Páginas

sábado, 2 de junho de 2012

O DIA DO JULGAMENTO ESTÁ CHEGANDO

Desde o assassinato de Maria Nilce em 05 de julho de 1989 que nós de sua família confiamos e acreditamos no trabalho de investigação da polícia federal e da promotoria. A maioria talvez não se recorde, mas houve um período inicial do caso em que a investigação foi flagrantemente confusa quando comandada pelos delegados Claudio Guerra e Josino Bragança da polícia civil, a confusão do inquérito policial foi tão grande que gerou manchetes do tipo "Loucademia de Polícia"...


Quando a polícia federal assumiu o caso e este realmente começou a ser investigado, surgiram indícios de envolvimento de pessoas bastante poderosas na cidade como o empresário Gilberto Michelini. Dá o que pensar o fato do advogado deste último ter chegado a acusar publicamente o viúvo de Maria Nilce, o também jornalista Djalma Juarez Magalhães, de ter mandado matar a própria esposa, como foi publicado em A Gazeta no dia 05 de novembro de 1989.

Clique para aumentar
 
Ainda segundo o que está publicado nesta reportagem, Djalma faz menção a algumas "coincidências" no inquérito, como o do fato da família Michelini estar preocupada com ameaças de sequestro à sua filha, tendo seu advogado contratado os policiais Romualdo Eustáquio Luz Faria (o Japonês), Pedro Suzana e Paulo Cézar o "Cicatriz", para cuidar da segurança. Todos estavam na época envolvidos com denúncias de participação no Crime Organizado, com o agravante de que o tal "Japonês" acabaria acusado de participação no crime que vitimou Maria Nilce e aguarda julgamento, como veremos mais à frente.


Indiciado por participação no crime de Maria Nilce e por outro em Pedro Canário, o ex-policial Romualdo Eustáquio Luz Faria, o "Japonês", estava foragido e acabou sendo preso ontem na pracinha de Vila Velha, como está noticiado no site gazetaonline. Bem a tempo de participar de seu julgamento que vai acontecer no próximo dia 10 de julho, junto com o do ex-policial militar Cezar Narciso. Após este julgamento a promotoria espera dar por encerrado o caso que vem se arrastando por quase 24 anos.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A VIDA FORA DE CONTROLE!


 
Um dia desses ouvi um roqueiro moderno dizendo que a alma do rock hoje está no hip-hop e que por isso tem colaborado em gravações de artistas do gênero e participado de suas apresentações. Dizer onde é que foi parar a verdadeira energia do rock é uma tarefa complicada, porém, embora não seja mainstream no Brasil a música eletrônica, funk, rap, hip-hop, sei-lá-mais-o-quê – não me pergunte como são divididas e diferenciadas – estão dominando a cena e isso é muito perceptível nos filmes para adolescentes gringos mais recentes ou nas compilações de vídeos e tutoriais do youtube.
 
O Project X – Uma Festa Fora de Controle, foi lançado em março, mas não lembro de tê-lo visto em cartaz na Grande Vitória. É aquela mesma e velha história de meninos doidos pra ganhar popularidade no high-school, transar e zoar com o carrão do papai; não necessariamente nessa ordem. Quem tem mais de quarenta já viu esse filme umas trocentas vezes, mas não no grau de esculhambação dessa produção. Eu dizia em um post anterior que a juventude de hoje me parece mais comportada, porém, possuem meios de comunicação e divulgação de suas baladinhas que nenhuma das gerações passadas tiveram. Conseguem transformar uma zorra caseira em algo monumental ou, como diz o título da película (película?), totalmente fora de controle. Mas a música black eletrônica domina desde o início. Os meninos vão entrando na casa do aniversariante ouvindo uma canção que diz assim:

- Hey! We want some pussy!  

