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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ENTRE O DOM E A GENIALIDADE

O Coral formado por alunos do projeto Canto na Escola segue uma apertada agenda de apresentações visando o amadurecimento do repertório e, obviamente, aprimorando o talento de seus integrantes. Na segunda-feira passada (dia 13 de agosto) o grupo deu mostra de sua musicalidade para os alunos da Escola Técnica – CEDTEC (educação profissional levada a sério), em Laranjeiras na Serra-ES. A regência mais uma vez coube ao professor Elias Salvador, tendo a professora Kyssila Teles ao teclado.  


No site do CEDTEC vemos a seguinte frase: “A cultura da qualidade começa na escola”. Não foi por acaso, portanto, que os próprios alunos tiveram a iniciativa de convidar o coral do Canto na Escola para uma apresentação durante a cerimônia de conclusão do curso de Mecânica. Cultura e qualidade são duas palavras muito interessantes de se combinar, sem a junção delas, a arte não se eleva do patamar da casualidade ou do amadorismo especulativo que confundem e iludem analfabetos e letrados.


A formação é muito importante e a falta dela tem espalhado mazelas em nossas cidades. Com tristeza vemos subestimada a formação para o artista e até para os atletas, porque muita gente pensa que desenhar, interpretar ou fazer música é simplesmente um dom. Nesse momento é muito comemorada por aqui a participação dos dois filhos de Touro Moreno nas olimpíadas de Londres. Imagine se eles tivessem apoio e condições para se preparar. É nessa tecla que se tem que bater. Não basta sermos bons em ideal, tem que haver apoio profissional e suporte financeiro para sermos ainda melhores!


E no dia 18 de agosto (sábado) o coral Canto na Escola vai se apresentar na EMEF Profª Eulália Falquetto Gusmann em Vila Nova de Colares, Serra-ES. Vai ser durante o projeto “Escola da Paz” que começa às oito da manhã. A jornalista da prefeitura da Serra, Priscila Cavalcante, no site da instituição, destaca que:

“O “Escola da Paz” consiste em centralizar diversas atividades das unidades de ensino de determinada região da cidade em um único polo. A escola-polo EMEF Profª Eulália Falquetto, receberá as unidades: EMEF Feu Rosa, EMEF Flor de Cactos, Prof. Naly da Encarnação Miranda, Professora Valéria Maria Miranda, CMEI Moranguinho, CMEI Profª Dilza Maria de Lima, CMEI Vila Nova de Colares, CMEI Vovó Ritinha e CMEI Zilda Arns.”

“O objetivo do projeto é que todas as unidades de ensino concentrem suas atividades e apresentações culturais naquela unidade-polo, tornando-se assim, um fator de integração para as comunidades locais, promovendo encontros de paz e união”, disse a diretora do Departamento de Ensino, Rosani Moraes.”

http://www.serra.es.gov.br/sedu-secretaria-de-educacao/2012/08/escola-da-paz-neste-sabado-18

Todos estão, portanto, convidados a participar e conhecer melhor o trabalho do Coral Canto na Escola e prestigiar o talento dessa meninada.

Curta também nossa página no Facebook, ajude a espalhar essa iniciativa que a cultura agradece.
http://www.facebook.com/pages/Instituto-Todos-os-Cantos/123378467722397

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Artistas, poetas, escritores se despedem de Molga – Maria Olga Setúbal Bussolotti

Reportagem originalmente publicada no blog Don Oleare


Por Andra Valadares,
da Academia De letras Humberto de Campos


Infelizmente, tenho de dar uma notícia muito triste, acabei de saber que nossa Acadêmica MOLGA faleceu nesta quarta à tarde. O sepultamento será nesta quinta 16, no Cemitério Parque da Paz em Ponta da Fruta às 11 horas da manhã.

Maria Olga Setúbal Bussolot
Maria Olga Setúbal Bussolotti (Molga). Artista plástica em pintura e desenho, nascida em Vila Velha aos 01/03/1933. Licenciada em desenho pela FAFI (Faculdade de Filosofia da UFES) e também formada em Artes Aplicadas e Artes Plásticas pela EBA (Escola de Belas Artes do ES). Vencedora de prêmios nacionais e internacionais, participou de várias exposições no Estado, em todo Brasil e no exterior.

