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quarta-feira, 13 de julho de 2011

DIA INTERNACIONAL DO ROCK!

Há exatamente um ano atrás, no palco do Teacher’s Pub estava sendo lançado O Livro do Pó. O dia internacional do Rock foi escolhido para trazer a criança ao mundo por razões óbvias, o livro é escrito numa linguagem pop’n’roll enquanto romanceia coisas que aconteceram num passado capixabesco cada vez mais e mais distante.

Eu já disse que não, mas foi difícil publicar o livro sim. Passamos juntos por várias fases, um processo que deve ter levado, sei lá, uns dez anos. Quando comecei a escrever, talvez apenas para organizar as lembranças, perdi boa parte do que já fizera, não me lembro mais se foi tudo, acho que foi. O Word da época as vezes simplesmente apagava o que havia sido feito, outras vezes o próprio cansaço me fez fechar o texto sem o salvar.

Cada revés desanimava, daí eu me dedicava a outras coisas, afinal eu não era escritor e o próprio mundo se encarregava de me fazer esquecer do Livro. Sei lá porque, um dia resolvi pegar o touro pelo chifre e escrever até o fim aquela história que tinha atolado lá pela quarta faixa durante alguns anos. O curioso é que daí a coisa andou bem mais rápido, em poucos meses escrevi mais que o dobro do que até então.

Depois de pronta a primeira versão circulou entre alguns amigos mais chegados, Marcos Rivero, Grilo Falante, Bolinhas e me animou a tentar publicar. Veio aí outra fase: a de transformar aquela idéia em um projeto. Levou tempo também, aquele livro que eu achava “do caralho” foi rejeitado varias vezes em concursos e Leis de incentivo, até que passou na Lei Rubem Braga depois de uns três anos de tentativas frustradas.

Olhando agora em retrospectiva, a melhor coisa que aconteceu com o Livro do Pó foi aquela rejeição inicial, foi uma coisa que aguçou meu senso crítico, me obrigou a enxugar e repensar a história várias vezes, no final todo mundo saiu ganhando. Infelizmente ou não, a maioria dos novos projetos é assim: precisa dessa fase de maturação até chegar a desaguar na sociedade.

Disse que publicar era fácil, porque algum autor por aí já disse: “difícil mesmo é fazer com que as pessoas leiam”. Mas por incrível que pareça, teve gente que o fez. Tive retornos muito bons com O Livro do Pó, me reaproximou de algumas pessoas, me fez conhecer outras e ampliou a mítica sobre os anos oitenta, especialmente para os mais jovens.

Agora esse meu filho rebelde segue por aí como uma carta aberta às futuras gerações e hoje já comemora um ano de doido que passou veloz que nem aquele Monza vermelho que eu tinha na época...

Feliz aniversário Livro do Pó! Long live Rock ’n’ Roll!!

E para gente comemorar com estilo, recomendo o flyer abaixo. Simplesmente imperdível!


terça-feira, 28 de junho de 2011

OS QUE SÃO SELVAGENS SEMPRE O ALCANÇAM


Tem amigos que acontece de nos deixar em pleno feriado nacional. Parece que querem aproveitar a pausa. Foi assim com o pianista Josué Louzada que se foi numa semana santa, meu querido professor de artimanhas das oitenta e oito teclas. Vladimir Horowitz conta que um ator o escreveu mencionando o número de teclas do piano e ele não entendeu, pensou que fosse alguma buate. Sua filha perguntou surpresa: “papai você não sabe quantas teclas o piano tem?” Ele respondeu de maneira divertida: “Ora, eu nunca contei”.

Nesse último feriado um outro desses meninos rebeldes e selvagens nos deixou. Um cara que tinha essa coisa da simplicidade profunda e da opção temerária de viver de acordo com suas próprias regras.

Marcão Lima foi uma figura importante para os roqueiros de Vitória, nos anos oitenta representava no Espírito Santo a conhecida gravadora CBS, tinha uma boa visão do mercado e estava por dentro de muita coisa que acontecia naquele universo que todos ansiavam por freqüentar. Em sua casa tinha uma sala com grandes estantes abarrotadas de discos que eram compartilhados a título de “dever de casa” e vinham com um carimbo de amostra invendável ou algo do gênero.   

Visto que todos compatilhávamos de uma obrigatória porralouquice selvagem, uma das maiores influências que Marcão me deixou não tem nada a ver com a música pop e foi, certamente, das mais improváveis...

