quarta-feira, 6 de junho de 2012
NOS TEMPOS DO CAFÉ NO BULLYING!
domingo, 12 de fevereiro de 2012
TELEMARKETING ESPERTO TRANSFORMA CLIENTE EM BURRO
terça-feira, 25 de outubro de 2011
UM SECRETÁRIO SEM EDUCAÇÃO...
domingo, 19 de setembro de 2010
"OXIGÊNIO" - A GENEALOGIA DOS BABACAS
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
QUANDO A MÚSICA VIRA BARULHO E VOCÊ REFÉM
O PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO E CONTROLE DA POLUIÇÃO SONORA - SILÊNCIO foi instituído pela Resolução CONAMA nº 2, de 8/3/90 considerando a necessidade de estabelecer normas, métodos e ações para controlar o ruído excessivo que interfere na saúde e bem estar da população. A coordenação do programa SILÊNCIO compete ao IBAMA (atentem para o detalhe).
Amigos, senão vejamos:
Por mais piada pronta que pareça, um dos pontos prediletos dos bandeiraços e barulheiras dos candidatos a políticos ultimamente têm sido quase em frente à sede do IBAMA na Avenida Beira Mar. Tudo bem o cara não querer o voto do cidadão consciente, agora pra que despertar antipatia não é? Todos os anos são os mesmos chavões, as mesmas frases feitas, aqueles sambões sobre o cara ser o cara... Fico me perguntando até onde essas práticas ultrapassadas ainda atingem o eleitor e até onde são feitas simplesmente por mau costume.
O horário predileto da zoeira é o chamado happy hour, que nesse caso de feliz passa a não ter muita coisa. Em baixo do meu prédio o som de um certo candidato a deputado estadual estava tão alto e irritante que seria capaz de despertar a revolta de um defunto surdo e isso oito andares acima da rua! E sabe o que é pior no jingle da política? Ele gruda na memória musical como fosse uma gosma pegajosa: quando você vê a coisa tá lá te incomodando e voltando, voltando, repetindo... Ainda fica reverberando por dentro muito tempo depois do barulho ir embora.
Uma vez fiquei preso num engarrafamento com um destes carros de propaganda da deputada... Não digo o nome por, sei lá, preguiça? Enfim um carro tocava o jingle a toda altura, sim, ninguém tinha para onde correr e o DJ sabia disso. Sabe o que aconteceu? Nunca mais esqueci a “música”... “E todo mundo grita Rá-ré-rí-ró-Rô...” Vocês também devem conhecer o resto, faz tempo, mas lembro até hoje! Não sei se isso só acontece com quem estudou música e tem o ouvido mais sensível, sei lá.
Então, se levarmos em consideração o nosso mundo interior, a poluição sonora ganha dimensão de pesadelo, passa pro subjetivo. É como uma idéia fixa, diferente de um barulho qualquer, uma sirene de ambulância, por exemplo, não tem letra e melodia, não invade sua memória e sai fazendo estragos como um vírus de computador. A pessoa que resolve interferir no universo dessa maneira tem que saber o dano que está causando. Simplesmente não votar num candidato que está pouco se lixando pro seu bem estar não é resposta que chegue, deveria haver alguma outra forma de punição. Mas se nem com o Ibama eles se importam, quanto mais com a gente...
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
RAPIDINHAS SÓCIO CULTURAIS: ELEIÇÕES 2010
Em sua propaganda o ex-presidente da assembléia legislativa comenta que tem um blog na internet e que lá conta os podres de seus inimigos ou algo assim. O endereço é o que segue http://jcgratz.blogspot.com/ Os posts são poucos e todos recentes, comentam de uma reunião entre políticos adversários em tom de denúncia e uma outra história sobre o Banestes. A matéria principal, óbvio ululante, critica a Lei da Ficha Limpa. De tudo que vi bateu uma sensação de alívio, tempestade ao largo do navio e o eleitorado parece concordar, afinal o blog criado em julho tem apenas oito seguidores e no twitter apenas vinte e cinco.
