só de vingança retruquei:

- Nós não bebemos não amigo... - no meu caso, eu entorno, mas não comumente e a patroa não gosta, o que não é da conta de ninguém, muito menos de um completo desconhecido que estava sendo deselegante conosco, afinal, sua abordagem dava a entender que nós não tínhamos condição - ou claramente intenção - de gastar cem reais numa noitada.

Obviamente resolvemos ir embora dali mesmo... Muito mais pela atitude do sujeito, espanador de clientes, do que por conta dos tais cem reaizinhos, daí entendi porque é que a casa estava vazia. Coisa de doido. Será que ele queria espantar a freguesia pra poder sair com a namorada? Hahahaha! Vai ver...

Conseguimos a última mesa vaga na “nossa” velha (e ótima) pizzaria Napolitana e jantamos muito bem. Lá tinha promoção de dia dos namorados também, eram umas velinhas enfeitadas em cima da mesa. Nem me lembro quanto gastamos. Que diferença isso faz? Aliás, lembrei agora daquela música do velho compositor Zé Coisado “Quem nasce Zé não morre Johnny”. E me arrependi de, antes de ir embora, não ter dito praquele barbudo pizzaiolo da capitalistolândia:

- Rapaz... Você é um “Zé” mesmo hein?