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sábado, 4 de julho de 2009

VIVA MARIA!


Olha mãe, com a publicação deste seu texto aí em baixo quase premonitório, quase uma despedida, encerro essa homenagem que quis fazer à sua memória. Outras pessoas queridas estão me escrevendo e me telefonando para lembrar de você e estou combinando com elas que chegou o momento de falar mais sobre o que aconteceu, então vou publicar aqui a opinião dessas pessoas também. Descanse em paz sabendo que hoje somos muito felizes graças ao amor que você nos deu e quando somos tristes é somente pela falta que você nos faz.


Com amor e carinho, Juca Magalhães.


Bom dia Juca,

Li A Gazeta de hoje e passou um filme em P&B na minha mente... engraçado pensar nos anos 70 sempre em P&B... acho que é um reflexo dos anos negros que a ditadura militar provocou na vida brasileira.


Quando falo de Maria Nilce, falo de uma guerreira que enfrentou a todos, se impôs pela inteligência, pela irreverência, que tanto assustou a sociedade dos homens pelo simples fato de verem uma mulher falar, escrever e assinar no rodapé da página o que muitos deles precisavam ouvir, ler e saber, e suas mulheres submissas engoliam em seco por serem totalmente dependentes deles.


Sua mãe foi uma revolucionária, uma pioneira do movimento feminista na sociedade capixaba. Ela demonstrou com sua capacidade de iniciativa, que a mulher podia e deveria sair da beira fogão, largar a vassoura na varanda, levantar da cama cedo e ir à luta, batalhar por um ideal, por um lugar ao sol e entrar nos ambientes "dominados" pelos machos de plantão, que eram muitos e compunham as altas posições nas empresas, nas redações, nas instituições e no governo. Falo de sua mãe, da mulher que saiu lá de Timbuí e conquistou um espaço que incomodou os acordos da fraternidade, igualdade e liberdade existentes naquela época. Quando falo de sua mãe... falo com orgulho de ter sido "genro" dela no ano de 1979, por ter convivido com Fernanda, Milla, você, Paloma e Melissa (e Melissinha). Lembro de ir com a Fernanda na loja Artes Del Peru, de onde sua mãe comandava como uma deusa inca a luta do império contra os "invasores espanhóis". Maria Nilce foi julgada e condenada em sessões plenas de pôquer... em rodadas amargas de uísque... mas cumpriu com louvor a sua missão e, mesmo sendo avisada que seria impossível, ela foi lá e fez.


Em Vitória falta muita coisa... falta segurança, falta saúde, falta educação, cultura, futebol (qual time de Vitória está da 1ª à 4ª divisão do futebol brasileiro?)... mas falta acima de tudo, dignidade para reconhecer os nossos heróis... Maria Ortiz é uma heroína por jogar baldes de merda nos invasores franceses... e Maria Nilce foi uma heroína por jogar baldes de merda no crime organizado. Faltam praças, ruas, avenidas, monumentos e escadarias com o seu nome >>> MARIA NILCE MAGALHÃES.

Um forte abraço.

Flávio Salles


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Oi Juca,


Só hoje leio com calma seus desabafos reais e inteligentes.Estou com voce mais uma vez...vamos rezar, vamos orar por essa gente podre que comanda ainda a criminalidade capixaba.Tenho também pensado muito nos crimes sem solução e os endemoniados impunes...e, assim vamos vivendo mais dias; mas tenho certeza que os que aqui fizeram pagarão mais cedo ou mais tarde.


Estou fora do país, e lhe envio um grande abraço.


Atenciosamente, Gracinha Neves.


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Fala JUCA, e ai tudo bem?

Fico triste em saber sobre o dia 05 , isso são mais algumas das impunidades da nossa justiça e dos nossos Hipócritas.

Abraços de Sergio Borgo

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Vergonha mesmo Juca!
Me solidarizo com você. Cada dia fico mais desencantado com as pessoas.
Um abraço e muita força.


Helder Trefzger


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Juca,

Belíssimo esse texto da sua mãe. Comovente mesmo. Um duplo parabéns pra vocês. Para sua mãe, pelo texto. E para você, por o ter resgatado e o enviado a nós seus amigos. Valeu. Um forte abraço.

ALVARITO MENDES FILHO

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Bela homenagem meu querido. 20 anos se passaram para você finalmente abrir o seu coração e dizer para o mundo que também é de carne e osso. Foi-se o silêncio da juventude, chega o grito do filho homem órfão de mãe. Agora que você já desabafou, descanse em paz. Maria está onde devem estar todas as Marias, enquanto as pessoas que tramaram a morte dela, com certeza estarão onde devem estar os pobres de espirito.

Grande abraço e boa semana!

Bibinho "Dr. Rock"

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Juca,

Acompanhei todos os textos que escreveu sobre sua mãe... Infelizmente a justiça é comprada, mas com certeza os "grandões" do nosso estado leram ao menos um desses textos que você escreveu sobre a morte de sua mãe; como ela mesma disse "quando eu morrer, uma parte de Vitória também morrerá", não vamos deixar isso assim! Continue lutando pelo nome de sua mãe e pode contar comigo.

Jorge Luiz Pontini Carretta


2 comentários:

Renata Nogueira disse...

Juca, parabéns por esta linda homenagem que você fez à sua mãe.
Mulher corajosa e que viveu sempre à frente de seu tempo.
Foi emocionante ler tudo isso.
Beijão
Renata

Beto Mathos disse...

Caetano já disse que "morrer e matar de fome, de raiva e de sede, são, tantas vezes, gestos naturais".
Infelizmente, matar sem motivo parece, também, ter se tornado um gesto natural.
Quero te agradecer por ter disponibilizado aqui os textos da sua mãe que eu não conhecia e "quero aproximar o meu cantar vagabundo" do seu cantar elektrônico que "vela pela alegria do mundo".
Parabéns!