Páginas

Mostrando postagens com marcador Livro do Pó. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro do Pó. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de julho de 2011

DIA INTERNACIONAL DO ROCK!

Há exatamente um ano atrás, no palco do Teacher’s Pub estava sendo lançado O Livro do Pó. O dia internacional do Rock foi escolhido para trazer a criança ao mundo por razões óbvias, o livro é escrito numa linguagem pop’n’roll enquanto romanceia coisas que aconteceram num passado capixabesco cada vez mais e mais distante.

Eu já disse que não, mas foi difícil publicar o livro sim. Passamos juntos por várias fases, um processo que deve ter levado, sei lá, uns dez anos. Quando comecei a escrever, talvez apenas para organizar as lembranças, perdi boa parte do que já fizera, não me lembro mais se foi tudo, acho que foi. O Word da época as vezes simplesmente apagava o que havia sido feito, outras vezes o próprio cansaço me fez fechar o texto sem o salvar.

Cada revés desanimava, daí eu me dedicava a outras coisas, afinal eu não era escritor e o próprio mundo se encarregava de me fazer esquecer do Livro. Sei lá porque, um dia resolvi pegar o touro pelo chifre e escrever até o fim aquela história que tinha atolado lá pela quarta faixa durante alguns anos. O curioso é que daí a coisa andou bem mais rápido, em poucos meses escrevi mais que o dobro do que até então.

Depois de pronta a primeira versão circulou entre alguns amigos mais chegados, Marcos Rivero, Grilo Falante, Bolinhas e me animou a tentar publicar. Veio aí outra fase: a de transformar aquela idéia em um projeto. Levou tempo também, aquele livro que eu achava “do caralho” foi rejeitado varias vezes em concursos e Leis de incentivo, até que passou na Lei Rubem Braga depois de uns três anos de tentativas frustradas.

Olhando agora em retrospectiva, a melhor coisa que aconteceu com o Livro do Pó foi aquela rejeição inicial, foi uma coisa que aguçou meu senso crítico, me obrigou a enxugar e repensar a história várias vezes, no final todo mundo saiu ganhando. Infelizmente ou não, a maioria dos novos projetos é assim: precisa dessa fase de maturação até chegar a desaguar na sociedade.

Disse que publicar era fácil, porque algum autor por aí já disse: “difícil mesmo é fazer com que as pessoas leiam”. Mas por incrível que pareça, teve gente que o fez. Tive retornos muito bons com O Livro do Pó, me reaproximou de algumas pessoas, me fez conhecer outras e ampliou a mítica sobre os anos oitenta, especialmente para os mais jovens.

Agora esse meu filho rebelde segue por aí como uma carta aberta às futuras gerações e hoje já comemora um ano de doido que passou veloz que nem aquele Monza vermelho que eu tinha na época...

Feliz aniversário Livro do Pó! Long live Rock ’n’ Roll!!

E para gente comemorar com estilo, recomendo o flyer abaixo. Simplesmente imperdível!


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

RAPIDINHAS CULTURAIS - LIVRO DO PÓ NA UFES!


COMENDA MAURÍCIO DE OLIVEIRA

Na terça-feira passada, dia 16  de novembro, a família de Maurício de Oliveira recebeu convidados na Assembléia Legislativa para inauguração de uma mostra de fotografias do grande mestre e anunciar os agraciados com a comenda Maurício de Oliveira criada para o âmbito legislativo, já existe uma em âmbito municipal. Recebendo os convidados estavam Dona Luisa, viúva do compositor e suas filhas Eloísa e Ludmila.

Os agraciados são músicos e pessoas que batalham pela cultura aqui na terrinha das trombas d’água, são eles: o músico Abner Costa, antigo colaborador do “Pescador de Sons”; o filho do mestre, Tião Oliveira, continuador de sua obra musical; O Maestro Titular da OFES Helder Trefzger. Também de nossa filarmônica foram agraciados os músicos Antonio Paulo Filho - o conhecido fagotista/saxofonista Toninho - e nosso eterno menino prodígio, o violinista Hariton Nathanailidis. Foi homenageado postumamente o pianista Hélio Mendes com quem Maurício, entre outros músicos, formava o famoso Trio Vagalume.



A nota pitoresca ficou por conta do discurso de abertura e boas vindas, proferido pelo deputado “Da Vitória”, reeleito para mais um mandato. Vamos combinar que o tema da música clássica não deve ser familiar para a maioria dos parlamentares, mas bem que alguém podia dar uma assessoriazinha, afinal, chamar Chopin (pronuncia-se chopân) de “chopinho” acaba despertando os humores da galera boa de bico, já não muito satisfeita visto que hoje em dia não se servem mais bebidas alcoólicas em eventos oficiais. Vão-se longe os tempos do Alamdén e do Liebfraumilch... Eita ressaca!

