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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Artistas, poetas, escritores se despedem de Molga – Maria Olga Setúbal Bussolotti

Reportagem originalmente publicada no blog Don Oleare


Por Andra Valadares,
da Academia De letras Humberto de Campos


Infelizmente, tenho de dar uma notícia muito triste, acabei de saber que nossa Acadêmica MOLGA faleceu nesta quarta à tarde. O sepultamento será nesta quinta 16, no Cemitério Parque da Paz em Ponta da Fruta às 11 horas da manhã.

Maria Olga Setúbal Bussolot
Maria Olga Setúbal Bussolotti (Molga). Artista plástica em pintura e desenho, nascida em Vila Velha aos 01/03/1933. Licenciada em desenho pela FAFI (Faculdade de Filosofia da UFES) e também formada em Artes Aplicadas e Artes Plásticas pela EBA (Escola de Belas Artes do ES). Vencedora de prêmios nacionais e internacionais, participou de várias exposições no Estado, em todo Brasil e no exterior.

Foi Diretora do Museu e Ateliê Homero Massena, fez parte da Câmara de Artes Plásticas, Conselho Municipal de Cultura da Galeria Eugênio Pacheco de Queiroz (Vila Velha/ES), foi também coordenadora do Museu Etnográfico de Vila Velha e da Galeria Eugênio Pacheco de Queiroz.

No ano de 2005, publicou o livro de poemas ENTRELAÇO (Arte – Literatura), que foi ilustrado com fotos de algumas de suas pinturas. Membro da Academia de Letras Humberto de Campos.

VIDA, SEMPRE VIDA!
Movimento nas águas,
seres e plantas
se agitam,
abrigando docemente
toda uma riqueza borbulhante,
abaixo da superfície
infinita!…

Palpitante,
no seu bailado incessante
as águas levam e trazem…
Toda e qualquer forma
que, pelo arrastar das correntes,
deixa-se levar,
num frenesi de amor,
enroscando-se em cores,
elevando-se em valor!…

Vida, sempre vida,
cumprindo seu papel
indiferente às agressões
sem nunca se abater…
Maré alta, maré baixa,
nada disso importa,
quando a vida se renova
a cada instante,
é o que conta,
É o que nos conforta!

terça-feira, 28 de junho de 2011

OS QUE SÃO SELVAGENS SEMPRE O ALCANÇAM


Tem amigos que acontece de nos deixar em pleno feriado nacional. Parece que querem aproveitar a pausa. Foi assim com o pianista Josué Louzada que se foi numa semana santa, meu querido professor de artimanhas das oitenta e oito teclas. Vladimir Horowitz conta que um ator o escreveu mencionando o número de teclas do piano e ele não entendeu, pensou que fosse alguma buate. Sua filha perguntou surpresa: “papai você não sabe quantas teclas o piano tem?” Ele respondeu de maneira divertida: “Ora, eu nunca contei”.

Nesse último feriado um outro desses meninos rebeldes e selvagens nos deixou. Um cara que tinha essa coisa da simplicidade profunda e da opção temerária de viver de acordo com suas próprias regras.

Marcão Lima foi uma figura importante para os roqueiros de Vitória, nos anos oitenta representava no Espírito Santo a conhecida gravadora CBS, tinha uma boa visão do mercado e estava por dentro de muita coisa que acontecia naquele universo que todos ansiavam por freqüentar. Em sua casa tinha uma sala com grandes estantes abarrotadas de discos que eram compartilhados a título de “dever de casa” e vinham com um carimbo de amostra invendável ou algo do gênero.   

Visto que todos compatilhávamos de uma obrigatória porralouquice selvagem, uma das maiores influências que Marcão me deixou não tem nada a ver com a música pop e foi, certamente, das mais improváveis...

Devia ser o ano de 1988 e eu estava passando uma fase dark side de arrepiar os cabelos, ia rolar na Praia do Canto uma festa “anos sessenta” para lançar uma cerveja - acho que o nome era Americana - e pedi uma jaqueta de couro emprestada ao velho mestre. Passei o fim de semana entrando e saindo de festas e bares, quando chegou o domingo eu simplesmente não me lembrava de muita coisa que tinha aprontado. Salvo alguns flashes incompreensíveis, tinha sofrido um apagão.

No domingo de noite fui devolver a jaqueta de Marcão, ele me perguntou da festa e eu não lembrava nada, fiquei perceptivelmente angustiado. O cara veio com um livro de capa amarela e disse para mim daquele jeito engraçado dele: “Juquêlho! Abre aí em qualquer página e lê”. Não consegui mais desgrudar daquele livro, depois vieram outros e outros. Foi o início de um longo período de busca interior que passei e que culminou com a descoberta de uma escola espiritual de mistérios, o conjunto da experiência, por sinal, renderia também um bom livro do gênero.

