Uma vez apresentei um evento - para quem não sabe trabalho como mestre de cerimônias, indicações são bem vindas - em que um palestrante criticava a forma como as mudanças são implementadas no Brasil. “Lembram da carteira de trabalho que antigamente a gente tirava na mesma hora? Pois é agora informatizaram tudo... Leva duas semanas pra ficar pronto.” Serviços que antes eram gratuitos passam a ser cobrados, outros que eram cobrados uma vez passam a ser de cinco em cinco anos e por aí vai...
Pode reparar amigo, a cada nova Lei aprovada a vida fica mais cara e mais complicada. São mais impostos, taxas e multas cada vez mais absurdas. Sempre, eu diria até maquiavelicamente pior, com a justificativa da “defesa da vida” ou então da soberania da nação como é o caso absurdo – mas bota muito absurdo nisso! – das cobranças em Vitória de “taxa de marinha”. Que hoje é defendida até pelo PT, imagine só, porque o superintendente daqui é o Magno Pires, meu amigo inclusive. Pô Magno...
Um querido primo me dizia que um dos indicativos para se julgar a qualidade da administração de uma cidade são os seus jardins e ele, que não mora aqui, emendou: como estão feios os jardins de Vitória. E é verdade. Já tivemos a cidade melhor cuidada de uma maneira geral, especialmente o trânsito que é algo básico na vida de todo mundo. Já reparou que é no básico que a corda aperta?
Pegue a terceira ponte como exemplo. Entregue há vinte anos ou mais. Construída com dinheiro do povo, pagamos pedágio para circular nela até hoje, ida e volta, cada vez mais caro. Para quem - aonde - vai esse dinheiro? Imagine quanto é arrecadado diariamente ali. No domingo passado íamos para Vila Velha almoçar com um sobrinho e fomos surpreendidos por um baita engarrafamento. Ao que parece um rapaz tentava suicidar e fecharam a ponte. Foi um caos! Isso no domingão, ninguém paga meia...
O nosso país é legislado hoje como é pensado o trânsito de cidades como Vitória. Cada mudança feita dificulta pro motorista, não resolve o problema e encarece a vida. Vide como exemplo aquele cruzamento da Avenida Desembargador Santos Neves que antes desaguava na Reta da Penha e hoje há que se dar uma volta no quarteirão, com três semáforos - ou mais, nem sei - para chegar ao mesmo lugar. Aliás, deve ter melhorado o trânsito mesmo, porque eu nunca mais passei por ali...
É triste pensar que o Brasil está com a economia bombando e a vida da população ao invés de melhorar só piora com mais impostos, taxas, radares escondidos, multas e nada disso retorna em benefícios. Os crimes contra a vida aumentam, os acidentes de trânsito também e nos hospitais públicos e nas cadeias amontoam-se presos e pacientes pelos corredores. Enquanto isso acontece, discutem-se sacolas de plástico, talvez porque pensar um meio ambiente seja mais fácil do que o ambiente inteiro...

