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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PASSATEMPO ENTRE UMAS E OUTRAS

Eita boteco tosco! O cinzeiro é uma latinha de cerveja cortada a dois dedos da base. Brahma, desde 1888. Coisas que a gente nunca lê. Bem perto do balcão onde estou sentado tem uma estufa com salgadinhos: coxinhas, pastéis fritos e assados, um quibe gordo que sozinho já valeria uma puta refeição...


Onde estou sentado fico bem de frente para as lingüiças.


Um rapaz veio e ligou o Jukebox, pelo menos serviu para afastar a atenção da televisão. Lingüiças gordas e oleosas, quase meia dúzia delas. A música escolhida é um axé, não faço idéia de quem seja o cantor: “simbora, simbora”. Não posso, ainda é cedo, peço outra cerveja.


Uma mulher me olha fixamente, não é uma paquera, parece intrigada: “que diabos esse tipo de cara tá fazendo por aqui?”. Um senhorzinho de cabelos brancos pede uma das lingüiças para o rapaz do bar que usa um jaleco branco por cima de uma camisa do Corinthians, parece um farmacêutico. Aquelas lingüiças deveriam ser vendidas com prescrição médica.


“Vou pegar uma das mais fresquinhas!”


Que adjetivo engraçado e, sobretudo inadequado. Me ofendi por elas. Aquelas lingüiças têm o aspecto visual bastante masculino de um desses pirús de morto que vemos em filmes de terror quando na hora da dissecação de um cadáver. “Fresquinhas...” O senhorzinho come a lingüiça com uma indizível expressão de tédio, olha para a TV e toma uma cerveja Skol em lata. Me lembrou alguém, me lembrou alguma coisa...


Já matei meia hora do tempo que estipulei para meu próximo compromisso...


Chegou um apressado casal de adolescentes, o rapaz usa um pequeno canudo transparente enfiado na orelha à título de brinco, deve ser para sorver segredos de liquidificador. Comem apressados, coxinha com Coca-cola. A sobremesa é um pacote daqueles biscoitos antigos que tem goiabada no recheio, putz, não consigo lembrar o nome. Também que diferença faz?


O Jukebox ataca de Brian Adams, não acho ruim, me remete ao passado, só que sem nenhum afeto. É como rever uma paisagem antiga que não traz lembranças relevantes. Falando nisso, a tal mulher já me adicionou à paisagem do boteco, é boa de copo também, o rapaz que a acompanha veste uma camiseta do “Colatina Fest Folia” vermelha com acabamento em azul... Agora falta quinze minutos, vou pedir a saidera...


Surge uma mulher do nada pedindo cinqüenta centavos para “comprar um pão de queijo na padaria”. Enquanto eu procurava as moedas no bolso da camisa ela me pergunta por um senhor de cabelos brancos. Digo que não sei e coloco cinco moedas de dez centavos em sua mão: quatro douradas e uma prateada. O jukebox toca Nazareth “Love Hurts”. É a vida... “Deus lhe pague moço.” Do jeito que surgiu desapareceu.


A trilha sonora dos momentos finais é “hoje a chapa vai esquentar!” Eita! Vou pedir a conta, já estou atrasado mais de cinco minutos! (...) Agora lascou tudo! Na seqüência entrou Nelson Gonçalves cantando uma canção em homenagem à Maria Bethânia, que lindo! Não consigo achar isso brega, já devo estar pra lá de doidão...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"NOITE FELIZ" AUTO DE NATAL


Tô aqui lembrando como é que eu comecei a sentar o dedo na Letra Elektrônica, foi há uns seis meses atrás, naquele dia dos namorados. Fomos jantar no tal do Zé da Pizza e o cara tava fazendo uma "promoção", cobrando cinqüenta “real” o cabeção, porque antes do crack da bolsa podia-se tomar dessas liberdades. Neste último domingo estivemos também numa abominável, porque estrambótica, Estância no Vale do Moxuara que me fez lembrar aborrecimentos passados, mas prometi não escrever a respeito até as mordidas (picadas?) de borrachudo pararem de coçar.

O Zé da Pizza proíbe criança de entrar em seu estabelecimento e agora me ocorre que, ao invés de ter me espanado de lá, aquele barbudo mal humorado devia ter era me barrado, afinal, não tenho a menor mentalidade. Por falar nisso, já dizia São Manuel Bandeira: Deus conserve as minhas criancices! Mas das coisas ruins podemos tirar boas experiências, pensando nisso: será que alguém já montou um blog com o nome de Síndrome da Pollyana? Digo isso porque depois de não comer a pizza que o Zé amassou, fiz um texto esculhambante e enviei para todos meus amigos, não demorou e alguns começaram a me intimar a escrever com regularidade, então aqui estou de novo e a culpa é de vocês.