Mas vamos falar de cultura local que é o que nos interessa, porque todos nós somos candidatos a público: Hoje tem concerto da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo com regência de Helder Trefzger, sobrenome capaz de rivalizar consoantes com o de madame Schwartz, segue o convite:

Tem também um convite muito bacana de nosso queridão Charles Paper que está na França velhinho e vai se apresentar lá com transmissão pela Internet:

E pra finalization rola convite para o show Africanismo com Fabinho Carvalho e grupo Manguerê:

terça-feira, 20 de abril de 2010
SABE MAIS QUEM SABE QUE NÃO SABE, SABE?
Pessoas que pensam que sabem, não sabem e ainda pensam que o ignaro é você, é uma situação que rola. Essa questão chegou chegando pela via da lembrança e não da lambança. Estudei piano com um amigo querido e já falecido faz tempo, chamava-se Josué Louzada. Meu professor sempre tentava baixar a minha inflamada bola pianeira lembrando uma frase que até hoje não sei de quem é e que era mais ou menos assim:
“O mau aluno é aquele que pensa que já sabe tudo, se bobear vai querer ensinar ao professor aquilo que ele mesmo desconhece. Esse não vai dar em lugar nenhum, porque em sua arrogância fechou as portas ao conhecimento. Já o bom aluno é aquele que tem consciência que não sabe e por isso mesmo está em busca do conhecimento, esse está aberto a aprender e poderá seguir em frente. Existe também o aluno excepcional, o dito gênio, este sabe e nem sabe que sabe.”
Lembrei de algumas situações engraçadas que passei com pessoas que teimavam estarem certas e que depois de muito brigar chegavam a conclusão de que o “burro” era eu. Tive uma estagiária que teimou comigo – ela da geração Internet – que o verso de um envelope é o lugar onde se escreve o nome do remetente e que a frente seria aquele lugar onde se abre e fecha, por exemplo, uma carta. Nem se Jesus voltasse – a menina era evangélica – teria a convencido do contrário. Eu bem que tentei, mesmo porque estava sendo preparada uma correspondência para enviar e se as etiquetas com nomes de remetente e destinatário ficassem invertidas seria uma baita confusão. No final deixei ela resmungando minha burrice e colando as etiquetas no lugar certo ainda que ela o denominasse errado.
Outra situação comum é a pessoa entrar numa de que você não sabe nada sobre um determinado assunto o qual você domina e o infeliz, supondo ignorância, resolve te testar. Trabalhei em um evento em que apareceu um bebum chato pra cacete – desculpe a redundância – que após tomar uns patrázes resolveu testar meu conhecimento perguntando quantas sinfonias Beethoven tinha composto. Pensando estar conversando com algum musicólogo querendo me aprontar uma pegadinha, disse que se levarmos em consideração a décima que ele havia deixado esboços, inclusive com uma gravação muito comentada... Fui interrompido pelo chato, agora feliz da vida:
- Rá! Num falei que você num sabia de nada! Beethoven só compôs nove sinfonias. Ruárarara! – Que situação bacana, o cara tinha me pegado na contra-mão do conhecimento. Claro que Beethoven compôs nove sinfonias, saber que existem gravações da décima, feita a partir de esboços e querer a incluir no ciclo "oficial" seria um preciosismo que me desqualificaria, por exemplo, em algum teste escrito. O chato foi pensar que estava conversando com alguém que entendia da coisa e no final passar por ignorante, afinal, saber que Beethoven escreveu nove sinfonias é mole, queria ver me responder quantas escreveu Chopin ou Villa Lobos...
Quando esse tipo de situação ou discussão chega no campo da espiritualidade é que a vaca vai mesmo pro brejo. Não são poucos, especialmente os recém-convertidos, plenamente convencidos de suas crenças e que se vêem no dever de as disseminar pelo mundo, supondo antecipadamente que o outro, qualquer outro, é um ignorante e que precisa de sua pregação para se redimir. Pior é quando você dá uma de filósofo elegante para se esquivar do chato e fala “Amigo, eu só sei que nada sei”. Pronto. Bastou admitir sua ignorância e aquele que pensa que sabe – muito provavelmente desconhecendo Sócrates – se vê no direito bíblico de salvar sua alma.
