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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

RAPIDINHA CULTURAL BÍBLICA

Depois do amigo Sergio Blank que acaba de lançar um livro reunindo toda sua poesia, agora vem Alvarito Mendes Filho com um segundo volume reunindo cinco de suas peças teatrais, os detalhes virão abaixo. Tive o prazer de atuar sob a direção de Alvarito e aprendi muito com seu senso de liderança, seu talento como diretor, exigente na medida correta nunca precisando recorrer à grosseria. Naquela experiência meteórica que passei no teatro aprendi coisas fundamentais para a vida e na relação com as pessoas.

Nessa peça aconteceu uma coisa muito curiosa comigo.

Era um “Auto de Natal” e eu fazia o papel de José, para mim um cara que assumiu um filho numa situação bastante absurda. Os dilemas da base religiosa ocidental me soavam super engraçados e absurdos, sem falar na performance de meus colegas de elenco, cheguei a pensar seriamente em fazer uma paródia. Não fique bravo comigo ainda, esqueça a religião por um instante e Imagine descobrir que sua noiva, com quem você nunca (...) enfim, aparece grávida do nada e ainda por cima com a explicação muito lógica de que o pai da criança é o próprio Espírito Santo?

Uns doze dias antes das encenações do auto, sonhei com um enorme coro de vozes cantando parabéns para mim, acordei com uma sensação feliz por dentro, aquela alegria de coração que há tempos não tinha e que raramente experimentamos. Aniversário é uma coisa doida: lembra e marca o dia que nascemos, mas também ribomba em nossa consciência que estamos ficando mais e mais velhos e que o tempo sempre vai passar; indiferente às nossas ilusões e vontades.

A vida seguiu e esqueci o sonho, até que chegou uma apresentação do auto coincidindo com meu aniversário, dia 21 de dezembro. Combinei para depois uma pizza com os amigos mais chegados que estavam na platéia estrebuchando de rir com minha singular e até hoje única performance teatral. No final as luzes se acenderam e eu já me dirigia para o camarim quando Alvarito pegou o microfone explicando que era meu aniversário e comandou um sonoro “parabéns”. A surpresa, a lembrança e a emoção do sonho voltaram, só que dessa vez totalmente real.

Se Alvarito esperasse mais um dia pra lançar seu livro eu talvez não pudesse ir por conta dos compromissos óbvios com essa data, para nós cada vez mais velha, que novamente se aproxima velozmente. Segue então o convite desse grande batalhador de nossa cultura e uma das pessoas mais especiais que conheço...

ALVARITO LANÇA LIVRO REUNINDO CINCO DE SUAS PEÇAS TEATRAIS



Será na próxima terça-feira (20), a partir das 19h30, no Trindade Restaurante & Bar, na Av. Antônio Gil Veloso, nº 856, Praia da Costa, anexo ao Hotel Quality Suites, o lançamento o livro TEATRO – ALVARITO MENDES FILHO Volume 2. A obra integra a Coleção Caras & Bocas e foi publicada pelo autor com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Vila Velha, através da Lei Vila Velha Cultura e Arte, e com o apoio da Hiper Export – Terminais Retroportuários S/A, empresa do Grupo Otto Andrade.

O livro possui 200 páginas e reúne cinco peças teatrais de Alvarito, um dos autores mais premiados do estado. São elas: “O retrato”; “Vasco Fernandes Coutinho na porta do céu”; “Anacleto, a garça que ficou sem teto”; “O lobo e o corvo”; e “O impossível namoro de Romeu, o pé de jacarandá, e Julieta, a motosserra”. Além dos textos completos das peças, a obra traz a ficha técnica e fotos das montagens já realizadas.

Segundo o autor, a publicação tem por objetivo contribuir para a memória e para o enriquecimento da Literatura Dramática e das Artes Cênicas capixabas.

Dose dupla

Quem comparecer ao evento, além de adquirir o livro a preço promocional de lançamento (apenas R$10,00), poderá aproveitar a promoção especial que o restaurante oferecerá nesse dia: cerveja em dose dupla. Comprando uma, a seguinte será de graça.

E mais. O evento contará com a participação de amigos do autor. Destaque para o grupo Vozes da Vila, formado pelo cantor e compositor Barbosa Lima, pelas cantoras e poetisas Karla Skarine e Andra Valladares e pelo poeta Horacio Xavier. O grupo apresenta poesias e composições musicais autorais, além de um refinado repertório com clássicos da MPB.

