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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

EM DIA DE LUTO PARA O CAPIXABA CHEGA AO FIM A COTAÇÃO DO CAFÉ!


Acaba de explodir como uma bomba a notícia do fim oficial da "cotação do café" nos telejornais capixabas(!) A notícia foi confirmada na tarde de ontem por fontes palacianas - do Palácio do Café - e setores da grande mídia.

“Foi a decisão mais sábia a ser tomada”, afirmou fonte ligada à uma das maiores empresas de telecomunicações do Espírito Santo. O jornalista que não quis se identificar disse que após ser anunciado o fim do humorístico Casseta e Planeta muita coisa deve voltar a fazer sentido na televisão brasileira e que a Cotação do Café já não correspondia aos anseios da família capixaba. “Esperamos ter saído por cima”, afirmou encerrando sua declaração inesperada.

Alguns integrantes dos programas Zorra Total, Balanço Geral e A Praça é Nossa manifestaram solidariedade aos empresários do setor cafeeiro, destacam porém que com o advento da Internet, a cotação pode muito bem ser acompanhada online em qualquer lugar do Estado e que repetir pequenas variações da mesma informação toda semana é coisa impensável para a velocidade das mídias atuais. As entidades de classe ficaram indignadas com a argumentação e polemizaram perguntando se os mesmos não assistiam aos próprios programas.

Os músicos também foram pegos de surpresa com a notícia, alguns comentaram consternados que isso jamais poderia acontecer justamente no ano do centenário de Noel Rosa, poeta magistral que cantou a política do café com leite. Robertinho, Presidente da Mocidade Unida da Glória, lamentou o fato e lembra que o café foi o tema escolhido pela escola em 2006 com o samba enredo: “Quente como o inferno, puro como um anjo, doce como o amor… Quem vai provar? Quem vai querer? Eu sou o café e meu banquete é para você”. Lembrando que esse é apenas o título da canção...

O capixaba ficou passado entre o futuro e o presente, mas a população comenta o caso com bom humor. A estudante de gastrofisioterapia natural, Quimelda Marcos lembra que a “cotação” das sacas de café era o único momento em que seu tio, um pequeno produtor rural, conseguia fazer piada com a própria pobreza. E acrescenta lenha à fogueira das vaidades: primeiro acabaram com as colunas sociais, perdemos até o Wesley! (pausa indignada) Agora é o fim da cotação do café. O que virá depois?

Essa é uma pergunta que só o tempo poderá responder...

Certamente a Cotação teve momentos marcantes na história recente do telejornalismo capixaba, mas será que ela era realmente necessária? Enquanto a pergunta que não quer calar ainda reverbera e causa polêmica, nos despedimos lembrando com carinho da velha narração inesquecível: “cotação do café Arábica tipo 6 bebida dura com até 12% de umidade e do Conilon tipo 7 com até 13% de broca e 10% de umidade, a cento e setenta e três reais a saca.”

domingo, 7 de março de 2010

EM UMA PALAVRA SÓ: BOMPRACARÁLIUUUU!


Não costumo gostar muito de refilmagens, acho que foi uma implicância que desenvolvi quando fizeram aquela versão lamentável e imbecil de “A Gaiola das Loucas”, depois dessa sempre que os gringos entram numa de dar a versão Bigmac pro que eles consideram um bom filme “estrangeiro” eu prefiro passar batido. Peguemos, por exemplo, o clássico suspense “O Silêncio do Lago” que em sua versão Hollywoodiana ganhou até um inaceitável final feliz. Tem o caso também de outra comédia francesa chamada “Os Visitantes”, ótimo filme, mas que em sua versão USA ficou uma porcaria. Até com produções do passado deles mesmo eu tenho o pé atrás, caso do filme “Os Produtores” - que por aqui em sua versão original (1967) ganhou o nome de “Primavera Para Hitler” – por amar o original nem quis ver o falso, fico pensando como é que o Mel Brooks deixou...