Devia ser o ano de 1988 e eu estava passando uma fase dark side de arrepiar os cabelos, ia rolar na Praia do Canto uma festa “anos sessenta” para lançar uma cerveja - acho que o nome era Americana - e pedi uma jaqueta de couro emprestada ao velho mestre. Passei o fim de semana entrando e saindo de festas e bares, quando chegou o domingo eu simplesmente não me lembrava de muita coisa que tinha aprontado. Salvo alguns flashes incompreensíveis, tinha sofrido um apagão.

No domingo de noite fui devolver a jaqueta de Marcão, ele me perguntou da festa e eu não lembrava nada, fiquei perceptivelmente angustiado. O cara veio com um livro de capa amarela e disse para mim daquele jeito engraçado dele: “Juquêlho! Abre aí em qualquer página e lê”. Não consegui mais desgrudar daquele livro, depois vieram outros e outros. Foi o início de um longo período de busca interior que passei e que culminou com a descoberta de uma escola espiritual de mistérios, o conjunto da experiência, por sinal, renderia também um bom livro do gênero.

Em plena quinta-feira do feriadão de Corpus Christi nos reunimos em torno do Marcão pela última vez. Alguns de nós ostentando cabelos brancos, outros já sem tantos cabelos, alguns mais barrigudos outros do mesmo jeito de sempre. Alguns cobrando o sumiço, outros querendo montar novas bandas. Trifin intimou o Renso para fazer guitarra, hoje um pacato pai de família, o amigo escorregou dizendo que ia dar um apoio moral, aproveitando falei que iria também só que para dar um Apoio Imoral. E fomos assim, como era o Marcão, fazendo piada até os aplausos que hoje encerram esses momentos de despedida que a vida nos enfia de goela abaixo.  

Só para quem ficou curioso, o livro que o Marcão me aplicou é intitulado “Tantra: A Suprema Compreensão” de autoria do guru Rajneesh que está aqui do meu lado olhando para mim (não o guru, mas o livro). Então vou fazer de novo aquela experiência, abrir ao acaso e compartilhar o que rolar com vocês:

“A vida é selvagem.
O amor é selvagem.
E Deus é absolutamente selvagem.
Ele jamais entrará nos teus jardins, porque são demasiadamente humanos. Ele não irá às tuas casas, pois são demasiadamente pequenas. Ele jamais será encontrado em teus caminhos canalizados. Ele é selvagem.”

“Lembra-te: Tantra diz que a vida é selvagem. Temos de viver entre todos os perigos, entre todos os riscos – e é belo, porque nisso há aventura. Não tente fazer da tua vida um esquema fixo; deixa que ela tome seu próprio curso. Aceita tudo, transcende a dualidade através da aceitação, permite que a vida tome seu próprio curso – e chegarás, com toda certeza chegarás. Esse “toda certeza” eu digo não para tornar-te seguro, mas porque é um fato; eis por que o digo. Não é a tua certeza de segurança. Os que são selvagens sempre o alcançam.”

“Transitório é este mundo:
Como fantasmas e sonhos, ele não tem substância alguma.
Renuncia a ele e abandona teus iguais,
Corta os laços da luxúria e do ódio,
E medita em bosques e montanhas.
Se, sem esforço,
Permaneceres desprendidamente em estado natural,
Logo Mahamudra alcançarás
E obterás a não-obtenção, o não-aquisitivo.”

Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho.

sábado, 29 de janeiro de 2011

TEOREMA FUNDAMENTAL DA SEMELHANÇA ENTRE TRIÂNGULOS


“Dizemos que dois triângulos são semelhantes se, e somente se, os ângulos no mesmo posicionamento forem iguais e os lados correspondentes, proporcionais.”

As pessoas de minha geração adoram histórias de caras cabeludos e irresponsáveis. Roupas de couro, tachinhas e atitude Rock ‘n’ Roll traduzida para o dialeto botocudo. Os tais heróis que morreram de overdose, infelizmente, nem todos. Esse último comentário não é porque penso que os doidões deveriam morrer intoxicados com a própria piração e não ir para o céu como Emilly acredita, mas porque alguns morreram de outras maneiras.

