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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

RAPIDINHAS CULTURAIS URGENTES!



Do meio pro final do ano as coisas começam a se estreitar em direção ao Natal, portanto, com a urgência do tempo e a velocidade do pensamento vem aí mais uma edição das prestigiadas Rapidinhas culturais da Letra Elektrônica, um repasse bacana dos eventos específicos sobre cultura que você até pode, mas não vai cometer o baixo-astral de perder...

QUARTA CLÁSSICA COM SOLISTA INTERNACIONAL

No próximo dia 12 de setembro (quarta-feira), a Orquestra Filarmônica do Estado do Espírito Santo recebe a premiada harpista italiana Paola Baron. Será o sétimo concerto da Série Quarta Clássica 2012 que acontece no Theatro Carlos Gomes, às 20h. Os ingressos, custam R$2,00 (inteira) e R$1,00 (meia) e podem ser adquiridos a partir das 14h na bilheteria do teatro. Serão vendidos dois ingressos por pessoa.

Paola Baron é Integrante da Orquestra Sinfônica de São Paulo, formou-se com nota máxima no Conservatório J. Tomadini em Udine (Itália) e com louvor na Universidade Mozarteum em Salzburgo (Áustria). Foi harpista principal no Teatro Ópera e Ballet em Liubliana (Eslovênia) e atuou em várias outras orquestras da Europa. Atualmente, é professora de harpa na Escola de Musica do Estado de São Paulo e no Instituto Baccarelli também em São Paulo.

Sob a regência de Helder Trefzger o repertório será aberto com a peça Sospiri do compositor inglês Elgar. Na sequência, será apresentado um concerto para harpa e orquestra, escrito pelo compositor alemão Carl Reinecke em 1884. Reinecke, que viveu entre 1824-1910, foi compositor, pianista e um reconhecido professor, tendo tido, dentre seus alunos, nomes como Max Bruch, Delius e Grieg. Para encerrar será executada outra obra de Elgar: a abertura concertante In the South (No Sul).

7º Concerto - Série Quarta Clássica - Orquestra Filarmônica do Estado Espírito Santo
Repertório: Obras de Elgar e Reinecke
Regência: Maestro Helder Trefzger
Solista: Paola Baron (harpa)
Quando: 12/09/2012 (quarta-feira), às 20h
Onde: Theatro Carlos Gomes - Centro - Vitória

ANTROPÓLOGO HOLANDÊS LANÇA LIVRO SOBRE O ESPÍRITO SANTO


 MOSTRA DE DESENHO NA BIBLIOTECA ESTADUAL


quinta-feira, 21 de junho de 2012

PROGRAMA MUITO BACANA PARA UMA NOITE DE SÁBADO

Não sei se foi o violoncelista Pablo Casals ou o pianista Vladimir Horowitz citando o último que disse: "Mozart é fácil demais para os iniciantes e difícil demais para os artistas". Deve ter sido o Horowitz, porque muitas das sonatas para piano de Mozart são consideradas "fáceis". Os pianistas mais exibidos querem exibir a musculatura romântica de super-heróis do intrumento como Lizst ou Rachmaninoff, este um romântico tardio. Ignoram ou esquecem que a poesia e a surpresa podem estar numa obra "para piano" nem um pouco espalhafatosa, porém controversa, como 4'33 de John Cage.

Lembrei disso tudo porque a Camerata do Sesi volta a se apresentar e no programa do concerto que - por Tutais! - irei assistir, consta a peça "Pavane por une infante defunte" de Maurice Ravel. Originalmente composta para piano, essa peça é daquelas de fazer tremer os artistas que nem o Horowitz falava. O resto do programa é instigante e, sob regência de Leonardo Davi, com certeza vai ser um início de noite imperdível para os casais românticos saírem para passear no sábado. Segue o convite:



quarta-feira, 30 de maio de 2012

RAPIDINHAS CULTURAIS ERUDITAS

Mandando duas repostagens (reportagens?) rapidinhas culturais. São apresentações muito bacanas que acontecerão amanhã (31 de maio) no apagar das luzes do mês das noivas, mas deste susto eu não morro. Destaco especialmente o Concerto em Sol de Ravel para Piano e Orquestra, uma obra que é linda do início ao fim, mas o segundo movimento ... Bom, simplesmente imperdível. Seguem as repostagens, não percam!