Só a título de “coda”, encontrei hoje uma frase em uma agenda antiga que resume para mim essa questão da espiritualidade, porque estou longe de saber alguma coisa – fora esse negócio das sinfonias de Beethoven - eu continuo sem saber e buscando...
“Os pecados cometidos pelo homem não são uma grande culpa, pois a tentação é poderosa e suas forças irrisórias; a grande culpa do homem é que a cada momento ele pode seguir o caminho de retorno e não o faz” “Quellenangabe”
sexta-feira, 2 de abril de 2010
RODA, RODA, RODA E ANVISA! DOIS MINUTOS PARA O COMERCIAL ELEITORAL
Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?
Lucas 31
O sonho de menina dela era comprar um carro pra chamar de seu, o chamado carro zero. Juntou dinheiro, trabalhou duro, mas ainda faltava um bocado de bufunfa pra chegar onde queria. Fuçando daqui e de lá foi aconselhada pelos economistas de plantão a fazer um consórcio e com aquela grana amealhada dar o lance. Eis aí a ponte entre o sonho e a realidade. Na primeira assembléia um maluco deu um lance maior que o seu, na segunda empatou com outro cara e perdeu no sorteio, coisas da vida.
Aquela semana começou infernal, o calor inclusive: era novamente deadline de entrega de projetos, mais o trabalho regular como professor, fora os bicos que me obrigavam a trajar terno o dia inteiro. Não fora a estufa, nada de mais: peguei um trampo que ia de segunda a quarta o dia inteiro e tinha ainda as aulas de noite. Na segunda-feira o negócio demorou, era para ter acabado 18 horas. Quando já era sete da noite fui conversar com meu contratante, não podia ficar nem mais um minuto sequer. Saí de lá que nem um doido. Precisava pegar o carro e vazar para começar a queimar o óleo da meia-noite, veio a notícia pelo celular:
- O carro quebrou! Eu pelejei com ele o dia inteiro e agora ele nem liga. – O fato dela dizer que havia “pelejado com o carro” me deixou preocupado, mas não quis entrar no mérito da discussão sem constatar a real situação do infeliz... Bateria arriada, mistério configurado: fazer o quê àquela hora da noite? Saí que nem um doido de terno e gravata mesmo atrás de um buzão, quando cheguei na universidade faltavam dez minutos para minha aula começar, peguei o finalzinho da festa de recepção aos calouros...
No dia seguinte a maratona seguia impávida, procurei a garantia da bateria e o telefone do cara que me vendeu e consegui usar a hora do almoço para levar o carro ao conserto, passei a sobreviver às custas de coffe-break. A ventoinha tinha dado um tilt e o cebolão não era sopa. De antemão falei que precisaria sair no horário previamente combinado, felizmente a oficina mecânica ficava três quadras de onde estávamos. O mistério continuava, nada de solução para a ventoinha desembestada. Seis da tarde vazo para a universidade com minha mulher de carona e orientações para retirar um fusível e voltar com o carro no dia seguinte: toca o celular dela:
- Como assim advogado? O que é que está acontecendo? – A Agência Nacional da Vigilância Sanitária - Anvisa tinha baixado com a Polícia Federal e a imprensa à tiracolo na lojinha de produtos naturais do cunhadão e estava apreendendo todas as mercadorias, todo o trabalho suado dos últimos anos, mas o pior ainda estava por vir: levaram todo mundo preso! Demoramos um tempo a entender a real dimensão dessa confusão, mesmo porquê parecia que tínhamos entrado num filme de Felini com roteiro de Kafka.
No dia seguinte vimos incrédulos a confa toda na televisão, uma cobertura até respeitosa feita logo cedo pela Rede Gazeta. Só que o delegado - somente a titulo de curiosidade Feliniana e não mórbida: um anão - havia decretado a prisão de marido, esposa e um colega, sem direito a fiança, crime hediondo. Hô yeah! Boris ... E o carro ainda estava com a ventoinha disparada. Não conseguíamos acreditar em tamanho absurdo. De todos meus cunhados, aquele é o mais careta, evangélico, não bebe, não fuma e nem come carne. Como é que pode estar preso no DPJ de Vila Velha, onde cabem trinta pessoas e tem cento e cinqüenta?
