Daí que após meu último post um monte de gente veio me perguntar sobre o novo piano do Carlos Gomes, o que eu tinha achado da sonoridade, se o Teatro tinha ficado bacana (vejam os comentários na Letra Elektrônica) resolvi então escrever mais um pouco sobre o assunto, porque, culturalmente falando – ou escrivinhando - eu acho importante. Não, porque nós somos os primeiros a tacar pedra em tudo e sempre estamos mais dispostos a falar mal do que ressaltar os aspectos positivos das coisas, ainda mais quando são públicas. Então vamos lá:
A reforma do Teatro me pareceu muito bem realizada, me disseram que ainda faltavam acabamentos exteriores ou coisas assim e que críticas, como sempre, haviam. Confesso que cheguei tão esbaforido e corrido que nem vi a face externa do prédio, aliás, só consegui entrar porque minha esposa “subornou” um flanelinha: para bom entendedor meia crítica já é o bastante.
O aspecto original do espaço interior foi totalmente preservado e renovado, manteve-se a mesma atmosfera pseudo-suntuosa que rapidamente remete à infância, aquelas lindas pinturas de Massena no teto (isso tudo deve ter denominação específica, foi mal) e o grande candelabro. Diga-se a verdade, as reformas feitas pela administração do governador Paulo Hartung são – pelo menos as que vi – muito bem feitas e acabadas, muito diferente do que já vimos em administrações anteriores e na municipalidade de maneira geral.
Daí vem a questão do piano em si. Confesso que, apesar de adorar o assunto e conhecer boa parte da literatura pianística, quando se fala no “topo do topo” desse instrumento musical não sou realmente profundo entendedor, simplesmente porque não dou recitais, não viajo o mundo todo e nem tenho 150 mil dólares para investir na brincadeira. Do alto dessa minha ignorância posso garantir uma coisa: o novo piano do Carlos Gomes é um dos melhores instrumentos do mundo. Vamos aos fatos:
O modelo Steinway & Sons D 274 (Essa numeração é relativa ao tamanho do instrumento, quase três metros de comprimento!) é padrão em todas as melhores salas de concerto do mundo e é também o instrumento preferido pela maioria dos grandes pianistas desde o início do século. A Secretaria de Estado da Cultura divulgou que o “nosso” piano é fabricado em Hamburgo, diferente do que haviam me dito, mas pesquisando descobri que hoje essa diferenciação é relativa. Muitos instrumentistas de peso preferem os pianos fabricados em Nova York, Vladimir Horowitz mesmo era um desses. A ressalva vem de Marcos Dessaune, disse que os instrumentos de Nova York sofrem mais com a temperatura aqui do Brasil.
Conversando com todos os pianistas presentes, a opinião era unânime: o som do novo Steinway era equilibrado entre as sonoridades graves e agudas e nas mãos de Vadim Rudenko soava simplesmente perfeito. Será que era só o grande pianista russo fazendo sua mágica soar? Espero e acredito que não. Finalmente temos um grande instrumento para receber aqui grandes músicos, esperamos uma programação que justifique o investimento (algo em torno de R$300.000,00) e que nos traga um futuro cultural cada vez melhor.




