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quarta-feira, 22 de junho de 2011

DESCOBRINDO A CIDADE


Os olhos inocentes da infância fitam a paisagem pela janela do ônibus, lugares conhecidos, outros confundidos; tudo é novidade, tudo é razão para excitação. “Tio, falta muito pra chegar?” Pergunta que não queria calar e que se repetiria ao longo do trajeto. A resposta foi outra pergunta que apelava à razão “Mas vocês não queriam passear?” Sim, mas também queriam chegar logo. E correr, gritar e ficar na piscina até enrugar a pele. Após uma coisa as crianças querem logo outra e depois ainda outra diferente...


 Quando o ônibus passou o pedágio da terceira ponte os comentários de deslumbre tomaram conta da criançada: o mar, os navios, a cidade vista de cima, o tão falado Convento da Penha. Crianças da periferia da Serra de oito, dez anos, que nunca tinham visto aquela paisagem comum de uma cidade que chamam de sua, mas que não o é por inteiro. Nem todos podem usufruir de tudo, na verdade entre nós esses são muitos poucos; é cruel a quantidade de meninos e meninas alijados minimamente do que a “sociedade de consumo” tem para oferecer.



Por isso dentro da programação do Projeto Canto na Escola foram pensadas atividades complementares para os meninos e meninas que estudam música e balé. A intenção de levar os alunos “para passear” não é simplesmente proporcionar lazer, mas integração e confraternização, concientização e cidadania, em resumo: pertencimento ao grupo e valorização da experiência. É também interessante, circular com os jovens pela cidade em que estão inseridos mostrando que o mundo não se resume apenas à sua comunidade.  



O passeio reuniu em torno de 200 alunos do projeto Canto na Escola e aconteceu no último dia 21 de junho, por sorte - e felicidade geral de todos - um lindo dia de sol, apesar das baixas temperaturas verificadas nas últimas semanas. O lugar escolhido para o passeio foi a Fazenda Camping da Barra do Jucu, onde desde 1982 foi instalado o primeiro projeto de agroturismo do Espírito Santo e que oferece 150 mil metros quadrados de lazer com várias piscinas, áreas para prática de esportes, parquinho, fazendinha e muito mais.


No final do dia reuniram-se os grupos de alunos da escola Governador Lindenberg do bairro Barro Branco e dos CAICs dos bairros Novo Horizonte e Feu Rosa para o ensaio de um grande coral regido pela coordenadora do projeto, a maestrina Alice Nascimento. O projeto Canto na Escola é uma ação cultural do Instituto Todos os Cantos e tem patrocínio da empresa ArcelorMittal Tubarão. Para maiores informações entre em contato conosco através do email: todososcantos@hotmail.com



sexta-feira, 17 de junho de 2011

RAPIDINHAS CULTURAIS - HISTÓRICAS


Eita! Faz tempo não rola uma rapidinha cultural, então vamo lá! A Letra Elektrônica anda submersa juntamentemente com Emma Frost, os integrantes da banda Enceradeira Elétrica e outras figuras do udigrudi filosófico em busca de informações complementares que irão integrar o texto final da segunda edição da conhecida obra Da Capo – Breve História da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo.

Em um assalto pirata invadimos e fomos muito bem recebidos no Arquivo Público Estadual, de onde retiramos à força um butim de inestimável riqueza e importância histórica. Por exemplo, descobri que Natércia Lopes deu uma entrevista nos anos oitenta em que afirmou ser seu desejo que, após sua morte, fosse erigida uma estátua sua completamente nua e voltada para a baía de Vitória (!). Só para deixar os leitores com ainda mais água na boca (embasbacados?), segue uma foto exclusiva do maestro Jaceguay Lins regendo a Orquestra local no início dos anos oitenta e sem barba (!)



I WORKSHOP DA VOZ FAFI

Dia 28 de junho, terça feira, de 19 às 22hs, Elaine Rowena estará comandando na Fafi o I Workshop da Voz da instituição. Para meus caros amigos que ultimamente têm solicitado orientação para o canto e desenvolvimento da voz, essa é uma boa pedida...

Quem quiser participar, deve entrar em contato através do e-mail contatofafi@hotmail.com e solicitar a ficha de inscrição, que deve ser devolvida para o mesmo endereço eletrônico até o dia 20 de junho, às 18h. O crachá de identificação, bem como material didático será entregue na secretaria da Fafi no dia 27 de junho, das 9h às 20h.

Uma equipe multidisciplinar composta pelos doutores Gustavo Segóvia (fonoaudiólogo especialista em voz para teatro e canto) e Dan Mendonça (otorrinolaringologista especialista em voz) e pela cantora lírica, bailarina, atriz e psicopedagoga Elaine Rowena estarão mediando a dissertação sobre voz falada e cantada (prática e teórica) apresentada pelos alunos do curso de teatro da instituição.

Uma mesa redonda de debates com os temas voz falada e cantada, aparelho fonador, doenças do trato respiratório e vocal e saúde será aberta a interessados de todas as áreas. Serão oferecidas 70 vagas (gratuitas) com certificado de participação. A escolha dos participantes será por ordem de inscrição.

