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sábado, 16 de junho de 2012

CRÔNICA DE DOMINGO: QUESTÕES ENTRE ANIMAIS

MAIS FRASES QUE AINDA DETESTO OUVIR DE VEZ EM QUANDO:

Frase 1

- Dou um boi pra entrar numa briga e dou uma boiada para não sair.

Belicosa essa frase: questões entre animais. Não me deixa esquecer aquele tipo de pessoa que eu nunca gostaria de ser. Lembra também a fábula de um Rei orgulhoso que dizia admirar o conhecimento de certo sábio muito respeitado em seu reino. Tentou se aproximar do homem com todo tipo de propostas até que um dia, a troco de um bom dinheiro, o Rei o convenceu a o introduzir nos mistérios da sabedoria.

Depois de um tempo muito curto de estudo o monarca passou a destratar grosseiramente o mestre, da mesma maneira que fazia com os demais empregados de sua corte. O mais provável é que o Rei simplesmente quisesse se entranhar da sensação de que, ao contratar o sábio tão respeitado por todos, automaticamente, este se transformaria em um seu inferior. Depois, passou a fazer todo o tipo de indagações absurdas com relação aos ensinamentos e até queria sugerir conceitos que seu mestre, obviamente, nem levou em consideração.

O Rei era orgulhoso e não estava acostumado a ser contrariado, foi tomado pelo desejo bobo de vingança, afinal, a intimidação despótica era a única linguagem que conhecia e exercia bem. Quando entendeu que suas sugestões não seriam mesmo atendidas, nem por decreto real; mandou prender e anunciou a execução ao sábio.

Em seus próprios termos, o Rei imaginava ser um homem bom e justo, uma hora talvez fosse até se sentir um pouco culpado, mas não podia mais voltar atrás. No dia da execução, fez cena de vítima e confessou (segredou?) ao sábio que só era feliz entre os seus cavalos que o amavam e o respeitavam cegamente. Foi quando recebeu do homem a última lição:


- Ora, meu filho: o que acontece é que certos animais só podem ser felizes quando respeitados e obedecidos por outros animais.


Frase 2

- A mudança vai te fazer bem...

É a primeira frase da música Damaged Goods (Bens Avariados) da banda Gang Of Four. Um daqueles famosos conselhos “me engana que eu gosto”, ou seja: apesar de perder tudo o que ama e que precisa para ser feliz, no final você vai ver, vai ser bom. Ou, como dizem hoje: todo mundo precisa sair da sua “Zona de Conforto” e buscar aceitação e “sustentabilidade” numa espécie de Pollyana feelings.

Ouvi a música umas dez vezes de ontem pra hoje, isso só vai parar quando eu a aprender a tocar. É sempre assim. Mas não tenho tempo pra isso agora. Então vi um comentário em inglês, dum cara que dizia, traduzindo porcamente:

“A primeira vez que ouvi essa canção, eu tinha roubado umas cebolas no supermercado, porque não acho certo os caras não embalarem mais as nossas compras e me senti meio que no direito, saca? Enquanto esperava na fila para pagar por outras coisas comecei a chorar. A garota do caixa ficou tão comovida que me deu seu telefone, eu a convidei pra jantar naquela mesma noite e cozinhei fígado com as cebolas roubadas. Lá pelas tantas eu não conseguia mais conter o riso, tivemos uns cinco ataques de bobeira, fomos felizes naquela noite. Então, um certo dia, ela me deixou por outro cara que gostava de roubar diários...”

Segue o vídeo do Gang Of Four...

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