Não me peçam pra traduzir, porque a Letra Elektrônica, apesar de ser “esculhambation pride”, segue uma linha editorial antiquada que ainda mantém o costume de verter Shit! (correção de Machadinho), por Droga! Quando finalmente rola a festa dos meninos maluquinhos não há de se ouvir nem uma vezinha só o ronco das guitarras distorcidas. E é aí que debruçamos no passado. Em 1986 foi lançado um filme que até fez algum sucesso com o Matthew Broderick no papel de Ferris Bueller e se chamava Curtindo a Vida Adoidado. A festa fora de controle é como um upgrade desse último, a ponto de seus atores - no caso do atual um rapaz chamado, acreditem ou não, Thomas Mann (de camiseta branca); e no de 1986 um ator chamado Alan Ruck (de boné ridículo) - serem muito parecidos, tanto fisicamente quanto no papel de meninos tímidos que acabam envolvidos em altas encrencas por um amigo despachado, egoísta e sem noção. 

Quase trinta anos separam os dois filmes, mas a semelhança física entre seus atores é incontestável. Freud explica? Eu não...
 
Depois de assistir ao Uma Festa Fora de Controle, por sinal detonado ao extremo pelos críticos do site Rotten Tomatos e pela crítica em geral, caímos na real do quanto a música popular mudou, aquele “faça você mesmo” nada tem a ver com bandas de meninos enfurecidos e sim com roupas coloridas, pick-ups e DJs. O auge do Curtindo A Vida Adoidado era uma cena de dança ao som de Twist and Shout, que faria corar de vergonha qualquer adolescente dos dias atuais, pelo menos da gringolândia. Eu gostei do Project X, de suas piadas engurizadas e das gatinhas peladas dançando aquela música elektrônica que não sei como definir: mas é um filme para a Geração Y. A constatação final é que Hollywood não muda o que está rendendo grana, nós é que mudamos de papel, porque é preciso adequar a calvície à passagem dos anos. Eu “teria idade” para interpretar o pai dos meninos maluquinhos e se isso acontecesse: Ah!, mas eu ia encher muito a cabeça deles de cróque!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

RAPIDINHAS CULTURAIS ERUDITAS

Mandando duas repostagens (reportagens?) rapidinhas culturais. São apresentações muito bacanas que acontecerão amanhã (31 de maio) no apagar das luzes do mês das noivas, mas deste susto eu não morro. Destaco especialmente o Concerto em Sol de Ravel para Piano e Orquestra, uma obra que é linda do início ao fim, mas o segundo movimento ... Bom, simplesmente imperdível. Seguem as repostagens, não percam!

Ofes apresenta "Choros 10" de Villa-Lobos da Série Sinfônica

A Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), sob a regência do maestro convidado, Roberto Duarte, realizará na quinta-feira (31), o terceiro concerto da Série Concertos Sinfônicos, da Temporada 2012. A apresentação será realizada no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia) e podem ser adquiridos a partir das 14horas do dia 25 de maio, na bilheteria do Teatro (3132-8396).

O repertório será composto por obras dos compositores franceses Debussy e Ravel e do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, três nomes de peso da música clássica do Século XX. Destaque para aprimeira apresentação pela Ofes da obra Choros 10, de Villa-Lobos.  Esta composição é de 1926 etraz elementos de percussão brasileiros que conferem à obra, essencialmente modernista,cadências semelhantes às do baião e do samba. É uma das obras de Villa Lobos mais reconhecidas eaplaudidas no mundo inteiro.

Além da Ofes, participarão dessa apresentação o Coro Sinfônico da Faculdade de Música do EspíritoSanto (Fames) e o Coral do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES ).

Para apresentar o concerto em Sol, de Ravel, foi convidado o pianista francês Hugues Leclère. Nascido na França em 1968, Hugues Leclère se aperfeiçoou sob a orientação de Catherine Collard antes de entrar para o renomado Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde maistarde obteve três primeiros prêmios, em piano, análise musical e música de câmera.

Paralelamente à sua carreira de concertista, Hugues Leclère atua como diretor do FestivalInternacional Nancyphonies e como professor de piano no Conservatório Real de Bruxelas.

