sábado, 12 de março de 2016
AUDÁCIA DA PILOMBETA!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
QUINTETO DE VIOLÕES NO SOL DA TERRA!
Falando nisso lembrei duma piada que me contaram sobre o doutor Marco Ortiz, proprietário do restaurante, que não sei se é verdade. Essa figuraça do meio podicrer local de vez em quando protagoniza algumas lendas urbanas, a história é a seguinte:
Nessa onda natureba Marcão e a esposa colocaram uma pá de filhos no mundo, hoje os meninos já estão grandes, alguns até trabalham no restaurante. Diz-se então que um dia estava a mulecada toda reunida tocando o zaralho na pequena rua em frente ao Sol da Terra, pontinho maneiro no centro da ilha, pertinho do parque Gruta da Onça. Marcão, curtindo a confusão, se misturou com os meninos e trocou idéia numa bôa, quando não voltou a ser criança: em pouco tempo sentia como se tivesse novamente quinze anos. Lá pelas tantas um dos guris, a fim de elogiar sua desenvoltura - certamente diferente da maioria dos adultos, comentou:
- Pô seu Marcão, o senhor até que é um coroa gente boa hein? - Mal despejado do mundo dos sonhos juvenis e acostumado a apertar o calo dos outros, o célebre mago retrucou à altura, no ponto onde a nóia fala mais alto à essa faixa etária:
- Qualé mermão, quê coroa o quê? Eu tenho idade pra ser teu namorado rapá!

domingo, 13 de junho de 2010
PARA ENTRAR NOS ANAIS DA HISTÓRIA... NOT!
Daí que eu, que não sou mão boba nem nada, assisto de vez em quando ao Pânico na TV. Acho relaxante aquelas Panicats sorridentes e rebolativas, parece que têm Mal de Parkinson na buzanfa, é o mesmo efeito de ficar olhando para peixinho no aquário. Mas o que eu queria comentar era sobre a vinda aqui nas terras Botocudas do humorista desse programa de gosto assaz duvidoso, o Christian Pior, aquela bicha má! Sabe quanto é o ingresso cidadão? Cinquenta paus! Cinquentinha na promoção, aproveita e leva a patroa junto.
Não dá, né? Eu não pago. Não é nem desmerecendo o trabalho do “artista”, é que eu acho mais importante valorizar o investimento de meu rico dinheirinho. Olha, no início do ano veio aqui o Marcelo Mansfield, um super humorista, o famoso “Seu Merda” da Terça Insana. Sabe quanto era a entrada? Dez Reais. Não bastava esse outro do Pânico ser uma opção “Pior”, tinha que ser cinco vezes mais onerosa? Simplesmente não faz sentido. Só faltava trazer de novo aqueles dois malas pra ficar gritando Antoooonio Nunes na Praia da Costa e dizendo a todo momento que estavam em Vitória. Huauhauhauha!
Bom falando em humoristas, gays e comédias, estreou ou está para estrear o novo filme do Jim Carrey, película que aqui no Brasil ganhou o título de O Golpista do Ano. Curioso porque dois anos atrás (olha a cocofonia) Estava em cartaz um filme semelhante com Richard Gere que tinha o título de O Vigarista do Ano. Não entendi nada, o título original é “Eu Te Amo Phillip Morris”, mas como é uma história gay, pode ser que os tradutores estivessem tentando fazer uma piadinha de mau gosto, ou dando uma forcinha para os produtores de filmes pornôs: O Vigarista do Anus, ou algo que o valha...
É uma comédia de humor negro que em todo momento periga descambar pro drama e fica assim “no vai e vem dos seus quadris”. Tem muitas cu-curiosidades nessa história, mas uma das principais para nossotros patropis fica por conta da presença de Rodrigo Santoro no elenco, dessa vez falando algumas frases inteiras, soltando até palavrão (fuck!). Certamente escalaram o rapaz por sua brilhante (not) participação em Carandiru como um travesti, quem aí não se recorda?
Enfim, estejam avisados. O Golpista do Anus é muito engraçado para quem tem espírito para a coisa... E tire as crianças de perto da televisão... Se bem que, hoje em dia... Se bobear, não é? Panus rápido! Alôka!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O ESPÍRITO É SANTO E NÃO ESPÍRITO, SANTA...
Recebo texto pela Internet de uma pessoa indignada com uma Lei que periga ser aprovada, tornando crime a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Brasil, semelhante à Lei que já existe (e funciona) contra o preconceito racial. Pelo que entendi do email os mais revoltados com a idéia seriam os pastores evangélicos ante a perspectiva de não mais poder pregar abertamente contra as práticas homossexuais e com a tal mensagem tentavam dar início a um movimento para impedir a aprovação da Lei.