Daí que quando fiquei sabendo da refilmagem de FAME – um clássico do início dos anos oitenta – fiquei cético e até ofendido em minha memória cinematográfica afetiva. Mas acabei me surpreendendo com essa nova abordagem e estou aqui pra pagar a minha língua. Nova York é um puta centro cultural e as escolas de arte de lá – entre muitas outras, evidentemente - fornecem mão de obra para a Broadway continuar funcionando. É numa dessas escolas que a história se passa enfocando os jovens que – guardadas as devidas proporções – manifestam as dúvidas e vivem os mesmo dilemas daquela rapaziada de trinta anos atrás. A arte é dinâmica como a moda e a cultura de forma geral e a maior qualidade desse novo FAMA é justamente nos apresentar uma boa história sob o viés atual de um determinado fazer artístico. Essa nova versão não é uma cópia do roteiro anterior – como no caso grosseiro de A Gaiola das Loucas - mas uma atualização bem feita e deliciosa.


O dilema das artes e de seus intérpretes não envelhece, indefinidamente ilude inúmeros corações e mentes e constrói todo um pano de fundo para a vida das outras pessoas. Os artistas nos divertem, distraem nos momentos de tédio e solidão, embalam nossos sonhos e amores com suas canções. O que seria do mundo sem os artistas? Por isso alguns se tornam tão amados e perseguidos, criticados e bajulados, por isso tantos perdem o contato com o mundo real e tantos são os que por isso sofrem; o que me leva a abordar o próximo assunto deste texto: vi também dois filmes imperdíveis que têm histórias muito parecidas, sua parte mais importante se passa na mesma época, mas os finais acabam sendo bem diferentes.


Primeiro vi o excelente “Simonal – Ninguém Sabe O Duro Que Eu Dei”, uma verdadeira pedrada na mente! Eu lembro pouca coisa do Simonal, mas vendo o filme descobri que a versão de “País Tropical” que eu sempre gostei era com ele e não a do Jorge Ben. O filme tem depoimentos muito bacanas de caras populares na época - e até hoje - como Pelé e Chico Anysio, só para citar dois. Mostra a meteórica ascensão de um menino pobre que viria a se tornar o mais popular entertainer do país na virada dos anos setenta, depois veio a derrocada da carreira e as inúmeras hipóteses para razões de tantos porquês. É uma história triste, mas contada de forma muito respeitosa e emocional, como penso que deve ser.


Depois vi o Loki que dá conta da trajetória do músico Arnaldo Batista. Uma história parecida com a de Tom Zé, que aparece no filme falando de maneira amalucada sobre ter participado da segunda escola vienense e do rompimento da tonalidade (como assim?). Arnaldo foi do céu ao inferno em poucas lições, o início idílico com Os Mutantes, o casamento com aquela linda adolescente chamada Rita Lee, depois a descoberta do LSD e o início da fase negra que terminaria com internações em manicômios até a trágica tentativa de suicídio na noite de ano novo, que era também aniversário da ex-mulher. As feridas deixadas por aquela relação parecem ser muito mais profundas do que até então havia se falado e do que o próprio filme explicita; só para dar uma idéia, a verdadeira matriarca do Rock Nacional se recusou a dar seu depoimento no filme, mas felizmente cedeu o uso de suas imagens.



Ressurgido das cinzas após um longo período de ostracismo – exatamente como na história de Tom Zé – Arnaldo, mais precisamente Os Mutantes, são garimpados por gringos fuçadores de música “diferente” como o David Byrne e esse resgate trás de volta o peculiar criador para o mundo que ele mesmo decidiu abandonar em tempos passados. É feita em Londres uma exposição sobre a Tropicália com um muito esperado show dos Mutantes, tendo Zélia Duncan no vocal, com um monte de artistas gringos pagando pau pros caras. O ponto alto destas é o aparecimento do músico “sui generis” Devendra Banhart que rasga um monte de seda sobre o show e termina seu depoimento assim: in one word (em uma palavra): bompracaráliuuu!