Mas desta vez tô chegando em cima da hora pra fazer um convite à essa juventude semi-nova de retina descolada, esses filhotes da década perdida e seus rebentos, demais familiares e amigos. Na despedida de 2008 e também de oito anos de administração do Prefeito Max Filho teremos muitos eventos acontecendo na cidade de Vila Velha, destes quero destacar a apresentação do Auto de Natal intitulado “Noite Feliz”. A peça tem texto e direção de Alvarito Mendes Filho, Secretário Municipal de Cultura e, como o nome já diz, é uma adaptação da tradicional história do nascimento de Cristo.

O elenco do Auto de Natal é praticamente composto por servidores da Prefeitura de Vila Velha, eu mesmo participo como São José, Dona Sirlene Juffo faz o papel de Isabel, entre outros atores amadores e profissionais que voluntariamente colaboram para a realização desta singela encenação natalina. O Auto é uma adaptação livre, coloquial e atual da história que está na bíblia: tem o presépio com José, Maria e Jesus no Estábulo, os Reis Magos, Herodes e até uma linda árvore de natal humana, culminando com a chegada do Papai Noel. Há coisa de uns três anos atrás (vide foto) foi encenado na mesma Praça Duque de Caxias com enorme sucesso.

Confesso que, todas as vezes em que participo do Auto de Natal, tenho uma enorme vontade de transformar essa história em comédia, fico sempre imaginando uma situação engraçada, ou uma maneira de surpreender o público com alguma tirada de non sense. Felizmente, nenhuma das minhas idéias iconoclastas (blasfemas diriam alguns) foi aceita pelo diretor. Quem sabe algum dia eu não peço autorização a Alvarito e monto uma versão cômica da peça? Pena que os católicos geralmente não vejam com tanto bom humor as piadas feitas em relação às coisas consideradas santas e espiritualizadas. Eu sempre achei que ter espírito e ser engraçado eram coisas semelhantes. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa? Então vamos lá prestigiar o trabalho desse seu amigo e seus coleguinhas, é um programa muito bacana pra se levar especialmente aquela criança feliz que quebrou o nariz, foi pro hospital tomar Sonrisal...

“NOITE FELIZ” AUTO DE NATAL
Texto e Direção de Alvarito Mendes Filho

Onde: Praça Duque de Caxias
Centro de Vila Velha-ES
Datas: 19 e 20 de dezembro
Horário: Sempre às 20 horas
Entrada Franca.

Elenco: Vanussa Andrade, Juca Magalhães, Marcelo Zan, Ilma Capaz, Carina Tonassi, Mayara Bacelar, Hingridy Fassarela, Wellington Suisso e Sirlene Juffo (servidores da prefeitura de Vila Velha), Mariana Veiga, Jocleiton Oliveira, Claudia Gomes, Alexandre Toster, Thiago Mothé Guimarães e Edwaldo Almeida.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE

Li em algum lugar que as pessoas precisam ver de perto acidentes de carro para terem certeza de que não são elas que estão mortas. Passei por um no domingo passado, em Laranjeiras, bem em frente ao terminal. Tinha uma ambulância tombada, outros carros batidos e muita, mas muita gente. Quando consegui atravessar a muvuca, vi um cara fechando seu carro apressadamente, trazendo o filhinho bem criança pela mão, como se fossem ao Grande Circo de Beto Carreiro, montado ali na Rodovia Norte Sul. Mas não, e aquele homem exibia no rosto uma indefectível expressão de curiosidade, excitação e contentamento....

Recentemente passou na Record o filme A Paixão de Cristo - segundo Mel Gibson, com uma versão dos fatos que causou polêmica, em minha opinião, pelas razões erradas - Por falar nisso, quem sou eu pra dizer o que é certo? - Para mim o cara estava simplesmente querendo mostrar que - enquanto prega-se a paz e o amor – as pessoas realmente se divertem horrores com a violência gratuita e que o sofrimento alheio é uma forma de prazer, sobretudo de auto-afirmação. E o gringo escolheu um fato histórico bem emblemático para fundamentar sua tese, ele sabe bem do que está falando, afinal, virou ídolo mundial fazendo filmes de ação.

