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segunda-feira, 15 de março de 2010

Conversa com João Carlos Martins no SESI

João Carlos Martins é uma lenda da música, um dos maiores intérpretes de Bach, muito respeitado em todo o mundo por suas gravações do grande mestre do período barroco. Portanto, não só o concerto será imperdível, mas quero chamar atenção de todos para a conversa com o maestro que vai acontecer às 19 horas e que, sem sombra de dúvida, é uma oportunidade muito bacana de falar sobre música e projetos sociais.

O preço da entrada é outra boa idéia: a doação de um livro infantil. A solista Patrícia Souza é recém formada pela FAMES e deve interpretar algum dos concertos para teclado e orquestra de Bach. No todo a iniciativa é fantástica e o programa é simplesmente imperdível!



domingo, 14 de março de 2010

A CRÔNICA DO MEU PRIMEIRO AMOR

Daí que ontem foi aniversário de Renatinha e a festa foi na casa onde morava um amigo de infância, na rua que morei quando tinha lá pelos meus doze, quatorze anos. Foi naquela rua que vivi muitas aventuras de guri e da qual preservo com carinho algumas de minhas mais caras lembranças pré-adolescentes. Lá na esquina tem um prédio que hoje está velhinho perto de seus vizinhos onde moravam vários amigos como o Geraldo, o Dodas e uma menina loirinha que foi o que mais próximo eu cheguei de um amor juvenil.


Minha mãe era colunista social, como muitos devem saber, então muita gente me pergunta se não sinto falta daquela vida agitada de nosso assim chamado high society capixaba. Que pergunta mais sem propósito! Amava a minha mãe como a maioria das pessoas ama a sua, porém – embora para muitos o que vou dizer seja uma surpresa - esse lado escancarado de colunista dela sempre foi um incômodo para todos nós, razão pela qual dou aqui um exemplo concreto.


Logo correu pela casa a notícia de minha paixonite juvenil, enquanto isso eu sofria com aquele sentimento novo e o acalentava com o receio exagerado de ser mortalmente ferroado, ferido, aprisionado, como as pessoas inexperientes na mata selvagem. Nem às paredes eu confessava que estava amando, morria de vergonha daquele sentimento incontrolável que se apossara de minha barriga como uma revoada de borboletas toda vez que via aquela menina, então eu escondia aquele sentimento dentro de mim e o negava para tudo o mais.


A minha amada devia estar assim também, porque ela me procurava todos os dias, criou-se entre nós uma espécie de ritual: todos as manhãs nós nos víamos e religiosamente caminhávamos pela quadra em que morávamos conversando sabe-se-lá sobre o quê. Os passeios se sucediam e os mexericos foram se intensificando, nosso pequeno caso de amor virou assunto em minha casa e na vizinhança, era diversão para os empregados e pessoas simples que se alvoroçam quando vêem os cachorros no cio.


A notícia de meu caso de amor logo chegou aos ouvidos da matriarca e ela ficou muito orgulhosa: seu filho estava se transformando em um homem! Sabem o que ela fez? Sapecou uma nota no jornal no melhor estilo “meu filho Juca está apaixonado!” Casa de ferreiro, espeto de pau. Obviamente eu não lia a coluna de minha mãe, mas para meu azar muita gente lia. O pai da minha amada, por exemplo. Logo meu segredo mais secreto era uma notícia social espalhada aos quatro ventos, até os peixeiros devem ter embrulhado pescados com a notícia de meu amor para seus clientes.


O mais doloroso de tudo foi que nem para a minha amada eu havia tido a coragem de confessar aquele terno sentimento... Ela o descobriu pelo jornal, da pior forma possível, tomando um senhor esbregue da família. Ora a menina devia ter uns dez anos, qual pai não ficaria puto da vida? Logo, fomos proibidos de nos encontrar e nunca mais tivemos nossos passeios inocentes, nunca mais sonhar em viver aquele amor. Os anos se passaram e eu voltei naquela rua por uma coincidência da vida, num dia de verão, o calor sufocante espremeu lembranças através de meus poros. Nós nos reencontramos depois, anos depois. Mas isso é outra história e ela está no Livro do Pó, breve vocês poderão saber como acaba.


Segue abaixo um “teaser” da capa do Livro do Pó – feita pelo Pedrão Nascimento - que está em sua fase final de edição – na Gráfica A1 - e deve ser lançado em algum lugar do mês que vem, muito provavelmente no Teatcher’s Pub que fica no Suvaco da Perua, pertinho de onde o grupo Pó de Anjo ensaiava e outras coisas rolavam... Enquanto isso tenham uma boa semana e não deixem de coisar e aparecer na televisão, segundo Gore Vidal , isso é o fundamental...


sexta-feira, 12 de março de 2010

GERALDÃO FORÉVIS!