Serviço
I Workshop da Voz Fafi
Quando: 28 de junho, de 19h às 22h.
Onde: FAFI: Av. Jerônimo Monteiro, 656, Centro, Vitória.
Inscrições: através do e-mail contatofafi@hotmail.com, até o dia 20 de junho.
Mais informações: 3381-6921 e 3381-6923.

SE MINHA SOLIDÃO FOSSE UM PEIXE ELA SERIA UMA BALEIA...

Segue também flyer para headbanger nenhum botar defeito, show da banda Dead Fish, com lançamento de videoclip do Undertow... Simplesmente imperdível.



quinta-feira, 16 de junho de 2011

NOVOS ÍCONES POSITIVOS - CANTO NA ESCOLA NA VI CONFERÊNCIA DA SERRA

A Secretaria Municipal da Serra está realizando no Hotel Praia Sol em Nova Almeida, a VI Conferência Municipal de Saúde “Todos Usam O SUS!”.  O tema central da conferência é o SUS e seus desdobramentos na seguridade social, política e pública e como patrimônio do Povo Brasileiro. A conferência promoverá dois dias de debates e foi convocada pelo Conselho Municipal de Saúde da Serra.

A VI Conferência de saúde da Serra teve início ontem (15 de junho) com participação da banda de congo de Nova Almeida formada por jovens com necessidades especiais da Sociedade Pestalozzi da Serra e com o “Coral Sonhos e Sons” formado por alunos do CAIC do bairro Feu Rosa na Serra. Os jovens cantores participam do projeto Canto na Escola e na abertura do evento cantaram, como se vê na foto abaixo, o hino nacional e do município anfitrião.



Regente e coordenadora do projeto a maestrina Alice Nascimento destaca que “proporcionar experiência de palco aos coralistas é um dos principais objetivos do projeto Canto na Escola. Essa iniciativa se torna muito importante por fazer parte do resgate da cidadania, da elevação da auto-estima e da socialização destes jovens. É de fundamental importância a criação de ícones positivos entre a juventude que convive com uma situação de alto risco social em sua comunidade, proporcionando a descoberta de novos talentos e inspirando os que estão chegando com o exemplo de iniciativas vencedoras em seu meio social.”



A VI Conferência Municipal de Saúde da Serra prossegue hoje com diversas plenárias temáticas e mais uma apresentação especial - às 13:30 - do “Coral Sonhos e Sons”. O trabalho desenvolvido pelo projeto Canto na Escola é uma ação cultural do Instituto Todos os Cantos e tem patrocínio da ArcelorMittal Tubarão. A coordenadora do projeto, maestrina Alice Nascimento, informa que as apresentações do Canto na Escola são gratuitas e estão abertas a novos convites. Contato pelo telefone 27 9814 9906 ou email aalicenascimento@hotmail.com.  

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CANTO NA ESCOLA IN CONCERT

2011 marca o início do Projeto Canto na Escola, uma realização do Instituto Todos os Cantos com patrocínio da empresa ArcelorMittal Tubarão. O projeto é uma ação que promove o Canto Coral e a Música em geral, atuando em três escolas municipais dos bairros Barro Branco, Feu Rosa e Novo Horizonte na Serra. O Canto na Escola atende trezentos alunos com aulas de musicalização, violino, canto coral, banda marcial e até mesmo ballet. As inscrições no início do ano superaram a capacidade do projeto em mais de duzentas crianças, dando origem a uma lista de espera e à busca por maiores investimentos.

Os meninos e meninas do projeto Canto na Escola vão realizar uma participação muito especial na Sessão Solene Alusiva ao Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho) na câmara Municipal da Serra. O evento acontece nesta quarta-feira (08 de junho) às cinco da tarde e é uma iniciativa do vereador Marcos Tongo (PTdoB). Estarão se apresentando os alunos do Caic do bairro Novo Horizonte, Serra. O projeto Canto na Escola tem coordenação da maestrina Alice Nascimento e estarão participando em torno de quarenta jovens cantores.

Nos próximos dias 15 e 16 de junho a Secretaria Municipal de Saúde da Serra vai realizar no hotel Praia Sol em Nova Almeida uma conferência abordando questões da área. Nos dois dias do evento haverá participação dos alunos do projeto Canto na Escola com um coral formado por cantores do Caic do bairro Feu Rosa na Serra.

Os interessados em maiores detalhes sobre as apresentações do projeto Canto na Escola ou que queiram agendar participação dos grupos devem entrar em contato com o Instituto Todos os Cantos através da coordenadora do projeto Alice Nascimento no telefone 27 9814 9906 ou pelo email aalicenascimento@hotmail.com.  



sexta-feira, 3 de junho de 2011

E PENSAR QUE PARA CÁ VIERAM OS DEGRADADOS...


Amigos e amigas, como diriam os políticos mais desavisados, A Letra Elektrônica anda muito ocupada participando secretamente de passeatas pela cidade e quer com isso justificar a sua recente ausência internáutica. Segundo apuramos até o momento, o corpo a corpo com a PM não está sendo fácil, várias adolescentes de caras pintadas e excitada de indignação dizem em tom de revolta que "se um tiro de bala de borracha pegar no olho cega" e, apesar da miopia, preferimos continuar com os dois.