E eu pensei uma só palavra com meus botões: debuquisondetêibou! Mentira, eu ri foi “pracaráliuuu”. É delicioso ver os gringos tentando falar nossa língua pra variar, mal posso esperar o dia em que o congo será descoberto por David Byrne também e a nação botocuda se tornará mainstream “ao vivo e a cores” para todo o Brasil e quiçá o universo. Já imaginou as crianças lá no Harlem estudando as sutilezas interpretativas de instrumentos complexos como a casaca ou o tambor de pele de marreco e em tudo quanto é telejornal do mundo dando a cotação do café? Eu mal posso esperar...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CANÇÃO NO MUNDO DAS ILUSÕES PERDIDAS


Existe em algum lugar uma canção de Buda que li faz tempo e na hora que entrei numas de usar neste texto não consegui mais achar em nenhum dos livros suspeitos. Era um diálogo do mestre indiano com um comerciante, enquanto um cantava as alegrias do ter o outro rebatia com a liberdade de não possuir. Faz pouco tempo recebi um texto que exaltava a superioridade do pensamento dos “ricos” como se estes fossem grandes filósofos, era uma sugestão bem intencionada que defendia mudanças em nossa vida para nos tornarmos mais abastados também. Na hora lembrei daquela passagem budista, me deu vontade de desconstruir o texto ingênuo recebido, fazer paralelos sarcásticos ofensivos, mas desisti por respeito àquela pessoa ou talvez por não me achar mesmo à altura da tarefa.


A trajetória e a companhia das pessoas simples sempre me agradaram e interessaram mais do que a de pessoas poderosas. Sei lá, me parecem mais dignas de admiração, além do mais não existe esse negócio de pessoa simples. Apesar de dividirmos o mundo entre os que têm grana ou não, valorizando os primeiros, mais tarde descobrimos que esse “ter” dinheiro pode ser relativo... Lembram do Homem Aranha que apareceu por aqui faz coisa de uns dez anos? Era um cara descolado e antenado que nem o Chapolim Colorado, estreou nos principais points da cidade a bordo de um carrão importado, pagou generosamente birita pra uns e outros - o dinheiro não era dele mesmo - logo estava muito bem relacionado com a rapaziada bem de vida da cidade. Ao que parece não foram muitos os que questionaram o que aquele completo estranho fazia para ostentar um padrão de vida milionário.


Ganhando a confiança de uns e outras o Homem Aranha foi se tornando uma figura popular, passou o rodo numa gatinha conhecida minha que até o levou em casa pra conhecer a futura sogra. Não demorou e estava sendo convidado para freqüentar casas e apartamentos dos endinheirados da cidade que - mal sabiam eles, ou melhor, depois descobriu-se - nada mais eram do que visitas profissionais de reconhecimento. Passado um tempo o gatuno voltava nas casas que o interessaram escalando as paredes dos prédios, às vezes grandes alturas, coberturas. Foi aí que ganhou a alcunha de Homem Aranha. Minha amiga só descobriu a verdadeira ocupação de seu amado quando o infeliz apareceu em todas as televisões locais, não mais nos chiquérrimos eventos sociais, mas sim na cobertura policial, aquela mesma seguida da cotação do café.


O problema de valorizar as aparências, óbvio ululante, é que elas nos enganam. Quando coloco um terno algumas pessoas me tratam como se fosse um deputado, tudo quanto é mendigo vem me pedir esmola. Daí uma amiga sacana falou: “Isso é porque eles não viram o seu carro Juca!” Tenho um amigo que - apesar do perfil certinho - foi muito malucão quando jovem, fez todo o tipo de besteiras. À medida que amadurecia, foi abandonando os vícios mais nefastos, levando uma vida mais responsável, mas adotando - como se pra compensar - um visual cada vez mais maluco. Fez mil tatuagens, deixou cabelo e barba crescer. Hoje pessoas vêm comentar comigo o quanto nosso amigo ficou doido sem saber que na verdade se deu justamente o contrário...


