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quarta-feira, 11 de maio de 2011

RAPIDINHAS CULTURAIS

VITÓRIA JÁ FOI MAIS GOSTOSA...

Quem lança novo DVD é o garoto Amaro Lima, o nome da parada é Delicidade, embora a nossa cidade ultimamente não esteja lá essas delícias. Amaro está partindo para um som bem mais próximo aos grandes públicos do mercado nacional e levando com seriedade uma das mais competentes carreiras do Espírito Santo, lembro pelo menos de duas ocasiões em que cheguei em festas na casa de amigos e eles estavam ouvindo um disco do Amaro, me arrisco a dizer que foi a única vez que isso me aconteceu com um artista local. Mas vai lá, o flyer segue abaixo.



ESSAS MULHERES NO TURKZOO                  

"Essas Mulheres" é o novo show de Elaine Rowena, com repertório que vai de bossa ao blues. O evento conta com a participação especial de divas da música capixaba: Vera da Matta, Kátia Rocha, Ângela Volpato, Gardênia Marques, Jully Victória, Graciella D'Ferraz, Simone Itaboray, Márcia Chagas e Juana Zanchetta. No time masculino, a presença do poeta Marcos de Castro e de Jace Theodoro. Os músicos convidados são o percussionista Edú Szajnbrum, o pianista Roger Bezerra, o rapper Kamale, o gaitista Víctor Barros e o guitarrista argentino Norberto Fyhn.
                                                                                                    
As atrizes Beth Caser e Suely Bispo recitarão poemas do universo feminino, a dupla Denize Marchetti e Roberto Cigano mostra a sensualidade e elegância da dança de salão e a estilista Stael Magesck compõe no visual das artistas as diversas fases e faces da mulher transformadas em moda. A dançarina do ventre Bianca Campagnoli interpretará "Udi", música árabe, acompanhada pelo pandeiro do mágico Edú. A noite também será de autógrafos dos novos cd's de Graciella D'Ferraz e  Simone Itaboray. Ao final do show, palco abertíssimo para canjas de todas as vertentes!


terça-feira, 10 de maio de 2011

O TRIUNFO DA MÚSICA - PARTE III - DAS CURIOSIDADES


A leitura De o Triunfo da Música me despertou para músicas e artistas que eu não conhecia bem como a ópera em um ato Le Devin Du Vilage do filósofo Jean-Jacques Rousseau que obteve grande sucesso em Paris; o disco A Love Supreme do saxofonista John Coltrane, relatado no livro como uma experiência mística do homem expressando espiritualidade através da música; e, por último, o famoso último castrato da história, Alessandro Moreschi que deixou algumas gravações feitas entre 1902-04.

Outra curiosidade que achei foi sobre músicos que descobriram obras quando as gravações se tornaram comuns. Rachmaninov, por exemplo, não sabia que Schubert havia composto sonatas para piano e o famoso intérprete das sonatas de Beethoven, Artur Schnabel, disse que não sabia que Mozart havia composto concertos para piano (!)

Achei também a estranhíssima figura de “Lord How-how”, um traidor britânico de nome William Joyce, nazista doente que foi um líder do movimento fascista britânico e acabou sendo executado em 1946. Joyce foi o principal propagandista das loucuras de Hitler, transmitindo em inglês das rádios alemãs. A uma da tarde a BBC fez a leitura do último pronunciamento feito pelo condenado:

Na morte, assim como nesta vida, eu desafio os judeus que causaram essa última Guerra e desafio os poderes das trevas que eles representam. Quero advertir o povo britânico contra o esmagador imperialismo da União Soviética. Que possa a Bretanha ser outra vez grande e na hora de nosso maior perigo no oeste possa a suástica ser erguida da poeira, coroada com as palavras históricas ‘Você conquistou apesar de tudo’. Tenho orgulho de morrer por meus ideais e tenho pena dos filhos britânicos que morreram sem saber por que.