Passado tanto tempo, me pergunto o que um homem como o Jesus, que por aqui muitos demonstram supor conhecer, diria dessa revolta em favor do preconceito de verbo rasgado, gritado em auto-falantes no centro e nas periferias. Será que ele estaria sentado lá no primeiro banco do templo gritando “aleluia”? Ou será que se voltaria para os pregadores, hoje fiéis representantes de sua palavra, e calmamente diria: “Aquele que não tiver pecado em seu coração que atire a primeira pedra.”?
Com tantos desafios sociais nesse mundo de asfalto e cimento que escolhemos viver, nesse calor infernal de carros e xatomóveis engarrafados, será que o amor e as demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo seria um problema tão grave como é a violência física e mental que testemunhamos todos os dias e à qual vivemos submetidos ou o caos insano da saúde pública, constrangendo pessoas doentes e acelerando sua morte e – porque não poderia faltar – a corrupção violenta que se espalhou como um câncer pelos três poderes que governam o Brasil... Nada disso até agora foi capaz de nos indignar.
Certamente é muito mais fácil e cômodo denegrir e apedrejar uma minoria que ainda sofre com a rejeição social, do que exigir a apuração desses crimes covardes de mando e de pistolagem cometidos por aqui a “bangu”, como está retratado no livro Espírito Santo de Rodney Miranda, Carlos Eduardo Lemos e Luiz Eduardo Soares. Eu estava indo para a UFES numa segunda feira de calor infernal, era final da tarde, mas horário de verão que eu detesto. Li a parte em que o pistoleiro descreve seus crimes, a filosofia do assassinato a sangue frio, coisas que gostaria de esquecer. Como pode um homem descer tão baixo?
Meu estômago embrulhou, fiquei me sentindo mal noite adentro, nem sei como consegui dar aquela aula sem ter caído duro pra trás. O livro não é nenhuma obra prima da literatura, mas como informação é realmente contundente. Nesse momento muito se discute o que ali é verdade ou não, quem é que fez o quê, porém só de olhar para aquele retrato já é o suficiente para pedir ao motorista: “Pare o mundo que eu quero descer”. Escancara algumas situações que já se falavam por aí das conexões criminosas entre todos os níveis das principais instituições sociais que todos os dias decidem os rumos de nossas vidas...
Tacar pedra na “bicharada” é moleza, quero ver fazer o que o juiz Alexandre Martins fez. Fosse o amor homossexual praticado por poderosos líderes, como nos tempos romanos ou de Alexandre o Grande, me pergunto se haveriam tantos sujeitos indignados atrás de proibir e criticar a forma que eles escolheram amar. Enquanto isso colocaram “o bode na sala” e o lobo pra tomar conta das ovelhas... É uma vergonha ter que usar da força de uma Lei para resguardar o direito de amar das pessoas! Não deveria bastar o amor incondicional dos cristãos que se estende ao próximo como a ti mesmo? Infelizmente parece que não.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
A REVANCHE DE SORAIA: PERSEGUIÇÃO - FINAL
terça-feira, 21 de julho de 2009
BOM PRA CACHORRO: PERSEGUIÇÃO - Parte II.
Foi só depois da patética tentativa de suicídio de Roberta que o coordenador geral da repartição resolveu levar a sério os chiliques da moça e aceitar seus pedidos para ser colocada à disposição em outro lugar. Soraia fez de tudo para não se ver privada do prazer de torturar diariamente seu objeto de desejo favorito, mesmo porque a infeliz caíra na real dos singelos caprichos de sua libido e passara a olhar com o mesmo nojo que criança olha um prato de buchada. Eita! Por outro lado, em sua obsessão, a bruaca caiu em desgraça junto aos demais companheiros de trabalho, especialmente seus sisudos e hipócritas superiores. Essa coisa de chefe ficar dando em cima de subalterno não teria sido bem vista nem se ela fosse homem, imaginem o desgosto em ter que lidar com essa situação constrangedora, só não foi parar direto no olho da rua porque era competente e seria difícil arrumar outra pessoa de confiança para colocar imediatamente em seu lugar. Mas sua batata foi pro forno e por lá ficou assando...
