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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Guerra ao Preconceito é o Avatar do Oscar 2010


A Academia cinematográfica de Hollywood divulgou ontem os concorrentes ao Oscar 2010, da lista que comentei num post passado tem vários na disputa pelo prêmio de melhor filme. Alguns eu nem tinha falado, porque ficaram pro meio do ano como o belíssimo Up – Altas Aventuras, filme em 3D que já valeu uma resenha inteira aqui na Lektra e Bastardos Inglórios, a ótima fantasia biruta da segunda guerra que Quentim Tarantino dirigiu com sua verve impagável e aquele fantástico diálogo – praticamente um monólogo - de abertura que deve valer a Christoph Waltz a estatueta de melhor ator coadjuvante.


Fiquei um pouco surpreso com a dimensão que alcançou o filme "Guerra ao Terror" (The Hurt Locker) da diretora Kathryn Bigelow - por sinal ex-mulher de James Cameron de Avatar - simplesmente não entendi. Certamente o problema é meu, porque não consegui ver nada de mais nesse “Iraq Movie” – a parada já virou até um sub-gênero. Claro que não é um filme ruim e a produção já vinha sendo muito comentada, o que tem de bom mesmo é o elenco super engajado, especialmente Jeremy Renner, até então sem grande destaque no cinema, que foi indicado ao Oscar de melhor ator.


Avatar segue como a grande sensação do momento, espocando a sibilina das bilheterias ao redor do planeta, já era esperado todo esse fuzuê ao seu redor. Hollywood é uma indústria e um blockbuster como esse mantém a máquina funcionando. Todo dia alguém vem me convidar pra ir ver ou comenta que foi, é uma verdadeira febre. Me ocorre agora e arrisco a dizer que James Cameron preencheu a lacuna deixada por Spielberg que durante anos dominou as bilheterias com produções grandiosas e de incrível popularidade. Avatar nada mais é que o E.T dos tempos atuais...


Distrito 9 conseguiu várias indicações ao Oscar, inclusive uma muito merecida a melhor filme, é uma ficção muito bem contada, sur-real-lista, atual e trata de preconceito como – vale ressaltar – quase todos os indicados. De uma forma ou de outra, o respeito às diferenças e os choques culturais, étnicos, raciais e o escambau, são tema em quase todos os concorrentes: Avatar é assim, Altas Aventuras é uma reviravolta na visão que temos do idoso, Preciosa tem um pouco de tudo, mas o destaque talvez fique pela obesidade mórbida; Por falar nisso, o ótimo Invicto acabou ficando de fora da disputa por melhor filme, concorre apenas com Morgan Freedman como melhor ator.


Amor Sem Escalas (Up In The Air) e Educação (An Education) são, talvez, as opções caretinhas, no sentido de tradicionais, desse páreo e, além de melhor filme estão concorrendo em várias categorias. Confesso que ainda não vi a nova produção dos irmãos Cohen “A Serious Man” (Um Homem Sério?), mas estes nunca são caretas, e Um Sonho Possível (The Blind Side) que tem Sandra Bullock como destaque - o que não é lá uma referência muito boa - mas que parece tratar de preconceito também. Por falar nisso, é atroz ver George Clooney indicado ao Oscar de melhor ator (Eita!).


Um filme que passou batido pelos membros da Academia, mas que é muito interessante, é “A Estrada” – um drama sobre os tempos após o final dos tempos - com Viggo Mortensen em ótima atuação, certamente mais merecedora de uma indicação que a do galã Clooney. Curiosamente está sendo lançado agora o filme O Livro de Eli com Denzel Washington, ambientado exatamente como o anterior. Nas duas histórias a Terra sofreu um hecatombe qualquer não explicado, os sobreviventes ficam malucos, doentes e descambam para o canibalismo. É, curiosamente, tudo muito parecido. Tem momentos em que parece que os dois filmes vão se cruzar e compartilhar suas histórias. Ambos lembram Mad Max, especialmente o segundo. A Estrada é mais robusto em drama e sentimento, O Livro de Eli em aventura e caricatice, sobretudo de Gary Oldman no papel do vilão e do próprio Denzel que parece ter sido chamado na última hora para substituir Wesley Snipes. Confere lá e depois me fala.


Outra produção grandiosa ignorada pelo Oscar 2010 é “Amélia” com Hilary Swank, Ewan MaCcgreagor e Richard Gere. O filme conta a história da aviadora americana Amélia Earhart, a primeira mulher a cruzar o atlântico de avião e uma verdadeira celebridade na primeira metade do século vinte. Só pra arrematar, acabei de pegar o filme novo de Terry Gilliam, talvez o meu diretor predileto, chama-se o “O Imaginário do Dr. Parnassus” que concorre com uma indicação em Direção de Arte. Gilliam, para quem não lembra, foi membro do Monty Phyton e tem uma carreira bastante à parte do cotidiano Hollywoodiano. Seus filmes mais populares são 12 Macacos e O Pescador de Ilusões.


A entrega do Oscar será no dia sete de março e, embora não vá mudar nada em nossa vida, é uma festa bacana que sempre mexe com o coração da galera que gosta de cinema. Acho muito legal e importante que a mais popular expressão artística de nossos tempos seja finalmente usada como veículo para combater - ou pelo menos tentar questionar - o racismo, o preconceito e as demais mazelas que infligimos a nós mesmos no dia a dia. Precisamos dar esse passo adiante como seres humanos e o cinema é certamente uma forma muito convincente de enxergarmos e aceitarmos nossas limitações.


4 comentários:

Carla Teixeira disse...

Jucaaaa, vá ver Avatar!! É lindo!!
sim, sim, pode ser piegas e todas as breguices mais, porém é uma história bem contada. Ponto final.
Entretenimento puro!
E em 3D é incomparável. :-)
Vá ver, no shopping Vitória fica até amanhã, quinta-feira.
Bjs!
Carla

Juca Magalhães disse...

Ora minha querida, eu já vi. Por isso achei a história careta, mas o filme, enquanto entretenimento é lindo mesmo... É como ir a um show de Roberto Carlos, a música pode ser uma porcaria e, certamente, mal cantada, porém a produção como um todo acaba segurando a onda e fazendo valer o ingresso. uhauhauhuha" Eu sei, essa foi pra te sacanear, mas não resisti. Bjs e obrigado pela participação.

Carla Teixeira disse...

Falou, Juca, vou fingir que não fui alfinetada, ok? :-)
Menino, quase que te sacaneei também no facebook. Viu a entrevista do Robertão, no G1? Nela ele disse que as três coisas preferidas dele são: Sexo com amor, sexo sem amor e sorvete.
Quase que lhe perguntei se você não concordava com nada dele. :-)
Bjs!
Carla
P.S.: Muito legal a história do post seguinte a este, mas eu acho que o título deveria ser "Opa! tem gente que olha o próprio rabo!" kkkkkkk

Juca Magalhães disse...

Será que quando o Rei fala de sexo sem amor ele se referia à masturbação? Como dizem no Moquecada: Desconfiamos. Eu trocaria o sorvete pela cerveja, uma loira gelada, ou os dois, mas são tantas emoções... Sexo sem amor é assunto para um post inteiro, vou imaginar uma abordagem bem hard. Bjs querida.