Foi Diretora do Museu e Ateliê Homero Massena, fez parte da Câmara de Artes Plásticas, Conselho Municipal de Cultura da Galeria Eugênio Pacheco de Queiroz (Vila Velha/ES), foi também coordenadora do Museu Etnográfico de Vila Velha e da Galeria Eugênio Pacheco de Queiroz.

No ano de 2005, publicou o livro de poemas ENTRELAÇO (Arte – Literatura), que foi ilustrado com fotos de algumas de suas pinturas. Membro da Academia de Letras Humberto de Campos.

VIDA, SEMPRE VIDA!
Movimento nas águas,
seres e plantas
se agitam,
abrigando docemente
toda uma riqueza borbulhante,
abaixo da superfície
infinita!…

Palpitante,
no seu bailado incessante
as águas levam e trazem…
Toda e qualquer forma
que, pelo arrastar das correntes,
deixa-se levar,
num frenesi de amor,
enroscando-se em cores,
elevando-se em valor!…

Vida, sempre vida,
cumprindo seu papel
indiferente às agressões
sem nunca se abater…
Maré alta, maré baixa,
nada disso importa,
quando a vida se renova
a cada instante,
é o que conta,
É o que nos conforta!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O LEGADO DE ALTAMIRO CARRILHO


Esse agosto não está muito bom para a comunidade musical de qualidade não, já perdemos o Celso Blues Boy e o Magro do MPB4 e agora acabo de ver a dolorosa e triste notícia do falecimento do grande flautista Altamiro Carrilho. No fundo nem é tão triste assim, afinal, Altamiro viveu bem 87 anos de muita música e através dela conheceu a glória internacional. Tristeza me dá porque tão poucos são como ele, embora seu legado – e elegância - há de prosseguir nos lábios de um Zé Benedito, meu compadre, seu discípulo dileto no chorinho.

Por essas voltas inexplicáveis que a vida dá, faz quase dez anos eu fiquei por conta de ciceronear o Altamiro aqui em Vitória e Vila Velha, acabei sendo o apresentador de um concerto da OFES com sua participação tocando Mozart e tive a honra de segurar o seu flautim (no melhor sentido que vocês puderem imaginar) no inesquecível concerto de abertura da Festa da Penha de 2003, com a Orquestra Phylarmonia e regência de Modesto Flávio, salvo engano.


Como ficamos pra cima e pra baixo naquele dia 24 de abril acabamos conversando bastante, o Altamiro tinha já seus setenta e tantos na época, mas era um daqueles – hoje nem tão raros - sujeitos cheios de energia e disposição, me lembra o nosso maestro Adolfo Alves que dá banho de vitalidade na garotada. Lá pelas tantas descobrimos que fazíamos aniversário no mesmo dia e, sagitarianos apontando flechas para o espaço, vimos altas transcendências naquela coincidência trivial.

Eu fazia um programa de música clássica na pequena – inclusive de alcance - Radio Comunitária da Praia da Costa e como Altamiro era uma usina em movimento resolvi o levar pra dar entrevista no programa de meu amigo Clóvis Rosa. Foi um furdúncio do lado de fora da rádio. Logo apareceram alguns senhores do entorno que não acreditavam que o Altamiro estava naquela insignificante emissora. Pois o maior flautista do Brasil ficou lá umas duas horas. Contou um monte de histórias, deu discos de presentes, enfim, acima de tudo e de todos: deu uma aula de como uma lenda viva deve se comportar com dignidade, afeto e a simplicidade de um ser humano qualquer.

Conhecer Altamiro Carrilho definiu para mim a diferença que existe entre um astro e o estrelismo. A jóia rara e o falso brilhante. Sua música plainava soberana, não precisava “fazer tremer o chão”, tudo ao seu redor vibrava em consonância com sua alegria e seu alto astral. Cheguei a conclusão de que da musicalidade emana mais simplicidade do que alvoroço e que “a direção é mais importante do que a velocidade”. Sensação parecida tive quando encontrei Monarco e, bem recentemente, Dominguinhos em Domingos Martins. Como é bonita e grandiosa essa postura da tranqüilidade assentada de quem não precisa mais provar nada pra ninguém...