Do térreo Roberta foi parar no terceiro andar do prédio e sentiu como se estivesse realmente subindo na vida. Tudo era novidade e deslumbramento, lá em cima estava instalada uma parte da elite da repartição, logo, percebendo suas limitações intelectuais, a colocaram para atender ao telefone e tirar xerox. Foi lá que a moça se aproximou do doutor Cleofas, um cara cobiçado na parada, apesar de não ser propriamente o que se chamaria de galã. Era um homem maduro de seus quarenta e tantos anos, relativamente bem sucedido e, mais importante e melhor de tudo: recentemente separado. Roberta rapidamente sucumbiu a uma paixonite retumbante capaz de fazer inveja a qualquer virgenzinha pré-adolescente, em contrapartida era solenemente ignorada. O homem passava, muito alinhado e simpático, carregando pastas e livros jurídicos. “Ele gosta de ler!” Pensou a menina, já era uma maneira de tentar se aproximar. Enquanto isso o sujeito não dava a mínima para aqueles grandes olhos castanhos que piscavam em sua direção.
Muitos de vocês considerariam Cleofas um verdadeiro leviano, um sem vergonha completo, um safadão. A crise da meia idade o enchera de cuidados e preocupações com a imagem, tinha vergonha de ser alvo de mexericos e falatórios, especialmente no lugar em que trabalhava. Bastante observador para essas coisas mundanas, no primeiro dia que viu Roberta “se arreganhando” para seu lado, já sabia tudo o que de uma boa sacanagem podia advir daquele sorriso amigável. Porém, também sabendo da fama de complicada e destrambelhada da garota ficou com os dois pés atrás. A última coisa que queria era uma biruta dando escândalo dentro da repartição por sua causa, preferia mil vezes não comer a passar o vexame. Mas a moça entrou numa de o conquistar, fez até apostas com as novas colegas, afinal, não estava correndo sozinha no páreo.
Na sala vizinha a de Cleofas trabalhava uma desquitada chamada Sueli que era provavelmente a mais antiga interessada em passar-lhe o rodo, desde quando casado ela já arrastava a asa pra seu lado, passado o divórcio infeliz os convites para tomar uma cervejinha depois do expediente se intensificaram. Com o passar do tempo e a convivência diária ficaram mais amigos do que amantes, não era nada, mas já era algum “negócio de coisa”. Eram amigos, mas não tinham nada em comum: nada. Cleofas odiava dançar, achava ridículo tanto ver quanto se imaginar fazendo. Desconfiado aceitou o convite para ir à casa da colega comer uma pizza e tomar vinho, sua rápida passagem foi marcada pelo ataque sistemático e estrambótico de um pequeno cão chihuahua chamado Ziza que latiu, lambeu e até urinou em cima da visita. O bicho realmente fazia justiça à alcunha de batismo!
A verdade é que Cleofas rezava na cartilha do lobo mau, também escolhia suas conquistas pela idade do rebanho e nisso Roberta se encaixava direitinho. Apesar das idas e vindas infelizes, a doidinha não tinha mais que vinte anos mal vividos. Pela mesma razão, as investidas da balzaca Sueli nunca sequer fizeram cócegas no imaginário sexy do cara. Após a súbita e dolorosa separação – sua mulher fugira da cidade com o palhaço do circo - passou uma fase de pegador enferrujado e conseqüentemente patético: saiu para as noitadas, bateu com o carro doidão, deu derrame na própria conta, se apaixonou, sofreu e fez sofrer. Mas, como diria Nietzche: “o que não mata engorda!”
Roberta resolveu dar uma de ousada e abordar Cleofas diretamente. Interpretando seu hábito de ler como uma ponte entre os seres normais; resolveu oferecer emprestado - fazendo um certo ar de quem lê comumente - um exemplar do recém-lançado e sucesso absoluto “O Código da Vinci”. O estômago do homem fez reviravoltas só à visão daquela capa vermelha, símbolo de consumo inútil e alienante. Difícil explicar, mas o intelectualismo voraz de Cleofas passava longe do que se poderia considerar como up to date, as novidades não o interessavam, muito ao contrário: detestava-as. Por outro lado, aquela era para ele uma situação bastante inusitada: uma garota jovem e relativamente bonita lhe oferecendo o empréstimo assim de um livro, coisa que ele relutava em fazer aos melhores e mais confiáveis amigos; não aquele livro, evidentemente, aquela obra tinha para ele o mesmo valor de um saco de pipocas ou de um picolé derretendo na praia.
Aceitou o empréstimo sorrindo galantemente, agradecendo com gentileza à oferta, afinal, ele nada pedira e ela nem perguntara se o assunto o interessava. Tentou – e acreditou ter conseguido - não deixar transparecer nem uma ponta de todo o desprezo intelectual que aquela “literatura” despertava, alguns de seus colegas ficariam ofendidos com a oferta de algo do gênero, seria como insinuar que eram uns bundões aculturados. Para a ingênua Roberta, aquele livro era uma parada chique, uma coisa que o doutor Cleofas gostava e pronto. Claro que para ela o livro era bom, não estava todo mundo comprando e comentando? Iam até fazer um filme e parece que o Tom Hanks estaria no papel principal. Doutor Cleofas ia pagar o maior pau pra ela, aliás, era o que a moça realmente esperava...