Agora estão descobrindo que a morte do Glauco foi coisa de maluco enfiado em drogas e seita religiosa, certamente uma combinação explosiva. Mas quero reproduzir aqui uma das piadas mais engraçadas do Glauco que li numa tirinha do Geraldão - um cara que nos deu tantas alegrais tem que ser lembrado com humor - era mais ou menos assim:

O menino entra na cozinha e o pai trincadão tá batendo o pó com uma gilete em cima de um prato: Téc, téc, téc!

- Pai? Que cê tá fazendo?

- Nada não meu filho... (snif!) Tô batendo mandiopã com banana...

- Ué pai, mas logo em cima da cocaína?

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Vaya com Dios Glauco, Geraldão Forever!

Morre o criador do Geraldão!


Cartunista Glauco é morto com 4 tiros em Osasco

Plantão | Publicada em 12/03/2010 às 10h47m

Reuters/Brasil Online

SÃO PAULO (Reuters) - O cartunista Glauco Villas Boas, de 52 anos, criador do personagem "Geraldão", foi morto com quatro tiros em sua residência na cidade de Osasco na madrugada de sexta-feira, informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Segundo o advogado de Glauco, Ricardo Handro, o cartunista e seu filho Raoni, de 25 anos, foram mortos por bandidos numa tentativa de assalto na casa da família.

A Secretaria de Segurança informou que quando as viaturas policiais chegaram ao local as vítimas tinham sido socorridas por familiares e encaminhadas para o hospital Albert Sabin, mas morreram a caminho do hospital.

De acordo com uma testemunha ouvida pela polícia, três suspeitos chegaram em um carro cinza à casa da família e efetuaram os disparos, segundo o boletim de ocorrência.

Além de cartunista, Glauco também trabalhou como redator em programas humorísticos na tevê.

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Caramba, eu era fãzão do Glauco. O Geraldão foi um personagem fundamental para o cenário roquenrou dos anos oitenta. Tô chocado e passado com essa notícia. Até onde vai a barbárie dessa sociedade cruel que estamos ajudando a construir?


domingo, 7 de março de 2010

EM UMA PALAVRA SÓ: BOMPRACARÁLIUUUU!


Não costumo gostar muito de refilmagens, acho que foi uma implicância que desenvolvi quando fizeram aquela versão lamentável e imbecil de “A Gaiola das Loucas”, depois dessa sempre que os gringos entram numa de dar a versão Bigmac pro que eles consideram um bom filme “estrangeiro” eu prefiro passar batido. Peguemos, por exemplo, o clássico suspense “O Silêncio do Lago” que em sua versão Hollywoodiana ganhou até um inaceitável final feliz. Tem o caso também de outra comédia francesa chamada “Os Visitantes”, ótimo filme, mas que em sua versão USA ficou uma porcaria. Até com produções do passado deles mesmo eu tenho o pé atrás, caso do filme “Os Produtores” - que por aqui em sua versão original (1967) ganhou o nome de “Primavera Para Hitler” – por amar o original nem quis ver o falso, fico pensando como é que o Mel Brooks deixou...


Daí que quando fiquei sabendo da refilmagem de FAME – um clássico do início dos anos oitenta – fiquei cético e até ofendido em minha memória cinematográfica afetiva. Mas acabei me surpreendendo com essa nova abordagem e estou aqui pra pagar a minha língua. Nova York é um puta centro cultural e as escolas de arte de lá – entre muitas outras, evidentemente - fornecem mão de obra para a Broadway continuar funcionando. É numa dessas escolas que a história se passa enfocando os jovens que – guardadas as devidas proporções – manifestam as dúvidas e vivem os mesmo dilemas daquela rapaziada de trinta anos atrás. A arte é dinâmica como a moda e a cultura de forma geral e a maior qualidade desse novo FAMA é justamente nos apresentar uma boa história sob o viés atual de um determinado fazer artístico. Essa nova versão não é uma cópia do roteiro anterior – como no caso grosseiro de A Gaiola das Loucas - mas uma atualização bem feita e deliciosa.


O dilema das artes e de seus intérpretes não envelhece, indefinidamente ilude inúmeros corações e mentes e constrói todo um pano de fundo para a vida das outras pessoas. Os artistas nos divertem, distraem nos momentos de tédio e solidão, embalam nossos sonhos e amores com suas canções. O que seria do mundo sem os artistas? Por isso alguns se tornam tão amados e perseguidos, criticados e bajulados, por isso tantos perdem o contato com o mundo real e tantos são os que por isso sofrem; o que me leva a abordar o próximo assunto deste texto: vi também dois filmes imperdíveis que têm histórias muito parecidas, sua parte mais importante se passa na mesma época, mas os finais acabam sendo bem diferentes.