Ofes apresenta "Choros 10" de Villa-Lobos da Série Sinfônica

A Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), sob a regência do maestro convidado, Roberto Duarte, realizará na quinta-feira (31), o terceiro concerto da Série Concertos Sinfônicos, da Temporada 2012. A apresentação será realizada no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia) e podem ser adquiridos a partir das 14horas do dia 25 de maio, na bilheteria do Teatro (3132-8396).

O repertório será composto por obras dos compositores franceses Debussy e Ravel e do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, três nomes de peso da música clássica do Século XX. Destaque para aprimeira apresentação pela Ofes da obra Choros 10, de Villa-Lobos.  Esta composição é de 1926 etraz elementos de percussão brasileiros que conferem à obra, essencialmente modernista,cadências semelhantes às do baião e do samba. É uma das obras de Villa Lobos mais reconhecidas eaplaudidas no mundo inteiro.

Além da Ofes, participarão dessa apresentação o Coro Sinfônico da Faculdade de Música do EspíritoSanto (Fames) e o Coral do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES ).

Para apresentar o concerto em Sol, de Ravel, foi convidado o pianista francês Hugues Leclère. Nascido na França em 1968, Hugues Leclère se aperfeiçoou sob a orientação de Catherine Collard antes de entrar para o renomado Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde maistarde obteve três primeiros prêmios, em piano, análise musical e música de câmera.

Paralelamente à sua carreira de concertista, Hugues Leclère atua como diretor do FestivalInternacional Nancyphonies e como professor de piano no Conservatório Real de Bruxelas.

Destaque ainda para o maestro convidado, Roberto Duarte. Natural do Rio de Janeiro, Duartedesenvolve suas atividades como regente no Brasil, Europa e Estados Unidos. Seu interesse pela música brasileira o coloca em posição de destaque no cenário musical, com a apresentação de maisde uma centena de obras em primeira audição mundial e a revisão das obras para orquestra de Villa-Lobos. Teve o privilégio de ter sido discípulo e assistente de dois dos maiores mestres brasileiros: Francisco Mignone e Eleazar de Carvalho. Mais tarde aperfeiçoou-se, ainda, na Itália e na Alemanha.

É membro, entre outras, da Academia Brasileira de Música. Em novembro de 1996 recebeu doGoverno Brasileiro, através da Funarte, o mais alto prêmio da Música no Brasil: o Prêmio Nacional da Música, como regente. Foi Em 2001 recebeu o Prêmio Carlos Gomes por sua atuação no campo daópera, como regente e revisor. Em Paris, em abril de 2002, participou como membro do comitê dehonra e palestrante no I Congresso Internacional Villa-Lobos.

Roberto Duarte foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981-1994), da Orquestra Sinfônica do Paraná (1998-1999) da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul (2003-2005).

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Na próxima quinta feira, dia 31 de maio às 19:30h a Cia Capixaba de Ópera e Musicais estará apresentando mais um concerto da série " Concertos na Vila". O evento, de arte integrada, apresenta ao grande público, além de obras dos grandes compositores eruditos e sacros, peças dos mais belos musicais da Broadway.

A participação especial do mês de maio é do coral Arcelormittal Tubarão, e os artistas convidados são Ingrid Mendonça, que relançará seu livro " Além do Gesto", o poeta Marcos de Castro e a artista plástica Erminda Breda com sua exposição  "Ludicidades".
O grupo de teatro Geta e o Ballet Ludmila Machado completam o quadro de atrações dessa edição.
Os cantores do elenco  são Patrick du Val, Cláudio Modesto, Elaine Rowena, Symara Feitosa, Marcos Rosa, Marcos Antônio Cypreste e Julimar Amorim e os bailarinos Rebeca Freitas, Thaís Salomão, Lara Cremasco, Bruno Correa e Julia Mariano. O piano é de Angela Volpato, o violino de  Evandro Marendaz, as coreografias de Lígia Araújo, a apresentação de Maryza Barbosa, a direção musical de Cláudio Modesto e a direção geral de Elaine Rowena.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

MORRE UMA DAS PIONEIRAS DA MÚSICA CLÁSSICA NO ESPÍRITO SANTO


Soube agora do falecimento, aos 95 anos, da pianista Edith Bulhões, militante antiga da música de concerto no Espírito Santo. Quando pesquisei a história da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, encontrei o programa de um recital de Dona Edith em Buenos Aires, certamente o auge de sua carreira como concertista internacional.