Apesar de ser um advogado mais cioso de seu estofo intelectual do que de sua carreira propriamente dita, Cleofas acabou lendo o Código inteirinho. Dois dias em momentos de ócio ululante foi o bastante para dar cabo da história. Achou até bem escrito, ágil e movimentado como fora um filme de ação mesmo, chegou a imaginar a deliciosa afronta de tecer elogios àquela porcaria em seu meio sofisticado e esnobe. O Código ficou esquecido em cima da mesa de trabalho no meio da papelada. Sueli que estava sempre rondando o escritório do amigo viu o livro encostado e perguntou se podia o ler o que ele concordou desinteressadamente, apesar de saber muito bem que não se deve jamais emprestar coisa dos outros. Foi só depois de muito tempo cobrando a devolução que veio à tona a triste sina do best seller: o desgramado do Ziza tinha, literalmente, devorado a porra do livro!
Conclui no próximo capítulo.
domingo, 19 de julho de 2009
PERSEGUIÇÃO
Também entre os diabos há livros de duelos,
porque o autor que o fez é filho de vizinho do inferno.
Guevara, O Diabo Coxo.
O que chamava atenção em Roberta é que ela tinha grandes olhos castanhos, quando piscava parecia coisa de desenho animado japonês ou retrato de alguma cocote francesa. Não dava pra dizer que era uma garota bonita, a juventude talvez fosse sua aliada momentânea - Talvez? Muito provavelmente eu diria – Os homens mais velhos têm o costume de classificar suas conquistas apenas pela idade, não importando muito a beleza ou que possuam quaisquer outros atributos femininos desejáveis. Falam para os amigos com orgulho - “rapaz, to pegando uma menina de vinte e dois anos!” - como se só isso já bastasse pra dizer que a garota era linda, gostosa, rica e divertida. Inteligente? A maioria dos homens que conheço não consideram a inteligência feminina um pré-requisito necessário - ou mesmo desejável - para as coisas do amor, mesmo porque, como diria minha mãe: “a amizade só é possível entre iguais”.
Roberta tinha os cabelos curtos e estes eram castanho escuro e lisos, caiam para o lado de seu rosto e se limitavam à altura do pescoço, creio que chamam esse corte de Chanel. Era uma garota alta, de longas pernas, mas sua principal característica, aquela que se evidenciava logo de cara a todos, era a falta de auto-estima. Em sua juventude e relativa exuberância atraía a fina flor da escória que freqüentava a repartição em que trabalhava. Era freqüentemente assediada por “Seu” Adílio, um senhorzinho de pouco mais de meio metro, aposentado, desses que adotaram a agiotagem como passatempo. Do entorno complicado de seus cálculos financeiros, de seus pequenos olhos de ave de rapina, tudo o que ele via no mundo tinha um preço e podia ser comprado; a questão sempre se resumia a valer a pena ou não bancar a aventura. Roberta era tão tímida e rastaquera que declinou de suas investidas com vergonha ao invés de indignação, suas colegas de trabalho – porque nestes lugares onde pouco se faz e acontece, muito se comenta e fuxica - é que disseram o diabo do velho, em pouco tempo até na calçada em frente ao prédio, onde todos iam fumar, já se comentava o fato com virulência dando surgimento até a coisas que nunca aconteceram. Mas algo ainda pior estava por vir.
A chefe de Roberta se chamava Soraia e foi das que mais se indignou com o episódio envolvendo aquele agiota escroto. “Velho sem vergonha” repetia ela entre os dentes quando o sujeito aparecia, magrinho e cara de pau, para destilar suas propostas indecentes à moça. A mulher só faltava pular em seu pescoço para o esganar. Percebendo a falta de forças emocionais de sua subordinada para escapar às investidas daquele abutre, resolveu ela mesma colocar o velho pra correr proibindo a entrada de pessoas estranhas na repartição. Roberta ficou muito agradecida, passou a ver a chefe como uma espécie de anjo da guarda pessoal, logo estavam almoçando juntas todos os dias, trocando intimidades de mulher. Soraia era uma dessas mocréias sólidas e redondas, um barrilzinho que explodia com facilidade, mas com a subordinada, vítima do mundo e suas mazelas, ela era só atenção e mimos. Sempre ouvia atentamente as queixas da moça sobre o marido problemático de quem ela já se separara inúmeras vezes, o filho de três anos que sofria de alguma doença mental e depois dava conselhos maduros e opiniões que a moça considerava muito inteligentes. Carente e ingênua, passou a idolatrar a chefe, uma mulher forte que vencia terríveis tempestades com facilidade e tratava os grandes de igual para igual. Esse foi o bom período que houve entre as duas.