Portanto: Descanse em paz Altamiro Carrilho! E viva a música popular brasileira!!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O DITADOR NÃO DECOLA, MAS NEM POR ISSO É RUIM.


O filme O Ditador, lançado recentemente por Sasha Baron Cohen deu dois ou três passos atrás na carreira do comediante britânico que escandalizou uma parte do mundo e conquistou a outra com seus personagens Borat, repórter do Kazaquistão e Bruno. O esquema do roteiro dessa nova investida é muito parecido com seu primeiro filme que trazia o personagem “gangsta” Ali G como carro chefe das situações cômicas. O problema é que, como todo bom filme, comédia é uma questão de ter uma boa história, senão ficam aquelas piadas perdidas no meio dos clichês. Sasha é um judeu que adora fazer piada com sua cultura e as confusões do oriente médio, o problema é que isso nem sempre é tão engraçado assim para o resto do mundo que vive distante dessa realidade.



O melhor momento de O Ditador na verdade não tem graça nenhuma, é o do discurso final, quando a metralhadora do humorista se volta contra a hipocrisia histórica dos norte-americanos. Sasha dá-se ao direito de emprestar uma sacada de seu conterrâneo Charles Chaplin e dizer algumas verdades aos seus anfitriões e verdadeiros ditadores mundiais das últimas décadas. O curioso e que mais incomoda é que dá a sensação de que o mesmo discurso poderia ter sido feito para as “lideranças políticas” do nosso triste Brasil varonil. Segue o trecho:

“Por que vocês americanos são tão contra os ditadores? Imaginem que beleza se a América fosse uma ditadura! Um por cento do povo concentraria toda a riqueza da nação. Ajudariam os seus amigos ricos diminuindo os impostos e pagando suas dívidas de jogo. Ignorariam as necessidades de saúde e educação dos pobres. Sua mídia pareceria livre, mas seria controlada por uma pessoa e a família dela. Grampeariam telefones e torturariam prisioneiros estrangeiros. Adulterariam as eleições. Mentiriam sobre o motivo das guerras. Encheriam as prisões com uma raça específica e ninguém reclamaria. Usariam a mídia para assustar o povo apoiando políticas contra os interesses dele. Sei que é difícil para vocês americanos, imaginarem, mas, por favor, tentem...”

Para contrabalancear quero recomendar dois filmes muito bons, aquelas verdadeiras surpresas que a gente fica esperando que os amigos venham indicar: o primeiro é um filme de 2010, chamado “The First Grader”. Conta a história baseada em fatos reais de um senhorzinho de 84 anos no Quênia que resolve se alfabetizar. Filmásso! Se você trabalha com educação deixe uns lencinhos separados. O outro é o “E Aí Comeu? Baseado na peça de Marcelo Rubens Paiva e que conseguiu me convencer que o ator Marcos Palmeira é algo mais do que um funcionário da Globo. Não espere uma grande história como o anterior, é apenas diversão para quem quer se desligar por uma hora e pouco do mundo.   

terça-feira, 7 de agosto de 2012

DO PRELÚDIO AO BAIÃO: POR QUÊ NÃO?

Texto de Juca Magalhães publicado originalmente no Caderno Pensar do último sábado (04 de agosto de 2012)...  

Durante o último Festival de Inverno de Domingos Martins ficou marcada a grande diversidade musical das atrações, o que nos faz pensar no benefício causado pelo “choque cultural”: uma forma criativa e interessante de circular mensagens sonoras entre grupos e públicos considerados estanques. Frequentemente vejo muita gente de fora do contexto musical manifestar a expectativa do Festival se focar mais na música erudita. É interessante notar que geralmente pensam assim os leigos, porque os que se interessam por música sabem que muitas vezes do estranhamento vem a inspiração. Foi o caso de Claude Debussy, um dos homenageados do Festival em 2012.