 
Durante a pesquisa descobri também que Edith estava envolvida numa questão relativa ao nome da Orquestra dos Capixabas criando uma situação que permanece até os dias atuais. Tudo bem que talvez fique até estranho o grupo mudar outra vez de nome agora, quase vinte anos depois, mas leiam a seguir um trecho do livro Da Capo – De Volta às Origens Da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, para entender melhor a questão:

            Com a aprovação do quadro complementar de cargos e salários em 1986, a Orquestra que já fora de Câmara, Clássica e Filarmônica mudou de nome pela quarta vez e passou a ser definitivamente intitulada “Sinfônica”. Definitivamente? Essa era, na verdade, a denominação adequada para o grupo, porque, nem todo mundo sabe, mas o que distingue uma Sinfônica de uma Filarmônica não é o número de seus integrantes, nem o repertório que executa e sim a sua condição formal. As Sinfônicas são órgãos governamentais custeados pelo Estado (leia-se pelo povo). As Filarmônicas, o nome já diz, são em tese (porque a OFES tem o nome de Filarmônica e não se encaixa na descrição) sustentadas por doações filantrópicas, por “amigos da música”. A denominação não significa que uma Orquestra esteja em um patamar inferior com relação à outra, as Filarmônicas são órgãos privados, muitas vezes de um poderio enorme. Talvez a mais rica, tradicional e respeitada Orquestra do mundo seja a Filarmônica de Berlin.
            Mas então porque a OFES é Filarmônica e não Sinfônica se o grupo sempre teve gestão e custeio do Governo do Espírito Santo? A explicação é meio torta: muito antes da criação da OFES (na década de sessenta!) uma pianista e promotora cultural chamada Edith Bulhões fundou e registrou em seu nome uma “Orquestra Sinfônica do Espírito Santo”. Embora quase ninguém mais se recorde, Dona Edith chegou a realizar apresentações com o grupo, como atesta uma reportagem do jornal A Tribuna de 04 de setembro de 1975, cuja manchete, que por sinal destilava uma certa ironia, era: Nós temos uma “Sinfônica”. Alguém sabia? Mais abaixo vinha a explicação:

            “Quando a Orquestra Sinfônica Brasileira esteve em Vitória, apresentando o Projeto Aquarius, o maestro Isaac Karabchevsky fez um apelo ao Governador Élcio Álvares para que fosse criada uma Orquestra semelhante no Espírito santo. Depois do espetáculo de encerramento da Semana do Exército, Edith Bulhões, diretora da Sociedade Cultural Artística de Vitória, foi conversar com o maestro, explicando-lhe que já existia a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, mas que, por falta de verbas e de músicos ela tinha feito apenas uma apresentação, no dia 25 de setembro de 1971, como um conjunto de Câmara. Ninguém até então tinha conhecimento da Orquestra, nem mesmo a Fundação Cultural do Espírito Santo. A Orquestra Sinfônica do Espírito Santo foi registrada no Ministério de Educação e Cultura em 1964 e pelo Governo do estado. Até hoje, ela existia realmente apenas no papel, lavrado pelo órgão educacional e mantida aos solavancos por esmolas dadas por autoridades e congressistas, depois de pedidos insistentes da diretoria da SCAV.

            Publicado no jornal A Tribuna em 04 de setembro de 1975.

            Como a própria Edith Bulhões explica na reportagem acima, sua Orquestra nunca chegou a “decolar” de verdade. Portanto não vamos aqui entrar nos méritos que levaram esta mesma senhora - depois de seis anos de existência da OSES - a reivindicar em 1992 os direitos sobre o uso do nome da Sinfônica do Estado. Foi uma atitude polêmica que gerou um processo há muito engavetado no arquivo da Secretaria de Estado da Cultura. Segundo depoimento do maestro Helder Trefzger, a discussão não foi em frente para evitar uma celeuma desgastante com uma pessoa pública de méritos inegáveis para a cultura local. Foi decidido que a Orquestra simplesmente voltaria a ser denominada Filarmônica, embora não muito corretamente, e seguiu-se em frente o curso da história. 

quarta-feira, 28 de março de 2012

ABERTURA DA TEMPORADA 2012 DA OFES TEM CONCERTO DE ARREPIAR

Amanhã a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo abre a temporada 2012. Elogiada pela Revista Concerto a tradicional temporada da OFES completa 35 anos de militância musical entre os filhos do Espírito Santo. Quem também comemora 20 anos à frente do grupo é o maestro Helder Trefzger. Após a saída abrupta de Leonardo Bruno em 1991, o sul matogrossense, então radicado em Belo Horizonte, começou a colaborar inicialmente como convidado ao longo de 1992, sendo nomeado regente titular no ano seguinte.

