quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
NÃO FALO MAL DO BBB / FALO MAL É DE VOCÊ!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
DE GENTE QUE FAZ CARROS QUE GOSTAM DE PESSOAS
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
E NO SÁBADO ACABA O HORÁRIO DE VERÃO
sábado, 5 de fevereiro de 2011
FRAGMENTOS DE UM ENSINAMENTO DESCONHECIDO
terça-feira, 30 de março de 2010
ELES QUEREM VER O CÍRCULO PEGAR FOGO!
Nas minhas aulas na UFES tenho instigado os alunos a escrever, faço de conta que estou enrolando, conto piadas e no final saco da cartola alguns argumentos escrivinhatórios capazes de fazer até GPS perder o rumo de casa. Mas a rapaziada também me surpreende e socializa informação, trazem comentários inteligentes sobre coisas que escrevi e até sugerem filmes que não vi. Uma destas veio da Danúbia e se chama O Closet (Le Placard). Comédia francesa abordando de maneira muito divertida o preconceito homossexual.
Daí que hoje de manhã vi logo uma twittada sobre o Rick Martin ter assumido a homossexualidade publicamente, no final a moça falava assim: “quando o Dourado assumir me acordem”. Ontem à noite durante a exibição do Big Brother a Globo teve que veicular um anúncio, ou algo assim, do Ministério da Saúde explicando por A + B como se pega AIDS. Tudo por conta das tiradas homofóbicas daquele “bad boy dos pampas” que se tornou o preferido do público e que, por essas e outras, deve sair campeão do programa.
Alguns cronistas já vinham chamando atenção para o comportamento preconceituoso do povão brasileiro, destacando inúmeras comunidades criadas para celebrar a grosseria e as tiradas machistas do “hômi com agá” do BBB10. Tom Jobim já dizia que “O Brasil não é para principiantes” e algum conterrâneo completou dizendo que “O Espírito Santo é o Brasil do Brasil”. O público escolheu a versão caricata do macho, mesmo que politicamente incorreto. Poderiam muito bem ter optado pelo dócil Michel ou mesmo o Kadu, mas Dourado jogou com o personagem da moralidade grosseira e se deu bem.
Se dependesse dos roteiristas Franceses – não sei se lá tem BBB e nem se a mesma discussão já aconteceu para testar o público – um mané como Dourado não teria durado nem um fim de semana. No filme “O Closet” vemos um contador, por todos classificado como um tremendo chato, que vê sua vida se transformar para melhor depois que inventa ser gay para não ser demitido. Separado da esposa, desprezado pelo filho, a principal personagem vê tudo mudar para melhor e a vida se resolver como num passe de mágica. É um conto de fadas que debate o preconceito homossexual pelo viés do humor e não do sofrimento, é preciso ter uma comunidade muito madura para encarar as coisas com tanta felicidade.
E é desse humor que falava sobre o Brasileiro, capaz de rir de tantas coisas ruins –lembra das piadas sobre a morte do Senna? – não deu conta de aceitar a exuberância dos gays como uma coisa normal e julgar a partir do caráter das pessoas que agem dentro de uma certa lógica e outras que são equivocadas, preferindo bater na tecla do falso moralismo e do preconceito. Ponto para o Dourado que espertamente capitalizou essa “temndêeencia”, mas a sociedade ficou devendo. E nem adianta vir dizer que o BBB é programa de gente alienada não, porque conheço inúmeros intelectuais que o assistem, adotando ou não os velhos discursos antropológicos de estudo do fenômeno.
A única chance que os gays da casa teriam seria jogar com outros preconceitos do imaginário social, como o uso de drogas, a falta de religiosidade ou coisas assim. Clodovil teria logo taxado Dourado de maconheiro pra baixo, vagabundo tatuado filho de satã, rapidinho teria a audiência a seu favor. Moralismo se combate com moralismo, esperar que o público fosse o censurar por ser preconceituoso... Tsc, tsc, tsc! Santa ingenuidade, hein? Bunita!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
BIZARRICES DA "THE RAÇA HUMANA"
Sou um antigo frequentador de sebos, adoro descobrir aquelas pérolas escondidas em meio aos campeões de venda do passado. Misturado com um Morris West, um Sidney Sheldon sempre aparece algum livro interessante, como foi na minha última pescaria. Achei uma edição comemorativa do 50° aniversário da semana de arte moderna do livro “Aspectos da Literatura Brasileira” de Mario de Andrade. Pra melhorar o negócio a banca estava fechando e o dono estava fazendo um queimão de estoque, levei comigo aquela preciosidade por apenas dez reais.
