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quinta-feira, 21 de junho de 2012

PROGRAMA MUITO BACANA PARA UMA NOITE DE SÁBADO

Não sei se foi o violoncelista Pablo Casals ou o pianista Vladimir Horowitz citando o último que disse: "Mozart é fácil demais para os iniciantes e difícil demais para os artistas". Deve ter sido o Horowitz, porque muitas das sonatas para piano de Mozart são consideradas "fáceis". Os pianistas mais exibidos querem exibir a musculatura romântica de super-heróis do intrumento como Lizst ou Rachmaninoff, este um romântico tardio. Ignoram ou esquecem que a poesia e a surpresa podem estar numa obra "para piano" nem um pouco espalhafatosa, porém controversa, como 4'33 de John Cage.

Lembrei disso tudo porque a Camerata do Sesi volta a se apresentar e no programa do concerto que - por Tutais! - irei assistir, consta a peça "Pavane por une infante defunte" de Maurice Ravel. Originalmente composta para piano, essa peça é daquelas de fazer tremer os artistas que nem o Horowitz falava. O resto do programa é instigante e, sob regência de Leonardo Davi, com certeza vai ser um início de noite imperdível para os casais românticos saírem para passear no sábado. Segue o convite:



quarta-feira, 28 de março de 2012

ABERTURA DA TEMPORADA 2012 DA OFES TEM CONCERTO DE ARREPIAR

Amanhã a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo abre a temporada 2012. Elogiada pela Revista Concerto a tradicional temporada da OFES completa 35 anos de militância musical entre os filhos do Espírito Santo. Quem também comemora 20 anos à frente do grupo é o maestro Helder Trefzger. Após a saída abrupta de Leonardo Bruno em 1991, o sul matogrossense, então radicado em Belo Horizonte, começou a colaborar inicialmente como convidado ao longo de 1992, sendo nomeado regente titular no ano seguinte.

A OFES sob comando de Mario Cezar Candiani, por volta de 1985

O Concerto de Abertura da Temporada 2012 terá regência de Leonardo Davi, maestro adjunto da OFES e titular da Camerata Sesi. Leonardo é o primeiro regente nascido em terras capixabas a comandar nossa orquestra - não que seja uma obrigatoriedade, aliás, isso quase nunca acontece - é só pra ressaltar que o concerto vai contar com talentos musicais nascidos e desenvolvidos nessa terra notoriamente ingrata para os artistas e que aqueles que chegam lá são desbravadores e além do talento acima da média, possuem ainda um bocado de determinação.

É o caso do solista da noite Aleyson Escopel, um concertista que está brilhando em palcos internacionais e que há pouco tempo assistia concertos junto com a gente na platéia do Carlos Gomes – era conhecido (talvez aluno, não lembro) de meu professor Josué Louzada -. Aleyson estudou com mestres como Miguel Proença e Celia Ottoni, a grande dama do piano capixaba nas últimas décadas. E nessa noite vai encarar o terceiro concerto para piano e orquestra de Prokoffiev, considerado um Everest do repertório pianístico. Simplesmente imperdível.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DO ESPÍRITO SANTO
CONCERTO DE ABERTURA DA TEMPORADA 2012
SOLISTA ALEYSON ESCOPEL
Dia: 29/03/2012. Oito da noite
Theatro Carlos Gomes
Praça Costa Pereira – Centro - Vitória-ES

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A HISTÓRIA DA MÚSICA CLÁSSICA NO ESPÍRITO SANTO EM DOIS NOVOS LIVROS


No próximo dia 11 de novembro o pesquisador de história da música, Juca Magalhães, lança a segunda edição do livro “Da Capo”, única obra existente sobre a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo - OFES. Na verdade o que vem a público agora é um livro sobre uma despretensiosa pesquisa publicada em 2003. Na Mesma ocasião será lançado também um livro inédito sobre a obra para piano do professor Alceu Camargo.

O texto original de “Da Capo” surgiu da necessidade de formatar a apresentação de um projeto para a Associação de Amigos da Orquestra, era bastante sucinto e pragmático, porém, cumpriu na época uma importante função. Hoje parece difícil acreditar, mas em 2002 não era possível encontrar documentos nem depoimentos que demonstrassem com clareza e segurança como e quando fora fundado o principal grupamento sinfônico do Estado.

Com a realização da pesquisa e o lançamento daquela primeira edição vieram palestras divulgando essa parte da história, abordando o universo da música clássica e sua trajetória no Espírito Santo. A prática das palestras levou o autor recentemente a integrar uma turnê nacional por cinco Estados do centro oeste e norte do País dentro do projeto “Música Barroca na Estrada”, mas nessa altura o “Da Capo” já se esgotara.

A iniciativa da segunda edição do Livro da Orquestra foi aprovada pela Lei Rubem Braga, obteve patrocínio da empresa ArcelorMittal Tubarão e ainda contaria com a adesão da Faculdade de Música do Espírito Santo e do Departamento de Imprensa Oficial – DIO. A FAMES tem tudo a ver com essa história, afinal, através do trabalho desenvolvido por seus professores, especialmente o casal Vera e Alceu Camargo, houve o início e o florescimento do trabalho com música sinfônica no Espírito Santo.