Em 1889 aconteceu em Paris a famosa Exposição Universal, onde, segundo os estudiosos Jean e Brigitte Massin, o gamelão javanês deixou uma “marca indelével” na música do compositor francês. Ainda segundo os autores acima, havia no final do século dezenove uma espécie de internacionalização cultural, um grande interesse por contato com diferentes formas artísticas. É evidente que essa prática é importante e que, como dizem os americanos, de vez em quando é necessário “to think outside the box“. Então qual é o problema de num Festival de Música termos uma apresentação da Escola de Samba MUG? Ou mesmo do mega famoso Falamansa?  

Pensar fora da caixa é entender que nosso gosto pessoal não determina o que é bom, e que, por essas e por outras, Eric Clapton dizia: “em cada multidão tem um melhor guitarrista do mundo”. Para entender os rumos do Festival de Inverno de Domingos Martins é preciso atentar para a sua importância cultural que emana muito especialmente da programação didática, digamos assim, do evento. Essa iniciativa nasceu, e assim se mantém, com o propósito formador para o estudante de música. Durante cinco dos nove dias de realização do Festival acontece uma extensa e intensa programação de oficinas com professores muito renomados em nível internacional. Essa parte da programação é sempre obscurecida “midiaticamente falando” pelos shows populares, porém, estes são também muito importantes para aquela.

Ninguém estuda música sem o desejo de se apresentar publicamente. Quando alguém começa a tocar, seja o instrumento que for, quer logo mostrar pra família, pra seu amor, para os amigos e, se bobear, até pra fazer raiva aos inimigos. Todo aspirante a músico sonha em pisar num grande palco e todo professor sabe que a experiência é crucial pro amadurecimento do aluno. No estudo da música tudo se direciona para as apresentações, os concertos, os shows, sejam lá quantas denominações tenham. Esse momento é uma encruzilhada de interesses que partem em várias direções, portanto, definir a programação de um grande Festival de maneira a contemplar a maior diversidade possível e ainda assim manter a qualidade é um desafio.  

O que acaba acontecendo é que um evento tão grande e tradicional vai criando suas próprias pernas, ou seja: o festival acontece na cidade de Domingos Martins, sua programação envolve também o sentimento das pessoas do lugar. Imagine alguém entrar no seu carro ou em sua casa e querer determinar o que você vai escutar? A convergência desses vários interesses define o perfil do Festival e também é fator determinante para seu sucesso. Os grandes shows populares atraem pessoas que vão assistir orquestras, bandas sinfônicas, corais, cameratas, duos, quartetos e sabe-se-lá mais o quê e os estudantes de música terão a tão desejada prova de fogo perante um grande público em suas primeiras apresentações, em um grande palco dividido com astros da música. Isso tudo se traduz em enriquecimento cultural para tanta gente que é difícil quantificar com certeza.

No final tudo soma e o que parece destoar, na verdade, é importante dentro da programação. Poderia ser como é em Campos do Jordão, o tradicional Festival de São Paulo, modelo para este de Domingos Martins? Não creio. Simplesmente porque se trata de um universo cultural completamente diferente. Cada uma dessas iniciativas segue seus passos individuais porque afetam um determinado tecido social, visa o bem comum e não o desejo de um grupo restrito de pessoas. Se em Campos do Jordão o Festival é voltado para a música dita “erudita” é porque um grande conjunto de fatores proporcionou a situação, havemos de guardar as devidas proporções entre uma coisa e outra e entender a construção da realidade como ela é e não como gostaríamos que fosse.

Eu já caí na tentação, como tantas pessoas, de criticar a grande mídia por só valorizar e destacar muito especificamente os “grandes shows populares”, como os que agora aconteceram com Dominguinhos e Falamansa no Festival de Inverno de Domingos Martins 2012. Atualmente gosto de imaginar que tudo isso converge para ajudar uma criança que aprende violino a crescer musicalmente. Parece coisa de maluco, mas é assim que eu a percebo, aliás, todo mundo tem direito de discordar, mesmo porque eu não falo em nome da organização do Festival de Inverno de Domingos Martins, o trabalho que desenvolvi lá foi totalmente periférico, mas como cidadão capixaba, melômano e músico bissexto posso confortavelmente emitir essas opiniões.