Destaque ainda para o maestro convidado, Roberto Duarte. Natural do Rio de Janeiro, Duartedesenvolve suas atividades como regente no Brasil, Europa e Estados Unidos. Seu interesse pela música brasileira o coloca em posição de destaque no cenário musical, com a apresentação de maisde uma centena de obras em primeira audição mundial e a revisão das obras para orquestra de Villa-Lobos. Teve o privilégio de ter sido discípulo e assistente de dois dos maiores mestres brasileiros: Francisco Mignone e Eleazar de Carvalho. Mais tarde aperfeiçoou-se, ainda, na Itália e na Alemanha.

É membro, entre outras, da Academia Brasileira de Música. Em novembro de 1996 recebeu doGoverno Brasileiro, através da Funarte, o mais alto prêmio da Música no Brasil: o Prêmio Nacional da Música, como regente. Foi Em 2001 recebeu o Prêmio Carlos Gomes por sua atuação no campo daópera, como regente e revisor. Em Paris, em abril de 2002, participou como membro do comitê dehonra e palestrante no I Congresso Internacional Villa-Lobos.

Roberto Duarte foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981-1994), da Orquestra Sinfônica do Paraná (1998-1999) da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul (2003-2005).

Imagem inline 1

Na próxima quinta feira, dia 31 de maio às 19:30h a Cia Capixaba de Ópera e Musicais estará apresentando mais um concerto da série " Concertos na Vila". O evento, de arte integrada, apresenta ao grande público, além de obras dos grandes compositores eruditos e sacros, peças dos mais belos musicais da Broadway.

A participação especial do mês de maio é do coral Arcelormittal Tubarão, e os artistas convidados são Ingrid Mendonça, que relançará seu livro " Além do Gesto", o poeta Marcos de Castro e a artista plástica Erminda Breda com sua exposição  "Ludicidades".
O grupo de teatro Geta e o Ballet Ludmila Machado completam o quadro de atrações dessa edição.
Os cantores do elenco  são Patrick du Val, Cláudio Modesto, Elaine Rowena, Symara Feitosa, Marcos Rosa, Marcos Antônio Cypreste e Julimar Amorim e os bailarinos Rebeca Freitas, Thaís Salomão, Lara Cremasco, Bruno Correa e Julia Mariano. O piano é de Angela Volpato, o violino de  Evandro Marendaz, as coreografias de Lígia Araújo, a apresentação de Maryza Barbosa, a direção musical de Cláudio Modesto e a direção geral de Elaine Rowena.

terça-feira, 29 de maio de 2012

NÃO SEI SE EU ESTOU PIRANDO OU SE AS COISAS ESTÃO MELHORANDO


Quando os doidões menos esperavam é que não aconteceu nada mesmo. Agora começou a circular a notícia que usar drogas pode deixar de ser crime. Um “liberou geral” que chega, se chegar, pelo menos uns trinta anos defasados da realidade dos malucos. Vamos combinar que agora não vai fazer mais muita diferença? Os próprios membros da comunidade doidarássa não conseguem mais recuperar a proibição de seus "agadês" e culpam os neurônios que foram destruídos por algum vírus sacana. Somente os mais teimosos ainda guardam a lembrança de que usar droga é ilegal, é imoral e engorda porque enganar a polícia e desafiar a sogra ainda lhes confere alguma forma de emoção... 

Mas a notícia está assim no site da Folha:

“A descriminalização vai permitir o uso, compra, porte ou depósito de qualquer droga, desde que para consumo próprio. Ou seja: a descriminalização deixa de classificar como crime.”

Já segundo o site da Globo, até mesmo o plantio de bagulho, a erva maldita, para consumo pessoal vai deixar de ser crime. Você, cidadão responsável que nem dirige por aí depois de tomar uma cervejinha pode pensar que isso é algum absurdo, mas lá nos anos oitenta tinha o pai de um amigo nosso que cultivava impunemente – até onde eu sei - um sonoro pé de maconha no “jardim interno” de sua residência. Era o ponto de visitação da casa. Todo mundo que passava por lá tinha que conhecer e reverenciar a simpática plantinha.

