quinta-feira, 3 de novembro de 2011
DO NOVO DICIONÁRIO POPULAR BRASILEIRO: “É POBREMA OU PROBLEMA?”
terça-feira, 29 de março de 2011
RAPIDINHAS CULTURAIS - SÓCIO/EDUCACIONAIS (URGENTES)!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
PALAVRAS AO VENTO NÃO MOVEM MOINHOS
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
NOS TEMPOS DA NOVELA VAGA
Um dia desses morreu um dos principais diretores do movimento de cinema francês denominado “Nouvelle Vague” ou, como explicou o repórter que dava a notícia, “Nova Onda”. Fiquei rindo comigo mesmo, não da notícia - porque a morte de ninguém deveria ser motivo de riso - mas de minha própria cabeça na qual eu imaginava que a tradução para a expressão seria “Novela Vaga”. Talvez minha confusão venha do estilo cinematográfico cabeça daquela geração e suas histórias deliberadamente difusas ou talvez seja só costume de menino que inventa nome pras coisas que não conhece bem.
Têm muitas palavras e expressões que usamos sem sabermos realmente seus significados ou de onde se originaram. De vez em quando descubro de onde surgiram nomes de músicas e idéias de pessoas que, como nós, precisam expressar o mundo. Two Minutes to Midnight, por exemplo, uma música do Iron Maiden, faz pouco tempo descobri que era uma referência ao Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock). “Murders In The Rue Morgue”, também do Iron, é referência a um conto de Edgar Allan Poe. “Killing an Arab” do The Cure é baseada no livro “O Estrangeiro” de Camus. E por aí vai...
Na infância eu curtia muito os Beatles, tinha lá em casa aquelas coletâneas das duas fases da banda e a gente ouvia muito aquilo. Um dos meus melhores amigos era baixinho e meio nóia com a própria altura, entrou numa de que ia ser gênio, era um dos poucos em nossa turma que estudava, sua meta era saber mais do que os professores. Pequenos frascos, grandes ambições. Conseqüentemente o cara não ligava muito para música e, só pra ele gostar dos Beatles também, o convenci que a música “I’m Down” era a história de um cara baixinho... Aquele sacana deve gostar mais dos rapazes de Liverpool hoje do que eu.
A época do Heavy Metal foi o auge dessas brincadeiras e denominações imaginárias. Lembro de uma reunião de metaleiros para a audição de um disco ao vivo do Ozzy Osbourne em tributo a seu falecido guitarrista Randy Rhoads. Lá pelas tantas o comedor de morcego incitava a platéia a cantar e gritava “Louder, louder” (“Mais alto, mais alto”; mas na pronúncia deles soa algo como “Láurar, láurar”) Daí que um dos seguidores da estética do mal questionou o muito venerável líder da tribo - o então vocalista do Thor, Fabio Boi - atrás do significativo (sic) daquela misteriosa invocação. Seria talvez o nome de algum demônio satânico? Quem sabe aquela não seria uma conjuração maligna para hipnotizar platéias? Desinteressado e sacana na mesma proporção o metaleiro respondeu:
- Rapá... Ele deve tá é chamando a mãe dele: Laura, Laura!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
EITA! DUNGA DIZ QUE A SELEÇÃO NÃO SE "ACONTENTA"
Tô pra dizer pra vocês que nunca liguei muito pra futebol. Mesmo quando criança não me apetecia participar de esportes coletivos, acho que porque fui o único menino da casa, acostumei a brincar sozinho. Meu pai, nos fins de semana, estava sempre sentado de frente para uma máquina de escrever criando artigos, livros, mais ou menos como eu faço hoje no computador, não me lembro dele se coçando por qualquer jogo ou algum time. Pra arrematar a turma metida a tropicália que freqüentava nossa casa achava futebol brega, coisa de gente cafona. Durante muito tempo a camisa do Flamengo foi pra mim um ícone de mau gosto. Que meus amigos Bibinho, Max Filho e meu primo João Paulo não me leiam. Hehehehe.
Na época da infância a moda entre os meninos era querer ser astronauta, piloto de fórmula um; jogador de futebol não, pelo menos entre os meninos que eu conhecia. Ser astronauta era algo tão distante e inimaginável que nem sei dizer, o homem tinha pisado na lua apesar de muita gente não acreditar. O Emerson Fittipaldi tinha um Lótus preto e costeletas enormes, eu era fã dele e do Niki Lauda também. Mas o futebol? Remetia a coisas tristes como finalzinho de domingo na casa de minha avó, meu tio na sala ouvindo alguma partida num radinho de pilha, fumando, taciturno que nem um pajé de Timbuí...
Esse meu tio chegou aos sessenta com diversas avarias no motor da embarcação, o médico ralhou com ele e desfiou uma série de conselhos, normas de conduta: - Ô seu Jairo, o senhor não pode mais viver desse jeito que a sua saúde não vai agüentar. Tem que cortar o cigarro, tem que cortar essas comidas pesadas que o senhor gosta, tem que cortar a cervejinha. – Até a cervejinha? – Cortou foi o médico. Não viveu muito mais, mas que graça tinha a vida se cortasse dela o pouco que ainda lhe dava prazer?
Na televisão Dunga comemora a boa fase e o 4 a 2 ontem sobre o Chile, afirma que o grupo da seleção é guerreiro e não se “acontenta” com outra coisa além da vitória. Corri pro Aurélio, não achei o verbo “acontentar”, além de brigão nosso inesquecível capitão também é dado a neologismos? Pareceu aquele pastorzinho que fala da “briba” “adiante-a-de Deus”. Mas tenho uma teoria com relação a esse gol do dunga contra o português. É que tem aquela parada “a contento”, tá ligado? A transação rolou a contento, a transação foi dentro da expectativa. E pensar que os jogadores o chamam de “professor”...