O livro tem momentos deliciosos e sacações muito pessoais do autor. Olha só essa trecho: “Devia ser proibido por lei indivíduo menor de idade, quero dizer, sem pelo menos vinte e cinco anos, publicar livros de versos. A poesia é um grande mal humano. Ela só tem direito de existir como fatalidade que é, mas esta fatalidade apenas se prova a si mesma depois de passadas as inconveniências da aurora.”
É uma afirmação de um homem maduro que vai ferir os brios de muitos jovens poetas por aí, por outro lado conheço autores que se envergonham de livros que publicaram na juventude, se pudessem recolhiam tudo. Outro exemplo, embora não tenha muito a ver, é o caso da apresentadora Xuxa Meneghel e sua participação no filme “Amor Estranho Amor”, da qual ela se arrepende e tenta furiosamente aniquilar vestígios. A ambição de ser alguém, o desejo de se firmar pode resultar nesses constrangimentos quando a carreira já está plenamente estabelecida. Por outro lado, digo no caso da Xuxa, existe a pressão de um meio em que a sacanagem rende muita grana.
Ontem assisti a uma entrevista muito boa do ator Pedro Cardoso para a jornalista Leda Nagle no programa Sem Censura da TVE. Sem papas na língua o ator disse o diabo contra os paparazzi, disse também que a televisão é dirigida por um bando de pessoas medíocres que tentam o tempo todo enfiar pornografia em tudo, que várias boas atrizes deixaram a profissão para não se sujeitar a constrangimentos e que várias outras sofrem horrores por aceitar a exposição desnecessária e gratuita de seu corpo de sua intimidade.
Uma atriz amiga minha passou por uma situação ridícula destas, foi fazer um teste para entrar em uma peça de teatro aqui na Região da Grande Vitória e a primeira coisa que falaram pra ela foi: tira a roupa toda agora. Surpresa e já assustada disse que não ia tirar, daí a mandaram beijar um cara. “Mas que porra de teste é esse? Vocês não vão me dar nada pra ler?” Deram foi um pé na bunda dela, que hoje segue a carreira de atriz no Rio, onde, Pedro Cardoso mesmo disse, a situação não é em nada diferente.
Pra finalizar retomando o assunto do início vai aí uma das pérolas que encontrei no famigerado “Cebo do Golias”, querido amigo que faz aniversário no mesmo dia que eu. Quando vi a capa do disco dessa banda não me agüentei, tive que comprar. Hoje ela fica aqui em casa aberta à exposição. Atentem para o perfil do trio: mezzo-pipoqueiro, mezzo entregador de pizza; os cabelos estilosos, a combinação das cores das camisas. Mas nada, nada mesmo, suplanta o nome da banda “The Raça Humana” é, como diria Délio: Phoooddaaaaa. (Foda com “PH” de Pharmácia, três “Ós” de “Hollywood”, dois “Dês” de Toddy e cinco “As” de Maracangalha!)
domingo, 13 de setembro de 2009
NOVELA DIZ QUE O BRASIL É O PAÍS DAS PSICOGATAS!
Comparo o Brasil com uma criança perdulária,
Que vive na miséria mas tem a mãe que é milionária
Noel Rosa
Não sou noveleiro, mas também não faço parte dessa turma esnobe que tacha a televisão de fábrica de antas ou qualquer outra coisa intelectualóide do gênero. Se não estou fazendo nada assisto novela numa boa e muitas vezes me divirto horrores. Aliás, como poderia dar opinião sem assistir? São ossos do ofício Mané. Além do mais, é muito prazeiroso criticar essa que é a principal porta para entrada de mensagens subliminares do país, e que por essas e outras tantos brasileiros amam! Me sinto um Galvão Bueno narrando vitória do Brasil sobre a Argentina, eu me “acontento” mesmo, tá ligado?
