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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

RAPIDINHA CULTURAL URGENTE!!!

BOA NOTÍCIA ELEKTRÔNICA!





O Quarteto Radamés Gnattali, que tem na viola o nosso capixabíssimo Fernando Thebaldi, acaba de ser indicado para o Grammy Latino em 3 categorias - melhor álbum de Música Clássica com o Prelúdio XXI; melhor faixa clássica do álbum do Tim Rescala com Quarteto Popular e pela participação na faixa Querido Diário do CD Chico, do Chico Buarque de Holanda... Quero só ver se a midia local vai dar essa notícia... 
O furo é da Lektra, mas o buraco é mais embaixo...

Repassando convite da Secretaria de Cultura da UFES, com um grande abraço para nosso amigo Orlando Lopes... 

Por fim segue convite da SECULT para debater a cultura e acabar com essa frecura!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

MORRE UMA DAS PIONEIRAS DA MÚSICA CLÁSSICA NO ESPÍRITO SANTO


Soube agora do falecimento, aos 95 anos, da pianista Edith Bulhões, militante antiga da música de concerto no Espírito Santo. Quando pesquisei a história da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, encontrei o programa de um recital de Dona Edith em Buenos Aires, certamente o auge de sua carreira como concertista internacional.

 
Durante a pesquisa descobri também que Edith estava envolvida numa questão relativa ao nome da Orquestra dos Capixabas criando uma situação que permanece até os dias atuais. Tudo bem que talvez fique até estranho o grupo mudar outra vez de nome agora, quase vinte anos depois, mas leiam a seguir um trecho do livro Da Capo – De Volta às Origens Da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, para entender melhor a questão:

            Com a aprovação do quadro complementar de cargos e salários em 1986, a Orquestra que já fora de Câmara, Clássica e Filarmônica mudou de nome pela quarta vez e passou a ser definitivamente intitulada “Sinfônica”. Definitivamente? Essa era, na verdade, a denominação adequada para o grupo, porque, nem todo mundo sabe, mas o que distingue uma Sinfônica de uma Filarmônica não é o número de seus integrantes, nem o repertório que executa e sim a sua condição formal. As Sinfônicas são órgãos governamentais custeados pelo Estado (leia-se pelo povo). As Filarmônicas, o nome já diz, são em tese (porque a OFES tem o nome de Filarmônica e não se encaixa na descrição) sustentadas por doações filantrópicas, por “amigos da música”. A denominação não significa que uma Orquestra esteja em um patamar inferior com relação à outra, as Filarmônicas são órgãos privados, muitas vezes de um poderio enorme. Talvez a mais rica, tradicional e respeitada Orquestra do mundo seja a Filarmônica de Berlin.
            Mas então porque a OFES é Filarmônica e não Sinfônica se o grupo sempre teve gestão e custeio do Governo do Espírito Santo? A explicação é meio torta: muito antes da criação da OFES (na década de sessenta!) uma pianista e promotora cultural chamada Edith Bulhões fundou e registrou em seu nome uma “Orquestra Sinfônica do Espírito Santo”. Embora quase ninguém mais se recorde, Dona Edith chegou a realizar apresentações com o grupo, como atesta uma reportagem do jornal A Tribuna de 04 de setembro de 1975, cuja manchete, que por sinal destilava uma certa ironia, era: Nós temos uma “Sinfônica”. Alguém sabia? Mais abaixo vinha a explicação:

            “Quando a Orquestra Sinfônica Brasileira esteve em Vitória, apresentando o Projeto Aquarius, o maestro Isaac Karabchevsky fez um apelo ao Governador Élcio Álvares para que fosse criada uma Orquestra semelhante no Espírito santo. Depois do espetáculo de encerramento da Semana do Exército, Edith Bulhões, diretora da Sociedade Cultural Artística de Vitória, foi conversar com o maestro, explicando-lhe que já existia a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, mas que, por falta de verbas e de músicos ela tinha feito apenas uma apresentação, no dia 25 de setembro de 1971, como um conjunto de Câmara. Ninguém até então tinha conhecimento da Orquestra, nem mesmo a Fundação Cultural do Espírito Santo. A Orquestra Sinfônica do Espírito Santo foi registrada no Ministério de Educação e Cultura em 1964 e pelo Governo do estado. Até hoje, ela existia realmente apenas no papel, lavrado pelo órgão educacional e mantida aos solavancos por esmolas dadas por autoridades e congressistas, depois de pedidos insistentes da diretoria da SCAV.

            Publicado no jornal A Tribuna em 04 de setembro de 1975.

            Como a própria Edith Bulhões explica na reportagem acima, sua Orquestra nunca chegou a “decolar” de verdade. Portanto não vamos aqui entrar nos méritos que levaram esta mesma senhora - depois de seis anos de existência da OSES - a reivindicar em 1992 os direitos sobre o uso do nome da Sinfônica do Estado. Foi uma atitude polêmica que gerou um processo há muito engavetado no arquivo da Secretaria de Estado da Cultura. Segundo depoimento do maestro Helder Trefzger, a discussão não foi em frente para evitar uma celeuma desgastante com uma pessoa pública de méritos inegáveis para a cultura local. Foi decidido que a Orquestra simplesmente voltaria a ser denominada Filarmônica, embora não muito corretamente, e seguiu-se em frente o curso da história. 

quarta-feira, 28 de março de 2012

ABERTURA DA TEMPORADA 2012 DA OFES TEM CONCERTO DE ARREPIAR

Amanhã a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo abre a temporada 2012. Elogiada pela Revista Concerto a tradicional temporada da OFES completa 35 anos de militância musical entre os filhos do Espírito Santo. Quem também comemora 20 anos à frente do grupo é o maestro Helder Trefzger. Após a saída abrupta de Leonardo Bruno em 1991, o sul matogrossense, então radicado em Belo Horizonte, começou a colaborar inicialmente como convidado ao longo de 1992, sendo nomeado regente titular no ano seguinte.