Como Roberta era uma moça meio apatetada, seu elástico marido vai-e-vem, um policial violento e problemático, vivia aprontando de tudo o que se possa imaginar. Chegava em casa doidarásso quebrando as poucas coisas que tinham, depois a moça descobria seus casos pela rua, sofria, chorava, levava o problema para o trabalho o que logo se tornava o principal assunto de fofocas exageradas durante semanas. Soraia aconselhava a protegida a despachar o vagabundo para sempre. “Coloca esse moleque pra correr! Tire esse encosto de sua vida menina! Você ainda é jovem e bonita, tem que arrumar coisa melhor!” Roberta chegava em casa disposta a colocar em prática os conselhos da chefe, só que na primeira vez que juntou as coisas do malandro para colocar na escada do lado de fora da casa, tomou um sacode tão violento quanto inesperado que até baixou hospital.
O barraco desta vez tinha ido longe demais, a família de Roberta – moravam todos em um pequeno prédio num bairro pobre da periferia - entrou na refrega conjugal e conseguiu espanar o policial encrenqueiro da casa onde moravam, da qual ainda falarei melhor mais a frente, ameaçando o denunciar na delegacia da mulher e o caralho a quatro. A moça estava livre de um problema, mas logo apareceu outro: o medo da solidão. Ruim com aquele traste imprestável, pior estava sendo ficar sem ele. A moça começou a alternar momentos de euforia, em que fazia inúmeras bobagens, seguidos de depressão e ressaca moral. Mais chororô no trabalho, mais exposição pública de suas mazelas pessoais, mais junto dela a chefe se achegava. Soraia oferecia o ombro à sua preferida, chamava pra dançar no Bailão do Pedro, até que um dia, depois de uma dessas noitadas, Roberta perdeu a carona e acabou dormindo na casa da grande amiga. Não vou entrar em detalhes, até porque eu não estava lá, mas no fumódromo comentava-se com muito espanto que a chefe, até então uma mulher razoavelmente considerada por todos, tinha partido pra cima de Roberta a fim de ter com ela algo que nunca nem passara pela cabeça da garota.
Como todos podem bem imaginar, depois desse dia a coisa pegou entre as duas no trabalho. Roberta tomou um pavor homofóbico da chefe e esta, quanto mais rejeitada, mais obcecada ficava em devorar aquele petisco que lenta e secretamente vinha cevando fazia meses. Que triste situação: o marido encrenqueiro, o filho doente e a amiga tarada por ela. Logo a moça mergulhou na melancolia, ao mesmo tempo em que Soraia se dava conta de que a tão desejada putaria não ia rolar jamais. Do alto do pedestal jogou então sua santinha na sarjeta; passou a perseguir implacavelmente a antiga protegida: num dia o esporro comia por causa de uma bobagem, no dia seguinte era por conta do contrário. Agora, tudo o que a moça fazia a irritava, sua própria presença melancólica e digna de pena era irritante ao extremo. Se isso fosse possível, ela mesma teria abreviado o sofrimento daquela infeliz. Enquanto isso Roberta definhava a olhos vistos, tinha muita vergonha de dizer abertamente para todos qual era a verdadeira origem de seu problema com a chefe. Quando alguém perguntava o que estava acontecendo ela balbuciava um acanhadíssimo: “nada não”. Foi por essa época que a idéia de “acabar com tudo” finalmente tomou conta de seus pensamentos tristonhos...
Pior que continua...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
UFA! UMA ANÁLISE HOMOFÓBICA DO COLUNISMO SOCIAL
política e moda com ousadia e elegância.
É o fim: Gente cheia de pudores.
O mundo enjoou de falsos moralistas. Ufa!”
Ahê, depois nóis é que é ruim velho, aliás: “eles é forte, mas nóis é ruim!” - e o meu Johnny não é Walker. Não sou muito de ler jornal aos domingos, quando quero saber de alguma coisa me penduro na Internet, ademais os cronistas que mais gosto não são publicados aqui, exceto o Agamenon, mas esse não conta. Daí que folheando um jornal local me deparei com essa nota aí - transcrita em epígrafe - numa coluna social e que me pareceu digna de algumas considerações estrambóticas; a título, obviamente, de bazófia e sedição:
É chique: - Como é comum acontecer nessas colunas o autor se coloca na posição de sugerir o que é bom ou não - gente descolada - Que porra será essa? Já ouvi falar de Retina Descolada, aliás, uma excelente banda punk local, fazia um estilo pós-congo com um moicano style na cabeça da casaca - que fala de sexo, política e moda com ousadia e elegância. - Para tudo! Stop in the name of fuck!