Depois veio a chuva, abundante e torrencial, por que diabos tenho sempre que estar no meio da rua quando desaba um temporal medonho destes? O pior é que tinha ainda que passar pelo trecho entre o Posto Monza e o Edifício Castelamares e meu carro não é anfíbio. Mas parece que, para nossa sorte, a maré não estava cheia naquele momento, então chegamos em casa sãos e salvos. Fiquei em dúvida se abria uma cerveja, ou encomendava uma missa. Ou será que era uma pizza? Pra chegar, o entregador teria que usar escafandro e submarino, a idéia era perversa e me animava... Então não fomos ao cinema.

Espetei no DVD o famigerado documentário “Triunfo da Vontade” de Leni Rifensthal sobre um congresso do Partido Nacional Socialista. Todo mundo sabe como essa história acabou, mas parece que a humanidade continua esperando a vinda de um outro líder como Adolf Hitler. Vemos isso quando um novo político, como Barack Obama, se elege com promessas de dar jeito no mundo, ele realmente acredita que pode, porque não tem a real idéia do que vai administrar, mas consegue convencer todos que vai tirar algum coelho da cartola. Passados uns anos a realidade cai na cabeça de todos e acontece como Bush, que sai da Casa Branca no clima de “já vai tarde”.

Uma senhora me disse outro dia que as pessoas tendem a só ver e dar valor ao lado negativo das coisas, mas que muita coisa boa tem sido feita e que se nossa sociedade fosse tão caótica quanto dizem a situação já teria se tornado insustentável. Gosto disso sabe? Concordo com isso. No filme Ratatouille tem uma pala assim: a crítica negativa é muito mais divertida de se escrever e de se ler. Tanto é que quando elogiamos alguma coisa logo pensam ou que estamos puxando o saco ou que existe algum outro interesse envolvido. E isso é uma espécie de perversão, porque causa injustiças e atrasa a verdade e esta deveria chegar mais cedo.

Houve uma época de minha vida em que passei doze anos sem comer nenhum tipo de carne, nem usar álcool, nada. A primeira coisa que me perguntavam, entre risos maliciosos, é se eu ainda praticava aqueles antiquados rituais de acasalamento, tão caros à reprodutiva raça humana. Pergunta que só deixava de ser imbecil e despropositada quando feita por alguma garota com quem eu estava negociando a coisa... Se é que vocês me entendem. Mas quando eu estava de bom humor e a fim de ser diplomático, o que não é raro, costumava explicar que parar de comer carne e tomar bebidas alcoólicas não era nada de extraordinário na vida de uma pessoa: difícil mesmo era deixar de criticar tudo e, especialmente, a todos...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

SABENDO O CERTO POR VIDAS TORTAS

Recebi um texto - atribuído ao escritor baiano João Ubaldo Ribeiro - sobre a desonestidade do povo Brasileiro, como se todos sofressem de desvio de caráter e que - apesar da gritaria contra a roubalheira das instituições público/políticas – fossem capazes de passar a mão e levar pra casa alguma coisa do trabalho no melhor estilo “a ocasião faz o ladrão”. Muita gente entende que “o que é de todos não é de ninguém”... Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também. Então você não tem compromisso porque o tudo é o nada, muito filosófico isso, explica, aliás, porque existem tantos pobres meninos e meninas ricos.

De certa maneira o escritor está certo, afinal, convivemos com pequenas malandragens em nosso cotidiano de maneira tão simplória que tem hora que a pernada passa despercebida e quem consegue premeditar o breque se sente mais esperto e até vai pra casa feliz. Em Bento Ferreira mesmo tem uma ótima padaria que reina absoluta num ponto privilegiado do bairro onde fazem uns pãezinhos doces muito gostosos que são arrumados nas prateleiras de maneira que os mais velhos fiquem na frente dos mais novos. Daí você pergunta, mas não deveria ser o contrário? Bom, não do ponto de vista do fabricante.

O dono da padaria – e isso é também muito comum também nos supermercados – provavelmente instruiu seus funcionários a colocar os pães mais antigos na frente simplesmente porque a maioria dos consumidores pega o produto sem verificar a data de fabricação. Não sei se podemos classificar isso como desonestidade se pensarmos que o consumidor vai chegar em casa e comer o pão, mas vender uma mercadoria de dois dias atrás pelo mesmo preço de uma que acabou de ser fabricada e ainda a colocar em evidência, praticamente escondendo a mais nova, não é um jogo dos mais leais.