Com o tempo e a “evolução” repetitiva da eterna diferença a estética do “bad boy” englobou novas drogas, piercings e tatuagens. No início dos anos oitenta não era tão comum essa decoração temática do próprio corpo, confesso nunca ter gostado, tenho certa dificuldade em lidar com idéias materiais que são para a vida inteira. Mas isso é um comentário que não tem importância para essa história, talvez no futuro...

Então a minha personagem escolhida para hoje vem daquela época. Na verdade são três, a saber, uma loira ligeiramente metaleira, um metaleiro ligeiramente loiro e um doidão daqueles que seriam capazes de virar herói do Cazuza. Um triângulo eqüilátero à sua maneira, nem me atreveria a dizer que era amoroso. Sexual talvez, um trilátero casual. 

- O cara morreu varado de pipoco dos traficantes, na porta da boca de fumo, quá quá quá! – Uma amiga me contou essa história, sem se importar com a morte de uma pessoa que eu conhecera, não muito bem, mas que era tão maluco que virara um ser mitológico. Dele diziam um tudo: que uma época se apaixonara por um dos maiores amigos e que este o surrava com freqüência para desencorajar a tara desenvolvendo assim o vício em apanhar. Testemunhas oculares dizem que viram os dois à beira de uma dessas crises e que o maluco gritava histérico e excitado:

- Você não vai me bater não! – Mas ele já desenvolvera um certo gosto pela coisa, esperava ardendo pela coisa, assim como gostava de bater nas namoradas também. Uma vez enxulapou uma com tanta violência que a garota teve que dizer em casa que tinha sido atropelada. O pior é que no dia seguinte não lembrava da surra que dera na amada e queria saber quem era o filho da puta que fizera aquilo com ela.

- Dizem que o cara chegou estarrando na boca de fumo e os traficantes meteram pipoco nele, tá em tudo quanto é jornal. Huhauhauha! – Eu não achei a menor graça naquela história baixo astral, como poderia? Ponderei, isso sim, que aquela louca trajetória tinha durado mais até do que o esperado.

A loira metaleira namorava o doidão numa época em que não era lá muito comum – e nem de bom tom - manter uma relação estável. O metaleiro quase loiro, coisa também incomum nessas terras morenas, acabou resolvendo “atender a demanda” proposta pela loira e se jogaram às práticas ancestrais de acasalamento. Como todo bom marginal, o “caso sério” da loira tinha o costume de adentrar seu quarto pela janela e foi aí que rolou o flagrante da traição.

- Sai pra lá cabeludo que o meu papo é com essa loira vagabunda! – Um cara de roupa, outro sem e uma garota enrolada no lençol. Teorema fundamental dos triângulos, qualquer semem-lhança é megera coincidência. A metaleira foi pega pelos cabelos enquanto seu amante – valente lugar tenente das hostes endiabradas - pulava a movimentada janela com as roupas catadas ao acaso. Quando se vestia em um canto escuro encontrou uma calcinha preta, guardou como recordação e prova incontestável da aventura.

- Eu te amo porra! – A frase virou bordão durante uma época, acho que foi no início dos anos noventa. Dizem que um tal de Tomate anda a cantando hoje, se eu fosse ele faria um disco intitulado “Agrotóxico”... E morreria envenenado. A loira repetiu a frase até amansar o corno, até se dar conta de que não era aquilo o que queria. Nem um, nem outro. Triângulo desfeito, mais uma “dose dupla” de qualquer coisa e a vida que segue. Por sinal nem sempre, não para todos. Até um dia...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NESSE MUNDO NÃO HÁ NADA QUE VENHA DE GRAÇA


Eu adoro crianças, bom depende da criança é claro, lembro de algumas que... Enfim. Mas geralmente gosto de tê-las por perto. Antigamente eu tinha um sangue doce danado pra fedelhos, mas nunca fui muito de ficar paparicando, quando via a gurizada estava sambando na minha cabeça. Hoje essa atração parece ter diminuído, deve ser a idade e o costume de deixar a barba crescer, me parece que apesar de todo avanço tecnológico a maioria delas ainda têm medo do lobo mau.

Infelizmente - e digo isso com uma ponta de tristeza – até hoje o bom destino não me reservou filhos, não que eu saiba. Talvez o fato de nunca ter me tornado um homem rico nem famoso ou os dois, me impediu de ser surpreendido por alguma paternidade lá dos “anos difíceis”, citando Hermann Hesse pra dar uma de quê. Bem sei o quanto fui irresponsável durante aquela sacudida vida sexual que me aconteceu. Curiosamente minha geração também não foi muito pródiga no quesito reprodução.