Enquanto isso, estão querendo mudar o nome de Fundão para "Fundão do Poço", numa alusão à Fundão dos Índios da qual falaremos a seguir. A população fez festa e aplaudiu quando foram presos seus representantes públicos e A Letra Elektrônica paga inteira para andar de ônibus. O prefeito de Fundão deu entrevista hoje cedo, logo depois seria afastado, o que, pelo jeitão cabrunco, deve ter-lhe sido um verdadeiro alívio. Negou tudo, mesmo afirmando não saber de nada. Nunca vi um senhorzinho tão apático e inoperante em face de uma situação tão periclitante. Se bobear eu vou pra lá...

Quero compartilhar um texto enviado por meu querido primo Felipe e escrito pelo amigo Marcus Machado que há tempo não vejo. Marquinhos tem uma onda parecida com a nossa de dar uma futucada no passado e invocar memórias de tempos em que as coisas pareciam mais bacanas. Nem sei, aliás, tenho dúvidas. Ganhei de Reinaldo Santos Neves o livro de Basílio Carvalho Daemon sobre a província do Espírito Santo.

Senhores (e senhoras) vocês sabiam que em 1810, os índios mataram a flechadas o comandante de uma força de milicianos nas cercanias de Vitória e no ano seguinte descobriram que muitas pessoas empregadas na Junta da Real Fazenda desfalcavam os cofres públicos? Por essas e por outras podemos ver o quanto avançamos de lá para cá... Segue o texto:

Fundão dos índios
Por Antonio Marcus Machado

02/06/2011 A Gazeta

Houve um tempo, no Espirito Santo, em que uma jornalista marcou sua época pela forma como escrevia e comentava o cotidiano capixaba. Polêmica, ela tingia com tons fortes a fotografia urbana, o cenário em que se inseriam os novos ricos e a dinâmica social movida pelos bailes esvoaçantes da cidade.

    Pertenceu a uma era em que as mulheres ainda não tinham a personalidade empreendedora de hoje, e de modo geral era possível dizer que muitas realmente eram madames, boas esposas, filhas comportadas aguardando o baile de debutante e as mais requintadas, boas para casar.

    Vitória, a capital, tinha no Teatro Carlos Gomes o som dos Mamíferos, no Mar e Terra as ironias de Carmélia e no Britz Bar a vida libertária da ilha. Os velhos canhões do Saldanha na verdade protegiam os namorados e frequentadores da boate Buteko. A vida corria assim. Os jornais locais eram de vanguarda. Bons jornalistas esquivavam-se dos golpes contundentes da ditadura e a Universidade Federal caminhava sem lenço e sem documento.

    O centro da cidade abrigava seus trabalhadores com a mesma paixão que acalentava os boêmios, aspirantes a intelectuais, teatrólogos e cineastas potenciais. Esse era o palco em que Maria Nilce personificava sua coluna jornalística. Tinha uma grafia felina e provocante, muitas vezes. Creio que não tinha por preocupação agradar a todos. Nem a poucos.

    Seu compromisso era com a sua percepção da realidade e das pessoas. Marcou época. Seja pela sua peculiar beleza, pela maneira ousada como se vestia e se portava ou pela expectativa matinal que os leitores carregavam até lerem seu texto, sempre imprevisível. Cultivou afetos e desafetos. Plantou sementes que lhe trouxeram tanto o bem quanto o mal. Como aquele definitivo, que lhe tirou covardemente a vida. A Vitória da Rua sete, do Miramar, do Praia tênis e do Álvares, do Caldo Lira, do Cine São Luís, do Jairo Maia e Golias, não mais a leria.

    A leitura de jornais antigos permite perceber que ela tinha muito orgulho de onde nascera. Pode ser até uma percepção equivocada minha, mas vi alguns textos em que isso era cristalino como água de fonte límpida. Dizia com orgulho que nascera em Fundão. Fundão dos índios, acrescentava.

    Não era comum àquela época pessoas emergentes valorizarem sua origem interiorana. Talvez fosse assim que ela gostava de provocar a elite emergente, as socialites de então. Mas o que é possível afirmar é que ela tinha muito orgulho de sua cidade natal. E tinha razão para isso.

    Aquele município tem uma significativa história na formação da vida capixaba. O trem, ao chegar, passava solenemente pela alegria de seus moradores, trazendo e levando seus sonhos e esperanças. A estrada de ferro Vitória-Minas cortava uma cidade que já recebeu duas visitas importantes: o imperador Pedro II e o presidente Dutra.

    Considerando todo o amor de Maria Nilce pelo seu município, certamente, se fosse viva ainda, hoje ela usaria seus tons mais contundentes para registrar sua indignação pelos indícios de corrupção e de formação de quadrilha. A expectativa dela certamente seria, caso os indiciados sejam julgados culpados, que seus crimes não fiquem impunes, como o dela parece que ficou.

    Antonio Marcus Machado é economista e professor universitário