Enquanto isso, com um bom papo e o visual certo os bandidos continuam a abrir portas e destruir vidas sem o necessário questionamento. Você mesmo já parou para se perguntar de onde é que veio a fortuna de algumas pessoas ditas “ricas”? Pode ser até alguém próximo de você que endinheirou de forma meio sem sentido ou outro que posa de rico faz tempo e não se sabe de onde o dinheiro vem, sempre tem alguma explicação que ninguém vai se dar ao trabalho de verificar, mesmo porque a festa em torno da opulência simplesmente abafa o questionamento... É aí que a bandidagem deita e rola! Imagine, ser um sociopata extremamente perigoso e ao mesmo tempo adorado e respeitado por todos! E o pior é que isso acontece, todos temos nossas histórias pra contar...


Amigos, não me entendam mal, não estou dizendo que é feio ser rico ou que a pobreza pode ser uma espécie de virtude (tá doido!), gostaria muito que a riqueza banalizasse para todos e que pudéssemos morar com conforto, andar de carrão, ter assistência médica, viajar para Europa todo ano - ou para onde nos desse na telha - e ter a liberdade de só fazer o que estivesse a fim, sem as preocupações do trabalho e do dia a dia. Talvez, se isso ocorresse, passaríamos a valorizar o caráter e a decência das pessoas, e - como acontece com os sábios - cultuar as mentes que criam coisas belas e úteis e as coisas simples da vida que são a chave da plenitude e a prova real de nossa humanidade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

JORNADA ARCAICA


Quem se lembra do filme “Como Eliminar Seu Chefe”? Lançado em 1980, era uma comédia com Jane Fonda e uma cantora de country americana chamada Dolly Parton, a trilha tinha uma canção chamada “9 to 5” que estourou como um dos maiores hits da década perdida. Para quem não tem obrigação de saber, esse “nove às cinco” refere-se ao horário comercial de trabalho americano e que deve ser, sei lá, o que rola na gringolândia até hoje. Dr. Rock que morou lá me ajuda aí, por favor.


Nem quero saber como é que se estabeleceu aqui essa jornada de trabalho de 8 às 18, que nos diferencia dos gringos por essas duas horas de pausa para o almoço, sei que é uma coisa arcaica e que se virou contra aqueles a quem deveria beneficiar. O que acontece na prática é que a maioria dos trabalhadores, ao invés de oito, investem dez horas em suas funções, fora o tempo do deslocamento de casa para o trabalho e o inverso. Do jeito que a Grande Vitória se desenvolveu, a diversidade de ofertas de trabalho fez moradores de Cariacica trabalharem na Serra e os de Vila Velha em Vitória e assim por diante. Tenho uma amiga que vem e vai de Aracruz a Vitória para trabalhar todos os dias (!)


Raros são aqueles que teriam a oportunidade de ir em casa almoçar, descansar e retornar ao seu emprego para as quatro horas restantes de trabalho. Dentro os poucos que têm essa oportunidade estão os patrões e os grandes burocratas. Estes têm carro com motorista, geralmente moram perto do trabalho, raramente almoçam nos self-services que proliferam ao redor de seus negócios para dar baixa na fome de seus empregados. Alem de desfrutar dessa pausa, a – vamos dizer assim – “elite” sabe muito bem que seus trabalhadores não vão e isso também é bom para os negócios.


Esse intervalo de duas horas no almoço pode ter sido muito bacana no passado e ainda deve ser para os que moram nas cidades bem pequenas, que é menos da metade da população hoje do Espírito Santo. Para o trabalho de verdade ele é ruim: dispersa as pessoas e suas idéias, desperdiça energia - inclusive elétrica - e tempo. Se fizéssemos como os gringos os trabalhadores ganhariam duas horas de seus dias, chegariam um pouco mais tarde, sairiam um pouco mais cedo, produziriam mais e viveriam melhor.