PRIMEIRA DAMA

A nação de produtores culturais do Espírito Santo não está em polvorosa, mas bem que deveria. Afinal um dos nomes mais cotados para suceder Juca Ferreira no Ministério da Cultura em Brasília é o do compositor mineiro Wagner Tiso. Segundo o Anselmo Góis tem até abaixo assinado circulando pela Internet para sugerir a Dilma o nome do pianista. E o que nós temos com isso? Bem, segundo sites como a Wickipedia Wagner Tiso está casado desde 2007 com uma jovem pianista aqui da nobre e esquecida terrinha do mel. Tá bom. Quer saber mais? Clique no link abaixo:


NOVA VILA VELHA

O Professor Roberto Belling encaminha convite para seminário que irá discutir políticas públicas no município de Vila Velha.

 
MÁQUINAS DO MUNDO

O “fazedor de textos” Orlando Lopes convida para o minicurso “Máquinas de mundo: como um tema se propaga nos fazeres da literatura.” O assunto foi tema de tese de doutorado do autor a partir de um poema de 1951 de Carlos Drummond de Andrade. O curso tem apenas 15 vagas e vai acontecer no IC-III na UFES nos dias 23 e 30 de novembro de 18:30 às 21:30. É target para estudantes de graduação interessados em participar de atividades de pesquisa envolvendo discussões sobre Poética em perspectiva comparada e transdisciplinar. Para maiores informações escreva para o email: ldtccletrasufes@googlegroups.com

POR DENTRO DO LIVRO DO PÓ NA UFES

No dia 23 de novembro vai ter também apresentação da palestra “Por Dentro do Livro do Pó” na qual o escritor Juca Magalhães aborda os animados anos 80 do liberou geral pós-ditadura e a trajetória meio fictícia da banda Pó de Anjo. O encontro será no EDII na UFES, a partir de 18:30 até as 20 horas, na classe do  professor Ricardo Chagas do curso de biblioteconomia, mas é aberta gratuitamente a outros participantes. Além de falar sobre o Livro do Pó, o autor - inclusive aqui da Lektra - toca também algumas canções da época e vai sortear um exemplar da obra. Para maiores informações ou agendar uma palestra em sua instituição ligue: 27 9942 9087.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

RAPIDINHAS CULTURAIS NA SEMANA DA CRIANÇA


Seguindo na sequência (ops!). Fazendo graça com a criançada quando apresentava o Festival de Coros Infantis da Serra, falei algumas vezes o bordão dos caras do Rock Gol da MTV, a saber: MENINOS E MENINAS, CRIANÇAS E CRIANÇOS! Não falei, obviamente, o famoso “kroqueten und battaten fritten”, mas a molecada riu com força enquanto os adultos acharam que era apenas burrice do apresentador. Huahuhauha!

Bom, não deu pra colocar no texto anterior, mas vamos a alguns convites:
“
O projeto "Arte sem Limites" comemora o seu 5º aniversário em 14/10/10, às 20h, no Teatro Sesi, Jardim da Penha, Vitória-ES. Você é nosso convidado especial! Para participar, é preciso confirmar presença, os ingressos são limitados a 300 lugares. No dia do evento, serão distribuídos ingressos com 1 hora de antecedência, com entrada franca. Segue o Banner do Evento:



O Projeto Vale Música vai comemorar também 10 anos de muito trabalho em prol das crianças com a apresentação de um espetáculo inédito no dia 12 de outubro no teatro da UFES, para maiores informações clique no link do site da Phylarmonia que está inclusive com uma rádio que conta com o apoio do projeto Vale Música:

http://www.phylarmonia.art.br/11.html

E nesta quinta feira estarei com minha palestra "Por Dentro do Livro do Pó" na escola Dom João Batista em André Carloni na Serra. É muito bom poder falar de meu livro para o público infanto-juvenil e despertar neles os valores (e os calores) do resgate e da preservação de nossa história. Em minha palestra falo das dores e das delícias do fazer musical tentando desmistificar um pouco desse ranço de FAMA e de CELEBRIDADES que envolvem a coisa e que o SUCESSO é uma junção de talento, preparação e oportunidade. O problema é que o pacote completo nem sempre aparece para todos...

SE LIGA ENTÃO:
Por dentro do Livro do Pó
Palestra de Juca Magalhães
Dia 14 de Outubro de 2010 - 08 horas
Escola Estadual Dom João Batista da Motta Albuquerque.
André Carlone, Serra. (Atrás do DPJ).

domingo, 5 de setembro de 2010

CENAS EXCLUÍDAS DO LIVRO DO PÓ: ZECA É O REI DA NOITE!