A OFES sob comando de Mario Cezar Candiani, por volta de 1985

O Concerto de Abertura da Temporada 2012 terá regência de Leonardo Davi, maestro adjunto da OFES e titular da Camerata Sesi. Leonardo é o primeiro regente nascido em terras capixabas a comandar nossa orquestra - não que seja uma obrigatoriedade, aliás, isso quase nunca acontece - é só pra ressaltar que o concerto vai contar com talentos musicais nascidos e desenvolvidos nessa terra notoriamente ingrata para os artistas e que aqueles que chegam lá são desbravadores e além do talento acima da média, possuem ainda um bocado de determinação.

É o caso do solista da noite Aleyson Escopel, um concertista que está brilhando em palcos internacionais e que há pouco tempo assistia concertos junto com a gente na platéia do Carlos Gomes – era conhecido (talvez aluno, não lembro) de meu professor Josué Louzada -. Aleyson estudou com mestres como Miguel Proença e Celia Ottoni, a grande dama do piano capixaba nas últimas décadas. E nessa noite vai encarar o terceiro concerto para piano e orquestra de Prokoffiev, considerado um Everest do repertório pianístico. Simplesmente imperdível.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DO ESPÍRITO SANTO
CONCERTO DE ABERTURA DA TEMPORADA 2012
SOLISTA ALEYSON ESCOPEL
Dia: 29/03/2012. Oito da noite
Theatro Carlos Gomes
Praça Costa Pereira – Centro - Vitória-ES

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

LIVRO DA CAPO É DESTAQUE NA MÍDIA NACIONAL

Quem diria que seria na música de concerto que o Espírito Santo iria ganhar a mídia nacional? A última edição da tradicional revista Concerto traz uma retrospectiva dos principais acontecimentos na música clássica no Brasil e também a opinião de várias personalidades do meio musical como o compositor Marlos Nobre, o hoje regente João Carlos Martins, o pianista Ricardo Castro e, entre estes e muitos outros, o maestro titular da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, Helder Trefzger.

Helder destaca a garra e a dedicação com que foi encarado o projeto da Orquestra em 2011, uma temporada considerada surpreendente na mídia nacional. Fala também do Festival de Domingos Martins, da Camerata do Sesi que tem o maestro Leonardo Davi na competente realização de uma temporada de concertos e da Série de Concertos Internacionais capitaneada por Gracinha Neves, trazendo ao estado uma série de importantes grupos musicais da Europa.

2011 marcou também o ressurgimento do livro Da Capo de Juca Magalhães, originalmente publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, um breve apanhado sobre a criação da Orquestra dos capixabas que durante muito tempo foi a única fonte de pesquisa sobre a história do grupo. O novo livro surgiu com uma pesquisa bem mais abrangente, dando conta de detalhes não abordados na primeira versão e que vem sendo elogiada fora do Espírito Santo, vide reportagem abaixo. 

A edição da revista Concerto de janeiro/fevereiro de 2012 traz em sua seção de livros três resenhas sobre os lançamentos mais relevantes do período, dentre estes está o Da Capo - de volta às origens da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Destaca a pesquisa bem elaborada e a importância da batalha no país pela criação e manutenção das orquestras sinfônicas. É uma luta comum a várias regiões do Brasil, terra de samba e futebol, portanto a nossa história acaba ganhando uma dimensão de universalidade que o próprio capixaba ainda não foi capaz de reconhecer.



O livro Da Capo tem sido vendido no hall de entrada do Theatro Carlos Gomes durante as apresentações da Filarmônica ou no Teatro do Sesi nas apresentações de sua camerata, mas pode ser adquirido junto ao autor ao preço de R$35,00 através do email djmagalhaes@hotmail.com. Está a venda também no site da revista Concerto (o link está na barra ao lado) e em sua loja "Clássicos" que fica no anexo da Sala São Paulo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

RAPIDINHAS CULTURAIS - URGENTE!