O pianista Claudio Thompson pesquisou a vida e a obra completa para piano do professor Alceu Camargo, até hoje inédita, e trará a público na mesma ocasião o resultado de sua dissertação de mestrado em práticas interpretativas – sub área piano - na Universidade de Santa Catarina. O nome do livro é Alceu Camargo, um homem a seu tempo. É um resgate importante da vinda desse paranaense para o Espírito Santo, que seria fundamental para a criação da Orquestra local.

Para essa nova investida na história da OFES foi realizada uma pesquisa bem mais abrangente fornecendo um panorama da situação social e política que fez da música sinfônica uma demanda cultural do capixaba e também uma investigação mais profunda com relação à atuação de algumas personalidades dentro desse processo. Ajuda muito importante nessa nova abordagem do tema veio através do maestro Vítor Marques Diniz, que não fora possível contatar na primeira edição da pesquisa.

O regente lusitano veio para Vitória através de convite de Beatriz Abaurre, então diretora da Fundação Cultural do Espírito Santo, sua chegada teve o efeito de um catalisador que reuniu potenciais musicais dispersos e proporcionou a criação, a partir de 1977, do Coro e Orquestra de Câmara da Fundação Cultural do Espírito Santo. Hoje aposentado o maestro Diniz reside em Campo Grande-MS, mas guarda vívidas lembranças de nossas terras o que valeu um tocante prefácio para a segunda edição do “Da Capo”.

O novo Da Capo contou ainda com a colaboração dos atuais maestros da OFES, Helder Trefzger e Leonardo Davi, na correção de algumas informações, do ex-regente Leonardo Bruno - que aproveitou para enviar uma mensagem aos capixabas - e do maestro Adolfo Alves autor do texto da orelha. Você vai se emocionar com a saga de criação do mais importante grupo sinfônico do Espírito Santo que, após vinte e cinco anos, comprova que o acesso à música clássica nasce de um claro desejo de inserção cultural e é uma conquista de todo povo capixaba.

Recuperando tempo: Da Capo (do italiano “da cabeça) ou D.C. é uma expressão musical que quando surge na partitura remete o intérprete ao início da obra, ou seja: tem o sentido literal da expressão: do início. E é essa a intenção dessas duas obras importantes que agora surgem e dialogam entre si: uma mais abrangente, outra mais específica, porém, ambas fundamentais para o resgate de nossa história musical. 

Reportagem anunciando a estréia da Orquestra e Coro de Câmara da Fames em maio de 1976

“Da Capo” De Volta às Origens da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo
Alceu Camargo, Um Homem A Seu Tempo
Lançamento no dia 11 de novembro de 2011. Horário: 20:30 h
Local: Sala de Concertos Alceu Camargo
Faculdade de Música Maurício de Oliveira – FAMES
Entrada Franca – A Sala de Concertos tem capacidade para 160 pessoas.
Endereço: Avenida Princesa Isabel, 610. Centro – Vitória.

quinta-feira, 24 de março de 2011

SÉRIE SESI DE CONCERTOS INTERNACIONAIS

Vitória tá querendo deixar de ser rastaquerinha. Outro dia li um texto no site do Século Diário - um dos poucos onde se consegue entender a política do Estado - falando mal da construção do Cais das Artes, dizendo que era obra para a elite e coisas do gênero. Deixei uma mensagem muito da mal (contrário de bem) criada, porque pensava que a "inteligenzia" local já havia superado essa "visão" antiquada de que música de concerto, ópera e balé seriam para o bico da "gente fina", coisa de bacana.

Só afirma que concerto é coisa de elite quem não vai a concerto. Hoje as apresentações da Orquestra Filarmônica estão sempre lotadas, o Theatro Carlos Gomes há muito que não comporta mais o público que é formado por amantes da música, meninos da terceira idade moradores do centro, estudantes de música e muita gente “humilde” que estudou ou tem filhos em projetos sociais que na última década ganharam força na Grande Vitória e são responsáveis pela formação de todo um novo público. A elite mesmo, os ricos e famosos, ninguém vê lá não.

Essa elite, tanto política quanto financeira, está pouco se lixando pra cultura em geral e especialmente para a nossa. Não percebe sua importância, não lê literatura, não cuida do passado e não conhece as óperas de Chopin ou as sonatas de Berlioz (quem conhece vai entender a piada). Para a elite interessa o que dá grana ou o que dá voto: simples assim. Os endinheirados entendem de vinho e também de cachaça, conhecem os bons charutos e as roupas de marca. Ponto. Duvido que em seus momentos de relax algum deles vá escutar Brahms (só se for a cerveja sendo despejada no copo).

Os leitores da Letra Elektrônica não, são pessoas de um nível cultural diferenciado, afinal ler textos grandes não é tarefa fácil e popular hoje em dia, vide a força do Twitter. Já teve quem se queixasse do tamanho dos meus textos, educadamente como uma porteira, respondi que ninguém é obrigado a ler: achou grande vai fazer o que estiver a fim. Então convido-lhos cabeçones, para assistir a próxima apresentação da Série de Concertos Internacionais da Camerata do SESI, um grupo que tem à frente o maestro Leonardo Davi e está ganhando muita força e popularidade. 

Toca o bonde e segue o flyer...