Deixar de lado preconceitos musicais é uma boa prova de maturidade cultural, basta pensar no sentimento de profundo respeito e carinho que todos os grandes compositores sempre tiveram pelas manifestações populares. Portanto minha gente: Viva Debussy! E viva também Luiz Gonzaga! Do prelúdio ao baião: por que não?

sábado, 4 de agosto de 2012

KRONICA DE DOMINGO: DEUS ME LIVRE E GUARDE DE VOCÊ


“Um compositor vienense, dotado de algum mérito mas que não se comparava com Haydn, tinha um prazer especial em encontrar nas composições deste pequenas incorreções. Muitas vezes procurava Mozart para lhe mostrar alegremente onde descobrira algumas negligências de estilo. Mozart tentava sempre mudar de conversa; por fim, não podendo mais, disse-lhe uma vez num tom brusco:

- Senhor, se nos adicionassem aos dois, mesmo assim não achariam ainda com o que fazer um Haydn.”

Stendhal – A Vida de Mozart

Ontem vi pela Internet uma piada dizendo que se atualmente um livro tiver uma página que seja já vai ser grande demais para a molecada ler, mas, afinal, quem é que se importa realmente com a molecada de hoje? Todo intelectual também já foi um garoto boboca que amava os Beatles e os Rolling Stones. (Todo?) Sei lá, a verdade é que uma hora os guris vão amadurecer e querer saber “de qual é” das pessoas que abriram os caminhos; deixa inchar e curtir seus roques, porque quando os hormônios arrepiam os cabelos da nuca a saída é uma só.

Sempre pensei e alardeei não me importar muito com as aparências, a sinceridade acachapante é uma das mais famosas características dos sagitarianos típicos como eu. Não a enxergo como um defeito, mas como a afirmação autóctone de um modus vivendi. Sou observador, mas frequentemente deixo escapar coisas óbvias; sou assim como todo mundo é; ou quase todos instintivamente ingênuos. Nossa mente nos sabota. Nesse instante mesmo, há pelo menos umas três ou quatro outras coisas bem mais importantes a fazer do que estar escrevendo este texto e, no entanto...


Por serem basicamente diferentes de mim, as pessoas que se preocupam como serão julgadas pelos outros despertam minha aversão profunda, até mesmo certo desprezo; simplesmente porque sempre achei mais gostoso, digamos assim, me lixar pro que pensariam ou deixariam de pensar de minha gloriosa (cujo?) pessoa. Talvez seja uma questão de valores, talvez seja um problema de criação, talvez seja apenas o meu jeito idiota de ser. Mas nada disso é bem verdade, tá legal? No fundo eu me preocupo sim; meu desejo de negar essa atitude é já uma constatação disso.

Estranha e me incomoda quando vejo gente me olhando atravessado, fico encafifado me perguntando do por que. Dentro de mim sinto com absoluta certeza que não fiz nada para aquela pessoa querer me fuzilar sorrindo, sempre esqueço que têm umas três ou quatro que eu também não gosto só porque “não fui com a cara”. A diferença é que se alguém me incomoda eu não dou conta de disfarçar, quero logo “falar umas verdades”, distribuir uns coices de centauro e sair de perto, mas tem muita gente que não nos suporta justamente por não conseguir deixar de orbitar...

Então é um saco aquela pessoa cujo (cujo?) único assunto é falar mal de outra, que se corrói por dentro quando vê algo bem feito, que se diverte e até fica feliz exaltando o erro de quem está dando a cara à tapa. Justamente aquele tipo de pessoa idiota de corpo e alma que não traz nada de relevante pra cena, e se tentou não conseguiu e então passou a viver de produzir e disseminar veneno e mendigar amizades traiçoeiras. Gente vampirizante assim é preciso ter bem longe, mas é como falei: elas se achegam; porque precisam sugar a vitalidade dos que estão vivos, dos que estão fazendo o que elas não têm nem coragem, nem competência pra fazer.

Termino então com o “Tema do Cadinho”, uma REZA da sacrossanta Rita Lee para desbaratinar e espanar pra bem longe essa inhaca de mau olhado...


Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim

Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força

Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RAPIDINHAS DO FESTIVAL DE INVERNO 2012

Esta décima nona edição do Festival de Inverno de Domingos Martins levou o conceito de "choque cultural" ao extremo. O exemplo mais explícito aconteceu no início da noite de domingo quando rolou um encontro de violeiros com o som mais raiz que o sertanejao já concebeu e na sequencia entrou uma orquestra de cordas polonesa tocando Mozart, Respighi e o melhor do repertório clássico. Taí um clique da Orquestra Capela Bydgostiensis que é regida pelo brasileiro José Maria Florêncio. 


O Capela tinha já se apresentado no Festival do ano passado e enquanto eu conversava com o regente comentei da peça Orawa do compositor Wojcieck Kliar que eu tinha gostado muito. Daí ele disse que ia apresentar a peça outra vez porque era a mais moderna do repertório e sabia que o público não ia lembrar. Só que na hora da apresentação Florêncio explicou que o grupo ia reprisar a peça a pedido de uma pessoa do lugar, pensando que eu fosse local. Bom, certamente estávamos distante demais da Polônia...

Um dos momentos mais tocantes - em vários sentidos - do Festival de Inverno de Domingos Martins foi o da apresentação da Fames Jazz Band. As participações especiais de Antonio Paulo Filho e de Dalila Gusmão foram de dar um nó na garganta. O Toninho, como é conhecido o maestro, se fora nascido do lado de cima (levando-se em conta o mapa mundi tradicional) seria reconhecidamente uma lenda do jazz. Na foto vemos Dalila, nervosa com a estréia, assumindo os teclados da Jazz Band. Para quem não está entendo, a moça é deficiente visual e figura queridíssima na Faculdade de Música. Pura emoção!


Os pequeninos integrantes da Orquestra Jovem do Festival de Inverno encantaram o público. A coordenadora da oficina de prática de orquestra, Mozineide Schultz, estava impressionada com a seriedade e o profissionalismo dos meninos e meninas. Na foto tem a Manu, a menorzinha, esperando a hora de entrar em ação sob regência do professor e maestro Ademar Rocha. 


A penúltima atração do Festival de Inverno de Domingos Martins foi a dupla sertaneja Edson Mineiro e Goiano - que curiosamente é de Vila Velha - e o líder da banda tem aquele jeitão despachado e brincalhão das pessoas do interior. Como o público demorou um pouco pra se achegar do palco ele disparou o comentário: "Vem pra cá minha gente, num deixa nóis passá vergonha sozinho não!"

No detalhe: Edson chamando "meu povo e minha pova" pra dançar
 
Uma das participações mais surpreendentes e bonitas do Festival de Inverno de Domingos Martins foi de Jamie Machler (informação de Edilson Barboza diretor da Fames), uma norte americana de Seatle muito tímida que veio às terras tropico-capixabas para participar da oficina de sanfona e concertina - que aconteceu em Melgaço - e cantou uma canção de Luiz Gonzaga com um sotaque delicioso, mesmo porque a moça não entendia uma vírgula de nosso idioma.  


Edilson disse que a moça chorou copiosamente na hora de voltar pra gringolândia, talvez porque tenha descoberto o sentido da máxima proferida pelo saudoso Tom Jobim:

"Viver nos EUA é maravilhoso, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é maravilhoso!"



CURIOSIDADE INÚTIL: Chamava atenção em Domingos Martins o triciclo "Ghost Ride" (SIC), como diria meu amigo Paulo Sardenberg, mais enfeitado que sela de burro de cigano... 



O pessoal do mega famoso grupo Falamansa quando chegou ao Festival viu o grande painel com Luiz Gonzaga no palco e se intrigou com a outra figura, queriam saber quem era. Veio então um rapaz da produção descobrir e me pediram para explicar que aquele era Claude Debussy, compositor francês, o cara do impressionismo etc. Enquanto o salameléktrico rapaz agradecia, eu, que ia apresentar o show, aproveitei pra também tirar as minhas dúvidas: agora me fala um pouquinho quem é o Falamansa porque eu também não sei... 

O maestro Helder Trefzger conversando com o público durante a linda apresentação da Orquestra Camerata SESI, atrás vemos o painel que intrigou o Falamansa... Falassério...