Aliás, existem outras curiosidades sobre os meus contemporâneos, suas mentes brilhantes e suas vidas perdidas, desperdiçadas e sem rumo. Contraditoriamente os mais chatos (porque gostavam de estudar), nos pareciam menos inteligentes e eram menos admirados. Justamente – vejam só – eles acabaram mais bem sucedidos financeiramente na vida que se seguiu. Sempre me pergunto do por que disso, mas não quero dar exemplos. Isso não é uma tese, é apenas um fato curioso.

Talvez seja como a beleza inata. Descobri que as mais belas criaturas foram das mais infelizes em suas vidas sentimentais. Para um rosto bem talhado e um corpo perfeito as coisas vêm mais fáceis, não precisam lutar, nem descobrir estratégias. Remam facilmente, contra ou ao sabor da maré. O indivíduo classificado como feio rapidamente descobre que precisa encontrar maneiras de competir por afeição, torna-se mais hábil e determinado... E determinação é tudo.

Minha mulher tem irmãos evangélicos que colocaram no mundo um divertido casal de pirralhos, eles volta e meia vêm nos visitar. Com o tempo nossos abismos culturais e a desconfiança das crianças para comigo  foram diminuindo. Outro dia eu conversava com Emilly de quase sete anos, após muita farra com o Mateus de três que, de tanto eu o perturbar, ficou muito bravo comigo. Disse até que ia me matar. E a Emilly ainda emendou em tom de reprovação:

- É Tio você vai morrer e não vai pro céu!

- Mas por que não Emilly?

- Ué Tio, porque você bebe e você toca roque.

- Ora Emilly. Quer dizer que no céu não tem birita nem Rock ‘n’ Roll?

- Claro que não né Tio!

- Ah Emilly, então eu não quero ir pra lá não...

Entenderam o que eu tô falando?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CANTO SOLIDÁRIO II - A MISSÃO


Não vem doido não véi!

Na semana que vem os caros leitores da Letra Elektrônica terão a oportunidade de ver outra vez o editor chefe dessa bagaça pagando mico no Theatro Carlos Gomes. Amigos, levem em consideração que - citando outro Juca, o Chaves - na minha idade não é fácil bisar, mas vou bisar...

Depois do show vai rolar ainda uma confraternização no espaço Casa Aberta, point boêmio ali da Rua Sete, como direito a canja dos artistas e participantes da entourage (Eita!). A entrada é franca e o rock - intitulado "uma noite exagerada" ou algo que o valha - vai dar o que falar no dia seguinte...

Segue o flyer com as informações:


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CORRESPONDÊNCIA ELEKTRÔNICA: VITÓRIA ILHA DO ROCK!


Com relação ao meu último texto, rolou um comentário muito legal do Marcos Valério que me despertou a lembrança e então quero compartilhar com todos...

“Rapaz,

Você falando de roqueiros e tal, e eu abro sua mensagem justo na hora em que o drive do computador roda um cd do Rory Gallagher....

...Beleza de texto (Há Muitos Cabelos Atrás) e daqueles tempos também. Não sou tão antigo, mas ouvi falar muito e de vez em quando rodo uns disquinhos... Rárárá....

...Mas conte mais histórias de roqueiros. Acho que vale um filme, com os antigos roqueiros antigos falando, dedilhando guitarras, colocando discos, um papo no Golias, um luau, um encontro de canjas de vários músicos e "músicos", cenas de praias, garotas, muitas garotas...

Vamos preparar um projeto para as leis de incentivo? Acho que esse assunto merece um filminho dos bons, se é que já não cometeram algum. Saudosista, quero dizer. Sei que tem uns sobre bandas atuais, cenas atuais, mas um que junte você e o Sergio Bonaventura (É assim o nome dele?) (Benevenuto, talvez?) e outros roqueiros e essas histórias... Podemos fazer um encontro naquela boate que você lançou o Livro do Pó (Teatcher’s Pub) etc...

... Viajei ...................

Abraços

Marcos Valério”

....

