Páginas

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

BACK IN BLACK... HUMOR!


Foi há muito tempo atrás, muito tempo. Descobri aquele livro do Adorno que falava do fetichismo na música e a diminuição da audição. A música ensurdecedora, o som que nossos pais detestavam ouvir. Hoje encasquetei que aquela música, odiada por muitos e por isso mesmo adorada por nós, apenas servia - e talvez até mesmo simplesmente existisse - para nos fazer sentir especiais, pouco mais do que isso. Era um som dito pesado, feito para ensurdecer, “seek and destroy” os tímpanos. Não era música para se ouvir propriamente, era o símbolo de nosso abandono, de nossas feridas mais escondidas e que em represália estávamos abandonando também. Como o quê? Tudo, ora!


Então, não sei porque, lembrei que odiava a música de Roberto Carlos – hoje prefiro não odiar nada porque dá menos trabalho. Tem que explicar? Não? Pô que bom! - talvez mais do que isso, eu odiava tudo o que o pacotão do Rei e suas canções representavam: o poder aquisitivo e o consumismo, a Rede Globo, os sorrisos vazios, orgulhosos e pedantes daquelas pessoas que não tiveram escrúpulos de escalar a montanha social e retirar dela até o que Deus duvida. Escolhi me limitar ao básico, quer dizer, nem sei se escolhi... Acho que, na medida que entendia o jogo, fui ficando assim... Entediado e arredio.


Um dia estava fazendo compras no supermercado Carone da Leitão da Silva com a Rio Branco – por falar nisso, é incrível como aquele lugar vive lotado! – e no som “ambiente” estava tocando das canções do Roberto... Era uma época em que eu detestava fazer compras, hoje já não fico tão mal humorado, mas naquela época era um suplício para mim. Batia uma sensação fodida de estar perdendo tempo que nem um idiota, enfim, eu achava aquilo um tiro no saco... Imagine então tomando na cabeça uma após outra daquelas melodias emblemáticas de tudo o que para mim se concentrou de mau gosto, cafonice e tristeza na música popular brasileira. Eu sei que tem coisa pior! Claro!! E a lista seria imensa. O problema é que esse cara é destes o Rei confesso e coroado, conseqüentemente, ele tem que ser necessariamente o primeirão da lista!


Vai que chegou uma hora não agüentei mais e, ao invés de simplesmente ir embora putão da vida sem comprar porra nenhuma, fui procurar a gerência para, como diriam os Piratas do Caribe: parlamentar:


- Amigo, me ajuda. Eu odeio fazer compras. Você está me entendendo? Cara, juro, eu acho realmente um saco! Então, fazer compras ouvindo esse mala do Roberto Carlos ninguém merece, é tortura cara! Muda lá esse disco amigo, pelamordedeus. Olha que eu vou embora hein? – O sujeito ria desembestado, parecia não acreditar e ainda argumentou:


- Mas tem tanta gente que gosta...


- Ô amigo e como tem, mas me ajuda ahê, troca esse negócio lá vai... Se alguém vier reclamar pede pra conversar comigo que fui eu que pedi.


E realmente ele trocou, não me lembro mais nem pelo quê, também ninguém me procurou pra defender a honra Robertocarliana... E eu doido pra dizer umas verdades. Hoje em dia lá no Carone rola disco - sempre o mesmo - daquele rapaz que faz som de barzinho o Emerson Nojeira, segundo ouvi dizer, uma espécie de flanelinha musical de boteco, saca? Aquele cara que tá ali apenas pra te incomodar e depois ainda te cobra por isso. Hehehehehe! Brincadeira, pelo menos não é tão ruim como o mala número um da MPB. Mas para onde é que esse texto ia mesmo? Isso é que dá meter Adorno na conversa...


7 comentários:

Anônimo disse...

Salve queridão, feliz vinte dez, como disse uma vizinha.
Isso aconteceu comigo também e, por incrível que pareça, em um Carone também, só que de outras bandas. Todas as vezes que ia fazer compras tinha uma música infernal tocando. E não eram com o Rei. Tipo assim: em junho um tal de só tocar música junina, em dezembro, pior ainda... Simone se esgoelando que `então é nataaaaallll`. Pensei que compreendia aqueles caras que entram no supermercado metralhando tudo e todos, saca? Mas não fui reclamar com o gerente não... passei a frequentar o Perim! E te recomendo o mesmo. Vai ser muito mais legal.
Bjs,
July.