Em plena quinta-feira do feriadão de Corpus Christi nos reunimos em torno do Marcão pela última vez. Alguns de nós ostentando cabelos brancos, outros já sem tantos cabelos, alguns mais barrigudos outros do mesmo jeito de sempre. Alguns cobrando o sumiço, outros querendo montar novas bandas. Trifin intimou o Renso para fazer guitarra, hoje um pacato pai de família, o amigo escorregou dizendo que ia dar um apoio moral, aproveitando falei que iria também só que para dar um Apoio Imoral. E fomos assim, como era o Marcão, fazendo piada até os aplausos que hoje encerram esses momentos de despedida que a vida nos enfia de goela abaixo.  

Só para quem ficou curioso, o livro que o Marcão me aplicou é intitulado “Tantra: A Suprema Compreensão” de autoria do guru Rajneesh que está aqui do meu lado olhando para mim (não o guru, mas o livro). Então vou fazer de novo aquela experiência, abrir ao acaso e compartilhar o que rolar com vocês:

“A vida é selvagem.
O amor é selvagem.
E Deus é absolutamente selvagem.
Ele jamais entrará nos teus jardins, porque são demasiadamente humanos. Ele não irá às tuas casas, pois são demasiadamente pequenas. Ele jamais será encontrado em teus caminhos canalizados. Ele é selvagem.”

“Lembra-te: Tantra diz que a vida é selvagem. Temos de viver entre todos os perigos, entre todos os riscos – e é belo, porque nisso há aventura. Não tente fazer da tua vida um esquema fixo; deixa que ela tome seu próprio curso. Aceita tudo, transcende a dualidade através da aceitação, permite que a vida tome seu próprio curso – e chegarás, com toda certeza chegarás. Esse “toda certeza” eu digo não para tornar-te seguro, mas porque é um fato; eis por que o digo. Não é a tua certeza de segurança. Os que são selvagens sempre o alcançam.”

“Transitório é este mundo:
Como fantasmas e sonhos, ele não tem substância alguma.
Renuncia a ele e abandona teus iguais,
Corta os laços da luxúria e do ódio,
E medita em bosques e montanhas.
Se, sem esforço,
Permaneceres desprendidamente em estado natural,
Logo Mahamudra alcançarás
E obterás a não-obtenção, o não-aquisitivo.”

Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho.

sábado, 9 de abril de 2011

NOSSO ADEUS A JOSÉ OSVALDO BERGI


Faleceu na manhã de hoje (09/04/2011) o advogado tributarista José Osvaldo Bergi, vítima de um câncer contra o qual lutava fazia algum tempo. Incentivador da cultura e das causas humanitárias, Doutor Bergi, como era conhecido, foi, entre outras coisas, sócio fundador da Bergi Advocacia, membro do Conselho Estadual de Recursos Fiscais do Estado do Espírito Santo (1973/76), do CRC-ES (1972/75 e 2004/07), do Grupo Executivo para Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo - GERES (1983/86), do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente - CONCAV (2008/10).

Bergi foi especialmente fundador e Presidente do Instituto João XXIII, uma organização sem fins econômicos que desde 1999 promove diversos projetos sócio/culturais e agora esportivos contemplando as regiões de Itararé, Consolação e bairros adjacentes, na capital do Espírito Santo. O trabalho do instituto começou com um pequeno coral, vingou e cresceu na pequena sede de Itararé, até inaugurar no final do ano passado um verdadeiro centro cultural, no bairro de Consolação.

O legado de José Osvaldo Bergi vai continuar através do trabalho realizado pelo Instituto João XXIII, mas, sobretudo e muito especialmente, na profunda mudança positiva que conferiu à vida de inúmeras crianças até então sem a menor possibilidade de complementar seus estudos com uma introdução às artes. Aquelas crianças, muitas hoje saindo da adolescência, têm hoje um futuro muito melhor, têm uma escolha que antes não tinham e que muitas ainda não têm.

Que a vida de José Osvaldo Bergi, sua dedicação ao próximo, seu altruísmo, sirva de modelo, de exemplo e de inspiração para outras pessoas de bem de nossa sociedade, que não se contentam em apreciar a vida confortável que o sucesso profissional proporcionou, mas procuram uma maneira de retribuir a boa fortuna que Deus lhes deu. Se todos os grandes advogados, empresários e políticos fizessem um terço do que o Bergi fez, viveríamos em um mundo muito melhor, talvez aquele mundo fraterno que todos sonhamos em viver.

O sepultamento acontecerá hoje (09/04/2011) no cemitério Jardim da Paz em Laranjeiras, às 16:30. Vamos prestar a nossa última homenagem a esse amigo sincero, esse íntegro e valoroso integrante da comunidade capixaba.