Caro Marcos Valério,

Lembro de ter dado entrevista sobre rock para um vídeo/documentário que fizeram faz muito tempo, uns quinze anos. Lembro também de ter ido assistir à primeira exibição da coisa no Cine Metrópolis, salvo engano, com medo de passar vergonha com algum comentário babaca da platéia e nada disso rolou, passei batido, cinco ou dez anos depois do “estrelato” ninguém nem lembrava mais de mim. Não achei ruim, mas me deu um estranhamento por dentro. Na verdade, a única hora em que a platéia fez bagunça e vaiou, foi quando o Edu Henning falou. Talvez vítima da exposição, na época, de seu programa diário na tevê. Como era mesmo o nome dessa porra de video? Catzo, ainda vou lembrar, antes de chegar ao final eu lembro.

O Zé Roberto Santos Neves está trabalhando um texto sobre o rock daquelas épocas, acho que ele vai escrever mais sobre o movimento heavy daqui, que foi interessante e até hoje ribomba nos ouvidos dos mais desavisados. Perguntei pro Zé se ele já tinha ouvido falar de um sabá de bruxas que rolou na UFES, lá nas grimpas dos anos oitenta e que envolveu a nata e a fina flor do metalerismo da época... Nunca soube se essa história era verdadeira, eu já não comungava mais das roupas de couro nem das tachinhas, então não fui testemunha dos negros fatos de arrepiar.

Curioso pensar que isso tudo está intimamente interligado com a Vila Rubim, aliás reduto de boemia e samba e não do heavy metal. Mas falando, pensando e escrevendo sobre magia, esoterismo e aliando isso às lojas de couros e tachinhas acabamos chegando lá. Não tem jeito, nossa "linha espiritual" de feitiçaria e magia negra não está ligada à tradição nem ao imaginário do vodoo, nem de Aleister Crowley, ou coisa que o valha. No final das contas a coisa acaba em samba, terreiro, candomblé e por aí vai.

Não lembrei o nome do filme ainda... Mas vou lembrar, ou então ligar pra Paulinha Portella que eu sei que ela lembra.

Mas então - não sei se você reparou, mas isso já virou um novo texto pra Letra Eletrônica - a lenda diz o seguinte: Em uma terra distante, num lugar muito bem perto da Rua da Lama, os metaleiros ficaram sabendo que ia haver um legítimo "sabath de bruxas" na UFES. Convenhamos, um lugar assaz inesperado para esse tipo de celebração. Porém, talvez pensando que a idéia partira da cabeça de algum irresponsável do curso de artes, a rapaziada do metal, black metal, dark pra caralho à beça, resolveram ir lá mostrar e comprovar que eles sim é que eram os fiéis e legítimos representantes da estética do demo por essas bandas. Ou como diria Macunaíma: falaram mal, preparar o pau!

Fábio Boi, o papa do heavy aqui, chegou mais embriagado que a banda Alcoolhólica inteira, acompanhado de um modesto séqüito de bebuns que incluía figuras como o temível Esmaga Ossos, Churrasco, Batatinha e sei lá mais quem. Logo reivindicou para si a direção dos trabalhos e para provar sua primazia berrou uma música do Black Sabath, deixando boquiabertas as bruxas negras, em nome de Ozzy deu por aberta a sessão. Rapaz... Bem, pra começar as figuras eram feiticeiras do mal mesmo e estavam acompanhadas de noviços rebeldes e musculosos, responsáveis pela segurança do perímetro mágico e obviamente muito úteis também na hora do intróito penetrativo da celebração maligna, se é que vocês vão me entendendo... 

Acho que o nome do vídeo era “Vitória Ilha do Rock”, deve até ter no Youtube... (Não achei, acabei de pesquisar, se alguém tiver compartilhe)...

Dizem os mais bem lembrados que a coisa descambou em porradaria com a mesma facilidade de um passe de mágica, no caso um feitiço maligno, com desvantagem numérica, física e alcoólica por parte dos metaleiros locais que, pegos pelo elemento surpresa, levaram uma esfrega daqueles evadindo-se do local em estrepita debandada inglória. Lembro de alguém ter me contado essa história no Adega às gargalhadas – mesmo porque se for verdade é realmente engraçado – só que suspeito que o pessoal da época vá negar o ocorrido ou então dizer que não foi bem assim. Sei que esse foi um texto meio Chacrinha, confunde mais do que esclarece, mas acho que estou numa semana de lembranças e divagações. Talvez o prazer de escrever seja disso: Soltar o dedo e ver o tempo passar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

HÁ MUITOS CABELOS ATRÁS


O telefone toca, é uma amiga que não vejo faz tempo, ela está morando na terra das queens.