Daí que vai que eu não fui e finalmente chegamos ao fim do Caminho das Índias. Vi só uns pedaços do último capítulo e ainda assim na volta do buteco do Danilo, pela nova legislação eu não poderia nem estar dirigindo, quanto mais tentando entender alguma coisa daquelas mal traçadas linhas, mas bota mal traçadas nisso. Aliás, se a gente parar pra pensar bem a própria novela tem “Globo tudo a ver” com a música que fez mais sucesso em sua trilha sonora:
Você não vale nada mas eu gosto de falar mal de você, tudo que eu queria era saber por quê!
Cara, o que era aquele bigode do dito Gopal? (escorrega no tapete e cai de boca no meu umbigo, aproveita e dá uma geral aí na flufa) Como é o nome daquele ator mesmo? André alguma coisa, né? Marques não é, esse é aquele gordinho enjoado com cara de quem foi criado à base de Toddynho e que apresenta o Vídeo Show. Enfim, nem sei, que diferença faz? Nem nos tempos de Sarney e Belchior um bigode tão sonoro desfilou pelas telinhas patropis... Tic!
Bom, também, não vou ficar escrevendo, escrevendo, porque isso não é assunto suficiente para um post inteiro, um meio post no máximo, mas o que rola é que tem uma parada que eu cismei. A psicopata da trama - por sinal, a ainda abiscoitável Letícia Sabatela - escapou linda da cadeia, fugiu impune para a liberdade, perereca ao vento, aranha fora da gaiola. Fiquei matutando sobre a verdadeira mensagem que a autora da trama quis dar ao país concedendo esse final feliz para pessoa tão nefasta e psicogática. Será que ela quis dizer algo como: Vocês estão vendo só? É isso o que os criminosos ganham no Brasil: Liberdade!
Posso estar errado – e comumente estou – mas acho que o fato de Guilherme de Pádua - após ter perpetrado aquele crime bárbaro contra a filha da autora - estar solto hoje, levando a vida normalmente como qualquer um, confere essa sensação de injustiça ao nosso sistema penal como um todo, e essa sensação se explicitou no final feliz da apetecível vilã. Para a autora ser literal – mostrar as falhas de nossa (in-)justiça - teria que dar outras voltas na história que a trama não comportaria, então, deu-se um jeito de libertar Yvone para pelo menos demonstrar que o psicopata não se aperta e que para esses doentes - com quem todos convivemos - o crime vai sempre compensar.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
EITA! DUNGA DIZ QUE A SELEÇÃO NÃO SE "ACONTENTA"
Tô pra dizer pra vocês que nunca liguei muito pra futebol. Mesmo quando criança não me apetecia participar de esportes coletivos, acho que porque fui o único menino da casa, acostumei a brincar sozinho. Meu pai, nos fins de semana, estava sempre sentado de frente para uma máquina de escrever criando artigos, livros, mais ou menos como eu faço hoje no computador, não me lembro dele se coçando por qualquer jogo ou algum time. Pra arrematar a turma metida a tropicália que freqüentava nossa casa achava futebol brega, coisa de gente cafona. Durante muito tempo a camisa do Flamengo foi pra mim um ícone de mau gosto. Que meus amigos Bibinho, Max Filho e meu primo João Paulo não me leiam. Hehehehe.
Na época da infância a moda entre os meninos era querer ser astronauta, piloto de fórmula um; jogador de futebol não, pelo menos entre os meninos que eu conhecia. Ser astronauta era algo tão distante e inimaginável que nem sei dizer, o homem tinha pisado na lua apesar de muita gente não acreditar. O Emerson Fittipaldi tinha um Lótus preto e costeletas enormes, eu era fã dele e do Niki Lauda também. Mas o futebol? Remetia a coisas tristes como finalzinho de domingo na casa de minha avó, meu tio na sala ouvindo alguma partida num radinho de pilha, fumando, taciturno que nem um pajé de Timbuí...
Esse meu tio chegou aos sessenta com diversas avarias no motor da embarcação, o médico ralhou com ele e desfiou uma série de conselhos, normas de conduta: - Ô seu Jairo, o senhor não pode mais viver desse jeito que a sua saúde não vai agüentar. Tem que cortar o cigarro, tem que cortar essas comidas pesadas que o senhor gosta, tem que cortar a cervejinha. – Até a cervejinha? – Cortou foi o médico. Não viveu muito mais, mas que graça tinha a vida se cortasse dela o pouco que ainda lhe dava prazer?