E quem é que faz diferente dos padeiros? Daí que vem aquela famosa frase idiota: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Ou seja: “em rio que tem piranha jacaré nada de camisinha”. Mas é muito chato viver dessa maneira não é? Como se fossemos uma nação de maníacos obsessivos, recontando, re-checando; testando a durabilidade, a validade, a fidelidade de tudo e de todos. Que liberdade é essa então? “De que me vale ser Edith Piaf se não posso fazer o que me der na telha”? Já pensou se para cada pessoa contratada tivéssemos que colocar uma outra pra tomar conta da primeira? Mas não abre o seu olho não japonês...

E se todo casal tivesse que contratar gente pra fiscalizar a fidelidade do parceiro? Porra meu, ou confia ou joga fora no lixo, não vale a pena viver assim. Daí alguém resolve provocar o maridão, galhudão - Diguvon Spoton da Bayer - desconfiadão:
- Você num confia no seu taco não ômi, tem que botar gente pra tomar conta da vida de sua mulé?
- Olha maluco: no meu taco eu confio, o que eu num confio é na caçapa dela...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ENSAIO É ENSAIO - FILME É FILME!

Sexta a noite. Parada estratégica na praça de alimentação do shopping para um jantarzinho barulhento, depois um cineminha. Por que não? Vejo poucas pessoas conhecidas quando vou a esses lugares e acho curioso isso. A maioria das vezes em que vou ao supermercado, por exemplo, encontro sempre de três a quatro amigos e conhecidos, minha geração parece mais prática e acomodada a lugares onde não se cobra pra estacionar... Ainda.

Uma das coisas que mais incomoda em shopping é o barulho, uma balbúrdia louca que - em face da quantidade de informação visual - passa despercebida a muitos. É um som reverberante comum aos lugares fechados e lotados e que irrita, desorienta, geralmente fico louco para ir embora. Conversando com um grupo de cegos eles me disseram que se sentem assim também, o som é uma de suas principais ferramentas de orientação. É uma merda, mas não vai mudar: não é pensado para os que têm ouvidos para escutar.

Diversão é observar as pessoas. Tantas, diferentes e únicas, a vaidade as torna engraçadas e inacreditáveis. Especialmente isso. Na mesa ao lado tem um casal que traz o filho por uma espécie de coleira, como um cão. O menino, curiosamente, se comporta como tal, tentando se soltar e correr em liberdade, só faltava latir. Alguns passam e comentam, os pais fingem indiferença e devoram enormes hamburguers com Coca e batata frita. Ali estava o link para o filme que iríamos assistir: Ensaio Sobre a Cegueira:

Fernando Meirelles é um diretor requisitado em Hollywood atualmente, talvez o único daqui que realmente tenha se tornado mainstream. Depois do sucesso mundial e do reconhecimento obtido com Cidade de Deus o diretor partiu de vez para produções de primeiro mundo. Assisti a uma longa entrevista dele no programa Roda Viva da TVE, comandado pela ex-global Lílian Wite Fibe – visivelmente deslumbrada com a presença do diretor -, cujo tema central era o lançamento de seu novo filme.

Meirelles tem um blog - há muito não atualizado - que nos dá uma grande panorâmica sobre o fazer cinematográfico, as difíceis decisões na busca por um produto íntegro e comercial ao mesmo tempo. O diretor rasga o verbo, comenta de situações constrangedoras que um artista tem que administrar para ser peão da indústria norte americana, tanto que quando ficou sabendo que estavam traduzindo o blog para inglês achou melhor parar de escrever. Algumas pessoas da Miramax mereciam ter lido.

Ensaio Sobre a Cegueira acabou se revelando uma história difícil de ser traduzida para a linguagem cinematográfica, Meirelles teve trabalho em encontrar uma edição que não chocasse tanto a platéia e esse foi talvez o problema. Se a idéia não era espantar (nos dois sentidos) o espectador, porque então escolher uma história que inclui, por exemplo, duas seqüências de estupro? Eis a questão. Não vou dizer que o filme é ruim, nem que é descartável como se exige do cinema pipoca americano, o problema é que tentando agradar troianos e conciliar abismos o diretor se perdeu e não conseguiu produzir um filme visceral daqueles para se guardar na prateleira de casa e rever de vez em quando.