Tá todo mundo doido. Oba!
 
Não sei como é hoje, a molecada me parece mais comportada, bieberzinha, mas lá nos anos oitenta a ideologia da porralouquice imperava que nem aquele cara que desistiu de se candidatar a prefeito agora, bom, deixa pra lá. Tinha, por exemplo, o pai de um maluco que tomava muito café e, meio mórbido, costumava dizer que após sua morte ia nascer um pé do ouro negro capixaba em sua sepultura. Divertido o doidão comentava com os demais: e em cima da minha vai nascer um pé de maconha...

Honestamente – ou descriminalizadamente – não sei qual impacto ou que diferença isso vai fazer na cabeça dos inúmeros malucos que não passam sem um baseadinho. Sei lá por que, fumar maconha era e ainda é para muitos doidões antigos um modo criativo de viver, coisa de Magaiver, encontrar um lugar impossível pra malocar o produto. Por isso Keith Richards, Rita Lee e Ozzy Osbourne são referência de resistência, embora não falem mais muita coisa com coisa, curiosamente, eles já ficaram pra lá de velhos e estão cada vez mais doido varridos...

A descriminalização de certas drogas é uma discussão importante e antiga, mas eu gostaria de ver a comunidade pensante, pelo menos, tentando encontrar a razão de tantas pessoas precisarem usar drogas, legais e ilegais. Ou você conhece alguém que não toma um remedinho, uma cervejinha, ou até freqüenta um culto, digamos assim, mais emocionante? Precisamos nos conhecer melhor, sob o risco de continuarmos proibindo e liberando coisas que nem sabemos bem para o que servem em nossas vidas.

domingo, 27 de maio de 2012

FRASES DOMINGUEIRAS: PORQUE DOMINGO É O DIA DA FAMÍLIA.

As três frases que eu mais detestava ouvir antes da maturidade:

Frase 1

- Diga-me com quem andas que te direi quem você é. 

Essa minha mãe adorava, especialmente pra esculhambar meus amigos porraloucas. Como se os dela, a maioria artistas e pessoas extravagantes, fossem algum modelo de comportamento social. Uma vez eu ia chegando em casa (quer dizer, na casa dela) para “ouvir um som” no meu quarto com duas “marias palco” fantasiadas de loiras e de aspecto geral – vá lá – bastante popular, se é que vocês vão me entendendo. Mamãe estava sentada na sala tomando um café e ao nos ver entrando com aquela ginga de quem não quer nada, mas vai fazer de tudo, falou:

- Parem aí mesmo e venham cá.

- Quê foi mãe?

- Aonde você pensa que vai com essas duas barangas?

Frase 2

- Quando chegar à minha idade você vai entender e vai me dar razão.

Era a preferida de papai, também a ouvi várias vezes da boca de sujeitos nem tão encanecidos assim, mas que exerciam alguma forma de poder ou posavam explicativos de detentores de algum saber. Era uma pala necessária porque, esgotado os argumentos lógicos sem conseguir me convencer, usavam o fato de terem mais idade para legitimar e impor uma opinião ou decisão com a qual eu não concordava.

Frase 3

- Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. –

É o (di) lema do hipócrita assumido, pior que é ainda muito usada. Deveria estar escrita na entrada de todas as fábricas de fazer malucos que existem pelo mundo. Como se fosse adiantar vetar a quem quer que seja o direito de errar, aliás, é como diz no Evangelho de João: “não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”. Citação feita, em tempo, apenas para ilustrar, passa longe de mim essa contradição de tanta gente televisiva e politiqueira cujo (cujo?) discurso “religioso” passa bem longe das ações práticas.

