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quarta-feira, 6 de junho de 2012

NOS TEMPOS DO CAFÉ NO BULLYING!

Quando estava comentando a descriminalização da maconha, dois posts atrás, a intenção era comentar também sobre a criminalização do bullying. Não que uma coisa tenha a ver com a outra é que muda muito a realidade quando comparamos com trinta anos atrás. Quando eu era guri, bater e apanhar fazia parte do cotidiano de qualquer moleque e, às vezes, essa coisa não seguia bem uma sequência muito lógica não. Os gordinhos não eram necessariamente os mais perseguidos, nem o eram os mais afeminados.

Lembro de um que estudou comigo no Colégio Martim Lutero, lá pela quinta e sexta séries, que sentava nas primeiras carteiras da classe, usava óculos, era muito branco e delicado; penteava os cabelos por trás das orelhas e andava recatado e pudico como fosse uma pré-adolescente qualquer. Era tão feminino, que, depois de um tempo, passou a ser tratado como qualquer outra garota da classe. Diversão era xingar um colega de veado pra depois rebentar em pancadaria. Fazer isso com o outro não tinha a menor graça, aliás: o óbvio nunca era engraçado.

As meninas também não eram fáceis. Uma ficou “interessada” por mim e, no embalo da paixão irrealizável das crianças, quebrou uma garrafa de Coca-cola na minha cabeça na hora do recreio. Outras já se resolviam entre si e com os caras mais velhos, até trocavam seus favores sexuais por cigarros e maconha. Aliás, antes que vocês digam que estou inventando: foi uma das próprias que, depois de grande, me confidenciou isso. Até pediu segredo e, como vocês podem ler, estou aqui, silencioso como um túmulo. 

Tinha um menino sarará endemoniado que fora apelido de “Teba”, era uma peste e logo virou o saco de pancada oficial do colégio. O Rubinho mesmo, um pirralho atentado, tinha compulsão por surrar o infeliz. E o Zé Carneiro? Baita figurassa, um cara de, sei lá, mais de dois metros de altura, mas que chorava por qualquer coisa. E ninguém podia achar engraçado que o pau quebrava. Como não rir de um gigante chorando que nem criança? E ainda tinha o mesmo nome do cara mais palhaço do Sítio do Pica Pau Amarelo! Fazer o Zé chorar era a mais pura diversão.


Registro da galera reunida pra pelada no pátio do Colégio Martim Lutero, final dos anos setenta. Eu sou o de braços cruzados entre os que estão em pé, Teba é o primeiro em pé à esquerda com a bola debaixo do braço. Nessa foto tem ainda Rubens Elias Faiçal - de pernas cruzadas, o Gelson da Churrascaria Gramado, Eduardo - que tinha apelido de Babuíno e seu irmão que não lembro o nome, Henrique Bucher, Ruy e outros que nem imagino onde foram parar...

A galera do mal perturbava Zé Carneiro até ele começar a chorar e distribuir pescotapas ao acaso, Paris era uma festa! O professor ia à loucura tentando desengalfinhar a massa e despachava todo mundo pra sala do “coordenador”. Pois lá é que o Zé chorava mesmo! O  coordenador mandava parar com aquilo, dizia que não era atitude de homem. Sua psicologia funcionava direitinho: de soluços envergonhados o pranto do Zé se transformava em doídos uivos lancinantes. Era de cortar o coração e doer a garganta: a gente ria de passar mal... Até o infeliz do coordenador acabava rindo. Será que isso era bullying? Hoje capaz até de dar cadeia...

2 comentários:

HFTrader disse...

Esta era a minha turma. Voce era de uma serie acima.
Eu reconheco o Moacyr (camisa vermelha), o Ralph a esquerda dele (era mais velho e desenhava pra caralho), o Gelson, o Ruy (o pai tinha uma fabrica de bilhar), o Ailson do seu lado direito e Manoel, o ultimo da direita, em pe'.
Manoel era meu amigaco, nao vejo ele desde 1982. Ele passou la' em casa e conversou com minha mae, mas eu ja' morava ha muitos anos nos EUA.
Faltou ai as meninas - Mariangela, Dalmatie, Marcinha, Monica.
Grande lembranca.

HFTrader disse...

Cara, independente do nome, bullying ou nao, eu sempre achei a cultura brasileira muito impregnada pela falta de respeito ao proximo. Quando me mudei para Londres e depois para os EUA eu pude perceber quao enorme era a diferenca.

Eu levava mas tambem dava muito tapa e nunca contava para minha mae. Mas eu mesmo crianca achava um absurdo como os alunos mais velhos abusavam de alunos ate' com alguma deficiencia como meu grande amigo Hudson Zucolloto.

A parada da maconha eu sabia que existia mas gracas a Deus nunca me meti com essas merdas. A maioria dos caras que estavam nessa onda hoje em dia estao todos fudidos ou dependendo da mae.