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sábado, 24 de maio de 2014

QUEM NASCE ZÉ NÃO MORRE JOHNNY



“A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”.

Aldous Huxley – catado no Facebook do Grilo Falante

Li um artigo criticando a atual onda radical conservadora de alguns velhos representantes do BRock, como Lobão, Roger do “Ultraje a Rigor” e agora os Titãs. Contrariamente ao cara que escreveu, não vi razão pra surpresa, muito menos para indignação. Quem nasceu rebelde sem calça não haveria de morrer fazendo algum rastro de sentido, ou haveria? Quem viveu – muitos deles ainda vivem - sob a égide hedonista da máxima “drogas, sexo e roquerou”, não pode querer dar a doida do avesso e clamar pela volta da ditadura? Não só pode, como suspeito que precise. Em tempo: para que serve a liberdade se não sabemos o que fazer de nossa vida?

Os que estão prontos – e muito provavelmente ávidos - para o linchamento estético e moral dos nossos velhos roqueiros não podem esquecer que o artista popular é uma antena que capta e destila versões elaboradas – na maioria das vezes nem tanto - do senso comum; enquanto os que vão contra as verdades estabelecidas patinem em uma “impopularidade” acadêmica. Eis um dos principais dramas da sociedade, a “verdade verdadeira” – ou mesmo a música verdadeira - sempre existiu e circula livremente por aí, só que ninguém dá a menor pelota. Digo “sempre” num sentido figurado, mas dessa verdade já se fala no Mito da Caverna de Platão...

Isso tudo pode nos remeter, ou não, a um artigo meio “mea culpa” em que o maestro Julio Medaglia descreve seu desalento com o fim do sonho de igualdade social comunista que acalentara em alguma altura da vida. Lamentou o fato dos revolucionários bolcheviques não terem liderado o capitalismo, disse que com sua notória incompetência até este dariam um jeito de fazer naufragar. Talvez por isso, maestro, Elvis Presley sempre teve muito mais imitadores do que Igor Stravinsky. A liberdade tem um preço, dizem ser a eterna vigilância. Ora, babe, “ignorance is bliss”, Grace Gianoukas devia ter uma pitada de razão ao reclamar que “ser intelectual dói!”.

Enquanto isso tudo borbulhava no caldeirão da Madame Min, o site do IG anuncia uma pesquisa entregando que a maioria da população é contra a liberação da maconha. Opinião considerada careta e “baixo astral” por qualquer militante do rock cioso de sua “maluquez”. É também contraditória, porque em outro lugar li que esse mesmo povinho brazuca nunca viveu tão entupido de calmantes como o Rivotril. E, não bastasse o torpor farmacêutico, andou-se também divulgando que estamos entre os vinte maiores consumidores de cerveja do mundo... Pelo menos isso e fora todo o resto... Aliás, o Véio Gagá sempre dizia que “o resto é que é o bom”.

Talvez as posições cambiantes e incongruentes dos roqueiros - ora rebelados contra “o sistema”, ora defendendo a volta da ditadura - tenham a ver com as teorias da sociedade líquida de Zygmunt Baum, talvez não. A verdade é que a grande maioria das pessoas é imediatista e prática em suas relações, inclusive aquelas de caráter político e partidário. A mentira tem pernas curtas e a memória também, prova disso é que a classe média já se iludiu com os militares uma vez e agora flerta com esse “recordar é viver”. Talvez as cadeias invisíveis tragam não só a insônia, mas os pesadelos. Se não incomodasse alguma coisa dentro doida o que seria então?

Na pseudo-invisibilidade da Internet muita gente adota posições veementes, pessoas amáveis e inteligentes que admiro, adotam posições públicas bastante duras, fazem críticas como fossem neo-revolucionários, ecos de outros cacarecos. Por que será que não questionam esse impulso como um produto destilado do inconsciente coletivo? Talvez, por isso, seja possível encontrar evidências de que a atual moda de linchamentos tenha começado a se espalhar no mundo virtual. É preciso dizer o diabo de quem não se conhece, aliás, é preciso eleger um diabo e depois o destruir. O problema é que o diabo não existe, mas maioria das pessoas acredita nele e vivenciam uma espécie de retorno do misticismo da idade média.

Para aqueles cujos heróis morreram de overdose, sobreviver é querer entender o mundo, não conseguir e então reclamar que nada nunca fez sentido. Então sentem sua postura como uma forma de inteligência e esta é reconhecida e reforçada por muitas pessoas. Talvez o que incomode nessa postura não seja a falta de questionamento, mas a falta de sentido. Outra antiga proposição, igualmente sem resposta. Então, pelo menos para um número bem grande de internautas, é muito mais fácil por a culpa de suas frustrações nos outros, atualmente na Presidente do Brasil e em seu partido. Esse papel já foi de muitos outros, inclusive dos militares. É um círculo vicioso riscado na água, breve descobrirmos de verdade qual é o daquele “imagina na Copa”... E então? E então nada.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

NOVA MINISTRA DA CULTURA "IN THE HOUSE"...