Mas o delegado decretou a prisão em flagrante, passaram aquela noite algemados, humilhados e foram por fim encarcerados sem direito a fiança com todo o tipo de bandidos. Pessoas de bem que dedicaram a vida inteira à religião e não ofereciam risco nenhuma à sociedade, acusados de crime hediondo por conta de alguns produtos naturais que eram vendidos com aqueles dizeres: bom pra isso, bom pra aquilo. Gente eu não estou mentindo não, isso aconteceu. E sabe o que é pior? A maior parte da mídia embarcou sem nem ouvir o outro lado, aquele dentuço mesmo do programa Balanço Geral ficou lá gritando: cadeia neles! Bom, cada sociedade tem seus Ratinhos e Datenas que merecem.
O deadline do projeto era na sexta e a quinta-feira foi de total correria para tentar libertar aquela família, sabe-se lá o que poderia acontecer com eles dentro da cadeia. Some-se a isso que seus filhinhos, uma menina de seis anos e um menino de dois vieram ficar conosco. As crianças estavam apavoradas com o súbito desaparecimento dos pais, vigiavam uma a outra como se tivessem medo de mais alguém desaparecer do nada. E procure-se advogados para o caso, teve um que pediu setenta mil, outros ponderaram que um mais efetivo custaria por volta de vinte e cinco. Era como um seqüestro, resgate estipulado para a liberdade!
Não sei exatamente em que dia da confusão veio a notícia: o sujeito do lance empatado tinha furado. Ela havia sido contemplada! O carro zero era um sonho que se materializava no meio daquele furacão e foi enfiado no décimo oitavo escaninho até segunda ordem. Eu tinha duas palestras para apresentar naquela quinta-feira, sendo que uma eu nem havia ainda organizado nada. Passei a manhã inteira escrevendo e montando um data show, enquanto os amigos e familiares corriam entre cartórios e fóruns de cinco cidades atrás de certidões que comprovam a idoneidade do que para nós era o óbvio ululante.
E a Anvisa? Ficou bem na fita não é? Defendeu os frascos e os comprimidos com sua operação “Erva Daninha”. Apareceram na televisão, deram entrevistas, mostraram serviço. Nas costas sabem de quem? Sim, do cidadão idôneo, daquele trabalhador indefeso que não oferece perigo nem resistência, que está ali pagando impostos e lutando pelo pão de cada dia. Esses são bons de se achacar! Cadeia neles! O que será que os vizinhos e amigos não tão chegados estariam pensado de toda essa confusão? Ora, pensamos o pior porque tememos o pior também. Julgamos mal para nos sentirmos melhor.
O projeto foi entregue no apagar das luzes, sabe-se-lá como, mas foi. Meus cunhados só ganharam a liberdade na terça de noite, exatamente uma semana depois da confusão começar. E a Anvisa? Continuou sua turnê por aqui fechando farmácias, drogarias e laboratórios como se fossem bocas-de-fumo. Baixou até na Vila Rubim, curiosamente ali não prendeu ninguém e olha que tem erva por lá que até Deus duvida.
No final me deu uma puta revolta e até medo de ser brasileiro, de constatar assustado que a hipocrisia de meia dúzia pode solapar impunemente a liberdade e a dignidade de gente do bem como eu e como você. Se queriam fazer demagogia em ano de eleição - O QUE SUSPEITAMOS - deram um tiro de canhão no pé. Nesta situação que está aí eu não voto nem para síndico da Casa do Chapéu. Aliás, eles é que deveriam ir presos. Cadeia neles! Cadeia Neles!!!
Amigos se alguém por aí tiver o email do presidente Lula, da Dilma, do Ministro da Saúde e do rapaz do Balanço Geral, façam o favor de reenviar essa mensagem para eles. Ou melhor ainda: reenviem para todo mundo do mundo. Não é nada, não é nada, mas uma hora a gente vai sanar essa injustiça!
domingo, 21 de março de 2010
O LADO DE FORA OU QUANDO CAI A FICHA
O lado de fora. A luz forte da manhã. O dia começando para um monte de gente, mas não para mim, eu estava deixando o trabalho naquele instante e pensei: cara isso é loucura. Comecei a desejar uma vida normal, dormir cedo, acordar, tomar café e ir pro trabalho.