Como é que pode uma pessoa misturar três coisas tão diferentes como política, sexo e moda no mesmo balaio e quinto: ainda fazer isso com “ousadia e elegância”? Termos afrescalhados e idiotas, sendo que a palavra elegância caiu em desuso no último acordo ortográfico de 1990, só é usada por pessoas sérias com a intenção de tirar sarro da cara de gente pedante ou ignorante, ou ambos os dois, sem pleonasmo nem nada.
Já imaginou falar de política, sexo e moda com ousadia e elegância?
- Não, pois é isso que eu to te falando, quero me eleger deputado pra com o auxílio paletó poder comprar um terno da Hugo Boss e pegar aquela assessorinha menor de idade lá da minha comunidade!”
Ousadia do parlamentar e audácia da pilombeta! (salve Didi Mocó e o Muçum nas alturas “di fatis”). Mas fico pensando como é que se falaria de sexo com elegância... Será que as “locomotivas da sociedade” andam freqüentando Sex Shop? E se é assim, qual será o “grito da moda” nesse sentido? Dá até medo de perguntar. Imagina uma dondoca falando pra outra: deixa de ser boba menina, sexo anal é só pra gente que faz uma vez por ano! Cai matando Zoraide!
Mas continuando as considerações vem a segunda estrofe: É o fim: - Traduzindo livremente do boiolês - sem preconceitos evidentemente – ser “o fim” é uma forma bem dramática de dizer que alguma coisa é “o maior palha”! - Gente cheia de pudores. - Pudores é forte né? Quase um palavrão, simplesmente flatulento - O mundo enjoou de falsos moralistas - Se o mundo, enquanto entidade, pudesse enjoar de alguma coisa, certamente esse tipo de “jornalismo” teria a prioridade - Ufa! - Eu a-do-rei essa exclamação do final, digna de uma senhora elegante, de retina descolada, após um dia cansativo de ousadias, batendo pernas pelas botiques, botequins e cabelereiros da cidade.
É impressionante que coisas como essas sejam pensadas ainda nos dias de hoje, mais ainda que sejam ditas, imperdoável que sejam escritas e lamentável que sejam publicadas. Tá doido meu! Antes de terminar quero dizer que este texto é puramente ilustrativo e as pessoas envolvidas não condizem com a realidade, especialmente a Tia Clotildes. Não quero aqui fomentar o ciúme e a competição entre os meninos e meninas que se dedicam à nobre arte de puxar o saco dos ricos e poderosos. Em tempo: sedição quer dizer, entre outras coisas: perturbação da ordem! E ademã que eu vou em frente!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
NEM TUDO O QUE BRILHA É PURPURINA
Em todas as grandes inaugurações é a mesma coisa: o povo fica ansioso por estar perto do Prefeito, dar aquela puxadinha de saco básica; pedir, pedir e pedir. Lá no meio da muvuca estava uma senhora não muito distinta, tentando sem sucesso se aproximar do mandatário municipal, sei lá qual era a sua verdadeira intenção.
A cerimônia começou com as autoridades se postando em um lugar de destaque e a mulher resolveu, no seu projeto de se aproximar do Prefeito, jogar seu charme pra cima do circunspeto apresentador...
- Escuta aqui. Você não está lembrando de mim não é?
- (o apresentador faz uma expressão séria e desinteressada) Não minha senhora, eu não estou lembrado.
- Poxa vida hein... Então, quer dizer que é assim é?
- (lentamente o homem desvia os olhos do roteiro da cerimônia e fita a mulher por cima dos oclinhos de leitura) – Assim como minha senhora?
- (colocando as mãos na cintura) Vai dizer que você não está me reconhecendo...
- (voltando a fitar o roteiro o apresentador responde laconicamente) – Não minha senhora, não estou te reconhecendo. Aliás, eu tenho certeza absoluta que não a conheço.
- Ah é, é? Já esqueceu daquela noitada no barzinho e depois no motel é? (o apresentador agora a olha lívido, sem acreditar) A gente já saiu e coisa e tal e agora você faz que nem me conhece é? Como assim?
- (Dessa vez a biba perde o rebolado, aquilo, afinal, era uma afronta à sua evidente feminilidade) – Não minha senhora, eu não esqueci dessa noite não. E quer saber por quê? Porque ela nunca existiu.