Na televisão Dunga comemora a boa fase e o 4 a 2 ontem sobre o Chile, afirma que o grupo da seleção é guerreiro e não se “acontenta” com outra coisa além da vitória. Corri pro Aurélio, não achei o verbo “acontentar”, além de brigão nosso inesquecível capitão também é dado a neologismos? Pareceu aquele pastorzinho que fala da “briba” “adiante-a-de Deus”. Mas tenho uma teoria com relação a esse gol do dunga contra o português. É que tem aquela parada “a contento”, tá ligado? A transação rolou a contento, a transação foi dentro da expectativa. E pensar que os jogadores o chamam de “professor”...
Outra coisa é essa felicidade em ver a Argentina se ferrar, sei lá cara, parece coisa de gente despeitada saca? Rivalidade meu cool, essa parada já deu. Quer coisa mais babaca do que Galvão Bueno enchendo a boca pra dizer que é muito bom ganhar da Argentina, porra meu, quando o Brasil arreia o calção pra França ninguém fala nada. Agora tá todo mundo gozando a cara do Maradona e a má fase dos Hermanos Hennings, tem um monte de blogs dizendo que Don Diego é a cara da Mafalda. Huhauhauha. Pior que é mesmo. Deu até saudade dos quadrinhos do Quino, ô cara, bons tempos...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
MEMÓRIAS DO MUNDO BIZARRO
Nos anos setenta do século passado - os famigerados “enlatados” da TV Americana faziam grande sucesso no meio da garotada. Curiosamente três ícones muito cintilantes dessa era deixaram o mundo por agora, em um período muito próximo. Primeiro foi o gafanhoto David Carradine, astro da série Kung Fu quem nos deixou.
Que grande barato era assistir aquelas lições de moral made in China in Box, o discípulo aprendendo a caminhar numa folha de papel de arroz sem a desmanchar e depois pelas areias do deserto sem deixar pegadas. David se foi de maneira meio torta, mas felizmente não aprendeu bem as lições do sábio mestre do Kung Fu, seus passos permanecem impressos na memória de inúmeros admiradores do mundo inteiro.
Agora se vão Michael Jackson e a panteríssima Farrah Fawcett, que inicialmente tornou-se conhecida com o sobrenome Majors, porque era casada com o ator de outro enlatado famoso “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, do qual tenho vaguíssima lembrança e, nem sei por quê, associava esse seriado com a furacônica passagem pelo Brasil do “paranormal” Uri Geller, um indivíduo que entortava colheres e fazia relógios funcionar, tudo somente com a força do pensamento.
As crianças corriam pela casa procurando algum relógio quebrado pra tentar fazer funcionar também, eu mesmo me lembro de ficar olhando sério pro relógio e ordenar concentrado: funciona, funciona!
As panteras faziam a cabeça das meninas da minha rua e a SWAT a dos meninos. Eu corria desembestado pelos prédios que tinham em frente da casa de meus pais, empunhando uma estrambótica metralhadora de plástico que tinha uma coisa laranja na ponta que entrava e saia e fazia barulho, era quase uma experiência sexual. Eu no meio da mulecada realizando bravatas imaginárias, ali no limite de Santa Lúcia com a Praia do Canto.
Uma das homenagens mais bacanas feitas à belíssima pantera loira foi a peruca do personagem Hedwig, do filme Hedwig: Sexo, Amor e Traição, um musical de 2000 baseado numa peça Off Broadway, que confesso não saber direito o que é. Aliás, deve ser como sair de cartaz do Theatro Carlos Gomes e estrear em Guaçuí. É Off Downtown Vitória. Huahuhauhauhauha!
Hedwig é um travesti líder de uma banda de rock cuja peruca imita os leoninos cabelos de Farrah Fawcett, o resultado é hilário, porém convincente. Quem gosta de roquenrou não pode perder esse filme, as piadas são ótimas, as letras criativas e inteligentes e a estrutura das canções lembra a dos anos setenta, com várias pontes, seções e viadu-tos.