A redação da Letra Elektrônica acaba de ser informada que a sexóloga Marta Suplicy é a nova Ministra da Cultura! OH Yeah! Nós temos bananas! Afinal sexo também é cultura, mulher é cultura, avicultura é outra coisa. Os artistas estão enfurecidos, chegaram ao ponto de conclamar a volta de Gilberto Gil (Cadê o Lobão nessas horas!?).


Outros especulam conchavos políticos pelo apoio de La Suplicy à campanha sei-lá-de-quem em São Paulo.  Vivemos no país da fofoca e do nonsense como revelam as mais recentes tuitadas...

Filosofando Nelson Rodrigues nos tempos atuais...
“É meu defeito, eu bebo mesmo, beijo mesmo, pego mesmo, estupro mesmo, bato mesmo, escondo o corpo mesmo.”

Tem uma pra ser investigada pelo delegado Fabirato Contarano...
“Vocês falando que 11 de setembro foi ataque terrorista bla bla bla. Eu só acho que o piloto tava bêbado e errou o caminho, acontece.”

Essa tem a ver com o consumo da marvada e é uma constatação alarmante...
“Vivemos em um país que a cerveja está mais cara que a multa por não votar.”

Uma para os que estão encucados com o tempo, hein Berry....
“É muito maluco envelhecer. Outro dia me peguei comentando assim com uma amiga: é um ótimo chuveiro, quero comprar um chuveiro desses”

Tem uma tuitada maldosa que vai nos remeter novamente à Ministra Supla-cy...
“Nicole Bahls conversa com as galinhas enquanto cuida da área das aves… Pensei que o contato com a família fosse proibido...”

A gente é doido pra tudo, inclusive pra de quando em vez assistir aos programas da atual temporada do "Ídolos" e o Supla faz parte do júri (É!), junto com Fafá de Belém e um cara menstruado lá que parece ter se habilitado e pós-graduado em ser otário. Não sei e nem quero saber o nome, quero me concentrar no Papito.

Depois aturar uma revoada interminável de cantores sertanejos Supla se ouriçou todo quando viu entrar um cabra “montado” meio de Marylin Manson com pitadas de Lady Gaga e sabe-o-diabo-o-quê da estética Rocker, o “cantor” paulistano achou que ia limpar os ouvidos. Quando o menino - sei lá se era - anunciou que ia cantar sertanejo o filho de nossa ministra endoidou, disse que era roubo da estética do Rock, maió absurdo ahê!

Bom, aí nesse episódio tem várias coisas. Primeiro que o Supla não pode falar de ninguém roubar nada não, porque ele mesmo chupou descaradamente o visual punk de boutique do cantor Billy Idol lá nos anos oitenta e o adota até agora. Abaixo comparação encontrada pela Internet...

Hummm, midle finger "in the house"...
Segundo: qual o problema do cara se vestir de Carmem Miranda e cantar Papai Noel Filho da Fruta? O que separa uma boa sacada de uma tremenda pieguice é sempre a intenção. Num programa cruel como esse tal de Ídolos, no qual se atiram bemóis e sustenidos para todos os lados e a mediocridade é duramente exposta à capela, depois tripudiada com sarcasmo e, muitas vezes também, incompreensivelmente incensada; num programa em que jovens aspirantes a cantores são humilhados frivolamente para diversão de algumas pessoas e captar audiência... PORRA SUPLA VOCÊ QUERIA O QUÊ?

A regra número um para a criação artística é não ter regra, mas, como já dito em textos passados, para subverter ou mesmo abandonar essas regras é necessário conhecê-las. Deliberadamente abrir mão de utilizar uma ferramenta, técnica ou artifício é uma coisa; agora, querer criar algo novo dentro de um universo estético sem saber nada dele seria como escrever versos imaginários na linguagem dos alienígenas, publicar o livro e esperar o Prêmio Jabuti.

Como já dito também, os estereótipos e as estéticas artísticas – embora não sejam a mesma coisa - estão se mesclando e miscigenando cada vez mais rápido e ao resultado desse angu se dá o nome de “novidade”. Como “artista” que é Supla bem que deveria saber ou pelo menos intuir desses movimentos e descer de seu pedestal de representante do rock - embora eu até goste de algumas músicas da banda Tokyo – e se enxergar como é e pelo que é: uma figura curiosa do passado e: o filho da atual Ministra da Cultura de nosso país... 

Mandou bem hein Dona Dilma... Not!

http://megamagalhaes.blogspot.com