As transmissões de Lord How-how começavam com o bordão “Alemanha chamando, Alemanha chamando” - que me lembra a música London Calling, lançada pela banda punk The Clash no final de 1979 - e sua escuta era desencorajada pelas autoridades britânicas, porém o público gostava, talvez por que quisessem ouvir o outro lado da questão, era ainda início da guerra, ou talvez porque, preferissem ser chocados por toda aquela bobagem nazista do que entediados com a programação da BBC.

Logo após o final da guerra o maluco foi preso junto com a esposa perto da fronteira da Dinamarca e quando foi pegar o passaporte acabou tomando um tiro nas nádegas. Um dos dois soldados que o prendeu era judeu alemão que havia fugido do horror nazista para a Inglaterra com a família. A ironia do destino não poderia ser maior: William Joyce que era nascido na América de pais irlandeses e fazia se passar por britânico na Alemanha acabaria preso por um judeu alemão lutando pela Inglaterra.

Levado de volta para Londres foi condenado à morte por traição em um processo complicado, enquanto a população questionava a sentença, afinal Lord How-how sempre fora visto como uma espécie de piada, o que nos faz pensar também um bocado sobre o famoso senso de humor dos ingleses. Vale conhecer o site que é, infelizmente, todo em inglês. Lá tem até a gravação da última transmissão de Joyce, completamente bêbado, logo após o suicídio de seu ídolo mor Adolf Hitler...

Retirado e livremente traduzido do endereço: 
http://www.nickelinthemachine.com/2010/02/the-execution-of-lord-haw-haw-at-wandsworth-prison-in-1946/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O TRIUNFO DA MÚSICA - PARTE II


Pag. 29. No época do período barroco os músicos da Europa Continental eram tratados como lacaios, servos, ou na prática: escravos. “A posição subserviente mesmo dos maiores compositores e cantores constituía regra nas grandes e pequenas cortes.” Bach pegou cadeia porque pediu licença para ir tocar em outra freguesia.

Pode parecer exagero, mas uma vez tentei pedir férias vencidas a um empregador para prestar serviço para outro durante dez dias e fui ameaçado com demissão, aliás, esta só não aconteceu porque não foi encontrado um substituto a altura.

“A imperatriz Maria Teresa (1717-1780) - da Áustria, uma das depostas esclarecidas do período, mãe da rainha Maria Antonieta que seria guilhotinada na revolução francesa  encomendou uma cartilha para educação de seu filho Ferdinando ou Fernando, na qual os músicos foram situados no mais baixo nível hierárquico da sociedade, junto com os mendigos e os atores. Em 1771 ela acrescentou seu próprio comentário quando Ferdinando a consultou sobre a possibilidade de contratar o músico de quinze anos Wolfgang Amadeus Mozart.”

“Você me perguntou se deveria contratar o jovem de Salzburgo para seu serviço. Não consigo conceber por que deveria, pois você não precisa de um compositor ou de outra pessoa inútil. Mas, se acha que lhe dará prazer, não me oporei. Só dou minha opinião porque não quero vê-lo perdendo tempo com gente que não serve para nada. Porém, você deveria evitar conceder a essas pessoas títulos honoríficos como se estivessem a seu serviço. Pois o próprio serviço cai em descrédito quando essas pessoas perambulam pelo mundo como pedintes.”
                                                                                             
É bom saber que essa figura nada simpática foi profundamente infeliz no casamento, arruinou a Áustria com suas patuscadas e que hoje para entendermos quem ela foi é preciso pesquisar, enquanto Mozart é automaticamente lembrado e idolatrado. Por outro lado, vemos essa situação se repetindo constantemente, falo dessa gente auto-ignorante que alcança algum poder e sabe o preço de tudo, mas não sabe o valor de nada. Empinam o nariz e agem grosseiramente constrangendo pessoas que nem conhecem, simplesmente porque ocupam um cargo qualquer.