Obviamente, as frases que eu mais gostava eram: sabia que amanhã é feriado e não tem aula? Ou uma que era mais rara: aquela garota que você “tá a fim” disse que também tá doida pra “ficar com você”... Mas a que eu mais desejava ouvir, com uma toalha amarrada no pescoço a título de capa esvoaçante, nunca rolou:

- Meu filho: tome cuidado quando sair voando por aí...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

MORRE UMA DAS PIONEIRAS DA MÚSICA CLÁSSICA NO ESPÍRITO SANTO


Soube agora do falecimento, aos 95 anos, da pianista Edith Bulhões, militante antiga da música de concerto no Espírito Santo. Quando pesquisei a história da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, encontrei o programa de um recital de Dona Edith em Buenos Aires, certamente o auge de sua carreira como concertista internacional.

 
Durante a pesquisa descobri também que Edith estava envolvida numa questão relativa ao nome da Orquestra dos Capixabas criando uma situação que permanece até os dias atuais. Tudo bem que talvez fique até estranho o grupo mudar outra vez de nome agora, quase vinte anos depois, mas leiam a seguir um trecho do livro Da Capo – De Volta às Origens Da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, para entender melhor a questão:

            Com a aprovação do quadro complementar de cargos e salários em 1986, a Orquestra que já fora de Câmara, Clássica e Filarmônica mudou de nome pela quarta vez e passou a ser definitivamente intitulada “Sinfônica”. Definitivamente? Essa era, na verdade, a denominação adequada para o grupo, porque, nem todo mundo sabe, mas o que distingue uma Sinfônica de uma Filarmônica não é o número de seus integrantes, nem o repertório que executa e sim a sua condição formal. As Sinfônicas são órgãos governamentais custeados pelo Estado (leia-se pelo povo). As Filarmônicas, o nome já diz, são em tese (porque a OFES tem o nome de Filarmônica e não se encaixa na descrição) sustentadas por doações filantrópicas, por “amigos da música”. A denominação não significa que uma Orquestra esteja em um patamar inferior com relação à outra, as Filarmônicas são órgãos privados, muitas vezes de um poderio enorme. Talvez a mais rica, tradicional e respeitada Orquestra do mundo seja a Filarmônica de Berlin.
            Mas então porque a OFES é Filarmônica e não Sinfônica se o grupo sempre teve gestão e custeio do Governo do Espírito Santo? A explicação é meio torta: muito antes da criação da OFES (na década de sessenta!) uma pianista e promotora cultural chamada Edith Bulhões fundou e registrou em seu nome uma “Orquestra Sinfônica do Espírito Santo”. Embora quase ninguém mais se recorde, Dona Edith chegou a realizar apresentações com o grupo, como atesta uma reportagem do jornal A Tribuna de 04 de setembro de 1975, cuja manchete, que por sinal destilava uma certa ironia, era: Nós temos uma “Sinfônica”. Alguém sabia? Mais abaixo vinha a explicação:

            “Quando a Orquestra Sinfônica Brasileira esteve em Vitória, apresentando o Projeto Aquarius, o maestro Isaac Karabchevsky fez um apelo ao Governador Élcio Álvares para que fosse criada uma Orquestra semelhante no Espírito santo. Depois do espetáculo de encerramento da Semana do Exército, Edith Bulhões, diretora da Sociedade Cultural Artística de Vitória, foi conversar com o maestro, explicando-lhe que já existia a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, mas que, por falta de verbas e de músicos ela tinha feito apenas uma apresentação, no dia 25 de setembro de 1971, como um conjunto de Câmara. Ninguém até então tinha conhecimento da Orquestra, nem mesmo a Fundação Cultural do Espírito Santo. A Orquestra Sinfônica do Espírito Santo foi registrada no Ministério de Educação e Cultura em 1964 e pelo Governo do estado. Até hoje, ela existia realmente apenas no papel, lavrado pelo órgão educacional e mantida aos solavancos por esmolas dadas por autoridades e congressistas, depois de pedidos insistentes da diretoria da SCAV.

            Publicado no jornal A Tribuna em 04 de setembro de 1975.