Outra coisa é essa felicidade em ver a Argentina se ferrar, sei lá cara, parece coisa de gente despeitada saca? Rivalidade meu cool, essa parada já deu. Quer coisa mais babaca do que Galvão Bueno enchendo a boca pra dizer que é muito bom ganhar da Argentina, porra meu, quando o Brasil arreia o calção pra França ninguém fala nada. Agora tá todo mundo gozando a cara do Maradona e a má fase dos Hermanos Hennings, tem um monte de blogs dizendo que Don Diego é a cara da Mafalda. Huhauhauha. Pior que é mesmo. Deu até saudade dos quadrinhos do Quino, ô cara, bons tempos...
sexta-feira, 13 de março de 2009
MOQUECADA COVER UND STYLE
Bom, mas se a gente acha tanta coisa legal e informativa pra baixar na Internet, pensei: por que não arrumar um empreguinho tamém? Um Jóbi, como eles falam, que se trabalhe pouco e que se ganhe muito, sonho de poder aquisitivo, sem precisar apostar dinheiro de inscrição na loteria do concurso e muito menos perder tempo estudando a constituição, o código civil e as novas regras da ortografia... Pois olha só o resultado que me apareceu essa semana:
terça-feira, 7 de outubro de 2008
MEU PRIMEIRO CAVALO FOI UMA ÉGUA!
Novela tem dessas coisas, as pessoas mudam de caráter como quem muda de roupa. Ora, mudar alguns hábitos e até sua atitude com relação ao mundo é uma coisa, mas mudar o seu próprio jeito de ser é complicado. Sabe como chamam isso? Teledramaturgia. Daí que me saem com essa pérola do non sense: “meu primeiro cavalo era uma égua”. Seria o equivalente a dizer: minha primeira esposa era um homem - o que, aliás, pode acontecer até nas melhores famílias, segundo ouvi dizer, não sei... - Mas e você, já pensou?
Bom, pelo menos serviu pra me divertir. Fiquei imaginando algumas outras situações engraçadas pra transpor essa frase, por exemplo:
O casal conversa enquanto caminha até a Lan House da periferia, ele displicentemente fala: “Você sabia que meu primeiro carro era uma bicicleta?”
Dois ambientalistas paqueram durante manifestação da Sociedade Protetora dos Animais, ele tenta sem muito sucesso convencer a companheira às práticas de acasalamento e murmura com emoção: “Podes ter certeza minha querida: o primeiro pinto que pia é a perereca!”
Batman e Robin lembravam a infância e o cara bat-rememora orgulhoso os carnavais de outrora: “A primeira vez que me vesti de super-homem foi com a roupa da mulher maravilha!”
Pra arrematar com uma piada local: dois percussionistas conversam sobre as variações harmônicas entre um tambor e um tamborete quando um deles me sai com essa: “Não cara, meu primeiro reco-reco era uma casaca!”
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
É AMIGOS: NÓIS TAMO NO (PRÉ-) SAL!

Por falar de cachaçada lembrei que essa semana o meu piloto, Seu Gercino, me falou que cachaceiro é quem fabrica cachaça: “nóis somo é consumidor!” Então tá certo. Mas falando de música sofrível, morreu o Valdick Soriano e a imprensa deu a maior importância.... Ah! Se fosse o Nelson Freire (Foto) ...
Aliás, dexeu contar uma anedota verídica que aconteceu comigo:
Uns anos atrás (Uêpa!), um dos principais “comerciantes” de instrumentos musicais aqui da Grande Vitória anunciava um piano de Cauda, constrangedoramente escrito com um sonoro “L”. Ora, o piano é um instrumento ansiforme (veja bem: em forma de ganso ou pato) e seu “u” vem da referência à cauda desses animais, todos vocês sabem que calda com “L” é simplesmente água e açúcar fervidas conjuntamente.
Mas então, liguei pro cara pra saber quanto é que custava o piano e ele ficou enfeitando a cauda de seu pavão com argumentos mais constrangedores do que seu português. Disse, por exemplo, que o piano era tão bom, mas tão bom que até a indefectível e, aliás, recentemente desfeita dupla Sandy e Junior tinha um.
Profundamente embaraçado por sua falta de melhores referências musicais retruquei:
- Poxa amigo, isso lá é argumento que se use pra vender um piano de cauda? Se pelo menos você me dissesse que Nelson Freire tinha um desses... – No que ele me respondeu intrigado:
- Nelson quem? (Espero que com essa anedota eu não soe muito elitista. Nelson Freire, para os que não têm obrigação de saber, é um dos mais aclamados pianistas do mundo. Nascido em Minas Gerais, mas criado no Rio, com seis anos Nelson já dava recitais e teve gravações suas incluídas entre as 100 mais importantes do século XX).
Mas então, essa semana eu fui o mestre de cerimônias de um encontro de jornalistas, evento super bacana que aconteceu ali no Centro de Convenções. Tinha muita gente dos principais telejornais locais e eu fiquei me coçando pra levantar a questão da abominável existência, porque misteriosa, da “Cotação do Café”. Aliás, falou-se tanto em modernização que me deu vontade de propor o “upgrade” da cotação do café pra do barril de petróleo. Não seria bem mais justo com a nossa situação atual?
Mas que nada, pelo jeito nós vamos é continuar mesmo no “pré”-sal.