- Juca, quanto tempo! Tô querendo comprar teu Livro do Pó, na sexta eu volto pra Londres.

- Beleza. - E combinamos de nos encontrar amanhã, tenho consulta com meu quiropraxista. O cara não só acabou com um torcicolo que ganhei no natal, o que prova que Papai Noel também tem senso de humor, como reativou minha coluna. Agora estou me sentindo um Robocop lubrificado!

No almoço contei pra Alice que uma amiga tinha ligado, que havia até sido padrinho de seu casamento, daqueles de igreja e tudo, e que logicamente foi uma piração total. Preparando uma salada ela comentou, usurpando minha prerrogativa roqueira de fazer piadinhas:

- Pois é, seus amigos são tão pirados que alguns até casaram na igreja, hein?. Imagina só...

Não sou católico, ortodoxo, nem romano. Sou capixaba da Praia do Canto e, como a maioria, nasci em família teoricamente religiosa. Meus pais eram daqueles que só iam a igreja em casamentos, batizados e missas de sétimo dia. E o padre que casou meus amigos era ... Como direi? ... Que nem uma madame à beira de um ataque dos nervos.  Não posso fazer nada. O cara era assim.

Todos os padrinhos eram músicos, roqueiros de longas cabeleiras, maiores até que a de algumas madrinhas. O padre falava e esperava uma resposta... Nenhum de nós imaginava do que se tratava. O que será tínhamos que dizer? “Ele está no meio de nós?” Percebendo nossa ignorância o pároco agia como se estivesse tratando com o pior da ralé espiritual... O que musicalmente era uma inverdade.

Sua santidade farfalhava as vestes e desferia olhares enfezados em nossa direção. Eu fiz que não era comigo, talvez porque fosse o mais próximo de um visualzinho social - cabelos semi curtos, bainho tomado, até de blazer eu estava - e talvez também por ainda estar “normal”, se é que vocês vão me entendendo. Por isso, quando o padre pediu a colaboração de um dos padrinhos fui escolhido pra pagar de coadjuvante.

Na benção dos familiares os pais da noiva pediram “que Deus desse muito juízo”, já Muralha#, irmão do noivo, lascou um sonoro “Paz e Amor bicho”. Dali fomos para a festa onde faltou luz e o Grilo Falante repetia aos quatro cantos que aquilo era mau presságio. O marido da dona do Buffet era o mais alcoolizado e tomou esporro histérico na frente de todo mundo. Catei uma garota e fui embora mais cedo, um pouco antes que começasse a grossa pancadaria.

Parece que foi por conta da Gabi e seu namorado metaleiro, porque um convidado brigão entrou numas de pegar a moça, daí resolveu bater naquele viadinho cabeludo que estava atrapalhando sua paquera. Ora. Quando conseguiram apartar a confusão o gordo imbecil exibia um tufo de cabelo que arrancara ao escalpo do oponente. Eu não vi a cena, nem a santa biba nervosa, mas suspeito que muito seria de seu agrado.

Obviamente aquele casamento não vingou, como a maioria das coisas daquela época em que éramos cabeludos. Aliás, insistindo na questão capilar, encontrei com Fabio Boi, hoje um careca convicto. Já eu barbudo e coisado. O velho roqueiro, usando sua prerrogativa de fazer piadinhas, falou que eu  estava parecendo um arqueólogo. Pode até ser, vivo recuperando coisas antigas, mas por via das dúvidas raspei a barba.

Fabio disse que está fazendo um curso intensivo de guitarra, toca dez minutos a cada três dias! Quando penso que não, me chega um pré-convite para a festa de aniversário do arqui-famigerado Abimir, aka Ab-Gillan. Vai ser em algum lugar de Manguinhos no mês que vem com direito a som e canja da galera precursora do movimento heavy no Espírito Santo. Quando a hora chegar estaremos lá... E tu?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

TODOS OS SISTEMAS EM ALERTA!


A adrenalina de pisar no palco é como caminhar na corda bamba sem ser trapezista. As mãos ficam geladas e transpiram - como é estranha a mão que transpira! - nos esticamos, estendemos os braços até o chão e torcemos o pescoço. Parece que a energia liberada no ambiente - e que é diferente da vida, essa ordinária – vai se acumulando em certos pontos, certas partes e é preciso por pra circular, senão alguém explode alguma coisa dentro louca.