Farrah já estava desenganada, mas a morte de Michael Jackson pegou o mundo de calças curtas. O Jackson 5 é uma banda que sempre ficou embaralhada em minha lembrança, confundo com a Família Dó Ré Mi e até com os Harlem Blobetrotters que em algum lugar do passado estiveram em Vitória com grande estardalhaço.
A Morte do excelente cantor e dançarino Michael Jackson me lembra a de um outro ícone da música só que da dita erudita, um fabuloso pianista canadense chamado Glenn Gould. Guardadas muitas proporções devidas, ambos eram cheios de famosas excentricidades, tinham um fã-clube fiel, viveram cercados de especulações quanto à sexualidade e eventualmente se retiravam da vida pública para curtir, ou amargar, longos períodos de reclusão.
Eram dois músicos muito diferentes capazes de fazerem coisas impossíveis e decolaram para o sucesso com muita velocidade. Em ambos os casos, a mídia adorava as esquisitices destes artistas e as destacava mais do que a própria música, as gravadoras, conseqüentemente, se aproveitavam para vender e estava tudo certo. Not! Gould era muito admirado por sua execução da música para teclado de Bach, mas nas apresentações ao vivo suas caretas ao tocar e a mania de reger e cantarolar, tudo ao mesmo tempo, denegria sua imagem junto ao conservador e sisudo público da música clássica.
Michael passou pela vida se debatendo contra a própria imagem, tentando se desconstruir, mas, como no caso de Gould, seu drama dava o que falar à mída e, mais uma vez, estava tudo certo. O problema com ele foram os escândalos sexuais, acusações de pedofilia que denotavam no cantor uma clara falta de centro emocional e realmente acabaram maculando para sempre sua carreira brilhante como dançarino e cantor pop.
Glenn Gould, que era o protótipo do hipocondríaco, morreu subitamente aos cinqüenta anos de idade em 1982, logo após regravar a obra que o tornara famoso na juventude “As Variações Goldberg” de J. S. Bach. Michael estava se preparando para voltar aos palcos e faleceu com a mesma idade de Glenn.
Coincidências à parte, fica a dor e a certeza de que a mídia, o público e as empresas que fornecem alimento para a indústria pop adoram bizarrices e excentricidades, mais do que a arte e, sobretudo, os seres humanos que a realizam. É triste, mas fica a sensação de que Michael e Glenn partiram para a eterna lembrança de suas loucuras, mais que suas maravilhas.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A EVOLUÇÃO DOS FENÔMENOS TELEVISIVOS
segunda-feira, 15 de junho de 2009
SOLUÇÃO PRÁTICA E RÁPIDA, MESMO QUE ABSURDA
No último 12 de junho o Juiz de Direito - Paulo de Tarso Tamborini Souza, que ajuda a realizar eleições pelo mundo (periférico), visitou o Programa do Jô para falar sobre sua participação nas eleições africanas. Lá pelas tantas - falando mal da pobreza e da miséria que viu por lá - o juiz falou que o Brasil não ficava muito atrás, que visitou as cadeias do país e comentou das condições sub-humanas a que estão submetidos os apenados no país. Falou especificamente horrorizado do Estado do Espírito Santo!
De maneira que soou involuntariamente preconceituosa, dado o assunto que se tratava, o juiz – que procurou destacar o lado pitoresco dos absurdos que testemunhou - falou das “celas” micro-ondas com sete andares de redes onde estão encarcerados jovens sem a mínima condição de subsistência. “Os ratos comem os pés dos detentos, eles não têm medo nem dos presos, quanto mais da gente”.
Tempos atrás recebi um email que continha trechos do relatório da visita aos presídios aqui do Espírito Santo. É de nos dar o que pensar, sobretudo porque, digamos que alguns dos que foram parar nesse lugar já não sejam propriamente “pessoas do bem”, o que será que eles vão aprontar quando retornarem ao nosso convívio? Tenho até medo de imaginar. A conclusão que chegamos é que já passou da hora de repensar essa nossa sociedade.