            Como a própria Edith Bulhões explica na reportagem acima, sua Orquestra nunca chegou a “decolar” de verdade. Portanto não vamos aqui entrar nos méritos que levaram esta mesma senhora - depois de seis anos de existência da OSES - a reivindicar em 1992 os direitos sobre o uso do nome da Sinfônica do Estado. Foi uma atitude polêmica que gerou um processo há muito engavetado no arquivo da Secretaria de Estado da Cultura. Segundo depoimento do maestro Helder Trefzger, a discussão não foi em frente para evitar uma celeuma desgastante com uma pessoa pública de méritos inegáveis para a cultura local. Foi decidido que a Orquestra simplesmente voltaria a ser denominada Filarmônica, embora não muito corretamente, e seguiu-se em frente o curso da história. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

DE ENFANT TERRIBLE A PIRATA DE MEIA IDADE


Minha relação com os quadrinhos e os caras que vestem cuecas por cima da roupa começou cedo, antes de aprender a ler já manuseava revistas em preto e branco do Homem Aranha. Todo lançamento cinematográfico super poderoso me deixava – e ainda deixa - ouriçado. Quando o famoso Superman - talvez a primeira grande e decente produção do gênero - foi lançado eu arrumei um barraco em casa. Queria porque queria assistir à estréia. Naquela época nem havia isso, mas eu precisava estar presente à primeira sessão do dia em que o filme entrava em cartaz. Tinha só um problema: era às duas da tarde, mesmo horário da escola que sem muitas razões eu já detestava.

Chorei! Nem procurei esconder, todos viram. Esporro comeram, pena de mim não precisava. Conseguir me fazer ir à escola naquele dia: nem o próprio Super-homem seria capaz. Na segunda sessão do dia da estréia estava eu sentadão no Cine Paz, feliz da vida, escoltado pelo Nilson Barata, eterno braço direito de meu pai o “seu Djalma”. Até hoje me pergunto o quanto essas rebeldias de minha parte infantil repercurtiram negativamente ao longo de minha vida ou se as concessões de meus pais agravaram meus futuros problemas de comportamento e desassociação com certas obrigações e costumes da sociedade.

Até hoje quando os heróis entram em cena fico meio preguiçoso com relação ao mundo real. Foi assim agora com o mega sucesso de bilheteria Os Vingadores. Não fui ao cinema assistir - de enfant terrible a pirata de meia idade - arrumei um lançamento R6 – pelo que entendi são cópias que circulam na Ásia – de ótima qualidade e – apesar de inúmeros outros compromissos com “a escola da vida” - entrei numa de traduzir as mais de duas horas do filme. Quando isso acontece é ruim, mas é ótimo. Mergulhei naquela aventura durante todo fim de semana e pude - ou tive que - escarafunchar à vontade os detalhes de seu especialmente tão elogiado roteiro.

 
O grande lance é que o texto foi montado em um esquema auto-referente, é como um jogo de vôlei: bolas são levantadas para cortadas que acontecem no momento certo. Desde o início da história são fornecidas informações que vão sendo reforçadas e confirmadas, geralmente com humor e picardia. Isso conduz o fluxo narrativo – que poderia ser cansativo ou tedioso - com inteligência e astúcia (do Chapolim, exclusive). Pode parecer exagero de minha parte, porém, pela Internet - e fora dela - encontram-se inúmeros escritores e roteiristas destacando as qualidades do trabalho liderado por Josh Whedon com colaboração de Zack Penn e, certamente, pitacos de muitos produtores.


O resto é pirotecnia e deleite visual, com destaque para a beleza novata da modelo canadense Cobie Smulders (aí em cima), a atuação engraçadinha de Robert Downey Jr. e Tom Hiddleston, o Loki, que rouba e domina cada centímetro da tela quando aparece. Sua cena com a Viúva Negra, quando o semi-deus decresce do salto de um monarca polido e simpático para um monstro aterrorizante, é o auge dramático do filme. É o momento em que tudo começa a clarear para os heróis, que explodiam em conflitos pessoais, e se unem para derrotar o mal para delírio da galera. Essa virada na história mostra o quanto o trabalho de escrita foi bem feito e arquitetado tendo por base antigas leis de proporção. O sucesso obtido em Os Vingadores não vem por acaso é a junção entre escolhas certas e trabalho bem feito.