Bem amigos da Letra Elektrônica, hoje a noite (23/11) as 19 horas, em homenagem à Santa Cecília, eu entro em campo para falar da nossa música no Segundo Painel sobre a História do Espírito Santo, evento bacana que acontece na Biblioteca Estadual e que teve abertura na segunda passada com a presença de vários historiadores importantes, escritores e autoridades como a deputada Luzia Toledo e o Secretario de Estado da Cultura Frei Paulão. 

A mesa desse painel intitulado "Identidade e Expressão Popular" será coordenada pelo Sub-Secretário de Cultura do Estado, Erlom Paschoal e contará ainda com José Eugênio Vieira, Francisco Aurélio Ribeiro e Eliomar Mazoco. Eu vou abordar um tema que é muito discutido na comunidade capixaba: a valorização do músico e da música local, tendo por base a trajetória da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Garanto que quem for não vai se arrepender.

E quem vai subir ao palco pela última vez nessa temporada de 2011 é a Orquestra Camerata do SESI. O repertório é barroco/romântico que, aliás, do ponto de vista estético tem tudo a ver. Os períodos da música se intercalam entre o exagero e a simplicidade, portanto nada mais adequado para a ocasião. A inteira é só quatro reais e a meia mais barato que uma passagem de ônibus. Dê uma chance ao bom gosto musical e vá prestigiar essa Orquestra que é hoje a segunda mais importante do Estado. Segue o convite:


E por falar em convites imperdíveis: você já foi ver a exposição do Modigliani que está no Palácio Anchieta? Então meu amigo, pare de reclamar que Vitória não tem nada pra se fazer culturalmente e reserve um tempinho em sua concorrida agenda de programas bacanas como assistir shows no Parque de Exposições de Carapina, churrasco com a galera dos jogos do Brasileirão e passeios enriquecedores no Shopping Center. Vou escrever mais detidamente sobre essa exposição fantástica, mas você trate de correr lá antes que acabe. No link abaixo tem tudo a respeito:

http://www.iuuk.com.br/?x=agenda-interna/palacio-anchieta-museu/exposicao---modigliani-imagens-de-uma-vida/7932



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

RAPIDINHAS CULTURAIS - HISTÓRICAS

Faz tempo que não rola uma edição das tradicionais Rapidinhas Culturais aqui na Letra Elektrônica, mas é que amanhã é dia da Música (!) e mais abaixo eu quero compartilhar com os amigos algumas paradinhas imperdíveis que vão rolar aqui na "pacatolândia" de Vitória. Antes deixa postar uma imagem (porque a oralidade está no DNA de minha escrita - Pandini sic) de Santa Cecília, padroeira da música, pra gente começar a semana no acorde certo e na harmonia perfeita.


Hoje a noite (21/11 - 19h) acontecerá a solenidade de abertura do seminário "Espírito Santo um Painel da Nossa História II". Uma promoção da Biblioteca Pública do Estado do Espírito Santo. Na quarta-feira (23/11) estarei (Juca Magalhães) participando do painel "Identidade e Expressão Cultural", falando sobre - e divulgando - o tema de meu último livro: a história de fundação da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Segue abaixo a programação, a entrada é franca.


Nesse mesmo dia, infelizmente para mim - porque não vou poder estar lá - sobe ao palco do Carlos Gomes a Orquestra de Câmara de Frankfurt. Último evento da temporada 2011 da Série de Concertos Internacionais que tantas boas atrações nos trouxe ao longo do ano. A entrada é franca, segue o flyer:


Até o final da semana a Lektra volta com mais rapidinhas culturais: tem o último concerto da OFES da temporada 2011 apresentando o Requiem de Brahms, o projeto Canto Solidário - capitaneado por Elaine Rowena - que vai homenagear a Tropicália e tem muito mais... 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A HISTÓRIA DA MÚSICA CLÁSSICA NO ESPÍRITO SANTO EM DOIS NOVOS LIVROS


No próximo dia 11 de novembro o pesquisador de história da música, Juca Magalhães, lança a segunda edição do livro “Da Capo”, única obra existente sobre a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo - OFES. Na verdade o que vem a público agora é um livro sobre uma despretensiosa pesquisa publicada em 2003. Na Mesma ocasião será lançado também um livro inédito sobre a obra para piano do professor Alceu Camargo.