O curioso é que – entre tantas concessões - um das cenas que Meirelles não aceitou mudar foi a dos cães, porque estava no livro de Saramago e - mesmo com rejeição do público em test screens - o diretor bateu o pé pra cachorrada ficar. Volto então minhas lembranças para o menino cão na praça de alimentação e o barulho que desorienta aqueles que não enxergam. Essa é a luta do dia a dia: perceber-se vivo, manter-se desejado (comercial) e íntegro ao mesmo tempo. Parece fácil não é? Então vai lá fazer sabichão!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

ALGO MAIS QUE SACHÊTS E BISNAGUINHAS...

Meu texto passado, sobre sachêts e bisnaguinhas, gerou um comentário muito legal que não posso deixar de compartilhar com os amigos...

* * *

Eaê Irmão,

Isso me fez lembrar de uma história muito engraçada desta época: Num fim de noite de domingo, Tatá encosta seu chevetinho no Cabeça Feita (aquele alí da ponte de Camburi) e pede um sanduba. Enquanto espera, sozinha no estabelecimento, o dono do Cabeça puxa conversa e, papo vai, papo vem, o cara diz que 'os meninos põem porra na maionese do Dionicão'.


- 'ÃNNNN....', disse em tom de dúvida Tatá.
- 'Juro pra você'. Respondeu o cara.
- Sério?, verdade mesmo?
- Estou te dizendo... - Tatá mais que depressa ligou o carro, engatou a ré e gritou pro cara:
- Então suspende o meu pedido que eu vou comer lá, que tem porra!!! E se mandou, puta da vida com o jogo baixo da concorrência em difamar a tão famosa maionese do Dionocão.
Acho que esse nunca mais disse a ninguém da porra na maionese dos outros...

Bjs, Juliana Osório.

* * *

Daí que depois de tanto vai e vem, resolvi dar um pulo no Dionicão ontem pra ver se ainda estava funcionando e de repente até matar a saudade comendo um Bradenburger... Pois sim, dei com a cara num papel colado no vidro anunciando que o estabelecimento havia sido interditado pela vigilância sanitária. Depois, rodando na net, ainda achei essa reportagem relatando o fim trágico, os últimos dias do mais famoso trailler de sandubas dos anos oitenta:

* * *

Interdição: Desde o dia 4 de dezembro do ano passado (2007?) o Dionicão não estava funcionando por determinação da Vigilância Sanitária Municipal. Os fiscais interditaram o estabelecimento porque o alvará sanitário era para o funcionamento de lanchonete, mas no local também havia um restaurante.
A proprietária disse desconhecer todo o processo: Depois de 21 anos trabalhando na Praça dos Namorados - 33 na mesma atividade -, a dona do Dionicão ficou inconformada com a decisão da Justiça de reintegrar o espaço à prefeitura. “Acho um desrespeito a forma como tudo isso está sendo feito. Eu tenho contrato com vencimento indeterminado com a prefeitura, que me isentou de pagamento em 1998 por conta das melhorias que fizemos no local. Além disso eu desconhecia todo o processo. Fiquei sabendo nesta semana que queriam demolir o prédio. Tenho 23 funcionários que dependem desse trabalho e já começaram a passar necessidades. Isso é um absurdo”, disse a comerciante Marinete Gatti. A interdição da lanchonete pela Vigilância Sanitária também desagradou a comerciante. “A minha comida é de qualidade, elogiada. Questionaram a falta de etiquetas nas embalagens e resolveram interditar”, disse.
* * *
- Vai morder um sachêzinho de ketchup coisa ruim!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A REPRESSÃO INERENTE AO SISTEMA E A DIMINUIÇÃO DO PRAZER

Vocês vão pensar que eu tô ficando doidão, mas uma das maiores diversões que tenho ultimamente é ler o Gazetaonline, muito por conta dos comentários hilários do povão. Ainda que a maioria fique na onda do preconceito e de dar lição de moral, tem até alguma coisa sensata sendo dita ali. O foco dos debates mais acalorados ultimamente tem permeado as problemáticas do trânsito na grande Vitória, seja pela Lei seca, pela indústria da multa (radares eletrônicos), ou por simples acidentes banais que geram toda uma série de comentários inflamados de correligionários da oposição tentando queimar o filme da administração responsável pela situação.

Mas comecei a falar desses comentários porque escrevi um texto semanas atrás, sobre esse movimento careta e repressor de nossa sociedade que sempre quer vender o peixe da segurança da coletividade restringindo a nossa liberdade e um amigo escreveu lembrando que eu não tinha falado das abomináveis bisnaguinhas (Sachet? O trem quando é ruim até o nome é complicado) de ketchup, maionese e mostarda nas lanchonetes e pizzarias... E essa é uma coisa que me deixou fulo da vida durante um bom tempo, depois, como todo o resto, tive mesmo que aceitar.