- Ah não é? Pois sim...
- Não minha senhora nunca existiu não e quer saber por quê? Porque eu sou viado, viado entendeu? Vê-i-Aia-dodô. Bicha! Tá legal?!!!
Esse mesmo apresentador comandava a festa de entrega da pavimentação de umas ruas em que fazia discurso um vereador local, super fanho, que além de ter arrancado alguns dentes naquela tarde ainda insistiu em fazer uso da palavra.
- Enfão minha fênte, éfa óba é múuto portante, mas muuuto portante mefmo. Puquê ela é toda feita no boquete, que é mil vefes milhóm que afalto. O boquete, ele fafilita a água efcoar e o afalto causa alagamento. Eu gostei mesmo defa oba, puquê enxeu tudo aí de boquete, mas colocaru uns cem mil boquete de cima embaxo!
No canto do palco o apresentador segreda aos mais próximos:
- Ái meu Deus, não precisa cem mil não: com unzinho só eu já estava satisfeita!
domingo, 14 de setembro de 2008
ANÁLISE HOMOFÓBICA DA MÚSICA BREGANEJA
A primeira mensagem era refinada, escrita pelo Veríssimo, comparando a música dita ruim com as drogas, muitos de vocês devem ter recebido esse email. A segunda é sobre os astros brazucas precocemente excluídos da face da terra: Cazuza, Os Mamonas, Renato Russo, Cássia Eller, Raul Seixas, enfim, uma galera, supostamente do bem fazer musical. E que, por outro lado, os pagodeiros, axézeiros (sic) e breganejos continuam por aí esbanjando saúde e ocupando o espaço auricular de qualquer um que se aventure a dar o beiço pelas noitadas... Com esse eu já não concordei muito, afinal:
O parceiro do Daniel morreu (não sei quem era, mas tinha) deixando a biba solta em vitoriosa - de Ivan Lins - carreira solo. O irmão do Leonardo, o Leandro, teve um câncer raríssimo (diferente da música comum e chumbrega da dupla) e empacotou. O primeiro parceiro do cumpádi Mirosmar (também conhecido como Zezé di Camargo) foi-se de acidente de carro e, essa semana que passou, o câncer carregou Waldick Soriano para o seio da lira brega desencarnada... E se você pensar bem, a perna de Roberto Carlos já está por lá esperando por ele faz tempo. Mas o resto tá ruim de chegar né?
Falando em breganejo, estava eu num happy-streng popular e ouvi uma música gozada que falava de um cara que enganava a mulher dizendo que ia pescar com os amigos, mas na verdade ia cair na bagunça! Daí pensei com meus botões: será que essa animada cançoneta popular foi inspirada no filme "O Segredo de Brokeback Mountain"? Afinal a história dos dois caubóis tinha essa coisa de pegar na vara, digo de pesca... Futuquei a moça do lado e perguntei de quem era aquela música, ela olhou para o outro lado e não me respondeu. Achei estranho e a coisei de novo, daí ela falou indignada: - Pô, pensei que cê tava fazendo hora com a minha cara... É do Bruno e Marrone, ora! Como se eu tivesse obrigação de saber essas coisas - e mesmo que soubesse jamais admitiria assim por escrito.
Mas essa música me deu o que analisar psico-deli-cológi-camente. Atentem para o refrão: Que pescar que nada vou bejar na boca / ver a muierada na madrugada ficando louca / ...
... Porra, não lembro o resto. Dexeu pesquisar no Google ...
Putz! E agora? Abri o "letras.terra.com.br/brunoemarrone" e pra meu espanto achei mais de 250 músicas! Quantos discos será que esses caras já gravaram? Pensando bem, uma das características do brega é a alta capacidade de reprodução ... Vou continuar procurando ...
Tá difícil, os títulos das músicas são todos parecidos: Doçura de Enganar, Estou Aprendendo, Estou Arrependido e por aí vai...
Olha esse: Explosão de Amor - Ficou meio apelativo né? Hahahaha!
Achei!!! Na letra "Q" - Ora que burrice a minha, o nome é: Que Pescar Que Nada.
Nada mais óbvio, eu colocaria: quando a minha vara saiu de férias!
Bom vai aí a interpretação completa, digna do Grilo Falante em pessoa, se bem que é capaz dele me dar um puxão de orelha pelo ligeiro homofobismo que tratei o assunto:
Na primeira estrofe o cara relata que tá sossegado, com o burro na sombra e resolve pegar o cunhado (!) pra passear. Enche o tanque do carro, compra pinga e cigarro - provavelmente pra embebedar o moleque - junta as "tráia" de pesca pra disfarçar e se anima com uma "festa" que vai rolar lá na lagoa... Daí fala pra mulher que a farra é comportada e reclama que ela não o deixa por a cara pra fora (soltar a franga?) nem jogar bola. Daí conclui dizendo que o jeito é ir pescar... He he he, coitado desse cunhado. Bom, também não sei, vai que o menino - supondo que seja um menino - é do ramo.