Sei que tem gente que vai argumentar na lata que a cultura americana é totalmente diferente da nossa e que o “lunch” deles é um lanche mesmo e não um almoço e que o cidadão brazuca precisa parar tudo mesmo para bater aquele prato de feijão com pimenta e uma boa buchada. Eu até concordo, mas também pergunto: quem leva duas horas fazendo isso?


O que acontece na prática é que todos saem do escritório vão até o restaurante da esquina, se o cara estiver sozinho come em dez minutos, se encontrar um amigo pode levar uma meia hora. E depois vai ficar fazendo o quê? Batendo pernas pela rua? Se for no verão (e o calor aqui dura quase o ano inteiro) ninguém agüenta. Volta todo mundo para seu lugar de trabalho, onde geralmente tem um ar-condicionado e fica lá gastando energia ou engatando logo no trabalho, como fazem os funcionários bons, especialmente para seus empregadores.


A pior faceta que já vi dessa jornada arcaica está no serviço público, mas creio que aconteça em empresas particulares também. É uma e quinze da tarde, a funcionária do setor já voltou do almoço porque não tem coisa nenhuma pra fazer pela rua, senta em sua “mesa de trabalho” - porque não teria outro lugar - e fica lá sem fazer nada. Se aparece alguém com alguma demanda ela vai falar displicente: “Agora não. Estou no meu horário de almoço”. E o pior é que ela está certa, errado é esse sistema doido em que vivemos.


Outro problema desse nosso “horário comercial” é que tem empresas, especialmente de serviços, que se pautam por ele causando transtornos para aqueles a quem deveriam atender. Não sei como não quebram. O exemplo que vou dar vem da patroa, mas já aconteceu comigo também. O meu bairro, Bento Ferreira, em certos aspectos ainda vive isolado num passado bucólico - o que eu adoro - mas têm coisas que muito bem poderiam ser atualizadas.


Os salões de beleza, por exemplo, só abrem no horário comercial (!) Eu mesmo cortava o cabelo dando pequenas escapulidas do trabalho e uma vez perguntei pra dona do estabelecimento: mas me fala uma coisa: tem gente que vem aqui às oito horas da manhã? Não seria melhor abrir mais tarde e fechar depois do horário comercial para pegar o pessoal na folga? Pouco coisando para minha argumentação, a mulher disse que o salão bombava logo cedo. Pode até ser, mas minha mulher falou que no sábado o salão fica parecendo um saloon daqueles filmes de faroeste: um verdadeiro furdúncio.


As pessoas são livres para viver do jeito que acham melhor e mudam quando sentem que precisam, se isso não as incomoda por que será que eu vou. Mas acho curioso esse nosso povo, porque os trabalhadores comerciários, se não me engano, brigaram na justiça pelo direito de ter folga aos domingos acabando com esse negócio de supermercado e shopping funcionar, o que sem dúvida é um direito deles, mas para os outros trabalhadores que não têm tempo livre - entre outras coisas - por causa desse horário comercial defasado, é um problema de ordem prática.


Então vamos vivendo assim resolvendo problemas com outros problemas, dando e recebendo a ilusão de que está tudo certo, afinal, nesses tempos bicudos, quem tem um emprego tem que comemorar. Bem que eu queria morar pertinho de meu trabalho – se um dia voltar a ter algo parecido com um emprego fixo - e poder almoçar em casa como meus pais faziam, os filhos em volta – quando finalmente os tiver – depois sentar pra assistir ao telejornal, dar uma cochilada, acordar, tomar um cafezinho, dar um cheiro na patroa e voltar pra labuta. É bom ser romântico, mas não vejo a hora de entrar na modernidade. Agora é tudo ou nada: ou isso, ou o fim da cotação do café!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

BALANÇA MAS NÃO CAI - A MODERNIDADE NO TELEJORNALISMO CAPIXABA (Ante-projeto para o curso de mestrado em comunicação da PUC-RJ)


Tava escrevendo pro pessoal do Moquecada que já não agüentava mais a cafubira que estava me dando nos dedos pra escrever sobre esse novo programa que apareceu na Record Local. Falo do tal do “Balanço Geral”. É aquela velha história, o diferente sempre causa estranheza, especialmente quando parte pro lado do bizarro. Proponho dar um crédito pros caras, as vezes a coisa começa ruinzinha – que é o caso – e depois vai melhorando. Nota-se o esforço do apresentador em ser simpático e divertido, como acontece também com aquele do programa que tem quase o mesmo nome, o Conexão Geral. Freud explica e o Chacrinha complica.