O Agatê – nem vem dizer que o nome do meu amigo é esquisito não, pior é Zé Bob, Didú e Dódi - me falou do Kapo’s, mas eu freqüentava mais o Dionicão, que na época ficava ali onde já há uns dez, quinze anos, está o Macdonalds. Quantas vezes não paramos ali com amigos, voltando do cinema no centro da cidade pra lanchar antes de ir pra casa dormir? Eu pedia um gigantesco Bradenburger e, na larica, ainda achava pouco. Comíamos sentados no carro mesmo, ouvindo rádio e batendo papo. Os sandubas eram fartos e o ketchup e a maionese também.

Como costuma acontecer, esse negócio da pavorosa bisnaguinha surgiu com o discurso de que é mais higiênico e seguro pro consumidor. Os responsáveis pela vigilância sanitária, ou algo que o valha, começaram a investigar os estabelecimentos comerciais depois de alguns casos de intoxicação por maionese caseira e outras coisas piores. A pá de cal veio quando surgiram denúncias de que tinha gente se masturbando e jogando o resultado de sua sacanagem dentro dos tubos de ketchup, maionese, etc.

Reportagens na época davam conta de que testes teriam comprovado a contaminação desses tubos por esperma, coliformes fecais, asa de barata, pelo de rato, língua de lagartixa, uma lista tenebrosa que parecia receita de macumba do caldeirão da Madame Min, ou então banquete de filme do Zé do Caixão. Como resultado, passamos a ter que ficar passando raiva pra comer usando aquela bisnaguinha idiota que quando empemba nem o capeta abre, daí você fica puto e resolve rasgar a parada no dente, o que também acaba não sendo nada higiênico!

Mas colegas, pensemos bem: e se essa coisa toda for apenas invenção dos fabricantes dessas bisnaguinhas que, macomunados com os agentes públicos, simplesmente resolveram impor novas regras de consumo pra faturar nas costas dos comerciantes? Seria como dizer que inventaram a AIDS pra vender preservativos? Um exagero talvez. Mas outro dia recebi um email afirmando que os bafômetros usados pela Polícia teriam custado mais de R$6.000,00 cada e que na internet o mesmo equipamento era vendido por menos de duzentos dólares americanos.

Muitas outras decisões tomadas em prol de uma suposta, invisível e presumível coletividade me parecem assim: elas tiram o prazer que temos das coisas simples da vida. Não quero, obviamente, afirmar com isso que dirigir bebum seja um prazer, pra mim é realmente uma dificuldade (hehehehe). O problema é que vamos nos adaptando aos novos tempos, reclamando, mas aceitando. O meu medo é acabar um dia vivendo como naqueles filmes futuristas, nos alimentando de pílulas desidratadas ao invés de comida de verdade.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

VIVER HOJE EM DIA É UM SACO!

- Cara, falando sério: ficou chato viver né?
- Como assim?
- Chato cara, agora a gente não pode fazer mais nada. Tem esse negócio do politicamente correto, não se pode mais chamar os outros de preto, de bicha. Desde a AIDS não se pode mais nem transar sem camisinha...
- (Risos) Bom, eu nunca fui muito racista e, mesmo com o Viagra, há muito tempo que o sexo já não é mais a mesma coisa pra mim...
- Eu acho um saco não poder mais tomar uma cervejinha e sair por aí dirigindo.
- Saco, saquíssimo!
- Sem falar no policiamento dos outros, saca? Tomá no cú meu! Ontem eu tava contando que sábado enchi a lata e logo alguém me perguntou: você num tava dirigindo não né?
- É porque agora dá cadeia e multa de mil reais...
- Eu sei, mas isso se a polícia te pegar né?
- (Muitos risos) Rebelde, sempre rebelado...
- O problema é que nós crescemos tendo como heróis os roqueiros, guerrilheiros, hippies, junkies. Aliás, vivem falando em alimentação saudável, mas o Keith Richards ta aí inteirão.
- Pois é, mas se essa Lei seca tivesse aparecido uns trinta anos atrás essa mesa estaria bem mais cheia.
- E é isso que eu acho o pior de tudo! No final ainda ter que dar razão pros outros. Por isso que viver é um saco ultimamente, não se tem mais nem a liberdade de cometer os erros comuns de um ser humano qualquer. Quem vão ser nossos heróis agora?
- É que o mundo agora tem muito mais seres humanos... São erros demais.
- Com tantas responsabilidades todos nós seremos heróis.
- O que é o mesmo que dizer que ninguém mais vai ser... E chamar aquele maracujá de gaveta de “inteirão” é muita bondade sua.
- E essa coisa do meio ambiente? Eu tava lavando uns pratos e minha filha de cinco anos veio perguntar se eu estava enxaguando a louça ou lavando, por que agora na escola dela ensinam que todo mundo é responsável por economizar a água do planeta.
- Sim. Todo mundo agora é responsável por tudo, parece até o despertar da consciência em nossa sociedade. Estávamos sonhando e o sonho acabou. Já dizia John Lennon.....
- Que nada! Pra mim isso é tudo coisa da mídia... Toda semana eles inventam uma estória diferente até você não agüentar mais ouvir falar naquela porra!
- Sim, agora estão falando das pessoas inocentes mortas pela Polícia Militar.
- É. Já imaginou ficar abrindo a torneira e fechando na hora de tomar banho?
- Cara, eu ando deprimido... to até pensando em me matar. O mundo é um saco, nós somos iguais baratas, insetos... Não vejo mais sentido em viver.
- Olha, suicídio é a paranóia final. Qual o problema de viver uma vida caretinha?
- Falando nisso: alguém trouxe aquela porra da sacola ecologicamente correta pra gente pegar as cervejinhas?
- Tá aqui essa coisa medonha, minha filha não me deixou sair sem ela, diz que as de plástico estragam o meio ambiente.
- Então vão bora... Quem tem um cigarro aí?