Freqüentemente vejo pessoas comentando o assunto e a solução mais comumente proposta é a de mandar matar todo mundo. Prática e rápida, mesmo que absurda. É como propor cortar a cabeça de um grupo de pessoas porque estão infestadas de piolhos. O que impressiona é que muitos estão falando sério mesmo, sem jamais terem sequer imaginado o choque ético/moral que é acabar com uma vida. E digo mais: se todos tivessem que matar e esquartejar os animais que comem o mundo estaria lotado de vegetarianos.
Penso que não é só a máquina Estatal e do Judiciário, que nossa sociedade organizou para gerir os assuntos da coletividade, que devem ser a solução para esse caos. A situação chegou a esse ponto através de um raciocínio de longo prazo, das grandes falácias sociais cuja valorização do individualismo nos levou ao abandono da ética humana, da capacidade de nos indignar com o sofrimento do outro, simplesmente porque não estamos diretamente envolvidos. Não vai haver esperança se continuarmos nos pautando pelo senso comum (bandido tem que morrer como no Carandirú) a coisa só vai piorar.
Ainda que seja muito difícil, devemos buscar a compreensão do grave momento social que atravessamos. Não se pode condenar pessoas a morte, ou à completa degradação que nos foi relatada, sem levar em consideração que cada uma destas é ligada diretamente a um grupo de outras e que a vida de um ser humano é responsabilidade de todos. Podem até dizer que os homens que vão parar num presídio são assassinos, estupradores, demônios encarnados. O fato de algumas pessoas serem o que são não pode nos obrigar a reagir à altura, que, no caso de alguns bandidos, seria descer vários patamares da decência humana.
Consideremos, por outro lado, que alguns desses homens não sejam propriamente monstros irrecuperáveis, o que está sendo deles dentro desse lugar? Só pra mencionar um trecho do capítulo 15 do evangelho de São Lucas, será que não vale a pena tentar resgatar aquela ovelha perdida ou a moedinha sumida que no final pode fazer a diferença? E eles estão lá porque a grande maioria da sociedade deliberadamente ignora sua sorte ou é complacente com a situação, o que é praticamente a mesma coisa.
Tempos atrás em uma festa comentei indignado esse assunto numa mesa com varias pessoas da sociedade, muitas das quais eu desconhecia. Que ingenuidade a minha. Uma moça se irritou com meu discurso “paz e amor”, queria saber se eu já tinha sido assaltado alguma vez, se um bandido já tinha feito mal a alguém de minha família. Falei calmamente que minha mãe havia sido assassinada pelo crime organizado. A moça - uma promotora de justiça - queria provar que eu era um alienado, ficou tão aborrecida que foi embora.
São esses conhecedores de vinhos caros e essas moças elegantes que diariamente decidem a vida de milhões de brasileiros. O juiz Paulo de Tarso disse em sua entrevista que “não podemos mais conviver com juízes que ficam encastelados dentro do fórum batendo carimbo”. Esses magistrados têm uma condição social muito diversa da dos réus que julgam e ignoram sua realidade. Esses abismos sociais, essas diferenças de classes, nada mais são do que seqüelas do período escravocrata. Não é nada comum vermos o povão ser tratado com deferência em nosso país, é bucha de canhão e assim é conduzido pela elite.
Há pouco tempo circulava pela Internet uma lista mostrando as inúmeras ligações de parentesco entre os ocupantes de cargos no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, isso em uma sociedade que vende o peixe de que as chances são iguais para todos. A maioria de nós correu atrás dessa ilusão, até descobrirmos que não era verdade, ou que pelo menos não era bem assim. Dizia-se que o sucesso era quando a oportunidade encontrava o homem preparado. Pois bem, a maioria das pessoas não vai estar preparada nunca e aí? Azar não é? Os concursos públicos são hoje uma maneira de dizer para a sociedade, estamos dando uma oportunidade para todos. Essa é mais uma idéia “democrática” que precisa ser desinfetada.
A entrevista já está postada, mas quem tiver dificuldade é só copiar e colar o link da entrevista do Juiz Paulo de Tarso no Programa do Jô, porque aqui é assim: a gente mostra a cobra e limpa o nariz na cortina.
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1058061-7822-JUIZ+PAULO+DE+TARSO+CONTA+CAUSOS+DE+TRIBUNAIS,00.html