O texto original de “Da Capo” surgiu da necessidade de formatar a apresentação de um projeto para a Associação de Amigos da Orquestra, era bastante sucinto e pragmático, porém, cumpriu na época uma importante função. Hoje parece difícil acreditar, mas em 2002 não era possível encontrar documentos nem depoimentos que demonstrassem com clareza e segurança como e quando fora fundado o principal grupamento sinfônico do Estado.

Com a realização da pesquisa e o lançamento daquela primeira edição vieram palestras divulgando essa parte da história, abordando o universo da música clássica e sua trajetória no Espírito Santo. A prática das palestras levou o autor recentemente a integrar uma turnê nacional por cinco Estados do centro oeste e norte do País dentro do projeto “Música Barroca na Estrada”, mas nessa altura o “Da Capo” já se esgotara.

A iniciativa da segunda edição do Livro da Orquestra foi aprovada pela Lei Rubem Braga, obteve patrocínio da empresa ArcelorMittal Tubarão e ainda contaria com a adesão da Faculdade de Música do Espírito Santo e do Departamento de Imprensa Oficial – DIO. A FAMES tem tudo a ver com essa história, afinal, através do trabalho desenvolvido por seus professores, especialmente o casal Vera e Alceu Camargo, houve o início e o florescimento do trabalho com música sinfônica no Espírito Santo.

O pianista Claudio Thompson pesquisou a vida e a obra completa para piano do professor Alceu Camargo, até hoje inédita, e trará a público na mesma ocasião o resultado de sua dissertação de mestrado em práticas interpretativas – sub área piano - na Universidade de Santa Catarina. O nome do livro é Alceu Camargo, um homem a seu tempo. É um resgate importante da vinda desse paranaense para o Espírito Santo, que seria fundamental para a criação da Orquestra local.

Para essa nova investida na história da OFES foi realizada uma pesquisa bem mais abrangente fornecendo um panorama da situação social e política que fez da música sinfônica uma demanda cultural do capixaba e também uma investigação mais profunda com relação à atuação de algumas personalidades dentro desse processo. Ajuda muito importante nessa nova abordagem do tema veio através do maestro Vítor Marques Diniz, que não fora possível contatar na primeira edição da pesquisa.

O regente lusitano veio para Vitória através de convite de Beatriz Abaurre, então diretora da Fundação Cultural do Espírito Santo, sua chegada teve o efeito de um catalisador que reuniu potenciais musicais dispersos e proporcionou a criação, a partir de 1977, do Coro e Orquestra de Câmara da Fundação Cultural do Espírito Santo. Hoje aposentado o maestro Diniz reside em Campo Grande-MS, mas guarda vívidas lembranças de nossas terras o que valeu um tocante prefácio para a segunda edição do “Da Capo”.

O novo Da Capo contou ainda com a colaboração dos atuais maestros da OFES, Helder Trefzger e Leonardo Davi, na correção de algumas informações, do ex-regente Leonardo Bruno - que aproveitou para enviar uma mensagem aos capixabas - e do maestro Adolfo Alves autor do texto da orelha. Você vai se emocionar com a saga de criação do mais importante grupo sinfônico do Espírito Santo que, após vinte e cinco anos, comprova que o acesso à música clássica nasce de um claro desejo de inserção cultural e é uma conquista de todo povo capixaba.

Recuperando tempo: Da Capo (do italiano “da cabeça) ou D.C. é uma expressão musical que quando surge na partitura remete o intérprete ao início da obra, ou seja: tem o sentido literal da expressão: do início. E é essa a intenção dessas duas obras importantes que agora surgem e dialogam entre si: uma mais abrangente, outra mais específica, porém, ambas fundamentais para o resgate de nossa história musical. 

Reportagem anunciando a estréia da Orquestra e Coro de Câmara da Fames em maio de 1976

“Da Capo” De Volta às Origens da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo
Alceu Camargo, Um Homem A Seu Tempo
Lançamento no dia 11 de novembro de 2011. Horário: 20:30 h
Local: Sala de Concertos Alceu Camargo
Faculdade de Música Maurício de Oliveira – FAMES
Entrada Franca – A Sala de Concertos tem capacidade para 160 pessoas.
Endereço: Avenida Princesa Isabel, 610. Centro – Vitória.

domingo, 3 de julho de 2011

ENTENDENDO A LINHA MALDITA: ESTUDO DE CASO

Na última postagem da Letra Elektrônica dizia que o jornalismo tinha mudado bastante dos anos setenta para cá. Até recebi um retorno do jornalista José Roberto Santos Neves, comentando apropriadamente que talvez os profissionais de então buscassem por um direito à liberdade de expressão que não tinham, reprimidos pela pesada censura dos anos de chumbo. Concordo e acrescento que talvez também seja interessante levar em consideração a caretice repressora da época à qual era costume transgredir.