domingo, 13 de julho de 2008

PROMOÇÃO DE DIA DOS NAMORADOS (REPRISE)



Dia dos namorados é dose... Engarrafamento em tudo quanto é lugar, lojas caóticas com vendedores não menos (sistemas fora do ar), indecisão na hora de comprar uma coisa legal e os restaurantes lotados, mas não é que teve um que foi exceção...

Ali na antiga Ilha de Santa Maria, perto do Edifício Paulo VI, lugar que hoje é chamado de Enseada do Suá e que é na prática já faz parte da Praia do Canto, tem uma Pizzaria chamada “Zé da Pizza”, ou algo assim, pois muito bem:

Saímos (eu ranheta e ela determinada, como é de praxe) pra cumprir o tradicional ritual do (obrigatório?) “jantar romântico do dia dos namorados” (embora nunca tenhamos precisado muito de ocasião para comer uma pizza)... Aliás, o dia de São Valentim é em fevereiro. No Brasil é que se comemora o dia dos namorados em junho, única e exclusivamente por questões comerciais, portanto, nem um pouco românticas.

Um de nossos amigos tinha indicado o tal “Zé da Pizza”, dizendo que a massa lá era muito boa, acima da média da nossa cidade, não tão pródiga e famosa pelas pizzarias... E olha que tem é descendente de italiano por aqui...

A única coisa que esse nosso amigo falou de ruim do restaurante é que lá não aceita a entrada de crianças, coisa que ele achou antipático, o que pra gente não era problema, casal sem filhos, é até melhor que o clima romântico (e a tranquilidade) fica mais garantido.

Logo na entrada passamos rápido por um cartazinho de papel A4 colado na porta de vidro que dizia algo sobre uma “PROMOÇÃO DE DIA DOS NAMORADOS” cujo consumo mínimo deveria ser de cinqüenta reais. Bom, sair pra jantar num dia especial tem desses inconvenientes e, afinal, cada tem direito de um pedir o que quiser pelo serviço que oferece... Quem achar o preço justo que pague.

Diferente de todos os outros lugares da cidade, lá dentro não tinha ninguém, cheguei a pensar que a pizzaria não estivesse funcionando. Mas logo fomos abordados por um senhor de barba grisalha, que, aliás, me lembrou Bebeto Guimarães e que nos abordou sem muitos rodeis da seguinte maneira:

- O cartaz lá fora ficou claro pra vocês? – Ficamos sem graça com aquela investida quase truculenta, daí respondi:

- Ficou sim. O consumo mínimo é de cinqüenta reais né? - Dificilmente gastamos mais de quarenta em outras pizzarias da cidade, mas, enfim, era dia de se fazer um sacrifício: tudo em nome do amor...

- Não, não... – Fui interrompido por ele e por ela – O consumo mínimo de cinqüenta reais é por pessoa. Minha namorada já tinha entendido o esquema e eu ali dando de trouxa retruquei...