Henrique Cazes cita Bolão em seu livro, um frasista que disse o seguinte “Na minha vida de músico eu já fiz de tudo, eu só não fiz sucesso”. Daí me ocorreu de parodiar uma velha canção e dizer: “Todo artista tem que ir aonde a grana está”.
Na minha roda de amizades instrumentais sempre imperou um certo metaleirismo, já falei sobre isso, não é música para ouvir, é música para calar e abalar. Não é música de protesto, é um som que gera protesto e talvez esse seja seu aspecto mais divertido.
Resolvemos então montar uma banda com música dos anos cinqüenta e sessenta, o repertório ia de Paul Lanka a The Everly Brothers, mas o grosso focava a fase inicial do Elvis. Não causamos muita espécie e eu achava que a culpa era da sonoridade estridente, mas talvez fosse por eu ser o cantor da banda, afinal, entoar músicas do Rei (falo de Elvis Presley) nunca foi mesmo o meu forte.
O cachê vinha do couvert e aquela noite estava um verdadeiro fracasso, três ou quatro gatos pingados espalhados pelas mesas e a gente lá tocando a toda altura sessenta músicas divididas em três sets de vinte como fosse para uma multidão.
Duas da manhã era geralmente o horário em que o público rareava e o repertório se esgotava, de repente o boteco lotou, parecia até sacanagem. Uma turma de formandos rodara a cidade e o único lugar aberto que encontraram foi o bar em que estávamos.
Fazer o quê? Tínhamos que faturar aquela grana. Resolvemos começar outra vez: mais sessenta canções de fio a pavio. Não preciso nem mencionar que durante a noite vai-se tomando umas e outras, nada de mais, mas dobrando o turno a coisa ia ficar feia.
Com aquela turma de alegres formandos embriagados o bar virou uma zona, logo os outros notívagos que vagavam que nem almas penadas foram parar lá também. Surgiu um primo meu completamente louco, entrou engatinhando no palco, queria cantar ou dedicar uma canção para uma loira meio gorducha que deveria ser o seu fim de noite.
O nome do lugar era Píer Sielemann, ou algo assim, ficava no pé do Barro Vermelho e era escuro que nem breu lá dentro. Os fundos da casa davam para o canal de Camburi, fora em tempos remotos uma casa de “conveniências” e o novo dono manteve a atmosfera obscura.
No final da noite já era dia, mas não teve galo cantando e se tivesse também quem é que ia escutar? Durma-se com um barulho destes. 120 músicas depois eu estava podre, bêbado e pedindo para morrer de mansinho, mas faturamos um gordo cachê, o Beto, dono do bar estava feliz da vida.
Foi só quando saímos daquele inferninho que vimos o céu azul, as nuvens brancas, era dia claro. Bateu aquela sensação de loucura, saca? Não dava pra continuar assim. Foi naquele instante que eu resolvi escalar a outra face da montanha, mas essa é uma história que vai ficar pra depois.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
CANÇÃO NO MUNDO DAS ILUSÕES PERDIDAS
Existe em algum lugar uma canção de Buda que li faz tempo e na hora que entrei numas de usar neste texto não consegui mais achar em nenhum dos livros suspeitos. Era um diálogo do mestre indiano com um comerciante, enquanto um cantava as alegrias do ter o outro rebatia com a liberdade de não possuir. Faz pouco tempo recebi um texto que exaltava a superioridade do pensamento dos “ricos” como se estes fossem grandes filósofos, era uma sugestão bem intencionada que defendia mudanças em nossa vida para nos tornarmos mais abastados também. Na hora lembrei daquela passagem budista, me deu vontade de desconstruir o texto ingênuo recebido, fazer paralelos sarcásticos ofensivos, mas desisti por respeito àquela pessoa ou talvez por não me achar mesmo à altura da tarefa.