A OFES sob comando de Mario Cezar Candiani, por volta de 1985

O Concerto de Abertura da Temporada 2012 terá regência de Leonardo Davi, maestro adjunto da OFES e titular da Camerata Sesi. Leonardo é o primeiro regente nascido em terras capixabas a comandar nossa orquestra - não que seja uma obrigatoriedade, aliás, isso quase nunca acontece - é só pra ressaltar que o concerto vai contar com talentos musicais nascidos e desenvolvidos nessa terra notoriamente ingrata para os artistas e que aqueles que chegam lá são desbravadores e além do talento acima da média, possuem ainda um bocado de determinação.

É o caso do solista da noite Aleyson Escopel, um concertista que está brilhando em palcos internacionais e que há pouco tempo assistia concertos junto com a gente na platéia do Carlos Gomes – era conhecido (talvez aluno, não lembro) de meu professor Josué Louzada -. Aleyson estudou com mestres como Miguel Proença e Celia Ottoni, a grande dama do piano capixaba nas últimas décadas. E nessa noite vai encarar o terceiro concerto para piano e orquestra de Prokoffiev, considerado um Everest do repertório pianístico. Simplesmente imperdível.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DO ESPÍRITO SANTO
CONCERTO DE ABERTURA DA TEMPORADA 2012
SOLISTA ALEYSON ESCOPEL
Dia: 29/03/2012. Oito da noite
Theatro Carlos Gomes
Praça Costa Pereira – Centro - Vitória-ES

terça-feira, 27 de março de 2012

ENQUANTO SE PENSAR ASSIM, ASSIM VAI SER...

No último fim de semana (23 a 25 de março) aconteceu no Sesc Praia Formosa – Aracruz, o Primeiro Encontro dos Povos e Comunidades Tradicionais do Espírito Santo. O evento foi promovido pelo Instituto Sincades e realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo com apoio do Arquivo Público Estadual. Foram seis comunidades reunidas com o objetivo de promover a elaboração de uma carta contendo, entre outras coisas as reivindicações específicas de cada grupo.

Um dos efeitos mais significativos e imediatos da realização do encontro foi a diminuição do estranhamento que era visível na fala de todos representantes entre estes: ciganos, quilombolas, pomeranos, pescadores artesanais, indígenas e comunidades de terreiro. Brasil de vários Brasis, gentes e costumes muito diferentes, etnocentrismo, preconceito, tudo foi visto, revisto e debatido entre os grupos e dentro destes também.   

A idéia de reunir essas vertentes em um mesmo ambiente provou ser mais do que interessante: demorou. Entre o grupo dos pomeranos, havia uma pessoa - apresentada como um estudioso - que mencionou e condenou o “estereótipo” criado em torno de sua cultura. Não nomeou, mas é fácil identificar a questão da língua, a religião, o casamento etc. É óbvio que “os pomeranos” são hoje muito mais do que isso, mas talvez não o seja para a mídia e até para um grupo muito grande deles mesmos.

Em Santa Maria de Jetibá – o município mais pomerano do Brasil -, fala-se muito em “produção cultural pomerana”. É interessante descobrir que alguns estudiosos, dentre os próprios descendentes, se incomodam com a maneira esteriotipada como são vistos. Talvez, porque existe uma diferença entre produção cultural e preservação de traços de uma cultura. Ambas são importantes, porém, dentro de uma idéia de produção cultural pressupõe-se “criação” de algo novo, é como a moda que é reflexa de seu tempo. Na abertura do segundo capítulo do livro “Fuga de Canaã” de Renato Pacheco, há a seguinte epígrafe:

“Não há (no Espírito Santo) comunidades aldeãs, e sim sítios isolados meia hora uns dos outros. Proprietários rurais, na maioria, e portadores de um patrimônio cultural relativamente pobre, os pomeranos se ajustaram a condições que sugeriam uma aproximação da organização econômica cabocla, pelo menos no que se refere às técnicas agrícolas.

Não é, portanto, a cultura pomerana que encontramos atualmente no Espírito Santo, mas apenas traços dessa cultura, quer dizer, aqueles que, por uma série de razões, resistiram ao processo de mudança cultural”.

(Emílio Willems, A aculturação dos alemães no Brasil, São Paulo, 1946, p.74,94 e 159).    

 Será que o pomerano vive de Schapps e Concertina em casamentos com trajes típicos e Casas Enxaimel?

É preciso entender que não existe, por exemplo, uma moda pomerana. Existem reproduções esmeradas de trajes típicos usados pelos antepassados e assim é com a música e tudo o mais. Esse grupo tem que considerar que o poder público ajudou a criar - junto com a mídia e outros - uma imagem de orgulho em torno da “cultura pomerana” que, apesar de importante, não valoriza, e por isso não busca instrumentos para o desenvolvimento e o surgimento de novos bens culturais, mas apenas a reprodução de um passado que as pessoas de hoje imaginam e acham que com isso estão cumprindo sua missão. A questão é: Será?