Primeiro vi o excelente “Simonal – Ninguém Sabe O Duro Que Eu Dei”, uma verdadeira pedrada na mente! Eu lembro pouca coisa do Simonal, mas vendo o filme descobri que a versão de “País Tropical” que eu sempre gostei era com ele e não a do Jorge Ben. O filme tem depoimentos muito bacanas de caras populares na época - e até hoje - como Pelé e Chico Anysio, só para citar dois. Mostra a meteórica ascensão de um menino pobre que viria a se tornar o mais popular entertainer do país na virada dos anos setenta, depois veio a derrocada da carreira e as inúmeras hipóteses para razões de tantos porquês. É uma história triste, mas contada de forma muito respeitosa e emocional, como penso que deve ser.


Depois vi o Loki que dá conta da trajetória do músico Arnaldo Batista. Uma história parecida com a de Tom Zé, que aparece no filme falando de maneira amalucada sobre ter participado da segunda escola vienense e do rompimento da tonalidade (como assim?). Arnaldo foi do céu ao inferno em poucas lições, o início idílico com Os Mutantes, o casamento com aquela linda adolescente chamada Rita Lee, depois a descoberta do LSD e o início da fase negra que terminaria com internações em manicômios até a trágica tentativa de suicídio na noite de ano novo, que era também aniversário da ex-mulher. As feridas deixadas por aquela relação parecem ser muito mais profundas do que até então havia se falado e do que o próprio filme explicita; só para dar uma idéia, a verdadeira matriarca do Rock Nacional se recusou a dar seu depoimento no filme, mas felizmente cedeu o uso de suas imagens.



Ressurgido das cinzas após um longo período de ostracismo – exatamente como na história de Tom Zé – Arnaldo, mais precisamente Os Mutantes, são garimpados por gringos fuçadores de música “diferente” como o David Byrne e esse resgate trás de volta o peculiar criador para o mundo que ele mesmo decidiu abandonar em tempos passados. É feita em Londres uma exposição sobre a Tropicália com um muito esperado show dos Mutantes, tendo Zélia Duncan no vocal, com um monte de artistas gringos pagando pau pros caras. O ponto alto destas é o aparecimento do músico “sui generis” Devendra Banhart que rasga um monte de seda sobre o show e termina seu depoimento assim: in one word (em uma palavra): bompracaráliuuu!


E eu pensei uma só palavra com meus botões: debuquisondetêibou! Mentira, eu ri foi “pracaráliuuu”. É delicioso ver os gringos tentando falar nossa língua pra variar, mal posso esperar o dia em que o congo será descoberto por David Byrne também e a nação botocuda se tornará mainstream “ao vivo e a cores” para todo o Brasil e quiçá o universo. Já imaginou as crianças lá no Harlem estudando as sutilezas interpretativas de instrumentos complexos como a casaca ou o tambor de pele de marreco e em tudo quanto é telejornal do mundo dando a cotação do café? Eu mal posso esperar...

CORRESPONDÊNCIA ELEKTRÔNICA...


Quero convidar os amigos que se interessam por cultura e aqueles que nem tanto assim também, para conhecer a “Exposição e Feira Literária da Barra do Jucu” que vai somente até a noite de hoje - 7 de março de 2010. A iniciativa é do artista Kleber Galveas e a exposição acontece em seu ateliê na Rua Antenor Carneiro, 66, na Barra do Jucu. Andei trocando umas correspondências com o Kleber que é muito gente boa e até adquiriu um exemplar do meu livro sobre a nossa Filarmônica para fazer parte da exposição, segue então um trecho de correspondência trocada com ele...


Você que é artista Kleber, sabe como é complicada a nossa história. Quando fiz esse livrinho sobre a nossa querida e talentosa orquestra filarmônica - que, por sinal, fez ontem um lindo concerto no Marista - eu havia sido convidado para fazer um projeto de revitalização e organização das partituras do grupo e quando pedi um histórico para colocar na apresentação, descobri que simplesmente não existia nada que pudéssemos utilizar como tal. Coisas de lugar bem em inciozinho de sua organização social, falo de nosso Estado enquanto guardião da nossa memória, a OFES nessa época ia já a mil por hora.