Mas é no refrão que o cara se entrega quanto às suas verdadeiras intenções: fala que vai beijar na boca, ver a mulherada ficando louca (nessa turma ele provavelmente estaria louquérrima se incluindo) e que vai ter sete pra cada homem. Amigos: foi nessa hora que o cara deu um pulo acrobático, Hipólito, pra fora do armário. Ora, todo mundo sabe que sete é conta de mentiroso e, se vocês têm boa memória, o pescador de araque diz no início que a turma estava indo para uma festa na lagoa, antes de inventar pra esposa que ia pescar. Pala gayyy!!! Mais perfeita pra trilha Brasileira do Segredo de Brokeback só aquela do Ahêee cowboy viado! Aliás, será que o tal do Daniel já gravou essas músicas?...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
HOJE EU VOU DAR A COTAÇÃO DO CAFÉ...

Tem também a movimentação financeira, outro dia eu estava assistindo a um desses televisivos locais, entrou a vinheta com uns caracteres dizendo: “Mercado Financeiro” e no fundo aquela voz empostada: hoje não houve movimentação financeira. Era feriado mané. Pra que a porra da vinheta então? Eu hein?!
Bom, e pra arrematar: não sei pra que é dada a previsão do tempo no jornal local se é daqui mesmo! Primeiro que eles sempre erram, segundo: quer saber como está o tempo? Olha pela janela meu filho! Daí vem aquela embromação: em vitória mínima de 25 graus e máxima de 32, em Domingos Martins mínima de 18 e máxima de 26. Porra cara, você é daqui e não sabe que em Domingos Martins faz um friozinho não?
Agora o assunto da semana é que o nosso futebol caiu pra série “D” do campeonato Brasileiro. Amigos, confesso que não entendo absolutamente nada do assunto, então me ajudem aí: quantas letras têm nessa parada? A letra “V” é de Futebol de Várzea? Não porque pra mim a série B era de Futebol de Botão, rararara! Brincadeira, mas sabem qual o resultado disso? Domingo de manhã passou aqui em baixo do meu apartamento uma passeata de vascaínos. Não me pergunte como ou por que, só sei que foi assim...
NÃO QUERIA GATO GAY!
Nunca deparei com motivo mais torpe e surreal para tentar matar uma pessoa: o senhor disparou dois tiros contra um indivíduo que acabara de lhe salvar o gato porque alegadamente ele era homossexual e, ao pegar no animal, ia fazer com que este também se tornasse homossexual", sublinhou o juiz do Tribunal de S. João Novo, no Porto, no final da leitura do acórdão que condenou o arguido a cinco anos e meio de prisão por tentativa de homicídio e posse de arma não legalizada.José Maria Correia , de 54 anos, não vai esquecer aquele fim de tarde de 22 de Outubro último. O seu gato – que desaparecera há três dias – miava num terraço vizinho, de onde não conseguia sair. Solícitos, os vizinhos tentaram resgatar o gato. O mais afoito chegou a deitar-lhe a mão, mas o felinoesquivou-se.JoséMaria, empregado de restaurante, é que não apreciou o gesto do vizinho, a quem passou a insultar. O vizinho José Pedro ouviu os impropérios de José Maria, mas acreditou que a sua ira se dirigia ao gato e às preocupações pelo seu desaparecimento. Por isso, quando conseguiu resgatar o gato, ficou apavorado mal José Maria lhe apontou uma pistola e, repetindo insultos de "maricas, que vais fazer do meu gato também panasca", fez menção de disparar. O salvador do gato fugiu e evitou as duas balas disparadas por José Maria, mas uma dos projécteis atingiu o ventre da vizinha Anabela Cruz, professora de 35 anos, que nessa mesma noite foi operada no Hospital de S. João.O arguido, que em julgamento nunca se mostrou realmente arrependido, ouviu o acórdão com resignação.
PORMENORES: RACISMO - Depois dos tiros, o arguido esteve nas instalações da PJ, onde insultou um inspector por ser preto.
PARA RECORDAR: O juiz João Grilo reconheceu que vai recordar este caso porque o arguido é o "oposto do que uma pessoa deve ser".
EMBRIGAUEZ: José Maria afirmou estar embriagado, mas os depoimentos da polícia desmentiram-no.