Existe uma história famosa entre Goethe e Beethoven que ilustra esse sentimento. Dizem que essas duas grandes personalidades da literatura e da música caminhavam em um lugar público até que encontraram alguém da realeza. O célebre autor do Fausto rapidamente fez uma mesura saudando a nobreza enquanto Beethoven fechou a cara. Mais a frente o compositor censurou o colega dizendo que eram eles que deviam saudar aos dois, afinal nascer em família nobre nada mais era do que um golpe do acaso, já eles tinham alcançado o reconhecimento através do talento e do trabalho. Ser nobre, qualquer um pode ser. Já ser um Beethoven...  

domingo, 8 de maio de 2011

O TRIUNFO DA MÚSICA - PARTE I


Andou me despencando pela cabeça o livro “O Triunfo da Música: a ascensão dos compositores, dos músicos e de sua arte.” De Tim Blanning. Editora Cia. Das Letras. São Paulo, 2011. Antes de ler e devolver ao emprestante, como reza a boa educação, tomei o cuidado de fazer anotações do que achei de mais interessante e vou compartilhar, quiçá (issa!) para difundir o desejo de leitura pelo simples prazer de ler...

Capítulo 1. Prestígio.

Pag. 27. Claudio Monteverdi (1567-1643), compositor pouco conhecido nos dias de hoje é, entre outras coisas, considerado o maior autor italiano de sua geração. Sua ópera Orfeu (1607) é encenada até hoje e é geralmente considerada a primeira obra prima do gênero. Em 1612, foi despedido pelo duque de Mântua. No verão seguinte mudou-se para Veneza, para ser diretor musical da Basílica de São Marcos. Sete anos depois os mantuanos tentaram atraí-lo de volta. O compositor teve então o maior prazer em recusar o convite numa carta famosa que revelou o que um músico queria (e ainda quer).

Primeiro: dinheiro. Em Veneza ganhava-se bem melhor e não havia as tradicionais humilhações e calotes na hora de receber. Segundo: Estabilidade. Não corria o risco de ser mandado embora em função da morte súbita de um nobre ou algo que o valha. Terceiro: controle. Monteverdi tinha liberdade para contratar e despedir músicos (não tinha que acomodar as famosas indicações de protegidos), fora outras decisões importantes sobre sua própria arte. Quarto: reconhecimento de seu trabalho. Segue trecho da carta do próprio autor:

“Não existe nenhum cavalheiro que não me estime e respeite, e quando vou tocar, seja música de igreja ou de câmara, juro a vossa excelência que a cidade inteira vem correndo ouvir.”

Curioso como até hoje essas são coisas fundamentais, não só para os músicos, mas para os artistas em geral e falando ainda mais amplamente, para todas as pessoas que vendem sua “força de trabalho”. Muitos abrem mão de um emprego só para ter em outro alguns desses itens. Até que ponto nossa sociedade “evoluiu” de lá para cá? Pense bem: no ano que vem o episódio que originou essa carta está fazendo quatrocentos anos (!)

Recentemente fiquei sabendo de um triste episódio que envolve artistas e empresários daqui do Espírito Santo, mas tão vergonhoso e vexatório que me amarrei com corda para não comentá-lo por escrito como, aliás, estou fazendo agora. Não é uma briga minha, não foi comigo que aconteceu, cabe aos lesados colocarem a boca no trombone, a imprensa formal noticiar o acontecido e as autoridades competentes fazerem valer a justiça. Vou prosseguir depois, o texto ficou grande e complexo, resolvi o dividir em três partes para poupar o domingão da galera. Um feliz dia das Mães para as gatinhas carinhosas do Brasil!

sábado, 7 de maio de 2011

A LETRA ELEKTRÔNICA ESTRÉIA NO CADERNO PENSAR DE A GAZETA


Hoje o universo, amanhã o resto! Clique na imagem para aumentar. A Letra Elektrônica "Você Gosta a Gente Posta!"

quarta-feira, 4 de maio de 2011

ENTEVISTA DE ANTROPOLOGIA


Uma amiga me envia um questionário de Antropologia, cujas (cujas?) considerações quero compartilhar.  Os que se animarem a responder essas cinco perguntas poderão participar da pesquisa e, quem sabe, contribuir para desvendar o capixaba, esse ser misterioso...