A jornalista Maria Nilce ficou famosa por um estilo agressivo de escrever e fazer brincadeiras com personalidades da época, colocando apelidos e criando personagens fictícios a partir do ridículo literal de indivíduos e situações. Porém, era não era a única a fazer brincadeiras de humor negro, nem criticar abertamente pessoas pelo jornal era sua exclusividade como muita gente pode até pensar. Analisamos aqui um destes casos.

A Antiga Fundação Cultural do Espírito Santo teve como Presidente por volta de 1979 o senhor Namyr Carlos de Souza, que é por coincidência tio de meu cunhado Claudio, o popular Claudão, o que só reforça a tese de que Vitória é um ovo. Daí que durante a realização do I Concurso Nacional Villa Lobos o presidente posou para foto (em 25 de novembro de 1979) com a arqui-musa do maestro Villa-Lobos, a “Mindinha”, que veio a Vitória prestigiar o evento.

  
O tempo passa, mas certas coisas mudam muito pouco, vejam só, meu cunhado contou que o tio, apesar de grande admirador de música e artes em geral não poderia ser classificado como artista ou mesmo uma pessoa da área cultural. Talvez por isso, ocupando a presidência do, à época, órgão mais importante do setor, acabou ganhando uma futucada pública na coluna de Marílio Cabral no jornal A Tribuna, por acaso (ou não) marido da coordenadora de música erudita da instituição.


Talvez não seja lá um exemplo muito típico do que ficou conhecido como "linha maldita", mas o recado ficou bem mandado, não foi? A nota foi publicada no dia 28 de agosto de1979 e talvez, explique a sonora presença do presidente no concurso poucos meses depois, afinal, gato escaldado tem medo até de água fria.   

Aprendeu?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

ROUPA SUJA SE LAVA NO JORNAL


Daí que estou pesquisando a história da criação da Orquestra, hoje Filarmônica do Espírito Santo e acabei descobrindo um monte de curiosidades sobre os anos setenta e oitenta. Degavarzinho vou socializar com os companheiros, porque o tempo anda curto e bicudo ultimamente.

Uma das diferenças mais gritantes daquela época era a maneira como os jornalistas escreviam, havia um grande espaço, hoje impensável, para coloquialismos e textos autorais. A crítica era exercida de uma maneira que agora só vemos na Internet. Costumeiramente encontrávamos o que minha mãe (Maria Nilce) chamava de “linha maldita” e não só na coluna dela não...

Mas vou resgatar aqui um episódio que seria cômico se não fosse trágico. Começa com a imperdível vinda do grupo Ars Antiqua para se apresentar em Vitória em 13 de maio de 1977:



Algum participante do evento ficou tão encantado com a apresentação do flautista que resolveu levar o instrumento para casa, talvez imaginando que tivesse alguma espécie de poder mágico ou algo Mozartiano que o valha. O jornal A Gazeta publicou o fato, dando ainda uma referência do valor para o gatuno da ocasião que, certamente, não devia fazer idéia do que tinha em mãos: 


Estaria tudo certo como dois e dois são cindo, como se dizia na época, se não morasse em Vitória a jornalista Annie Cicatelli de origem francesa. Depois de até ganhar o Prêmio Esso em 1986, Annie voltou para a frança e se dedicou à fotografia e também ao artesanato. A moça não se conteve com um pequeno erro grosseiro na nota publicada em A Gazeta e puxou a orelha do colega em praça pública.

 
Encontrei Annie Cicatelli no Facebook - bendita seja a Internet e aldeia global – e comentei da nota, mesmo porque ela era jornalista da época e eu queria fazer perguntas com relação a outros assuntos, mas a resposta foi a seguinte:

Hahahaha! Muito engraçada essa nota!!!!! Nem lembrava!!!! Com relação à Orquestra, total amnésia!!! Nao lembro nada disso (É a idade!!! Rsrsrs)