Tudo tem o seu tempo determinado, e
há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar;
Eclesiastes 3:1 e 4
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu
Eclesiastes 3:1
Eclesiastes 3:1
A festa de Réveillon
2014, promovida pela Prefeitura de Vitória na Praia de Camburi, foi uma das
mais bonitas dos últimos anos. Pena que as televisões e jornais tenham dado
mais destaque a um único episódio de tiroteio do que à ótima programação de
shows, formada exclusivamente por artistas do Espírito Santo, a apresentação do
Pixx Flux e da queima de fogos. É curiosa e me soa provinciana essa onda
austera do capixaba, a renitente valorização da “seriedade” em detrimento da “alegria”
e isso parece influenciar a maneira como a mídia circula as notícias. Fora isso
a festa da virada foi muito elogiada e olha que quando houve o anúncio oficial
de que o “réveillon” estava mantido na capital muita gente criticou, disseram
que – por causa das recentes catástrofes - não era hora de fazer festa, que era
desrespeito.
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| Show do Bloco Bleque, imagem por Gustavo Macako |
“Na boa”, uma coisa é lamentar as perdas e sermos
solidários para com nossos irmãos que estão passando por sérias adversidades – e
o espírito voluntarioso do capixaba ficou mais do que claro durante esse
episódio – outra coisa - igualmente importante - é a celebração da vida! Internacionalmente
a festa de ano novo tem significado de renovação, de recomeço, de um novo ciclo
retomado com esperança. Será que não existem benefícios na alegria? Um sentimento
gregário que é tão importante. A alegria ajuda a curar as feridas da alma e a
reencontrar a felicidade, não fora assim, o que dizer de grupos como os
“Doutores do Riso”?
As grandes cidades do
mundo celebraram a passagem de ano, os noticiários mostraram a festa em Salvador,
Nova Iorque, Paris etc. São metrópoles que têm seus desafios, seus dramas e
suas catástrofes. No Rio de Janeiro rolou um baita tiroteio, mas a reportagem carioca
focou na beleza da festa. A parcela mais pobre da população sofre mais e são
justamente os que mais se divertem nas festas populares, além de sempre dar um
jeito de faturar algum. Em função das tragédias neste final de ano as cidades
de Cariacica e Vila Velha cancelaram seus Réveillons. No palco da festa em
Vitória apareceu uma menina chamada Ladislaine que, vinda de Cariacica em
companhia da mãe e da avó para catar latinhas, acabou por se perder na multidão.
Uma das razões para
que se mantivesse a festa em Vitória foi a sua evidente importância para
movimentar o turismo e o comércio, curioso como o trivial episódio da pequena
catadora de latinhas é emblemático dessa necessidade, não só do dito “burguês
capitalista”, mas do povo que se vira como pode. A destruição é um fato, já
aconteceu, é preciso reconstruir e a festa de ano novo vem justamente reafirmar
a esperança de que tudo vai melhorar. No ano novo somos tomados pelo ímpeto de repetir
rituais que presenciamos desde a infância, espocar um champanhe, jogar flores
para Iemanjá, vestir branco ou amarelo, pular sete ondinhas no mar ou congregar
com um grupo religioso. Será que agora alguém ousaria negar isso às milhares de
pessoas que ocuparam os cinco quilômetros da praia de Camburi? Eu preciso
duvidar...
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| A dimensão da festa de Vitória, foto de Yuri Barichivich |