Fico pensando: Balanço Geral, Conexão Geral... É tudo pro povão? Parece que sim. O termo tem essa “conexão”, entre outras, de remeter à galera, aos lugares populares dos festivos estádios de futebol. Infelizmente ainda não surgiu por aqui um cara com carisma de apresentador, e olha que alguns tentaram, vide aquele senhorzinho de cabelos negros que eventualmente estrela suas próprias propagandas televisivas.


O problema é que no grande Estado do Espírito Santo não é de muito bom tom sair criticando abertamente o trabalho de ninguém... É uma coisa cultural do capixaba, como não buzinar no trânsito por qualquer bobagem, como fazem nossos vizinhos cariocas. Aqui sempre se deu bem quem de todos falou bem. Veja o caso dos talentosos rapazes da revista Quase que inocentemente resolveram fazer graça com o cotidiano local e colheram uma carga prensada de aborrecimentos, jurídicos inclusive.


Penso também que, no final das contas, nada de bom pode resultar quando empreendemos qualquer ação negativa, mas obviamente podemos fazer algumas considerações estrambólicas (Carro Velho sic):


Porque é que a maioria dos apresentadores botocudos tem o rosto alongado lembrando um cavalo? Especialmente aquele cara do programa evangélico (Desafios?) e o outro da Gazeta que adora falar da Cotação do Café. Aliás, a longevidade dessa prática é a coisa mais pitoresca da televisão local. Se um dia acabar vamos até sentir falta.


O curioso é que todas as emissoras respeitam essa máxima do “frame” telejornalístico local. Já imaginou se em São Paulo ainda fosse assim e se em Minas até hoje dessem a cotação do Leite diariamente na televisão? Caralho meu! Noel Rosa cantava isso faz quase cem anos!


“São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba!” Nos telejornais do Rio então deveriam dar a cotação do samba! Huhauhauhuha!


O que me incomodou no Balanço Geral mesmo é que tudo o que vi ali me soou repetição descarada de velhas fórmulas que já deram certo no passado. Na década de setenta já tinha um programa de humor televisivo chamado Balança Mas Não Cai e a câmera balançava do mesmo jeito. Remetendo a coisas ainda mais antigas o tom do programa me lembrou também o apelativo Ronda Policial, que antigamente fazia a alegria do povão na Rádio Espírito Santo AM. Nesse programa os apresentadores liam os boletins de ocorrência representando caricatamente as histórias (!) expondo os envolvidos a todo tipo de constrangimento.


Pra terminar vou mandar uma assessoria gratuita para os produtores de nossos telejornais: já que é pra ser tão pitoresco e piegas, que tal os apresentadores locais lerem o horóscopo do dia também? Ou então anunciar a milhar do Jogo do Bicho? Modernidade é tudo. Quer apostar quanto que daqui um pouco isso também vai rolar?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

HOJE EU VOU DAR A COTAÇÃO DO CAFÉ...


Amigos, amigas e colunas do meio - como dizia antigamente a Zebrinha do Fantástico. Aliás, a Zebrinha ficou tão ultrapassada que nem sei mais se ainda existe jogo da Loteria, faço como vovó já dizia: come bosta, mas não aposta!
Pegando carona no assunto, tem coisas na nossa televisão local que eu acho ultra-supérfluas e ultrapassadas, mas que estão no ar há séculos e que pelo jeito ainda vão continuar por muito tempo:
Por exemplo: Que diabos tenho eu e a maioria da população do estado com a tal da “cotação do café”? Coisa mais estranha não é? Entra o cara com aquele olhar de peixe vago e fala quanto é que tá valendo a saca do Arábica tipo 7 e que o Conilon com cinco por cento de broca é o caralho à quatro, e eu com isso? E você com isso?!!!!