1 – O que você mais gosta aqui no Espírito Santo? O que mais te atrai?

Aqui estão minhas raízes profundas e meus amigos mais antigos, minhas referências de vida. Gosto de caminhar pelas ruas em que passei a infância, a adolescência e a vida madura. Gosto de mostrar os velhos lugares para pessoas que quero bem e contar histórias que aconteceram ali há vinte, trinta anos. Gosto da cidade que cresce, mas continua pequena e dessa coisa do capixaba achar que perto é o lugar aonde se vai a pé. Gosto, enfim, de nossa simplicidade, ainda que as vezes ela também me incomode.

2 – O que te força ou te atrai a ficar aqui em termos culturais?

Infelizmente pouca coisa. Apesar de estar se desenvolvendo com muita velocidade e atropeladamente, Vitória ainda permanece interiorana, indefinida culturalmente e seus habitantes típicos são muito fechados e resistentes a novidades, como índios, e também como estes costumam se deslumbrar com qualquer bugiganga de colonizadores. Nessa contramão, o capixaba em geral não valoriza seus artistas nem a arte feita aqui; se isso é o problema, ou se o problema resulta disso é uma questão de descobrir o que veio primeiro: o ovo ou a galhinha. Me atrai ficar aqui em termos culturais para lutar contra esse atraso e tentar fazer a minha parte na preservação de nossa memória, na construção de uma identidade cultural e no apoio ao surgimento de novos talentos.

3 – O que é ser capixaba?

É sentir frio em dias de chuva e não saber o que é o inverno. É reclamar de nossa cultura e repetir os erros da maioria, que são: não prestigiar, apoiar e ajudar a divulgar o trabalho dos próprios colegas. É falar mal do patrão, mas o respeitar submissamente. É se omitir ante a bandalheira e se indignar com bobagens e episódios isolados. É ser como a grande maioria dos outros irmãozinhos brasileiros. Ser capixaba é querer saber qual é...

4 – Quais os pontos turísticos do Estado?

O Convento da Penha é um lugar muito legal para levar visitantes, campeão em qualquer pesquisa. Mas a Pedra Azul, o Frade e a Freira, a Cachoeira da Fumaça, o Museu Mello Leitão em Santa Tereza e a cidade em si, a Igreja e residência dos Reis Magos em Nova Almeida e a Igrejinha do Rosário na Prainha de Vila Velha são alguns dos meus preferidos. Ah sim, e a praia de Manguinhos.
                                                                                                                                                                     
5 – O que mais caracteriza o Espírito Santo em termos culturais?
                                                                                                                                                                     
O que mais caracteriza nossa cultura é a falta de uma identidade bem definida e isso se torna gritante porque nos comparamos o tempo todo com vizinhos de região e de fato como cariocas, mineiros, baianos e até os paulistas. Ficamos tão espremidos nesse meio que parece até que não temos sotaque, assim como não temos tradição em teatro, cinema, literatura, música; não temos nem mesmo futebol e se tivéssemos não teríamos estádio. Aliás, não temos grandes ícones de nível nacional em nenhuma área a não ser, que eu me lembre, a Neymara no bodyboard que é várias vezes campeã mundial, mas pouca gente dá pelota. Pra ser sucesso aqui tem que aparecer no Faustão. Sempre que viajo para outros estados pergunto o que as pessoas acham ou conhecem do Espírito Santo e maioria não sabe o que dizer, mesmo os nossos vizinhos. Se para nós mesmos somos uma grande incógnita, que dirá o resto do país.