Antes de ler, coloque pra tocar a música "Hide In Your Shell" do album "Paris" da banda Supertramp. E bon voyage...


Brumosas noites do passado, histórias que o tempo conta, distantes e difusas como lembranças de sonhos pela manhã. Coisa velha, velharia, Supertramp, banda do que se convencionou chamar Rock Progressivo; um movimento dos anos setenta que tinha a pretensão de fundir a música dita “clássica” com roquenrou numa linguagem grandiloqüente de longos solos virtuosísticos.


Bon soir Paris! – Essa frase abria o concerto mais famoso que fizeram aqueles branquelos com cara de cervejeiros do Supertramp, reunia o que tinham feito de melhor até então, mesmo porque dali pra frente não haveriam de fazer mais grandes coisas. Paris era um álbum duplo - dois discos de vinil - simplesmente delicioso de se ouvir.


Zeca era um jovem aprendiz de feiticeiro, escamoteava a timidez e a insegurança atrás de um verniz de bad boy, com o tempo a fama de mau iria grudar em suas costas e seria difícil remover seus resquícios indesejáveis. Naquela noite foi parar numa festa sem poder precisar bem como, isso era comum de acontecer. Talvez o Turco o tenha levado, aquele narigudo irresponsável... Não sei.


- Não tem que ter convite pra entrar não Turco?


- Relaxa rapá, que eu dou um jeitinho de te colocar pra dentro...


A festinha estava acontecendo no salão de festas do prédio que o cara morava, bem perto, aliás, de onde ficava a danceteria New Wave do Véio Gagá. Zeca achou-se satisfeito quando entraram sem nenhum problema para um salão com várias garotas bonitas, destas botou logo mau olhado numa morena de parar o trânsito.


- Turco, me belisca preu ver se eu tô mesmo acordado. Que gata é aquela meu irmão? - Estavam no barzinho atrás de uma cerveja. O rapaz se voltou meio aborrecido, não conseguia a atenção de ninguém nem “molhar o bico” como queria.


- Qual gata?


- Aquela morena ali! – O narigudo ficou ainda mais aborrecido.


- Porra Zeca num vem com estória não que essa aí é minha irmã cara.


- Sua irmã? Me apresenta então rapá!


Turco fechou a cara e passou a fugir da situação que nem o diabo da cruz, pra não arrumar encrenca o maluco ficou quieto, mas não desgrudava os olhos da caça. Tentando chamar atenção para si inventou de distribuir cortesias da New Wave, só não tinha convites na mão, coisa fácil de resolver já que a danceteria ficava quase ao lado. Enquanto isso a molecada resolveu fazer a eleição do rei e da rainha da noite, por mais boboca que essa idéia possa hoje parecer. Zeca muito animado perguntou pro amigo emburrado qual o nome de sua irmã, votou nela e saiu que nem um doido atrás de por em prática o plano de rebocar parte daquela festa caretinha pro seu terreiro.


Um tremendo burburinho percorria o salão quando o menino voltou, tinham desligado o som e estavam para anunciar o casal de vencedores. Os convidados fizeram um grande círculo e no meio duas mocinhas aparentemente excitadas por serem o centro das atenções empunhavam uns papéis. Após um pequeno e deslumbrado discurso introdutório partiram para o anúncio do casal escolhido, começando pela Rainha da Noite:


- A vencedora é Mariana! – Um fuzuê tomou conta dos convivas e a bela morena, entre sorrisos constrangidos e acenos de rainha, destacou-se da multidão.


- Num falei Turco! Num falei! Tua irmã é a maior gata rapá, eu sabia que era ela quem ia ganhar!



- A moça caminhou até o meio do salão onde recebeu a faixa e uma tiara dourada de papelão e celofane. Após pagar o mico fez menção de escapulir, mas foi impedida pela produção, afinal sua majestade precisava ainda saber o nome do futuro Rei com quem dividiria as honras daquela noite.


- E o vencedor é... - A garota olhava confusa os papéis com o resultado da votação, discutia com as outras, até que falou e disse: - Gente o vencedor é um cara que a gente não sabe o nome, ele é um rapaz moreno que está vestindo uma camisa quadriculada! - Zeca estava tão distraído que ficou olhando ao redor até se dar conta que todos olhavam para sua própria cara de pastel! O vencedor não era outro senão ele mesmo, como tinha entrado de penetra e ninguém o conhecia foi votado pela roupa que vestia. Após se dar conta da vitória abriu um sorriso de pop star e caminhou confiado até o centro das atenções.


