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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NÃO SE SACANEIA UM SACANA


Ando em espírito contrário ao do chuvoso início do ano, quando passavam batidas as oportunidades de dizer coisas, andei comendo pimenta e a ponta da língua está queimando os ouvidos do alheio. Alice chegou doida para “inaugurar” a nova Pizzaria Napolitana que agora está na esquina aqui de casa. Fomos lá e descobrimos que era dia de folga... Mas que azar!


É curioso porque ontem me sentia abençoado, no meio da tarde precisei resolver um problema na UFES e passando pela ponte nova vi um galerão no cantinho. “Será que é um grupo de turistas que passou e resolveu parar pra conhecer a novidade?” Nem dei bola, passei batido e na Universidade me desembaracei dos compromissos na maior tranquilidade. Na volta descobri qual era a da muvuca: estava acontecendo uma puta manifestação de professores da rede municipal... Do outro lado da pista. Se eu demorasse um pouquinho para sair de casa teria ficado horas naquele furdúncio... E minha mulher estava irredutível em sua compulsão pizzaiola.


Dei idéia da gente ir pra Pitzarella que afinal é também pertinho, chegamos lá e estava cheiássa para uma noite de terça-feira. O garçom apareceu rodopiando que nem um Demônio da Tazmania. Pedi logo uma cerveja e Alice um Sprite o homem saiu novamente desembestado. Enquanto o víamos correr solitário por todos os cantos chegamos a conclusão que o coitado estava sozinho, atendendo todo mundo alucinado que nem uma enceradeira elétrica desvairada.


Não demorou e vem ele com a minha cerveja, eu estava de bom humor e pra ser amigável falei:


- Você está sozinho hoje? – Querendo dar uma de esperto, rolou o aparte inesperado.


- Claro que não. Vocês estão aqui comigo... – Mais amigavelmente, porém sério, falei:


- Você está insinuando que eu deveria te ajudar a servir as mesas?


* * *


De tarde me meti numa semi roubada e acabei voltando pra casa de Transcol. Tenho alguns amigos bem de vida que nunca andaram de ônibus, imagine só... Eles não sabem o que estão perdendo. No fundo da baiúca tinha quatro garotas mezzo-vulgar, mezzo-calabresa; falando alto, rindo, fazendo de tudo um pouco para chamar atenção e o único lugar vago era perto delas. Eu estava com um livro de Mario de Andrade e passei a ter dificuldade de o ler com a cacarejada daquelas meninas. Lá pelas tantas o batom de uma saiu voando e veio parar bem embaixo de minha cadeira.


- Ih! Sirlene, o batom foi parar embaixo da cadera do cara! – Me abaixei e consegui alcançar o que era um tubinho vermelho de plástico, as meninas se alvoroçaram todas com insinuações picantes – exclusive no mau sentido. Percebendo a aliança de casado em minha mão esquerda a dona do artefato voador me aconselhou espalhafatosa a ter cuidado para não sujar a roupa senão ia ter barraco quando eu chegasse em casa. Devolvendo a parada falei, enfático como quem já ligou o foda-se:


- Fique tranquila querida, minha mulher só fica grilada quando a mancha do batom tá na cueca.


2 comentários:

Anônimo disse...

rá! rá! rá!

tá inventando desculpa pra patroa é?! esse texto tem cheiro de marca de batom!

Alex P.

Ricardo disse...

Huhahuahuahuaaaa...
Pois é, justamente nesta tarde saí um pouquinho mais cedo do trabalho para resolver um negócio (burocrático como sempre) no cartório que fecha as 17h. cheguei perto da Wal-mart a confusão no transito. Tive que desviar para a Praia do Canto e resolver o negócio foi impossível. Depois fiquei sabendo da manifestação (dos colegas profº da PMV). bem...passou!!!
Agora andar de de ônibus tem dessas coisas. Ainda mais para o um bom observador da realidade.Ou seja, é da vida que se extrai o conteúdo latente e explicito que as pessoas trazem na mente. É por causa disso que a vida torna-se interessante...
Meu amigo Juca, fiquei aqui rindo sozinho na frente de uma tela de computador, imaginando você falando isso para a Sirlene. Hilário...
Abraços amigo.