Nas minhas horas vagas então - na época eu trabalhava em dois lugares ao mesmo tempo - resolvi pesquisar e descobrir as razões e os porquês daquele misterioso hiato, aquela verdadeira omissão. Acredite amigo, não foi nada fácil. Esbarrei em algumas ciumeiras bobocas muito antigas, em preciosismo de memórias que não batiam com fatos narrados em jornais, essas coisas comuns à pesquisa histórica. Fiz então esse texto que é bem enxuto e conciso, porém de conteúdo importantíssimo simplesmente porque não tem mais nada sobre o assunto para consulta e amanhã ou depois aquelas informações que eu recolhi já terão ido para o espaço, se é que já não foram.


Depois de publicado pelo respeitado IHGES na última “Dezembrada” que contou com a presença do saudoso historiador Renato Pacheco, o livrinho seguiu sua trajetória de filho independente, sempre criticado - e algumas vezes até menosprezado, pelo seu tamanho diminuto e conciso, porém sempre lembrado e cada vez mais lido. Fico então pensando nos inúmeros calhamaços já publicados sobre aspectos não tão relevantes de nossa história e que estão por aí solenemente relegados a um justo esquecimento, sendo a única razão que existe para serem taxados de obra de peso o seu volume mesmo.


Pra encerrar tenho uma história agridoce pra te contar e que (talvez) vá ficar entre a gente. Quando eu trabalhava com aquele prefeito nosso amigo que você sabe quem é, ele me pediu para te convidar para algum evento naquele tradicional espaço cultural, não sei se você lembra. Então, a sua resposta foi veemente e exaltada, me pedindo para dizer ao prefeito, entre outras coisas, que não ia a coisa nenhuma lá enquanto não fosse tirada "aquela doida" da administração. Bom, não nos conhecíamos realmente naquela época e fiquei pensando se devia retransmitir ou não o seu recado mal criado ao nosso alcaide.


O que você não sabe é que uns dias depois o mesmo veio me cobrar o contato e sua presença. Falei então que tinha lhe telefonado, que você afirmou que não ia de jeito nenhum e que tinha me dito poucas e boas.


- Ah é? Mas o que foi que ele disse? - Tentei desconversar:


- Ele... Falou umas coisas lá, poxa chefe eu fico até sem graça de repetir. - Foi aí que ele insistiu mesmo, talvez pensando que você tivesse falado mal dele:


- Fala rapaz, o que foi que ele disse? Eu tô mandando, pode falar. - Quando não sei o que fazer, geralmente respondo à queima roupa, mais ou menos como quem tira o santo do altar pra jogar na sarjeta:


- Ele falou que a pessoa que cuida da parada lá é uma doida! Que é uma vergonha ela estar à frente desse trabalho e que o acervo está sendo destruído por sua irresponsabilidade! Foi isso, falou que a mulher é uma doida! - Sem demonstrar a menor surpresa o chefe se achegou mais para perto de mim olhando pros lados e falou pegando no meu braço:


- Pior Juca, é que ela é uma doida mesmo!


terça-feira, 2 de março de 2010

ABERTURA DA TEMPORADA 2010

Atenção meu povo, hoje (3 de março) tem abertura da temporada 2010 da tradicional Série de Concertos Sinfônicos "Quarta Clássica" da nossa querida Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Um programinha delicioso até para quem não é muito fã de música de concerto: vai rolar a conhecidíssima obra “As Quatro Estações de Vivaldi”, música largamente utilizada em propagandas como da Divinólia ou algo que o parta. Pra encerrar será apresentado o concerto duplo de Brahms, porque é para dois instrumentos solistas, a saber: violino (Daniel Guedes) e violoncelo (Antonio Del Claro).


A regência é do meu amigo de sobrenome complicado, um verdadeiro terror para os releases de imprensa, Helder Trefzger. Como é que pode um sobrenome com seis consoantes e apenas duas vogais? Só mais um detalhe, como o Theatro (sic) Charlos (sic) Ghomes (hehehe) está passando pela sua enésima reforminha, o concerto vai acontecer no Teatro do Marista em Vila Velha. Só espero que não continue esse dilúvio, porque aquela região alaga como o quê, mas também, é preferível ao calor que estávamos passando.


Lembrando disso, fomos assistir recentemente ao show de Marcelo Mansfield e rachamos o bico, quem não foi perdeu. O cara já começou dizendo que gostava muito de estar em vitória e que nunca havia passado por aqui no verão e UAU! Diz ele que transpirou em lugares que nem sabia que existiam.


Outra piada que me ocorre, agora com relação ao violoncelo, um dos solistas da noite, é que um músico estava tocando contrabaixo em um barzinho e depois do show foi abordado por uma senhora querendo o contratar para tocar no casamento da filha porque tinha adorado o som do violoncelo. O músico agradeceu os elogios, mas corrigiu que o que ele estava tocando era contrabaixo, daí a coroa falou: - Ah é? Então não vou querer contratar mais não...


Nos vemos lá galera!