- Caramba amigo... Cem reais é um bocado de pizza hein?

- Ah! não, mas tem que tomar um vinhozinho também... – Ele já queria nos ditar o que beber, enfim, dar um jeito de gastar os tais cem contos. Só de vingança retruquei:

- Nós não bebemos não amigo... - no meu caso, eu entorno, mas não comumente e a patroa não gosta, o que não é da conta de ninguém, muito menos de um completo desconhecido que estava sendo deselegante conosco, afinal, sua abordagem dava a entender que nós não tínhamos condição - ou claramente intenção - de gastar cem reais numa noitada.

Obviamente resolvemos ir embora dali mesmo... Muito mais pela atitude do sujeito, espanador de clientes, do que por conta dos tais cem reaizinhos, daí entendi porque é que a casa estava vazia. Coisa de doido. Será que ele queria espantar a freguesia pra poder sair com a namorada? Hahahaha! Vai ver...

Conseguimos a última mesa vaga na “nossa” velha (e ótima) pizzaria Napolitana e jantamos muito bem. Lá tinha promoção de dia dos namorados também, eram umas velinhas enfeitadas em cima da mesa. Nem me lembro quanto gastamos. Que diferença isso faz? Aliás, lembrei agora daquela música do velho compositor Zé Coisado “Quem nasce Zé não morre Johnny”. E me arrependi de, antes de ir embora, não ter dito praquele barbudo pizzaiolo da capitalistolândia:

- Rapaz... Você é um “Zé” mesmo hein?

terça-feira, 8 de julho de 2008

O CAPIXABA É MUITO TRANQUILO MESMO



Cara, nossa cidade é uma biboca mesmo. Já faz um tempo que inaugurou o Burger King no Shopping Vitória e eu nunca tinha conseguido reunir coragem pra enfrentar as gigantescas filas que se formam por lá.

Novidade em cidade pequena é sempre um vuco-vuco...

Por acaso acabamos parando ontem lá, uma segunda-feira em que não estamos perto de nenhum evento comercial importante, do tipo: dia dos pais, das mães, das crianças, dos namorados, natal, então...

Esquecendo os anos de vegetarianismo fiel, pensei com meus butones:
- É hoje que eu vou à forra!
(Revista Uncanny X-Man Nº1250, fala do personagem Dentes de Sabre, pág. 14)

Sabe o que encontrei? Uma porra duma filazinha razoável. Não vou dizer que era grande não, tinha só umas dez pessoas na minha frente. Dava pra encarar. Geralmente a fila do Burger King tem mais de cinqüenta pessoas! E o que mais assusta é que o negócio não anda! É de desanimar qualquer cidadão.

Acho isso uma piração cara. Você me abre um negócio numa cidade nova, vê que não tá atendendo nem de longe a demanda e não faz porra nenhuma? Mas resolvi enfrentar a fila porque não estava com fome, queria comer só pela curiosidade de experimentar um rango diferente. Se a fome fosse negra eu tinha vazado pra outro lugar.

Daí que descobri que eles têm uma promoção de Coca-cola que é de deixar qualquer pançudo arriado. Você pode encher o copo de novo até meia hora depois de receber seu sandubão. Rapaz, já pensou se fosse cerveja? Putzgrila! Ia ter que ir embora de táxi. Hahahahaaha! São as problemáticas da Lei seca.

Fui atendido por um menino mirrado que falava pra dentro, quase um eunuco. Por conta de seus resmungos demorei a entender que podia encher novamente meu avantajado copo de 700 ml até o cú fazer bico. Mais um pouquinho ia sair rolando de lá...

E acaba que o Burger Coiso me decepcionou... Tinha um quê de churrasco de butique no gosto daquele sanduba. Sei lá cara, sou muito pouco exigente pra comida em geral, mas parece que tinham passado perfume de 'barbecue' naquele hamburger saca? Tipo esses biscoitinhos de presunto? Ruffles sabor de churrasco? Pois é...

Daí fiquei lembrando do filme Nação Fast Food, os caras têm mesmo uma espécie de molho sintético artificial pra dar gosto na parada saca? É esquisito cara. Fico até com medo de imaginar o que será que eles tão querendo disfarçar com essa perfumaria toda.

Mas o que me deixou mais puto de tudo, depois de ter comido é claro, é que eu ainda por cima tinha enfrentado fila pra gastar meu rico dinheirinho lá... E ainda gastado quatro paus só pra parar meu carro no estacionamento do Shopping.

O capixaba é muito tranqüilo mesmo né?