Memorizo a letra da canção, as primeiras três palavras: “eu tô perdido”. Não é lá um bom ponto de partida, mas é onde a letra começa e é muito importante evitar aquele apagão do “eu não sei mais como é que começa”. Fico a repetindo dentro da cabeça. Sorrio para alguém, comento alguma coisa e repito: “Eu tô perdido, sem pai nem mãe”. Cazuza sempre dava um jeito de falar da mãe.

A primeira música quase passou batida, a adrenalina subiu e estacionou. Não é bem nervoso o que sinto, é uma espécie de vibração duma onda diferente, parece que tem alguma coisa elétrica estalando pelo ar. Eu sento e me levanto, olho para o palco e penso: como é que a letra começa? A tensão vinha da dúvida e do estranhamento, até o dia anterior eu nem sabia aquelas palavras, pois agora ia lá cantar na cara dura para um teatro lotado.   

Não tinha quase ninguém na então aglomerada coxia quando chegou a minha vez de cantar. Estava decidido a fazer uma participação sem exageros, mas com energia. Não queria deixar transparecer a ferrugem dos anos, como aquele tiozinho que as pessoas perguntam: e esse quem é? Por outro lado temia ser arrebatado pelo furor e a emoção e, sei lá, perder o controle, travar, cair duro. E isso quase aconteceu.

No final da música tinha um solinho de guitarra, daí, quase sem querer querendo, dei uns giros meio doidos e por pouco não consegui parar, pensei que fosse sair rodopiando, entrar em órbita, baixar o santo. Só parei quando quase me estabaquei, meu tornozelo bateu em alguma coisa no fundo do palco. Poderia até ter ficado famoso, ir parar nas videocacetadas.

A adrenalina não passou até agora. Lembro de Nick Fury me dizendo: Isso é droga, isso é droga! E é mesmo. Uma espécie de insanidade que faz o Rock ‘n’ Roll ser a parada mais pesada na música desde os anos cinqüenta. De lá voltei pra minha versão “Cara Comum” da vida. Não estou mais perdido, eu fui encontrado, um encontro com o passado, um encontro com outra possibilidade do “eu”. Talvez o mais jovem, como num parque de diversões, talvez o mais feliz... Sei lá.

  
Esse texto é baseado (opa!) em minha experiência durante a apresentação do projeto Um Canto Solidário 2010 no Theatro Carlos Gomes, Vitória – ES. E é dedicado a Cazuza, inclusive o Aguilar, Elaine Rowena, todo o elenco e a produção do espetáculo.  

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

POR DENTRO DO LIVRO DO PÓ!

Convido os amigos - agora oficialmente - para o primeiro Por Dentro do Livro do Pó que vai acontecer sexta que vem (06 de agosto) na Biblioteca Pública Estadual, Praia do Suá, 19 horas. É uma boa oportunidade para aqueles que não conseguiram ir ao lançamento oficial no dia 13 de julho passado. Por Dentro do Livro do Pó é um pocket show com muitas informações de bastidores sobre a criação da obra, imagens da época e algumas canções dos anos 80 na voz e violão do autor.


O Livro do Pó é um romance de 233 páginas escrito por Juca Magalhães, antigo vocalista, entre outras, da extinta Banda Pó de Anjo, grupo que é considerado um dos pioneiros no Pop Rock capixaba e marcou época entre os anos 84-87. Lançaram um disco com a música Cara Comum que tocou bastante nas rádios e abriram shows para artistas nacionais, sendo o mais importante o do cantor Léo Jaime quando, pela primeira vez, uma banda local tocou para um grande público no ginásio do clube Álvares Cabral.


Publicado com apoio da Lei Rubem Braga, O Livro do Pó foi lançado recentemente (No Dia do Rock - 13 de julho) com uma grande festa no Teacher’s Pub, reunindo a nata daquela geração que tentou fazer a diferença por aqui na chamada Década Perdida. O livro será vendido no local com preço ligeiramente inferior ao praticado nas livrarias. Não percam e convidem os amigos.


POR DENTRO DO LIVRO DO PÓ

Dia 06 de agosto, 19 horas.

Local: Biblioteca Pública Estadual, na Praia do Suá.

Avenida João Batista Parra, 165. Vitória – ES.

Próximo à rua das peixarias e do PA da Prefeitura.

ENTRADA FRANCA

Informações: 27 9942 9087 & 3225 0848.