A trajetória e a companhia das pessoas simples sempre me agradaram e interessaram mais do que a de pessoas poderosas. Sei lá, me parecem mais dignas de admiração, além do mais não existe esse negócio de pessoa simples. Apesar de dividirmos o mundo entre os que têm grana ou não, valorizando os primeiros, mais tarde descobrimos que esse “ter” dinheiro pode ser relativo... Lembram do Homem Aranha que apareceu por aqui faz coisa de uns dez anos? Era um cara descolado e antenado que nem o Chapolim Colorado, estreou nos principais points da cidade a bordo de um carrão importado, pagou generosamente birita pra uns e outros - o dinheiro não era dele mesmo - logo estava muito bem relacionado com a rapaziada bem de vida da cidade. Ao que parece não foram muitos os que questionaram o que aquele completo estranho fazia para ostentar um padrão de vida milionário.
Ganhando a confiança de uns e outras o Homem Aranha foi se tornando uma figura popular, passou o rodo numa gatinha conhecida minha que até o levou em casa pra conhecer a futura sogra. Não demorou e estava sendo convidado para freqüentar casas e apartamentos dos endinheirados da cidade que - mal sabiam eles, ou melhor, depois descobriu-se - nada mais eram do que visitas profissionais de reconhecimento. Passado um tempo o gatuno voltava nas casas que o interessaram escalando as paredes dos prédios, às vezes grandes alturas, coberturas. Foi aí que ganhou a alcunha de Homem Aranha. Minha amiga só descobriu a verdadeira ocupação de seu amado quando o infeliz apareceu em todas as televisões locais, não mais nos chiquérrimos eventos sociais, mas sim na cobertura policial, aquela mesma seguida da cotação do café.
O problema de valorizar as aparências, óbvio ululante, é que elas nos enganam. Quando coloco um terno algumas pessoas me tratam como se fosse um deputado, tudo quanto é mendigo vem me pedir esmola. Daí uma amiga sacana falou: “Isso é porque eles não viram o seu carro Juca!” Tenho um amigo que - apesar do perfil certinho - foi muito malucão quando jovem, fez todo o tipo de besteiras. À medida que amadurecia, foi abandonando os vícios mais nefastos, levando uma vida mais responsável, mas adotando - como se pra compensar - um visual cada vez mais maluco. Fez mil tatuagens, deixou cabelo e barba crescer. Hoje pessoas vêm comentar comigo o quanto nosso amigo ficou doido sem saber que na verdade se deu justamente o contrário...
Enquanto isso, com um bom papo e o visual certo os bandidos continuam a abrir portas e destruir vidas sem o necessário questionamento. Você mesmo já parou para se perguntar de onde é que veio a fortuna de algumas pessoas ditas “ricas”? Pode ser até alguém próximo de você que endinheirou de forma meio sem sentido ou outro que posa de rico faz tempo e não se sabe de onde o dinheiro vem, sempre tem alguma explicação que ninguém vai se dar ao trabalho de verificar, mesmo porque a festa em torno da opulência simplesmente abafa o questionamento... É aí que a bandidagem deita e rola! Imagine, ser um sociopata extremamente perigoso e ao mesmo tempo adorado e respeitado por todos! E o pior é que isso acontece, todos temos nossas histórias pra contar...
Amigos, não me entendam mal, não estou dizendo que é feio ser rico ou que a pobreza pode ser uma espécie de virtude (tá doido!), gostaria muito que a riqueza banalizasse para todos e que pudéssemos morar com conforto, andar de carrão, ter assistência médica, viajar para Europa todo ano - ou para onde nos desse na telha - e ter a liberdade de só fazer o que estivesse a fim, sem as preocupações do trabalho e do dia a dia. Talvez, se isso ocorresse, passaríamos a valorizar o caráter e a decência das pessoas, e - como acontece com os sábios - cultuar as mentes que criam coisas belas e úteis e as coisas simples da vida que são a chave da plenitude e a prova real de nossa humanidade.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
NAVEGAR É PRECISO: NEM QUE SEJA PELA NET
Nunca fiquei tanto tempo sem escrever nem postar na Letra Elektrônica, nunca tantos fizeram tão pouco por tantos em tão pouco tempo. Mas foi a chuva que choveu, o sol que rachou, o estômago que embrulhou e o tempo que de repente me desapareceu, passou, escorreu por entre os dedos. Que diferença faz? Por causa daquela chuva medonha a empresa que me fornecia Internet ficou semanas fora do ar. Que loucura impensável é hoje ser um excluído virtual! É como se desaparecêssemos do mundo real também. Pessoas não conseguem mais nos contatar, muito menos conseguimos responder, simplesmente ridículo e impensável comparado com o que vivíamos a dez, quinze anos, mas hoje é assim.