As meninas o receberam com salamaleques juvenis colocando uma pequena coroa em sua cabeça. Nosso amigo, por sua vez, não desgrudava os olhos de sua Rainha Mariana, finalmente tão pertinho de sua presença, mas a melhor notícia ainda estava por vir:


- E agora o casal vencedor vai dançar uma música lenta juntos! - Naquela época costumavam chamar as canções românticas de “música lenta”. E a música começou lenta mesmo, era Hide In Your Shell do Supertramp, o rapaz a reconheceu desde os primeiros compassos, a gravação ao vivo em Paris. Zeca amava muito aquela canção.


As luzes se apagaram e os dois se abraçaram, o cantor do Supertramp ditava conselhos em falsete para os que sofrem as agruras da solidão e da desilusão com o amor. O som foi crescendo, os corpos se estreitaram com intimidade como se tivessem assumido uma espécie de vontade própria, como peças feitas para se encaixar em um daqueles quebra cabeças que a natureza humana arma para encher o mundo de gente. O resto do salão estava às escuras, ninguém mais dançava, aquele momento era só deles.


Zeca afastou um pouco o rosto para falar alguma coisa, talvez pra dizer que aquela era sua canção predileta, encontrou os olhos da moça numa surda expectativa, seus lábios entreabertos, sua respiração em suspensão - acaba que não disse nada. O Supertramp atacava com tudo: teclados, baixo, bateria, guitarra e vocais de apoio. O passo seguinte foi automático, logical, o Rei e a Rainha diluíram-se num longo e apaixonado beijo daqueles que só parecem de verdade no cinema, a galera veio abaixo - menos o Turco emburrado - parecia gol em final de campeonato...


Como diria o Grilo Falante citando Vinícius de Moraes “a vida é a arte do encontro, apesar de tantos desencontros”, nem adianta tentar entender o moral dessa história. Esse bem que poderia ter sido o grande amor da vida de Zeca, mas acaba que não foi: depois dessa noite o rapaz nunca mais voltaria a se encontrar com Mariana. Talvez em alguma ocasião muito fugaz, casada com um antigo bonitão dos tempos do ginásio, grávida já do segundo neném. O que são essas memórias hoje? Histórias que o tempo conta, distantes e difusas como lembranças de sonhos pela manhã...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CENAS EXCLUÍDAS DO LIVRO DO PÓ: INTERMEZZO

Antes de prosseguir com mais um causo dos que ficaram de fora do Livro do Pó vou sapecar umas rapidinhas culturais bacanas porque elas me chegam a todo momento - e eu acho isso muito bom – de modis (saravá Muçum!) que a gente tem que fazer a nossa parte pela “cenalocal” botocuda. Então:


O Bar sinuca “Bola da Vez” está dando início a um projeto maneiro chamado “O Som da Vez”, convidando na estréia o músico Sandro Castro, velho conhecido da galera anos 80. No repertório rolam canções de várias vertentes: do rock ao pop, do blues ao folk, MPB e regionais e outros bichos. Some-se a isso a já tradicional jogatina de sinuca e o imperdível tira gosto feito pela Tia...


Resumão Elektrônico

Projeto O Som da Vez com Sandro Castro

02 de setembro (quinta) 21 hs.

Local: Bar e Sinuca Bola da Vez.

Endereço de capixaba: Av. Hugo viola em Jardim da penha, na rua do Extra Bom, moleza!!!



O companheiro Maurilen Cruz (Gallerani essa sua banda toca róqui?) repassando também um convite para o espetáculo teatral “Os Mendigos e o Pato do Imperador”, que tem texto e direção de Rodrigo Paouto. A peça será estrelada pela Trupe Teatral “Iá... Pocô!” e a parada vai rolar nos próximos dias 4 e 5 de setembro, no Theatro Carlos Gomes.


O grupo deu seus primeiros passos na cidade de Aracruz por volta de 2005, estreando em Vitória em meados do ano passado, tem o objetivo de fortalecer o Teatro em particular e a Cultura em geral, deixando arte, alegria e felicidade por onde passar. O Iá... Pocô tem um blog muito legal que pode ser acessado no seguinte link http://trupeiapoco.blogspot.com/ Visitem, apóiem e participem...



Antes de postar outra cena deletada do Livro do Pó, quero explicar que são histórias descartadas numa tentativa de descentralizar a pegação da mulherada no personagem do Zeca. Apesar de não ser uma obra tão séria assim, O Livro do Pó não era para se prestar a essas aventuras rocambolescas e perigava descambar em uma espécie de Memórias do Casanova ou Don Juan Botocudo. Outras tentativas tiveram melhor êxito e ficaram no livro como foi o caso da garota “já quero ir” de Guriri, passagem que, aliás, rendeu comentários desiludidos de uma garota do passado de um dos personagens, que não conseguiu separar fantasia de realidade... Mas, no final das contas, quem de nós é esse que consegue?