Tem também a movimentação financeira, outro dia eu estava assistindo a um desses televisivos locais, entrou a vinheta com uns caracteres dizendo: “Mercado Financeiro” e no fundo aquela voz empostada: hoje não houve movimentação financeira. Era feriado mané. Pra que a porra da vinheta então? Eu hein?!

Bom, e pra arrematar: não sei pra que é dada a previsão do tempo no jornal local se é daqui mesmo! Primeiro que eles sempre erram, segundo: quer saber como está o tempo? Olha pela janela meu filho! Daí vem aquela embromação: em vitória mínima de 25 graus e máxima de 32, em Domingos Martins mínima de 18 e máxima de 26. Porra cara, você é daqui e não sabe que em Domingos Martins faz um friozinho não?

Agora o assunto da semana é que o nosso futebol caiu pra série “D” do campeonato Brasileiro. Amigos, confesso que não entendo absolutamente nada do assunto, então me ajudem aí: quantas letras têm nessa parada? A letra “V” é de Futebol de Várzea? Não porque pra mim a série B era de Futebol de Botão, rararara! Brincadeira, mas sabem qual o resultado disso? Domingo de manhã passou aqui em baixo do meu apartamento uma passeata de vascaínos. Não me pergunte como ou por que, só sei que foi assim...
Bom, até agora eu não havia postado nenhum email, mas chegou pra mim essa reportagem super gozada e achei interessante estar publicando, dados a proximidade e o sucesso – segundo ouvi dizer, não sei – da parada gay de Cariacica...

29 Julho 2008 - 00h30

PORTO: APANHOU CINCO ANOS E MEIO DE PRISÃO EFECTIVA POR HOMICÍDIO TENTADO:

NÃO QUERIA GATO GAY!

Nunca deparei com motivo mais torpe e surreal para tentar matar uma pessoa: o senhor disparou dois tiros contra um indivíduo que acabara de lhe salvar o gato porque alegadamente ele era homossexual e, ao pegar no animal, ia fazer com que este também se tornasse homossexual", sublinhou o juiz do Tribunal de S. João Novo, no Porto, no final da leitura do acórdão que condenou o arguido a cinco anos e meio de prisão por tentativa de homicídio e posse de arma não legalizada.José Maria Correia , de 54 anos, não vai esquecer aquele fim de tarde de 22 de Outubro último. O seu gato – que desaparecera há três dias – miava num terraço vizinho, de onde não conseguia sair. Solícitos, os vizinhos tentaram resgatar o gato. O mais afoito chegou a deitar-lhe a mão, mas o felinoesquivou-se.JoséMaria, empregado de restaurante, é que não apreciou o gesto do vizinho, a quem passou a insultar. O vizinho José Pedro ouviu os impropérios de José Maria, mas acreditou que a sua ira se dirigia ao gato e às preocupações pelo seu desaparecimento. Por isso, quando conseguiu resgatar o gato, ficou apavorado mal José Maria lhe apontou uma pistola e, repetindo insultos de "maricas, que vais fazer do meu gato também panasca", fez menção de disparar. O salvador do gato fugiu e evitou as duas balas disparadas por José Maria, mas uma dos projécteis atingiu o ventre da vizinha Anabela Cruz, professora de 35 anos, que nessa mesma noite foi operada no Hospital de S. João.O arguido, que em julgamento nunca se mostrou realmente arrependido, ouviu o acórdão com resignação.

PORMENORES: RACISMO - Depois dos tiros, o arguido esteve nas instalações da PJ, onde insultou um inspector por ser preto.

PARA RECORDAR: O juiz João Grilo reconheceu que vai recordar este caso porque o arguido é o "oposto do que uma pessoa deve ser".

EMBRIGAUEZ: José Maria afirmou estar embriagado, mas os depoimentos da polícia desmentiram-no.