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domingo, 24 de outubro de 2010

VICTORIA SKYLINE


A poética é uma energia que perpassa as pessoas até que encontre numa delas um lugar pra se fixar. As ondas movem-se, deslocam o ar, espalham água salgada e o cheiro da maresia. Na maior parte do tempo passavam coisas dentro das mentes onde antes não existia nada: imagens, lembranças pensamentos e vazio.

Estava preso em um engarrafamento, a cidade está trocando de pele, que nem uma cobra ou um adolescente depois de um dia de sol. Preso sem ter pra onde correr, nem nada o que fazer, então veio o pensamento: você não me conhece. Sim, uma afirmação assim sem maiores pretensões, sem intenção de ganhar elogios nem tapinhas nas costas.

As pessoas não te conhecem, mas julgam conhecer as pessoas, então inventam um modelinho pra você. Qual o tipo de cão você seria? Um poodle, por exemplo? Jamais! Um Bulldogue, sei lá, um vira latas então? Não, as pessoas não te conhecem, não sabem nada de você, não sabem do que você é capaz e, pra falar a verdade, devem estar pouco se lixando. Elas querem mais é dizer a que vieram. Provar suas teorias.

Eu venho de um lugar onde nada acontece.

Um lugar pode ajudar a definir uma pessoa, quando ela diz de onde veio a coisa começa a clarear, especialmente para pessoas que gostam de julgar as outras. Eu defino o lugar de onde vim não por seu nome, mas por seu status situacional. Nada acontece no lugar de onde eu vim e você não me conhece. Provavelmente, depois disso, vai continuar sem conhecer, perder o interesse. Talvez seja melhor assim.

O trânsito está parado, a cidade está trocando de pele.
A poesia está circulando pelo ar
Eu venho de um lugar onde nada acontece.
Mas você não me conhece

Eu não sou poeta, eu acho que ninguém é. Trocamos de pele que nem adolescente após um dia de sol. Pego uma caneta e anoto a frase que apareceu na minha cabeça vazia: você não me conhece. Talvez eu vá fazer uma música, é uma prática comum por aqui, pena que venho de um lugar onde nada acontece. Portanto, a nossa poesia é vã, como a filosofia e quase tudo o mais.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CORRESPONDÊNCIA POÉTICA E INTERAKTIVA


Juca, tenho andado tão acostumado com "o estado de coisas" que nem me dei conta de que ainda é possível interagir. Fiquei meio pê mesmo quando li, porque afinal você extrapolou né?! Então lá vão as minhas humildes considerações:


VOCÊ NÃO PODE ESQUECER O PAPEL SOCIAL QUE DESEMPENHA!!!!!!!!!!!! NÃO PODE ESCREVER TUDO QUE DÁ NA TELHA NÃÃÃÕOO!!!!!!!!!!!!!!! SEU AMIGO ALTER EGO É UM BÊBADO INCONSEQÜENTE AO VOLANTE!!!!!!!!!!!!! OLHA O SINAL DE TRÂNSITO!!!!!!!!!!!!!! CUIDAAAAAADO!!!!!!!!!! K-BLAM!!!!! CRASH!!! BUM!!!! PÔU!!!! BLÊI!!!! TÓIM!!! TUM!!!! KRAK!!!! FÚ-FLASSSSSS......


Alex Pandini

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Ô Pandini, não é “alter ego” não (do latim: outro eu), você conhece o cara e esse cara não é “um amigo íntimo, no qual se pode confiar tanto quanto em si mesmo” (Dicionário Aurélio). Mas também não conto quem é, segredo de profissão, tá ligado? Tenho que preservas as minhas fontes... Uauhuhauha. Afinal ele pediu né? Mas tô achando interessante o rebuliço que a coisa deu. Me manda um poema seu preu publicar. Tô dando aula na UFES e sem tempo pra escrever.


Um abração.

Juca Magalhães

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Ok! Lá vai!


"Quando fechou os olhos buscando, encontrou apenas uma grande nuvem, longas paragens de solidão, fugidias percepções de ter perdido algo importante; uma rosa no deserto esmagada dançou pura e cálida em sua frente bailando exuberante feito dedos ao piano. Uma rosa ou um nome de mulher, um esquecimento... nuvens de poeira grossa trazendo de volta seu antigo sempre. Quando fechou os olhos buscando, quis ver as coisas como Deus, quis absolver o juízo dos versos comidos pelos hirtos de fome; quis morrer, quis ser o vento e soprar para longe. Quando fechou os olhos no escuro túnel dentro dele, viu a vida brincar violências num canto de estrada finito. Quis ser o Supremo Grande Vivo, acolher a humanidade num gesto divino e altivo. Mas, humano, voltou pro seu canto; semimorto, e redivivo."


Alex Pandini:


Nasceu no município de Colatina, no Estado do Espírito Santo, filho de humildes descendentes de italianos. Foi com muita dificuldade que se formou em jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. Fez "bicos" em rádio, jornal, revista, teatro, música, publicidade, até que em 1995, tornou-se repórter de TV, área em que atua até hoje.


Fonte: Site Poetas Capixabas. Que “esqueceu” de dar destaque à gloriosa passagem de nosso Pandini pela banda Lordose pra Leão em sua melhor fase nos áureos anos noventa. Esqueceu de dizer também que ele é um dos nossos maiores poetas em todos os tempos, vide a qualidade do texto acima...


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Poemas encontrados em meio a lembranças...


Labirinto:


Eu, eternamente seu.

Seu, eternamente eu

Seu eu, eternamente

Eternamente seu, eu


Morte Prematura


Amores deram certo

Amores deram errado

Medo, medo; medo, medo!

Estou só, estou acompanhado


Estou perdido, eu fui encontrado

Seu amor é muito cedo

Era vidro e se quebrou

Medo, medo; medo, medo!


Estar só e reviver

Liberdade e esperança

Leão desdentado, cavalo manso


Casa vazia e em paz

Como em um cemitério

O coração descansa ... Jazz