Daí, puto da vida com a situação e empolgadão com a tal da banda larga resolvi luxar e contratar os tais 10 megas da GVT, ia ter até que mudar o número da linha de telefone que está comigo faz coisa de trinta anos, mas que diferença isso faz? Hoje em dia as pessoas se falam e se encontram mesmo é pela Internet, o telefone que se dane! Pra começar, apesar de tanta velocidade, levaram sete dias fúteis (eu sei que parece conta de mentiroso) pra vir aqui instalar a parada: o que se revelou impossível. No meio do caminho tinha uma tubulação obstruída - canos silenciosos, nervosa calmaria - quando viram o problema me largaram falando sozinho, a velocidade deles é outra meu irmão! Uma alternativa que me deram foi a de cancelar o pedido, achei simpática, inclusive. Ainda assim reclamei, mas o supervisor local nem quis avaliar a situação, mandou dizer que eu teria que fazer a obra - ou seja: quebrar piso e paredes do corredor do meu prédio - para ter a honra de ser atendido. São as a dores e as delícias de se abocanhar um mercado e navegar em céu de brigadeiro.
Pior foi a tal da Oi que já dominou esse mercado também, se não me engano foi a última a dropar essa onda da Internet com pacotes como o Oi Conta Total que virou febre a coisa de um ano, passando a perna na concorrência. A linha telefônica que uso vem lá da época da saudosa Telest, naquele tempo obscuro uma linha destas valia um dinheirão e não era nada fácil de conseguir, hoje é moleza o difícil é pagar a conta. Fui lá ver questões de portabilidade, na mesma rua do Rosário de tantas lembranças infantis, lugar onde meus pais tiveram uma redação do Jornal da Cidade nos anos setenta. Fui recepcionado por um grupo de três ou quatro patetas vestidos de palhaços que faziam uma fuzarca de dar dó, era uma e pouco da tarde, estava quente pra burro e eu ainda não tinha almoçado...
Não a Oi não resolveria meu problema, nem de “obas e olás”, nem um cantinho e um violão, nenhum orixá pra fazer uma rima. Que saco! Quando a GVT furou, resolvi apelar para o Velox, mas assim me disseram que no meu prédio não tinha barramento para proceder a instalação, me senti um morador do “cafundó dos Judas” como diria Lavínia, aquela velha desgrenhada. O pior de tudo é ser atendido por uma fulana com voz assexuada de máquina de gravação eletrônica que nem sabe onde fica Bento Ferreira. E eu falava: querida, eu moro a duas quadras da Prefeitura da Capital do Estado, como assim aqui não tem barramento, como assim o sistema não atende? Bom, eles nem tchunfs...
Quem acabou me salvando foi a Net, fato curioso é que vivi a mesma situação com eles há pouco mais de um ano quando também dropavam sozinhos a onda do mercado, fartos de demanda e clientes e não se coçaram muito em achar uma solução para meu problema, acabei sendo salvo pela SuperI que lutava cliente a cliente por uma fatia do mercado, pena que entraram nessa barafunda. Esse desprezo infantil de quem está bombando me lembrou aquela piada do português que ouviu falar que no Brasil o sujeito tropeçava no dinheiro pela rua, daí ele emigrou e, por alguma coincidência, logo que desembarcou se deparou com uma grande maçaroca do vil metal caída no chão, deu de ombros e comentou cansado da travessia atlântica: amanhã começo a catar.