Demorô... Partiu! disse...

O Carone tem a tradição de nos torturar com uma péssima trilha sonora e isso acontece em várias filiais. Nessas horas, prefiro o Casagrande aqui em Vila Velha. Elas mesclam Bon Jovi, Skid Row, Whitesnake e clássicos do pop 80. fra se fazer compras, nada mau, né!

E sobre aquestão de reclamar... uma vez fiz isso num bus seletivo. Tava num péssimo dia e tava tocando pagode no rádio do onibus! Pedi pra trocar pra Antena 1...

É por isso que nunca mais saí de casa sem meus fones. Depois dos celulares com mp3 e da falta de senso de criaturas que impõem seu (péssimo) gosto musical, fones são item de sobrevivência!

Carla Teixeira disse...

Oi, Juca! Que bom ler algo seu, apesar de não concordar com a ideia geral. :-)
O lance é o seguinte, concordo com o post da July: Estamos incomodados? Então mudemos!
Penso que é muita arbitrariedade – nossa, que condenamos arbritrariedades da televisão, da sociedade etc., pedir que, por exemplo, se mude a música de um local público sendo que a maioria que o frequenta adora tal música e daí por diante. Muitos totalitarismos sociais são reflexos de totalitarismos privados. Que medo! :-))
Ah, quanto a Robertão, aí você pegou pesado, meu querido amigo. Não, não, falar mal de Robertão, não...
Quem nunca quis cantar, ou já cantou, pro ser amado "Eu te darei o céu, meu bem, e o meu amor também!", "Só quero que você me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá para o inferno!"? Qual o moderninho de plantão - até dos ápices do rock’n’ roll - que cantou com uma ética invejável “Estou amando loucamente a namoradinha de um amigo meu, sei que estou errado, mas nem mesmo sei como isso aconteceu...” ou “Eu sou terrível e é bom parar com esse jeito de provocar, você não sabe de onde venho, o que eu sou, nem o que tenho...” E “As curvas na Estrada de Santos”?
Sim, sim, concordo que o cara ficou meio brega etc e tal, mas quem ouve suas músicas (ainda que não compostas por ele, mas foram cantadas!) não nega: Roberto Carlos é rei!! Viva o Rei!
Beijos!
Carla

Juca Magalhães disse...

Bom, como diriam os gringos "it's a free coutry". Temos direito de gostar das coisas ou não e também acho que - dependendo da situação - se a parada não te agrada cata as coisas e vai embora. Agora, Deus me livre estar ao prazer da maioria, porque o acontece é isso: colocam qualquer pato rouco como "Rei". E, quinto: se alguma namoradinha minha cantasse qualquer música de RC pra mim tascava-lhe um cartão vermelho e a despachava mais cedo pra casa... Essa história está me inspirando para mais um post sobre o infeliz encontro do mau gosto com o mau humor. Mas valeu pela participação Carlinha, até acho que RC tem que viver bastante. Já pensou a encheção de saco que seria se ele morresse? Deus me livre!

Vi disse...

Realmente essa questão da música ambiente é um problema. Quem foi que falou que a gente é obrigado a comprar ouvindo música, ainda mais uma que a gente não gosta? É muito mais fácil ficar no silêncio e não provocar a ira de nenhum cliente!

Mas achei muito interessante você ir lá recamar... rsrs

Leonardo David disse...

Camarada, realmente vc odeia o REI! KKKKKK, vou conctar pra todo mundo que te vi em um show sobre a vida do RC no Teatro do SESI. Eu vi, e conversei com vc! RSRSRSRSRS

Só falta explicar que vc estava lá amarrado!!! E falou para os caras do show que aquilo era terrível!!!

Compartilho com vc Juca.

Abração.

Anônimo disse...

Ai Juca!!! Você é demais...
Logo agora, que estava tão animada pra ir as compras... kkkkkkkkkkkkkk

Micha Silva