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segunda-feira, 9 de março de 2009

STACATTO - No 2 - ALLEGRO FURIOZO

Quando da inauguração do Cinemark no Shopping Vitória eu imaginei que finalmente veria solução para o antigo problema da falta de um bom cinema na cidade. O prédio é bacana, o letreiro enorme da fachada é imponente e aquele amplo salão de entrada impressiona como um saguão de aeroporto... Não o de Vitória, evidentemente. Apesar dessa novidade e adorar um bom filme, tenho a maior preguiça de ir ao cinema. Acho o atendimento ruim para o preço que cobram, também acho caro pagar quatro reais só pra estacionar o carro ou dez reais num sacolão de pipoca e, bom, tem sempre as outras pessoas pra atazanar...


Semanas atrás fomos assistir ao “Estranho caso de Benjamin Button” no Cinemark e o som da sala estava tão alto que eu tive que gritar: “se eu soubesse que a sessão era pra deficiente auditivo tinha trazido meu protetor auricular!” E antes o problema fosse só de volume, o som era sem qualidade também, mal mixado, mal equalizado, agudo, estridente, uma merda.


Daí que na sexta fomos ver o Watchman - uma das melhores histórias dos quadrinhos em todos os tempos, o texto é delicioso, irônico, meio-filosófico, cheio de surpresas como deve ser uma boa obra de arte - estava curioso e pessimista imaginando o quanto Hollywood poderia fazer de mal àquela boa história. Bom, compramos lanchinho burguês no Macdônis, pipoca no carrinho das meninas desengonçadas e entramos na sala 6 "sastisfeitos"... Sabe o que aconteceu? Isso mesmo. O som deu pau!


Imagina só que situação: era a estréia do filme, noite de gala, sessão das oito e quarenta, o cinema estava lotado de adolescentes que se dividiam em tribos de fanqueiros de boné e nerds a los hermanos, ambas ávidas por uma boa bagunça. Mal dava pra escutar o que rolava na tela e os gritos de protesto só ajudavam a piorar a situação. O tempo passava e ninguém aparecia pra resolver o problema. Um cara do nosso lado falou que o cinema tem apenas um rapazinho para cuidar da exibição dos filmes nas seis salas. Ele coloca um pra rodar e vai correndo pras outras. Uma espécie de lanterninha maratonista mezzo bêbado e o equilibrista.


Os mais indignados começaram a sair da sala pra quebrar o pau com a gerência, outros foram embora gritando que iam baixar o filme no E-mule. As tribos desciam e subiam correndo as escadas do cinema: uma hora vinham dizer que o filme não ia mais passar e que era pra todo mundo ir embora, logo depois entravam correndo gritando: vai voltar, vai voltar! Enquanto isso nada de alguém do Cinemark aparecer pra dar uma satisfação...


Finalmente pararam a exibição, as luzes se ascenderam novamente, mais espera... E nada. Lá pelas tantas apareceu uma mocinha visivelmente nervosa (não sei por que, mas todos os funcionários do Cinemark são jovens barato-tontas mal saídas da adolescência, que saudade daquele senhorzinho rabugento do Cine Paz) para explicar que o defeito era irreversível e que estariam disponibilizando “cortesias” para outro dia (como assim cortesia? A gente já tinha pagado as entradas...) ou que o dinheiro seria devolvido. Daí eu gritei:


- E o dinheiro do estacionamento vocês vão devolver também? – Aborrecida e acuada ela resmungou que não, a indignação foi geral, novamente conheci meus quinze segundos de fama. Era o mínimo que o cinema poderia nos fazer a título de “cortesia”, cujo termo no Aurélio é assim definido: “Oferta, ou presente feito por qualquer organização comercial ou industrial a clientes seus, como prova de amabilidade.” Devolver o dinheiro ou oferecer a mesma coisa pela qual já pagamos não é nenhum favor, é – no mínimo - obrigação (!)


Tempos atrás aquela menina muderna e coisada da coluna Zig-Zag de A Gazeta andou estrilando contra a pirataria e os camelôs, dizia que os empresários investem em salas de cinema, pagam seus impostos e que ninguém faz nada pra coibir a ação da malandragem. Escrevi pra ela apaziguador e chateado, dizendo do mau atendimento e dos problemas freqüentes no Cinemark. Sabe o que ela respondeu? “Eu sei Juca, tá uma reclamação geral...” Então querida, lindinha, fófis: porque você não sapeca uma crítica em sua coluna também? Mas é ruim de um jornalista entrar numa bola dividida dessas hein? Por essas e por outras que o Moquecada é tão lido e seus autores permanecem acobertados por um seguro véu.


Mas fico aqui pensando: quer dizer que investimento é isso? Contratar gente bem jovem e inexperiente pra pagar um salário de merda, montar um negócio todo modernão e imponente que não funciona direito, deixar todo mundo puto e ainda cobrar quatro paus pra parar o carro lá dentro? Huhauhauha! É o país da piada pronta. Então começam a quebrar e a culpa é dos camelôs que estão pela rua vendendo o almoço pra comprar a janta de suas famílias? Sei não... Bom mesmo era antigamente...Meu amigo Grilo falante, que vai muito mais a cinemas do que eu, foi a uma sessão lá em que deu problema também e contou que um gaiato gritou:


- O cineminha lá de Colatina nunca deu defeito não!!!


Pois é: nem o Aterac, o Jandaia e o Vitorinha. Mas agora eu aprendi a lição, vou fazer que nem o Grilo e as pessoas mais sábias e só frequentar o Kinoplex mesmo. É preferível pagar pedágio que voltar pra casa sem assistir o filme... Que saudade do Paz e do Cine São Luiz...

2 comentários:

Flávio disse...

Grande Juca,

Só reforçando os cinemas que bombavam na ilha em um passado recente e que não foram citados abaixo... lembro de grandes namoros nos Cines Juparanã, no Glória e até mesmo no Santa Cecília, antes de virar aquele pardieiro de sessões pornôs.
Eu tinha curiosidade por saber a origem do nome ATERAC e só vim descobrir alguns anos depois, qdo me disseram que o cinema tinha pertencido à família CARETA (ATERAC invertido) rsrsrsrsrsrsrsrs.

Um grande abraço.

Flávio Salles

Gi disse...

Bom texto, assino em baixo sobre a má qualidade do Cinemark, também tive problemas lá... Ainda bem que moro ao lado do kinoplex.
Estou adorando suas histórias.