Informações pelo telefone 3031-6583.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

RAPIDINHA CULTURAL - DA BOA EDUCAÇÃO

A escola russa de piano e seus discípulos dominaram a cena no século vinte, uma empreitada que fez surgir astros da música clássica atual como Evgeny Kissin, Boris Berezowsky, Arcadi Volodos, Andrei Gavrilov, Michail Pletnev e muitos etceteras. Uma das razões para o sucesso dessa escola é prover uma educação de bases sólidas na inicialização, onde se encontram alguns dos melhores e mais respeitados profissionais do ensino, diferente da maioria das escolas ocidentais onde essa parte da atividade parece, geralmente, relegada a professores menos experientes e estagiários.

Tô falando disso na maior satisfa do mundo, porque uma de nossas pupilas, Emily Simões de apenas oito anos, acabou de ser aprovada num concorrido processo seletivo para o quarto nível de musicalização infantil da Faculdade de Música do Espírito Santo. E falo também porque recebi um convite do querido e sumido amigo Alvarito Mendes Filho para a apresentação de uma peça de Teatro de seus alunos no curso da Fafi. É muito importante para a rapaziada que está chegando ter contato com professores de experiência e tempo de estrada: segue abaixo o release com todas as informações.

ALUNOS DA FAFI ENCENAM COMÉDIA DO SÉCULO XIX

Na próxima sexta-feira (16), os alunos do segundo ano de teatro da Escola de Teatro, Dança e Música FAFI estrearão a comédia O tipo brasileiro, de França Júnior, que tem por temática a preferência que, no Brasil do século XIX, se tinha pelo estrangeiro em detrimento do cidadão nativo ou daquele que havia se abrasileirado. A montagem será apresentada também no sábado (17), sempre às 19h30, no auditório da escola, com estrada franca. Mas ATENÇÃO! Ingressos limitados: apenas cinquenta por sessão e distribuídos uma hora antes do início da apresentação.

A iniciativa de levar o texto à cena faz parte da disciplina Prática de Montagem, sendo que os próprios alunos, junto com o professor da matéria, escolheram a peça a ser encenada. A temática abordada por França Júnior em O tipo brasileiro foi um dos fatores que mais influenciaram na hora da escolha. “A preferência por quem vem de fora é ainda uma realidade entre nós”, dizem os integrantes do elenco. “Talvez não na mesma proporção em que acontecia no século XIX, mas ela ainda existe e, portanto, vale à pena abordar o assunto.”

 
Sobre o autor
Os dramaturgos brasileiros de maior popularidade no século XIX foram Martins Pena, Arthur Azevedo e França Júnior. Esse último, segundo os pesquisadores, foi o principal seguidor de Martins Pena. Seu nome de batismo: Joaquim José de França Júnior. Nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de março de 1838, e morreu em Poços de Caldas, MG, no dia 27 de novembro de 1890.

Foi advogado, dramaturgo, jornalista e pintor. Como escritor teatral destacou-se pela qualidade de suas peças que abordavam, de forma divertida, temas colhidos no cotidiano da vida brasileira, mais especificamente do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil. Escreveu para o palco varias comedias de costumes e sátiras políticas de grande sucesso, algumas hoje infelizmente desaparecidas.

Dentre as suas comédias teatrais que alcançaram grande sucesso popular e o tornaram um autor de prestígio estão: Amor com amor se paga, Como se fazia um deputado, Caiu o ministério, Ingleses na costa e O tipo brasileiro.

FICHA TÉCNICA
Texto: França Júnior
Direção e prática de montagem: Alvarito Mendes Filho
Elenco: Ana Cláudia Cristo
            Dulce Fernandes
            Lu Golçalves
            Vinícius Capistrano
Preparação vocal: Elaine Rowena
Coreografias: Gil Mendes
Exercícios de composição de personagem: Roberta Portela
Músicas: Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazaré
Gravação da base instrumental das músicas: Jérémy Naud
Trilha sonora: Alvarito Mendes Filho
Concepção de figurino: o grupo
Concepção de cenário: o grupo
Técnico de luz: Edgar
Operador de luz: Edwaldo Almeida
Técnico de som: André
Apoio:  Carlos Papel
Grupo Repertório de Teatro
Cia. Capixaba de Comédias
Fantasia Mágica – aluguel de fantasias
Coordenação geral: Wilson Coelho e Tânia Regina Alves do Carmo